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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Sobre a transição de CLT/Funcionário Público para Autônomo / Pequeno Empresário

Saudações, confrades!

Espero que todos os meus leitores tenham tido um bom Natal e que tenham recebido muitas bênçãos de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Vamos ao (provável) último post de 2024, para dar uma variada nos assuntos do blog e não ficar só nas atualizações patrimoniais, conforme eu havia dito no post anterior.

Uma coisa que me vem à mente em minhas elucubrações diárias a respeito de como sair de meu emprego atual (seja via concurso, via empreendendo, via tornando-me autônomo) é a crescente necessidade de autonomia em cada passo da jornada profissional.

(OBS: quando falo "empresário" neste texto refiro-me ao pequeno empresário autônomo, MEI, EPP, EIRELI*, que trabalha sozinho (loja virtual, confecção individual de alimentos, artesão, etc. que tenha um negócio que seja possível de ser operado sem funcionário nenhum a não ser o próprio dono))

*: acho que EIRELI não existe mais, mas posso estar enganado.


Permitam-me ilustrar usando o McDonald's como exemplo:

Quando você é criança, seus pais te levam ao McDonald's, você pede um lanche e ele aparece na sua frente, sem esforço algum. Você nem vê o dinheiro indo para o caixa, ou o cartão sendo passado na maquininha. As coisas simplesmente "acontecem" sem você fazer esforço algum e por conta disso geralmente as crianças não têm noção de como é a realidade.


Depois você cresce mais um pouco, tem seus 15 anos, e vai sozinho ao fast-food. Faz seu pedido e precisa entregar dinheiro ao balconista. Provavelmente quem te deu o dinheiro foi o seu pai ou a sua mãe, mas você teve que se desfazer dele para ganhar seu lanche. Ainda assim, o lanche "apareceu" na sua frente, embora com algum sacrifício de sua parte - o ato de entregar seu dinheiro. Você já aprende um pouco que é necessário fazer alguma coisa para que as coisas aconteçam. Mas ainda é fácil: você sacrifica um dinheiro pelo qual geralmente você não sacrificou nada, pois seus pais te deram, e o sacrifício foi deles (embora aos 15 você já saiba que as pessoas trabalham para ter dinheiro, se você nunca trabalhou você não tem uma noção verdadeira do que é trabalho)


Então suponha que depois você cresce mais, tem seus 18-19 anos e vai trabalhar no McDonald's. Agora são as outras pessoas que pedem o lanche para você, e pela primeira vez ele não vai "aparecer", você é que vai ter que fazer acontecer.

A maioria das pessoas para nesse estágio do amadurecimento. Elas começam a trabalhar, e então descobrem que elas é que têm que fazer as coisas acontecerem. O hambúrguer foi entregue embalado em cima de uma bandeja na mão do cliente porque todo um time de pessoas se envolveu na preparação na lanchonete, em todas as suas fases produtivas, e antes desse time poder trabalhar, vários outros tiveram que concluir seus trabalhos: os caminhoneiros da empresa de logística que entregou os pães, molhos e hambúrgueres congelados, os pecuaristas que criaram as vacas que forneceram a carne, os açougueiros/trabalhadores de frigoríficos que cortaram a carne, congelaram, embalaram e depois separaram para entrega, e entremeando todos estes processos estão inúmeros gerentes, advogados, contadores e coordenadores que criaram, leram, revisaram, e negociaram os contratos com todas as empresas e funcionários envolvidos, fizeram os pagamentos, registraram os pagamentos, registraram dívidas, cobraram dívidas, emitiram os pedidos, emitiram notas fiscais, emitiram DARFs, corrigiram erros, e por aí vai. Isso sem falar em: marketing, auditoria, consultorias, etc. 

Mas ainda assim, o dinheiro cai todo mês, bastando que estas pessoas continuem trabalhando nos dias em que tiverem que trabalhar. E os clientes vão até a empresa, porque já foi feito todo um trabalho para isso. Ou seja, o dinheiro vai até a empresa graças a todo um trabalho prévio que foi acumulado e que permitiu que isso acontecesse.

O estágio seguinte do "amadurecimento profissional", que eu considero ser o dos profissionais autônomos, é o de não somente fazer acontecer, mas também fazer o dinheiro e os clientes aparecerem.  O dinheiro do autônomo não cai todo automaticamente no primeiro dia útil do mês, ele recebe aos poucos ao longo de seu mês de trabalho, conforme vai atendendo seus clientes e prestando seus serviços ou vendendo seus produtos. E não necessariamente os clientes virão de maneira automática - pelo menos não no início de sua carreira. Ele leva algum tempo criando sua fama e montando uma "carteira de clientes". 

(No caso do McDonald's, já foi feito um trabalho de décadas para criar uma marca reconhecida e que praticamente atrai clientes sozinha, quase sem esforço dos franqueados. O autônomo/pequeno empresário precisa levar em conta esse trabalho de conquistar clientes em seu planejamento - e é por isso que muitos pequenos negócios nascem em paralelo a empregos CLT ou empregos públicos: porque o autônomo precisa ganhar um sustento certo e mais estável enquanto está construindo sua carteira de clientes - quando não é assim, ele herdou o trabalho de seu pai ou de sua mãe, que já fizeram todo esse trabalho de criação de uma carteira de clientes e de um nome - é o caso de muitos escritórios de advocacia, por exemplo)

E mais um passo além no "amadurecimento profissional" é o do empresário que resolva empregar outras pessoas em seu negócio: além de fazer as coisas acontecerem e fazer os clientes e o dinheiro surgirem, terá que se preocupar em fazer o dinheiro aparecer para pagar seus funcionários (salários, benefícios, INSS, FGTS,  etc.) e também para pagar a si próprio!

A pessoa que foi CLT ou funcionário público "a vida toda" está acostumada com a previsibilidade de um salário que cai todo mês no começo do mês (ou no fim do mês anterior, em alguns casos), e consequentemente está acostumada a planejar seus gastos de modo a ir consumindo o salário ao longo do mês, mas com a (quase) certeza de que no mês seguinte outro salário, de igual valor, será depositado em sua conta. 

Imagino que o "choque de realidade" possa ser grande quando essa pessoa se torna autônoma ou empresária. Para começar, não é certo que haverá um valor sendo depositado em conta no início do mês ou no fim do mês anterior.  Principalmente no caso do autônomo prestador de serviços (advogado, contador, psicólogo, dentista, médico, etc.) o dinheiro vai caindo na conta aos poucos ao longo do mês, conforme ele vai trabalhando e atendendo seus clientes, o valor é variável e sujeito a sazonalidades e inúmeros outros fatores totalmente fora do controle do profissional e, com isso, o planejamento das finanças pessoais de um autônomo ou pequeno empresário é bastante diferente do de um empregado CLT / funcionário público.

Por este motivo, imagino que, idealmente, a pessoa que se prepare para ser autônoma precise: 

1) fazer primeiro uma reserva de gastos para alguns meses (digamos, uns 6 meses de gastos pessoais ou, mais idealmente, 1 ano, e essa reserva deverá incluir os custos esperados de seu negócio, como o aluguel de uma sala comercial e o condomínio do prédio onde fica esta sala, por exemplo); 

2) buscar sempre manter seu custo de vida baixo, ou o menor possível, equilibrando conforto e frugalidade, pois não há garantia alguma de que atenderá clientes / prestará serviços / venderá produtos a tempo de pagar contas no prazo (claro que com o passar do tempo adquire-se uma carteira de clientes mais estável, via propaganda boca a boca, indicação, fidelização, etc. que permite um planejamento melhor, mas isso pode demorar a acontecer!);

3) Mesmo após ter adquirido uma certa "estabilidade", sempre manter sua Reserva de Emergência (RE), repondo o mais rápido possível os valores consumidos (se eu fosse autônomo eu teria duas RE: uma "pessoal" e outra "profissional", para bancar custos da empresa como aluguel de sala, anuidades de softwares, seguros, etc. em épocas de vacas magras - o meu foco aqui é evitar aquele velho problema de misturar as finanças pessoais com as da empresa)

E imagino que com o passar do tempo, o autônomo se acostume com a idéia de "receita média mensal" ou "pró-labore médio mensal" e ajuste seus custos de vida a este valor. Acho que uma boa medida seria ajustar seus custos de vida para que sejam cerca de metade do "pró-labore médio mensal" (ou menos, caso possível), tendo em vista que a receita mensal é variável e sujeita a sazonalidades, além do fato de que, como autônomo, se você não trabalhar, você não ganha, simples assim. A metade que for economizada deve ir para aportes, "RE pessoal" e "RE profissional".

E creio também que o mais prudente é usar dinheiro ganho em cada mês seja para bancar os gastos do(s) mês(es) seguinte(s), ao contrário do raciocínio mais comumente aplicado por quem é CLT/funcionário público ("recebi este mês, gastei este mês"). 

Outra coisa importante a se considerar no planejamento é a construção de uma "reserva" para bancar suas férias, e feriados prolongados, pois afinal você provavelmente não vai aguentar ficar trabalhando sem parar durante muito tempo, e conforme eu disse acima, sem trabalho = sem dinheiro, então o autônomo precisa levar em conta que haverá dias em que simplesmente não haverá clientes ou haverá bem poucos porque é feriado, ou feriadão, e por aí vai. Você pode até querer trabalhar em um dia desses, mas pode ser que simplesmente não haja clientes. Então você precisa se preparar para dias assim também. E haverá dias em que você ficará doente, ou estará muito cansado, ou terá alguma coisa pessoal para resolver, etc. Haverá também a sua própria necessidade de descanso. Para todos esses dias você precisará ter uma reserva, pois não ganhará nada por estes "dias de folga".

Por fim, outros "choques de realidade" na transição para a autonomia são a falta do 13º e do adicional de férias, fora outros benefícios que empregadores no geral paguem (Auxílio-creche, Vale-Alimentação, Vale-Transporte, etc.), além da obrigatoriedade de recolhimento de INSS, que não é automática, fora outros tributos. O autônomo / pequeno empresário precisa prover todas essas coisas para si mesmo, e não pode se esquecer de recolher pelo menos o mínimo legalmente exigido para o INSS e os demais impostos para evitar problemas com o governo. 

No caso da falta do 13º, ela ainda é agravada pelo fato de alguns condomínios comerciais (especialmente shoppings) cobrarem o "13º aluguel", então é necessário tomar cuidado com esse custo extra que às vezes fica "nas letras miúdas do contrato". A "RE profissional" deve levar esse aluguel extra em consideração. Alguns tipos de negócio se beneficiam do aumento de vendas em dezembro e com isso dão conta desse 13º aluguel, mas acho que fica mais difícil para os pequenos empresários.


Todas essas coisas acima precisam ser levadas em conta no planejamento da carreira do autônomo / pequeno empresário.


Algum dos confrades têm experiências próprias para relatar? Como foi a mudança de vida saindo da CLT ou do emprego público para se tornar um pequeno empresário? 

Aos leitores autônomos / EPP / MEI: que profissão vocês exercem? Como conseguem clientes? 

Qual é a melhor opção: ser MEI, ser EPP, autônomo PJ ou ser um autônomo pessoa física mesmo? Ainda é possível ser autônomo pessoa física? Ou simplesmente não vale à pena?


Forte abraço, companheiros de trincheira!

Tenham todos um Feliz Ano-Novo, e que 2025 seja melhor do que 2024!

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

A inspiradora história de Dwarf Fortress

Dwarf Fortress é um jogo misto de estratégia com RPG e com administração de recursos relativamente obscuro (mas hoje em dia nem tanto)  que conquistou uma razoável comunidade de fãs na internet.


Como o nome sugere,  basicamente é um jogo ambientado em um mundo de fantasia medieval em que você controla uma pequena tribo de anões, a  qual começa com apenas uma carroça de recursos e vai aos poucos construindo uma fortaleza, enquanto coletam recursos, fabricam coisas e se defendem de monstros. 

O carro-chefe do jogo é a construção de fortalezas e cidades subterrâneas, bem como sua exploração.

O jogo é "feio", pois não possui gráficos (não tem sprites): tudo na tela é desenhado somente com caracteres ASCII. Uma escolha deliberada dos criadores, para não "perderem tempo" editando gráficos e adaptando o programa às animações necessárias, e também para que o jogo não ficasse lento, tendo em vista o gigantesco volume de variáveis, interações e funções rodando.

O visual do jogo é assim, todo "escrito", só tem caracteres


Além disso, jogo é extremamente complexo, com muitas situações possíveis, cada personagem sendo extremamente detalhado, desde status comuns como saúde,  força e defesa, até o nível de gostos pessoais (isso em um simulador de construção de fortalezas, com potencialmente milhares de personagens coexistindo e sendo gerenciados pelo jogador), com geração de mundos, geração de mitologia dos mundos, coleta de recursos, sistemas de geração de acidentes e desastres, sistema de magia, sistema de profissões, sistema de combate fisico, diplomacia, espionagem, etc, com todos os subsistemas necessários para que tudo isso funcione. 

E ainda por cima tem o modo "Fortress", com foco na construção de fortalezas e coleta/administração de recursos, e o modo "Adventure", com foco mais no lado RPG, de exploração e luta.

Notem os menus, acho que é do modo Adventure


Um mapa de uma ilha gerada aleatoriamente no jogo

Cada vez que você joga, tudo o que você faz no mundo que foi gerado aleatoriamente para aquela partida influencia não só nos aspectos físicos/geográficos, mas também na própria história e mitologia daquele mundo (também geradas aleatoriamente). E é muito fácil perder pois há muita complexidade envolvida. E como tudo o que você faz influencia o mundo do jogo, é possível explorar as ruínas de uma fortaleza que você construiu meses antes em uma partida perdida. 

Notem que perder é uma parte importante deste jogo.


Tudo isso foi programado ao longo de mais de 20 anos (e os trabalhos ainda estão em andamento), desde 2002, com mais de 700.000 linhas de código em C e C++, por apenas duas pessoas, os irmãos Tarn e Zach Adams.

Tarn cuida da programação e Zach cuida da lore do jogo.

O que me surpreende nesta história é que ambos estão trabalhando juntos há mais de 20 anos dedicando quase que 100% de seu tempo a este projeto e, há até pouco tempo,  viviam somente de doações dos fãs. 

Chegaram até mesmo a recusar uma proposta de US$ 300,000.00 para licenciar o nome "Dwarf Fortress" (que, convenhamos, é um nome comercialmente muito bom, com grande potencial de venda), pois não abrem mão de sua magna opus. 

E acredito que tenham recusado outras ofertas, não só de dinheiro, mas também de trabalho em grandes empresas de jogos.

Por muito tempo se mantiveram dissociados de empresas de jogos, em parte por conta de Tarn querer se dedicar a programar, e não a "gerenciar projetos", e em parte (creio) para manter sua liberdade criativa e controle total de sua criação. Só recentemente se associaram a uma empresa relativamente pequena focada em indie games chamada Kitfox Games, e mesmo assim, mais por questões relativas a saúde: sendo associados eles teriam mais acesso a planos de saúde e poderiam se cuidar no caso de tratamentos de doenças graves. Através dessa parceria, foi lançada uma versão comercial de Dwarf Fortress na Steam, esta com gráficos, para tornar o jogo mais palatável para audiências maiores (imagino que sacrificando vários recursos do jogo para conseguir rodá-lo com gráficos). 

(Só espero que a empresa não sacaneie os criadores do jogo, através de cláusulas escusas e obscuras no contrato, como outras já fizeram)

A versão comercial me parece ter sido um sucesso de vendas, com mais de 500.000 cópias vendidas até o momento, o que deve colocar Tarn e Zach em uma situação bem mais confortável.

Eu sinceramente acho esta uma história inspiradora, principalmente em relação à dedicação dos criadores, sendo também uma valiosa lição de auto-superação e criatividade: literalmente criar algo praticamente "do nada", partindo somente de uma idéia, com muito esforço próprio e improvisando com os recursos e ferramentas disponíveis. 

Um verdadeiro exemplo da força da vontade e da criatividade humana.

Leiam uma entrevista com o programador do jogo neste link.

E, abaixo, um pequeno "documentário" da história do jogo:


E, como não podia deixar de faltar, aqui está o link para o site do jogo, onde o mesmo pode ser baixado de graça: Bay 12 Games. No site da empresa também há um link para fazer doações via PayPal. 


Eu acompanho esse jogo faz uns dois anos, e já joguei algumas vezes. Imagino que se estivesse em outra fase da vida teria ficado "viciado". Ainda não tive tempo (e nem saco) para me acostumar com a ausência de gráficos e nem com a complexidade do jogo, mas mesmo assim admiro a história por trás da criação dele. Talvez eu compre a versão da Steam, ou baixe algum dos (vários) mods que foram feitos para incluir gráficos no jogo.


Podemos tirar algumas lições valiosas da história da criação de Dwarf Fortress, por isso quis compartilhá-la com vocês. 


Forte abraço!

Fiquem com Deus!





domingo, 6 de novembro de 2022

Os maus hábitos do comércio - parte 5

Saudações,  confrades!

Vamos a mais um post desta série, na qual eu discorro sobre práticas comerciais do dia a dia que eu considero ruins, improdutivas e prejudiciais tanto para os clientes quanto para o próprio estabelecimento em si.

Para quem não leu os posts anteriores e se interessa pelo assunto,  seguem os links:

Os maus hábitos do comércio 

Os maus hábitos do comércio parte 2

Os maus hábitos do comércio parte 3

Os maus hábitos do comércio parte 4

Agora vamos ao post propriamente dito:

Cardápios em QR Code - acho isso desnecessário e incômodo. Estou com o pessoal mais velho nessa. Acho um saco ter que pegar o celular e ler o QR Code para depois ficar arrastando a página do cardápio pra cima e pra baixo com o dedo na tela do celular. Acho que isso não economiza nada (se o restaurante precisa economizar dinheiro não imprimindo os cardápios,  então das duas uma: ou o cardápio muda todo dia ou então o restaurante já faliu e esqueceram de avisar o dono!) e ainda deixa o restaurante com um jeitão de "modernete metido a besta". 

Até hoje só fui em 2 restaurantes que só tinham cardápio em QR Code, e nos dois eu levantei e fui embora sem comprar nada. 

Um deles era uma dessas hamburguerias "gourmet" (que de gourmet só têm o preço mesmo) que só têm 3 hambúrgueres diferentes no menu, excessivamente caros, e o outro era uma cafeteria, e este foi recentemente. Nesse último eu quase me rendi e cheguei a escanear o bendito QR Code, mas a internet estava ruim e o cardápio não carregou (ou o arquivo era pesado demais para o meu telefone, sei lá). E também foi ruim ouvir a balconista com aquele jeitão de "problema seu" dizendo que não tinha cardápio em papel. Desisti e fui embora, e acho que sempre farei isso quando me deparar com cardápio que só existe num QR Code... 

Eu acho que hoje em dia muitas empresas ficam forçando a barra para que os clientes instalem apps e/ou usem o smartphone para fazer coisas triviais. Esse tipo de coisa só faz sentido quando a tecnologia envolvida realmente facilita o trabalho do cliente. Mas do jeito como muitas empresas fazem (como é o caso do cardápio em QR Code), acaba acrescentando mais um obstáculo para o consumidor alcançar o produto, e acrescentando mais uma etapa no processo do negócio onde é possível acontecer alguma falha que faça a empresa perder uma venda (por exemplo, no caso dos cardápios: internet fora do ar, telefone sem bateria, sinal ruim, etc.). 



Só porque uma tecnologia existe, não quer dizer que devemos usá-la o tempo todo e nem que a mesma deva ser incorporada a coisas corriqueiras.

Promoções que não são promoções - há pouco tempo recebi na rua o panfleto de uma loja que estava fazendo essa promoção bizarra: se você fizesse compras acima de 500 reais você ganharia um cupom que te dava a chance de ser sorteado para ganhar um prêmio de "até 10 mil reais". Como sempre, tinha um asterisco que levava para as letrinhas miúdas do contrato: na verdade eram  vários sorteios, alguns de 500 reais, outros de 1.000, e um de 5.000, e o prêmio não era em dinheiro, mas sim em vale-compras que deveriam ser usados na mesma loja e somente até um certa data limite (acho que março do ano que vem). Na minha opinião, se for para fazer uma "promoção" assim, melhor nem fazer, pois acho que pega mal para a imagem da loja. 

Acho que esse tipo de promoção, dando vale-compra, só vale a pena se for de super-mercado ou outro tipo de comércio em que você vá com frequência.

Outro exemplo disso são restaurantes que dão cartões-fidelidade que não trazem nenhum desconto de verdade, ou em que é quase impossível ganhar o desconto. Por exemplo, tem um perto de onde eu trabalho que a cada 10 refeições você ganha 20% de desconto na 11ª e o cartão só vale por três semanas. Acho que estes cartões poderiam ser vitalícios, ou ter validades maiores (1 ano).


E vocês, confrades, o que acham disso? Também se incomodam quando precisam usar o smartphone para ler um cardápio? Participam de promoções de lojas?


Forte abraço! Fiquem com Deus!

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Ideias de Negócios - Sebos (loja de livros usados)

 Salve, salve, confraria, vamos para mais um post da minha série sobre ideias para (pequenos) negócios.

Seguem os links para os artigos anteriores da série:

- Loja de penhores

- Jornaleiro

- Mini Pizzaria

- Soldador / Serralheiro

Relembrando, os meus critérios pessoais para montar um pequeno negócio são:

- Possibilidade de ter poucos ou nenhum funcionário, de preferência nenhum, para não ter problemas com a justiça do trabalho;

- investimento inicial baixo; e

- possibilidade de trabalhar em qualquer horário que eu quiser (dentro do bom senso)


Agora, vamos ao post propriamente dito:


Ter um sebo (lojinha de livros usados, para quem não sabe) me parece ser um negócio tranquilo e sem estresses no dia a dia, e dependendo de como você quiser que seja a sua infraestrutura, é o tipo de negócio que é possível de ser operado sem funcionários e com o dono fazendo o próprio horário (dentro  do bom senso, claro - eu trabalharia no horário comercial, ou só meio período,  e buscaria sempre ter 3 dias folga na semana, mas eu só estaria nesse ritmo se eu já tivesse alcançado a TF antes de montar a lojinha. Se eu precisasse dela para pagar as contas, eu teria que trabalhar mais dias, talvez de terça a sábado,  folgando ás segundas e domingos). 


fonte da imagem: shopee (aquele aplicativo com anúncios irritantes e extremamente cringe) mas não faço ideia daonde o shopee tirou essa imagem. Se você for o dono e ficar incomodado, reclame com o shopee.


Enxergo as seguintes facilidades e vantagens:

- provavelmente você já tem o estoque inicial (livros que você acumulou durante anos e não quer mais ler)

- é possível trabalhar sozinho, sem empregados, ainda mais se for um sebo on-line 

- provavelmente é um trabalho sem estresse ou de pouco estresse

- imagino que não atraia assaltantes

- o capital inicial provavelmente é baixo (uma sala, umas estantes, um computador, uma cadeira para você sentar, mesas e cadeiras para os clientes)

- dependendo do seu plano de negócios, pode caber numa estrutura tipo banca de jornal (já vi jornaleiros que se adaptaram e viraram sebos. Onde moro tem ao menos um assim)

- dependendo do seu plano de negócios, você nem precisa de uma loja física: pode manter o estoque em algum cômodo ou em uma simples estante da sua casa e só vender on-line (pode ter um site próprio ou usar o estante virtual ou até o mercado livre e similares para anunciar e vender os livros) - neste caso o sebo nem precisaria ser o seu negócio principal, poderia ser um complemento da sua renda (dependendo do volume de vendas acho que não teria problema operar como pessoa física - você está simplesmente vendendo alguns livros usados, não chega a caracterizar comércio -, mas é melhor tomar cuidado e ficar atento à lei para evitar problemas com a receita federal, estadual, etc.);


fonte: Gazeta do Povo

Como eu tentaria administrar:

- tentaria focar o negócio em um nicho de livros (livros técnicos, livros científicos, livros raros, livros descontinuados, só  literatura, só quadrinhos, etc.) - aqui o foco seriam provavelmente as vendas on-line. Mas como imagino que não venda muito por mês,  ainda mais se focar em um nicho, eu ainda teria outros tipos de livros em estoque (além dos de meu nicho), pois não poderia me dar o luxo de perder vendas.

- manteria um inventário constantemente  atualizado de meu acervo (infelizmente há donos de sebos que nem sabem o que têm em estoque e perdem vendas por causa disso)

- poderia abrir junto ao sebo um pequeno serviço de encadernação de livros (dependendo do nicho que eu me concentrasse, eu faria capas mais elaboradas, capas personalizadas, etc. - o equipamento para isso não deve ser caro)

- poderia incluir também um serviço de restauração de livros (mais complicado do que encadernar - seria necessário um investimento maior nessa habilidade)

- dependendo da lei municipal, incluiria serviços de xerox e digitalização de documentos, e de consulta SPC/Serasa para complementar a renda.

- incluiria também uma mini-papelaria, vendendo só o essencial (caneta azul, preta e vermelha, papel A4, cadernos, etc.) 

- poderia também incluir no negócio uma pequena editora para autores iniciantes (com equipamento para imprimir, digamos, 100 cópias de um livro e distribuir ou pôr à venda na loja) - mas aí o investimento inicial aumentaria consideravelmente,  então é necessário tomar mais cuidado com essa questão.

- usaria a estratégia da "bagunça organizada" (para o cliente acabar achando outros livros enquanto procura o que quer)

- poderia colocar também um "aluguel de livros" (pagar por hora para ler, como uma biblioteca particular, com os clientes lendo no local) - e para isso eu poderia fazer que nem as barbearias gourmet estão fazendo e incluir uma geladeira de bebidas... por que não?

- poderia abrir dentro do sebo um espaço de coworking / aulas particulares

- Se focar no ramo de quadrinhos/RPG/card games, poderia alugar mesas para que jogadores façam torneios ou simplesmente para jogos casuais (mas isso não deve ser muito rentável... já vi dono de loja de quadrinhos reclamando que a garotada não aceitava pagar nem 5 reais numa mesa... talvez o lucro disso venha da venda de bebidas e salgados durante o torneio,  e deixar as mesas "de graça", mas essas coisas não costumam dar muito certo no Brasil, pois no geral brasileiro quer tudo de graça  e não valoriza o trabalho alheio)


Agora, os riscos do negócio:

- A maioria dos livros ficará encalhada por anos até você conseguir vender (de fato a maioria dos livros escritos nos últimos 20 anos são mesmo imbecis e, fora isso, o povo daqui não tem muito hábito de leitura...), o que pode significar muito dinheiro imobilizado. 

- Talvez alguns livros nunca sejam vendidos. Então o dono de sebo tem que tomar cuidado na hora de comprar livros usados (é por isso que uma pessoa geralmente não consegue muito dinheiro vendendo livros para sebos: o dono do sebo geralmente só pode pagar bem pouco por cada livro por não saber nem quando nem se conseguirá revende-lo)

- Não sei se este é um tipo de negócio em que você possa ativamente buscar livros para o seu estoque. O que quero dizer  com isso: se você for de porta em porta na casa das pessoas procurando por livros que elas queiram se desfazer, provavelmente elas cobrarão caro para lhe vender seus livros velhos, e você não pode se dar ao luxo de pagar caro, dada a demanda incerta (a não ser que seja um livro raro, procurado por colecionadores). Desta forma, acredito que os lucros devam ser maiores se você esperar passivamente que as pessoas tentem lhe vender seus livros velhos (aí você conseguirá pechinchar, pois usará a carta de que está fazendo um favor para a pessoa, ajudando-a a se livrar de livros que estavan ocupando espaço)

- pode haver pequenos furtos na loja (mas esse é um risco de quase qualquer negócio)

- acho que muito dificilmente dê para viver deste negócio hoje em dia, a não ser que você conquiste certa fama na sua cidade ou no seu bairro ("no sebo do fulano você acha tal tipo de livro" ou "esse livro é difícil de achar, mas no sebo do beltrano com certeza tem").

- imagino que a receita seja muito mas muito mais incerta e aleatória do que em outros tipos de negócio. Não me parece ter uma demanda muito previsível. Na minha época de pré-vestibular, eu comprei livros de matemática, física e química em sebos, porque já há muito tempo que os livros de antigamente são melhores que os de hoje, mas atualmente com tanta vídeo-aula no youtube, não creio que o pessoal em época de pré-vestibular  hoje em dia compre os livros dos grandes mestres do passado (Ricardo Feltre, Ary Quintela, Morgado, Adyr Moisés, etc. - o pessoal mais velha guarda que lê o blog talvez lembre de alguns desses!)

- A qualquer momento um congressista pode, com uma canetada, criar tributos que tornem esse negócio inviável. Ou um juíz, também com uma canetada, pode mudar uma interpretação de uma lei, abrir um novo precedente, uma nova jurisprudência, etc. , e inviabilizar o negócio de outra maneira. Isso faz parte, infelizmente, do "Risco Brasil". E, realmente, a caneta já matou muito, mas muito mais do que a espada.


Eu pessoalmente acho que se fosse abrir um sebo eu focaria no ramo de livros raros e/ou descontinuados e investiria em equipamento gráfico para imprimir livros que passaram para o domínio público  mas que sejam difíceis de achar, e também imprimiria esses livros de domínio público colocando capas bonitas e atemporais, pois por alguma estranha razão as editoras hoje em dia parecem que beberam alguma coisa estragada e passaram a colocar capas horrorosas nos livros, desenhadas em estilos toscosou com imagens grotescas ou abstrata demais. 

Talvez eu até confeccionasse capas de couro ou algum material parecido (tenho um parente bem próximo que aprendeu a encadernar artesanalmente, e também sei onde vende couro barato na minha cidade, então sei que é possível fazer)


Algum leitor pretende ser dono de sebo algum dia? Ou já é dono desse tipo de comércio? O que acha da ideia? Comente aí!


Forte abraço e fiquem com Deus!


sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Ideias de negócios - Chaveiro

 Saudações,  confrades.


Eis aqui mais um post da minha série de artigos sobre pequenos negócios. Mas antes, aqui estão os links para os outros artigos desta série, para aqueles que não leram e também para relembrar:


- Loja de penhores

- Jornaleiro

- Mini Pizzaria

- Soldador / Serralheiro


Lembrando que os meus critérios para pequenos negócios são:

- possibilidade de trabalhar sozinho (sem empregados = sem custos de CLT e sem processos trabalhistas) ou com poucos empregados, mas preferencialmente sozinho.

- possibilidade de fazer o meu horário (eu trabalharia de segunda a quinta, ou algum outro arranjo em que eu tivesse 3 dias de folga por semana, ou então meio expediente todo dia de segunda a sexta, ou meio expediente dia sim, dia não... enfim, o céu é o limite quando você não tem chefe - mas é claro que para eu poder fazer isso, eu teria que primeiro alcançar a Tranquilidade Financeira ou viver com um custo de vida bem baixo)

- Investimento inicial baixo (mais fácil de começar e provavelmente mais rápido para recuperar o investimento e começar a lucrar e também mais fácil para passar adiante caso queira se desfazer do negócio)

Agora vamos ao artigo de hoje.

Dando continuidade à minha série sobre pequenos negócios,  hoje vou falar sobre um ofício que eu particularmente acho muito interessante e que já pensei com carinho (principalmente nos momentos mais tensos em meu atual emprego): Chaveiro. 

Assim como o jornaleiro, para ser chaveiro o cidadão precisa ficar atento à legislação municipal e, dependendo da cidade, a profissão infelizmente depende de autorização da prefeitura. 

Assim, cheguei a analisar algumas leis municipais sobre o assunto, de municípios de tamanhos e regiões diversas do nosso Brasilzão consultando as legislações municipais no site leismunicipais.com.br, que reúne as leis de vários municípios do Brasil (não tem de todos ainda, mas tem bastante). Mas, pelo que pesquisei, aparentemente não possui tantas restrições quanto a profissão do jornaleiro (que em várias cidades possuem regulamentos próprios que definem o que pode e o que não pode ser vendido na banca). 

Vou ater a análise apenas ao município de São Paulo, para que o texto não fique muito longo:

- Há a lei estadual 11.066 de 2002, (que foi alvo de ação de inconstitucionalidade pelo STF) que exige que os chaveiros sejam cadastrados junto à Secretaria de Segurança Pública e que comprovem ter feito curso específico para a profissão; 

- Há também o Decreto 57.298 de 2016, que classifica a atividade de chaveiro como sendo de "baixo risco" e portanto observam os artigos 127 ("Os empreendimentos considerados de baixo risco e os locais de culto enquadrados nas subcategorias de uso nR1 e nR2 serão isentos do atendimento da largura mínima de via estabelecida no Quadro 4A desta lei.") e 133 ("Nos casos dos empreendimentos considerados de baixo risco referidos no art. 127 desta lei, o uso poderá ser instalado em edificação não regular de acordo com as definições da legislação edilícia, desde que asseguradas as condições de higiene, segurança de uso, estabilidade, habitabilidade da edificação, assim como as condições de instalação e os parâmetros de incomodidade") da Lei 16.402 de 2016 (disciplina a ocupação do solo do município de SP). Interessante notar que a atividade de conserto de relógios também é classificada como sendo de baixo risco... Achei importante mencionar isto porque considero que isto pode gerar uma renda extra interessante para o chaveiro, conforme veremos adiante...

Infelizmente os chaveiros da cidade de São Paulo são sujeitos ao ISS na alíquota de 5%...

Fora isso não encontrei outros detalhes. Na maioria das legislações municipais que pesquisei, os chaveiros são pouco citados. 

Ainda bem!


Agora, falando sobre o negócio em si:

Entendo que o carro chefe de um chaveiro, em termos de quantidade de pedidos, seja a cópia de chaves comuns e a venda de cadeados, mas acredito que o grosso da receita deste negócio  venha:

1 - da troca de fechaduras das casas de clientes, abertura de cofres, de carros, etc. que são serviços mais caros por possuírem demanda bastante inelástica (que não diminui mesmo com o aumento do preço); e 

2 - da cópia de chaves eletrônicas de carros e demais tipos de chaves com alguma tecnologia agregada. 

Com certeza o chaveiro precisa investir em cursos específicos para dominar esses serviços mais sofisticados, especialmente abertura de cofres (que imagino ser um serviço pouco requisitado mas que permite ao chaveiro cobrar um bom preço). 

O que eu faria: começaria estudando o básico (trocas de fechaduras, cópias de chaves simples, etc.) e então faria cursos de assuntos mais avançados (abrir carros, abrir cofres, copiar chaves eletrônicas), de modo a fazer serviços simples e também os complexos. 

Além disso, incrementaria o meu negócio oferecendo alguns dos  seguintes serviços (dependendo do tamanho da banca que eu conseguisse comprar, claro, e respeitando a lei municipal de onde eu fosse trabalhar, tomando o cuidado para não fazer alguma atividade que seja proibida para um chaveiro, e registrando no CNAE secundário, conforme o caso) :

- amolação de facas, tesouras, alicates, etc. (acho que todo chaveiro faz isso, então seria burrice não fazer também, pois basta ter um esmeril, que é um dos equipamentos básicos do chaveiro, conforme veremos a seguir)

- serviços básicos de relojoaria (troca de pulseira, pino, bateria, e vidro - as ferramentas para isso não são caras, são fáceis de achar e não é difícil aprender a fazer estes pequenos reparos. Além disso, dificilmente alguém que tem um relógio realmente caro iria fazer esse serviço numa banca de chaveiro, então acho que eu não correria o risco de estragar um relógio caro)

- confecção de carimbos (já vi alguns fazerem)

- xerox (compraria uma máquina copiadora bem basicona e ofereceria o serviço para todo cliente que aparecesse por lá... vai que alguém está a caminho do banco ou do cartório e precisa tirar uma cópia? Muitos jornaleiros estão oferecendo esse serviço hoje em dia  para complementar a renda)

- digitalização de documentos (idem em relação à observação acima - e eu ainda teria um pequeno estoque de pendrives baratos para vender aos clientes que não trouxessem os próprios pendrives) 

- consulta SPC/Serasa (colocaria na banca um laptop que não estivesse usando em casa - também já vi muitos jornaleiros prestando este serviço)

- pequenos consertos domésticos (só no contra turno - faria um cartão de visitas com meu contato e distribuiria para todo cliente que aparecesse na banca... Assim eu "diversificaria" em profissões atuando como um faz-tudo para pequenos consertos domésticos... dentro dos limites de minhas habilidades, é claro, mas eu tento aprender estas coisas porque acho legal e também como plano B)


Equipamentos Necessários:

Máquina de corte de chaves (para fazer cópias) - já vi custando desde uns R$ 500,00 até uns R$ 4.000,00. 

Maquina pantográfica (para cópias de chaves de carros)

Máquina de codificação  (para chaves eletrônicas)

Esmeril (para acabamento de cópias de chaves e serviços de amolação de alicates e tesouras)

Estoque de chaves virgens

Ferramentas diversas:

    - Lima (para fazer acertos nas cópias das chaves depois de passar pela máquina, e também serve para fazer amolação de lâminas)

    - Morsa de bancada (para prender a cópia da chave e limar)

    - Alicate de corte força dupla (já vi usarem para cortar os excessos e rebarbas das chaves)

O maior custo acredito que seja o da compra da banca, que pode envolver o pagamento de uma luva, fora taxas da prefeitura (conforme a lei de cada município).

Vejamos... esta banca em Campinas está estava à venda por R$ 47.000,00 (o anúncio já foi removido... originalmente eu ia colocar o link do anúncio no post):


Riscos do negócio:

- o risco de qualquer negócio, que é a falência (pode ser mitigado se você for organizado e não misturar o dinheiro particular com o dinheiro da empresa)

- A concorrência pode ser alta (e geralmente os chaveiros que já existem estão há anos no mercado - mas até eles começaram algum dia, então esse pensamento da concorrência alta não pode ser impeditivo para abrirmos qualquer negócio que seja, respeitando o bom senso, claro)

- Mudanças na legislação municipal podem restringir ainda mais sua atividade (exigências absurdas feitas por parlamentares que não vivem no mundo real) - bem ou mal este também é um risco de qualquer negócio.

- geralmente a banca fica na rua, no meio da calçada, então há o risco de assaltos (mas todo comércio corre esse risco, a diferença é que o chaveiro parece ficar mais exposto por não ter uma "loja")

- Pelo mesmo motivo acima, além do fato de a banca geralmente ser pequena e aberta, há o risco de furtos (algum nóia, pivete, etc. pode ficar de olho e descobrir onde você esconde o caixa da banca, e aproveitar algum momento de falta de atenção e levar o seu dinheiro)

- Pelo mesmo motivo acima, você pode ser vítima de alguma autoridade corrupta que exija o pagamento de alguma propina para não te perturbar (esse risco é de todo e qualquer comércio de rua, mas é bastante mitigado se você tiver toda a burocracia em dia)

- Como estamos no Brasil, você pode acabar abrindo sua banca em um bairro dominado por alguma quadrilha e sendo obrigado a pagar uma taxa de proteção para não ser assaltado, ou ter sua banca destruída se não pagar (qualquer comércio de rua corre esse risco também, e ele pode ser mitigado pesquisando bem antes de comprar um ponto comercial para montar uma banca, evitando áreas de risco - mas, obviamente, pagando mais caro pelo ponto)


Leituras interessantes sobre o assunto:

Curso de chaveiro (aparentemente gratuito)

Curso de chaveiro básico (pago - R$ 647,00)

Outro  curso de chaveiro (não vi o valor)

13 dicas para abrir seu serviço de chaveiro

Uma das profissões mais antigas do mundo

Chaveiros ganham salário de até R$ 6.000,00



E vocês, confrades? O que acham da ideia de ser chaveiro? Já pensaram nisso? Algum leitor meu já trabalhou ou trabalha como chaveiro? Comentem aí! 

Forte abraço!

Fiquem com Deus!

sábado, 25 de setembro de 2021

Os maus hábitos do comércio parte 4 - Restaurantes "a la carte"

 Saudações,  confrades!

Inspirado por esta postagem do Pobre Sofredor, escrevi a parte 4 desta série. Desta vez o foco são restaurantes a la carte, especialmente o Outback.

Pela minha experiência pessoal, salvo poucas exceções, ultimamente os restaurantes só têm sabido fazer duas coisas: diminuir o tamanho das porções e aumentar o preço dos pratos. 

Um dos maiores exemplos disso é o Outback, que começou muito bem, com porções imensas em praticamente todos os seus pratos, mas hoje em dia há pratos custando o dobro do que custavam em 2007 (primeira vez que fui nesse restaurante) e com praticamente metade da porção que vinha antes. 


Claro que parte disso é culpa da inflação, mas não acho que justifique dobrar o preço e cortar as porções pela metade.

Como sempre fui um pão duro, eu me lembro de alguns dos preços: o filé mais caro (o Porterhouse) custava R$ 54,00 e era um bife de respeito. Hoje em dia custa mais de R$ 80,00 e dá até pena, de tão magro. 

O filé de tilápia era R$ 24 e era até condizente com o preço (nunca foi um filezão, mas era gostoso e o preço era justo, na minha opinião). Hoje custa mais de 50 reais (mais que dobrou) e na última vez que comi (acho que quando ainda custava uns 30 e poucos reais) estava muito menor, praticamente a metade do tamanho de antes e sem gosto (aliás, muitos restaurantes a la carte que servem filés de peixe usam esta tática suja de servir meio filé e cobrar o preço de um filé inteiro ou mais - fiquem de olho!). 

Sendo assim, no Outback, o filé de tilápia não  vale mais a pena, e na maioria dos restaurantes os filés de peixe em geral não valem a pena. Hoje em dia só como peixe em casa, mesmo.

A costela suína, o carro chefe do Outback, é gostosa, mas tem muito mais osso que carne, enche mais os olhos do que a barriga, e com o preço atual não vale mais a pena, na minha opinião. Até valia antes, mas hoje não dá mais, pelo menos para mim. Hoje custa uns 100 reais, pelo que fiquei sabendo. E imagino que em breve as batatas que acompanham a costela deverão ser pedidas à parte, ou então virão em quantidade bem pequena (muito provavelmente elas já diminuíram).

O que talvez ainda valha a pena são os hambúrgueres, mas mesmo assim eles devem estar custando os olhos da cara, e a porção de fritas que sempre vem acompanhando está cada vez menor, e imagino que não vá demorar muito para elas terem que ser pedidas à parte (notem que antes as fritas vinham no prato, em volta do hambúrguer, e depois passaram a vir em uma caneca de metal, onde cabe muito menos batatas...). Conforme o Pobre Sofredor escreveu em sua postagem, o Outback é no fundo um fast-food gourmetizado. 

Enfim, não é implicância minha com o Outback. Ainda acho um lugar bacana para ir com os amigos (mas hoje em dia bem raramente, por conta do preço). Na remotíssima possibilidade de que algum executivo do Outback leia meu blog, peço que leve isso como uma crítica construtiva. Peço que pense em outra estratégia de negócio que não envolva diminuir o tamanho dos pratos. 

O que quis ilustrar com este post é que os restaurantes em geral seguem esse padrão: mais ou menos a cada semestre aumentam os preços, diminuem os pratos, e é isso aí. Uma hora a corda arrebenta, mas os que têm mais fama conseguem segurar as pontas por mais tempo, enquanto os pequenos vão à falência mais rápido. Muitos restaurantes hoje em dia vivem de fama.

Conforme escrevi no início da postagem, creio que esta estratégia de negócio dos restaurantes em geral seja motivada principalmente pela corrosão do valor de nosso dinheiro através da inflação, em parte por conta dos impostos e em parte por conta dos custos trabalhistas. Também acho que uma parte disso seja motivada pela mentalidade do empresário brasileiro médio de preferir lucrar vendendo pouco, mas vendendo caro, ao invés de lucrar vendendo muito e barato, conforme descrevi em outros posts desta minha série.

E vocês, caros leitores do blog ? O que acham do Outback? O que pensam a respeito deste triste fenômeno que atinge os restaurantes em geral? 


Forte abraço! Fiquem com Deus!

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Links para os outros posts desta série:

Os maus hábitos do comércio

Os maus hábitos do comércio - parte 2

Os maus hábitos do comércio - parte 3

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

O que está acontecendo com as empresas de jogos?

Saudações, confrades!


Um assunto que vejo às vezes sendo debatido pela internet é a situação triste em que se encontra o mercado de jogos atualmente. Nos 80, 90 e até a primeira década dos anos 2000 era um mercado vibrante e que produziu muito valor. Alguns jogos  daquela época são jogados até hoje e muitos são sempre lembrados mesmo que quase ninguém os jogue mais.

Eu joguei muito Age of Empires (jogo até hoje, mas bem menos), Rollercoaster Tycoon (idem), Age of Mythology, Mario, Zelda, Sonic, etc. Todos estes que citei foram feitos naquela época e se tornaram franquias de sucesso, lançando jogos até hoje.

Mas de uns tempos para cá alguma coisa mudou e as empresas de jogos parecem ter perdido a maior parte de sua genialidade e criatividade. 



Está certo que o principal esporte praticado por nós, seres humanos, é reclamar de qualquer coisa. Mas é fato que muitas coisas mudaram para pior no mercado de jogos, comparando com aquela "época de ouro". 



Algumas empresas estão se tornando infames e parecem ter dado uma guinada de 180º em relação ao que eram antes. Creio que o maior exemplo disso seja a Blizzard, dona da franquia Warcraft. Recentemente houve o fiasco de Warcraft III - Reforged: um lançamento cheio de promessas, mas com uma entrega muito ruim (e que até onde sei não foi consertado até hoje, parece que foi abandonado). Outro fiasco desta empresa foi o controverso lançamento de Diablo Mobile (que decepcionou muitos fãs, que não queriam um jogo para celular, mas a Blizzard agora está focando no mercado chinês, onde os jogos de celular são mais populares). 

(ironicamente, mesmo com esses recentes fiascos e com o progressivo abandono de World of Warcraft, as ações da Blizzard vem subindo)

clique para ampliar. Créditos na própria imagem.


Uma coisa que me chama a atenção é que antes os jogos eram sempre vendidos completos. Você pagava o preço e comprava o jogo pronto (no máximo com alguns erros que eram corrigidos com patches que você baixava de graça no site da fabricante). Dependendo do jogo, as empresas lançavam pacotes de expansão, mas ainda assim o jogo original sempre vinha completo. As coisas eram assim e as empresas tinham lucro e prosperavam. O negócio dava certo. 

Será que hoje não dá mais certo agir assim?

Hoje em dia,  muitos jogos parecem ser vendidos nem na versão beta, mas na versão alfa, porque logo depois do lançamento já existem DLCs (pagos) para completar o jogo. Em alguns casos, o jogo vem incompleto mesmo, na cara de pau, como foi o caso de No Man's Sky e Cyberpunk 2077, provavelmente porque as empresas prometeram que lançariam o jogo em um prazo impossível de ser cumprido pela equipe de desenvolvimento (clássico caso do conflito entre o departamento de Relações Públicas e o de Operações - um promete o impossível e o outro é que tem que executar) e provavelmente têm vergonha de voltar atrás em suas palavras. 


Esse meme já ronda a internet faz alguns anos... 


Muitas das empresas adotaram também as infames mecânicas de Lootbox (que você paga para ter acesso a determinadas coisas no jogo, geralmente meramente cosméticas, mas às vezes coisas importantes) e Pay-to-Win (em que você paga para ter acesso às melhores coisas de um jogo, que fazem a diferença entre ganhar e perder). Com essas mecânicas de microtransações é como se você, além de pagar para comprar o jogo, ainda tivesse que ficar pagando um "aluguel" para continuar jogando. 

Será que o mercado de jogos mudou a ponto de hoje em dia se as empresas de jogos não fizerem isso elas simplesmente não lucram? 

Ou será isto mais um movimento explicável pela teoria dos jogos - "se a minha empresa não fizer isso, a concorrente vai fazer, e vai lucrar mais do que a minha, e vai poder investir mais e se tornar ainda maior, roubar minha fatia do mercado, etc.,etc."?

Acho que hoje em dia as empresas como um todo (não só as de jogos), mesmo as que são gigantescos monopólios ou que fazem parte de oligopólios, estão mais covardes e centralizadoras. Parece que mais nenhuma quer se arriscar com um produto novo (por mais que tenham bilhões em caixa para bancar fracassos), então acabam apostando em formas de ganhar dinheiro rápido e tirar o time de campo logo em seguida.

No caso das empresas de jogos, uma estratégia comum tem sido anunciar algum jogo novo prometendo um monte de coisas para gerar muita hype, fazer uma pré-venda para aumentar a empolgação do mercado, lançar o jogo (mesmo inacabado e cheio de bugs) , arrecadar a grana da venda, e então abandonar o jogo, praticamente ignorando a repercussão negativa. E partir para o próximo lançamento (e os trouxas continuam comprando...). Antes o negócio era focar em fazer um jogo muito bom e colher os frutos no longo prazo, caso o jogo fizesse sucesso e tivesse o potencial de se tornar uma franquia.

Não deixa de ser uma estratégia semelhante a de muitos IPO de empresas que ocorreram nos últimos anos.

Outra coisa em que eu acho que as empresas de jogos pisam muito na bola é que elas desperdiçam o potencial criativo dos fãs. 

Há dezenas de mods e hacks muito bem feitos de diversos jogos clássicos. Para alguns deles já existem até softwares dedicados para mods (como é o caso do Lunar Magic, para fazer mods de Super Mario World, e Banjo's Backpack, para fazer mods de Banjo-Kazooie) o que facilita muito o trabalho. 

Os criadores destes mods e hacks, na minha opinião, merecem ganhar dinheiro por seu trabalho, mas infelizmente é perigoso até mesmo montar um site para divulgar uma carteira de BTC ou uma conta no pay pal para receber doações dos jogadores das mods, pois as empresas donas dos jogos podem processá-los. Alguns projetos muito bons, como esta bela versão em 2D de Zelda Ocarina of Time, são forçados a fechar por ameaças de processos, mesmo que não sejam monetizados e os criadores não estejam ganhando nada com isso. 

Na minha opinião, as empresas de jogos estão perdendo uma excelente oportunidade de lucrarem com a criatividade de seus fãs. Porque não montam um market place onde os mods e as hacks possam ser vendidos legalmente, ficando a empresa com uma parte dos royalties? Que custo isso teria? A meu ver, seria "dinheiro de graça" para elas, e uma oportunidade de desenvolvedores independentes ganharem um dinheiro e divulgarem seus talentos.


Será que é por vaidade que a Nintendo não cria um market place para os fãs venderem suas próprias mods?


Com tantos vacilos que as grandes desenvolvedoras têm dado, será que o futuro dos jogos está nos "indie games"? Aliás, aí está uma boa ideia para trabalhar como autônomo... Quem sabe?

O que acham do assunto, confrades? 

Jogam algum jogo? Têm birra com alguma empresa desenvolvedora?

Forte abraço! 

Fiquem com Deus!




sábado, 20 de março de 2021

Ideias de negócios - soldagem e serralheria

 Saudações confrades e companheiros de jornada!

Um mês sem postar... as coisas têm estado meio pesadas em meu trabalho, o que me deixa cansado e sem muita inspiração para escrever... 

Depois devo fazer um post sobre algumas das coisas que aconteceram no trabalho, pois há certos aspectos psicológicos e sociais interessantes e que creio que valham um post... veremos. É prudente deixar algum tempo passar para que os eventos se distanciem e as ideias amadureçam.

Continuando, trago aqui mais uma postagem com uma ideia para um pequeno negócio. 

Relembrando, meus critérios para "pequeno negócio" são:

- Investimento inicial relativamente baixo;

- Poder trabalhar sozinho e/ou com poucos empregados (mas de preferência sozinho);

- ser dono de meu horário. 

Para quem não leu, aqui vão os links para as postagens anteriores desta série:

1- Loja de penhores 

2- Jornaleiro

3- Barraca de pizza / mini pizzaria

Agora vamos à ideia de hoje:

Uma profissão que eu próprio realmente considero como plano B ou plano C na minha vida é ser soldador e serralheiro e trabalhar com reparo de portões, chapas, portas, etc. e talvez até mesmo fabricando móveis simples de metal (bancos, mesas, etc. - móveis que dá para fazer a baixo custo usando vergalhões, por exemplo).

fonte: um dos sites que eu indiquei no fim da postagem. Visitem todos eles! Vale a pena!

Aliás, está na minha lista pessoal de planejamento profissional um dia fazer um curso de corte e solda no SENAI ou em algum curso privado que ofereça tais conhecimentos. Além do curso, tenho certeza de que existem inúmeros tutoriais no YouTube e em blogs especializados que me ajudariam a complementar e a lapidar meus conhecimentos e habilidades. Se eu encontrar esse curso à noite na minha cidade, certamente reservarei um tempo. Se não tiver à noite, então reservarei alguma época de férias para isso. E se eu fosse demitido do nada, acho que eu começaria imediatamente.

Considero que esta é uma profissão que, sabendo fazer direito e sendo trabalhador, dê para tirar uma boa grana por mês,  ainda mais se você for pontual e organizado,  coisa que, pela minha experiência, muitos destes profissionais que trabalham nessas áreas relativas à construção civil (pedreiros, marceneiros, encanadores, etc.) infelizmente não são, talvez por uma questão de "cultura da brasileira da malandragem". Portanto, está aí uma oportunidade para angariar clientes.

Além disso, ao contrário dos trabalhos "comuns" de escritório  CLT mensalistas em geral, quanto mais você  trabalhar, mais dinheiro irá entrar em seu bolso, então aqui ser workaholic (por um tempo) pode sim compensar.  

Investimento inicial: 

- Curso de corte e solda e de serralheria (eu não me arriscaria nessa profissão só com tutoriais de YouTube e de blogs- pode ser muito perigoso, e não recomendo que ninguém se aventure a mexer com maçaricos e ferramentas elétricas de corte em geral sem preparo e conhecimentos prévios) 

- Maçarico e máquina inversora 

- estoque inicial de eletrodos ("varetas de solda")

- estoque inicial de insumos (tubos, conexões, vergalhões, chapas, etc. - o material exato depende do tipo de trabalho que você deseja fazer)

-Ferramentas básicas (martelo, alicate universal, esmerilhadeira, discos de corte e de polimento)

- EPI (máscara para solda, luvas, avental, botas, óculos de proteção)

- Mala de rodinhas para carregar as ferramentas 

- cartões de visita (para distribuir no seu bairro e em bairros próximos, deixar em lojas de materiais de construção, etc. para ir fazendo seu nome e angariando clientes)

Todas estas coisas acima você encontra facilmente em qualquer loja de ferramentas, é só pesquisar onde for mais barato. Claro que como eu não tenho 100% dos conhecimentos necessários para ser soldador e serralheiro, eu posso estar me esquecendo de alguma coisa, mas o investimento inicial é bem por aí. 

A Loja do Mecânico vende este kit para serralheiro que, a meu ver, é relativamente barato (R$645,00 + frete), o que comprova minha tese do investimento inicial baixo para começar nesta nobre profissão.

Sinceramente, não sei se um soldador autônomo consegue tirar uma boa grana por mês,  mas eu estaria disposto a tentar construir meu nome e ir angariando clientes. (Se algum leitor meu trabalha com solda  por favor comente aí e compartilhe suas experiências profissionais e de vida). 

Uma coisa que eu faria, pelo menos no começo, seria literalmente ir caçar clientes na rua: percorreria as ruas de meu bairro à procura de portões quebrados, tortos, enferrujados, etc. e ofereceria meus serviços, de porta em porta. Eu começaria mesmo estando ainda em meu atual emprego, trabalhando nos fins de semana e feriados e nas férias. Em cada cliente eu deixaria meu cartão de visitas, e assim iria construindo meu nome e eventualmente talvez seria capaz de largar o emprego e viver de serralheria. 

Será que daria certo? Acho que o resultado seria diferente para cada um, e só descobriremos tentando.  

Além disso, por ter várias aplicações na construção civil, creio que sempre haverá trabalho para um serralheiro, basta ter boa vontade e procurar um canteiro de obras, uma empresa de construção, etc. Ou seja, caso o negócio próprio vá mal, ainda dá para se virar como empregado celetista em uma oficina ou trabalhando sob contrato em empreitadas. Óbvio que meu principal objetivo seria ser autônomo, mas sempre precisamos de um plano B (além, claro, da boa e velha reserva de emergência) para evitar ao máximo passar apertos e necessidades.

Outra coisa que eu considero importante seria ter conhecimentos além dos de solda e serralheria: creio que um bom profissional desta área, caso deseje trabalhar como autônomo, deveria ter também uma alguma noção de instalações hidráulicas, instalações elétricas, desenho técnico-industrial, usinagem e tornearia mecânica, de modo a ser alguém bem capacitado para desempenhar várias tarefas para os clientes.

Quem sabe, com o tempo, eu não conseguisse alugar (ou talvez comprar) uma pequena oficina e com isso me tornasse ainda mais confiável e profissional aos olhos do mercado consumidor? Talvez um pequeno terreno baldio sirva, e com pouco dinheiro eu construiria um pequeno galpão que me serviria de oficina. Talvez o que sairia mais caro seriam as instalações elétricas que eu teria de fazer. Um risco neste caso é que geralmente os terrenos baldios estão cheios de pendências jurídicas (disputa entre herdeiros, disputas entre proprietários e seguradoras, etc.), o que dificulta sua compra e a torna muito arriscada. Talvez o ideal seja mesmo comprar ou alugar uma pequena loja ou sala comercial térrea e transformá-la numa oficina. Outra maneira possível seria usar a garagem de casa como oficina, especialmente se ela for ao ar livre (eu não tenho carro e nem pretendo ter, então seria uma maneira de útil de aproveitar o espaço) - mas sempre tomando cuidado e levando em conta o risco de incêndio.

Em minha pesquisa, encontrei estes sites que parecem ser bons e podem ajudar aqueles que quiserem seguir a profissão, contendo dicas de ferramentas, de segurança, de gestão de estoque, e até da parte empresarial da coisa. Recomendo a leitura.

https://casaserralheiro.com.br/blog/

https://blog.oximaq.com.br/

https://www.ferpam.com.br/blog/

https://www.meuserralheiro.com.br/

https://www.profissionaldoaco.com.br/


O que os confrades da blogosfera das finanças acham desta ideia? Se arriscariam nesta profissão? Eu a considero bem interessante porque une criatividade, habilidades manuais e alguns conhecimentos de química, física e matemática. 

Forte abraço! Fiquem com Deus!