sábado, 3 de dezembro de 2022

Aportes e Atualização Patrimonial - Novembro de 2022

Saudações, confrades!

Novembro acabou, e chegamos ao último mês do ano de 2022 de Nosso Senhor!

Que mês longo e turbulento! Falo a respeito do mercado, dos ânimos do país e da sensação de que era muito mês para pouco salário!

Vamos ao post de atualização patrimonial, como sempre expresso em Coroas, a moeda oficial do Mago Economista (conforme dados de 2 de dezembro):

 


Após incríveis 12 meses seguidos de crescimento, meu patrimônio apresentou uma pequena queda em relação ao mês anterior. A queda foi devida à sangria geral do mercado de ações e principalmente a saques que precisei fazer na Reserva de Emergência, para fazer frente a gastos extras. Faz parte do jogo! Acho que não vi nenhum colega da finansfera comemorando resultado positivo este mês. Estamos juntos nessa, amigos! 

Aumento acumulado de 192,4% em relação ao começo da série histórica, em junho de 2021. 

Ainda tenho esperança de terminar o ano alcançando a marca das 3.000 Coroas. 

Aporte e tempo, é isso o que mais importa nas finanças...


Ações - o aporte do mês foi na Sinquia, empresa de software com forte atuação no setor financeiro, vários anos de lucros, dívida baixa, etc. ; além disso, aproveitei a queda geral do mercado e reforcei minha posição em B3 (a empresa) e em Cielo. Vamos ver no que dá.

Segue o gráfico das ações. A que está mais à frente representa 5,6% da carteira de ações, que agora conta com 30 empresas, sendo 27 na carteira "All Stars" e 3 na "2ª Divisão".






FIIs - o aporte do mês foi em HGRU11, fundo focado em lojas de rua, e no KNRI11, fundo híbrido de escritórios e galpões logísticos. 

(Será que eu ainda vou encontrar mais FIIs para a carteira? Por enquanto ela permanece com 15 fundos diferentes. Acho que poderia diversificar mais um pouco, mas como ainda não encontrei outros FIIs que me agradassem, por enquanto a carteira fica dividida em 15 FIIs mesmo. Vou procurar um pouco mais agora em dezembro...)

Quando montei o gráfico dos FIIs, fiquei surpreso com o fato de que pela primeira vez não é o HGLG o primeiro colocado da minha carteira... foi ultrapassado KNRI, o "transatlântico" do mercado de FIIs. Agora cada um representa quase 10% da carteira de fundos imobiliários, o que significa que vai demorar um pouco até que eu faça novos aportes nestes fundos. Segue o template e o gráfico:




Exterior - Conforme escrevi na última atualização patrimonial,  voltei a aportar no exterior. A empresa escolhida foi a 3M, produtora de diversas coisas úteis, sendo mais conhecida aqui no Brasil pela "fita verde" e também pelas máscaras de proteção industrial. Sem saber, comprei a tempo de poder receber os dividendos, agora em dezembro! 

Falando em dividendos, eu ainda não considero a renda passiva recebida no exterior porque ainda não chego a receber 1 coroa por mês. Quando isto ocorrer, vou considera-la no gráfico da renda passiva.


Com este aporte, minha carteira no exterior está com 5 stocks e 6 REITs:




Renda Fixa - conforme escrevi na introdução, precisei sacar da RE. Pelo menos ela ainda está superior ao do começo da série histórica, e contabilmente o valor separado para comprar um imóvel permanece o mesmo, e só a parte que eu considero RE diminuiu.

Reserva de valor - sem aportes este mês. BTC ficou o mês todo abaixo dos 100.000 reais, talvez tenha estabilizado por aí. Se sobrar dinheiro, compro mais um pouco, mas ultimamente não me tem sobrado dinheiro.

O esquema de fraude da FTX me parece que deu uma desanimada no mercado das criptos e ainda fez com que muitos potenciais usuários desconfiassem ainda mais desse "mundo".



Governo sendo governo...

Renda Passiva - O prêmio de consolação do mês veio na renda passiva: este mês recebi 7,79 coroas, o que faz com que novembro de 2022 tenha sido o 2º melhor mês até o momento, praticamente empatando com o pico de 7,82 coroas recebidas em maio desse ano. Talvez na atualização de dezembro, eu escreva aqui que bati meu recorde na renda passiva... veremos! 

Do total recebido, 2,78 coroas foram oriundas das ações, e o restante dos FIIs. As empresas que me pagaram dividendos e JCP este mês foram: Eztec, Banco do Brasil, Porto Seguro, Cielo, Grendene, Klabin, Tupy, Localiza, Itaú e Bradesco. Portanto, 10 empresas contribuíram para a minha renda passiva este mês. Aos pouquinhos, vou me tornando menos dependente do emprego e a bola de neve de dividendos vai crescendo!



Segue o gráfico do patrimônio consolidado:


A RE ainda representa uma fatia alta do patrimônio (40%), e isto ainda me protege das oscilações da bolsa. KNRI e HGLG são os únicos ativos que representam, cada um, mais de 2% do patrimônio total. A minha carteira agora está com 56 ativos, fora a RE.


Generalidades

- Situação tensa no país. Tem muita coisa que eu poderia escrever, mas prefiro me manter afastado de assuntos polêmicos. Vale o conselho do Bastter: trabalhar, cuidar da saúde, cuidar da família, fazer a caridade que puder fazer, e seguir a vida. Só digo que a forma de Estado que eu considero a menos pior é a monarquia.

- Situação tensa no mundo, com a guerra entre Ucrânia e Rússia ainda rolando. O presidente dos EUA, joão bidê, me parece ser nada mais que um fantoche quebrado: não duvido que ele seja mesmo senil e esteja no cargo para servir de testa de ferro e eventualmente de bode expiatório caso seja necessário sacrificar alguém como culpado por eventuais crimes de guerra e/ou de corrupção. Isso fora as outras suspeitas que pairam sobre sua estranha figura...

- Como eu não curto futebol, não estou vendo os jogos da copa do mundo, então estou bem por fora dos detalhes. Mas não teve como não ver algumas pessoas desprezíveis comemorando quando o Neymar se machucou, e isso só por causa do posicionamento político dele. Isso diz muito sobre o caráter destas pessoas.  

- Falando na Copa, por mais que eu concorde que por aqui o futebol é "o ópio do povo", eu acho errado e infantil torcer contra seu país só por birra. 

- Li isso não lembro aonde, mas concordei: a falta de neve nos prejudicou como civilização.


Forte abraço, confrades!

Fiquem com Deus!

terça-feira, 15 de novembro de 2022

O dinheiro é uma abstração, e isso inclui o ouro

 





Os metais preciosos em geral (e neste texto eu uso o ouro como metonímia) têm sido aceitos como meio de troca pela humanidade há milhares de anos.

O homem da Antiguidade aceitava a ideia de armazenar ouro porque sabia que poderia trocar tal ouro por, por exemplo, comida. E isto porque certamente o outro homem aceitaria trocar o tempo de vida que gastou caçando, coletando ou plantando para produzir comida por ouro. Este por sua vez aceitava trocar seu tempo gasto produzindo alimento por ouro justamente porque sabia que um terceiro também aceitaria dar outras coisas em troca de ouro, e assim por diante. É uma cadeia de confiança, inicialmente não-escrita, orgânica, e que eventualmente acabou resultando nas moedas de curso forçado que temos atualmente.

O ouro, assim como qualquer forma de dinheiro, seja físico seja digital, com lastro ou sem lastro, é no fundo uma abstração para o tempo. O dinheiro desde sempre funciona como uma "bateria de tempo", um jeito de armazená-lo: permite que você se especialize em fazer uma só coisa (ou poucas coisas) em troca destas "baterias", para que não precise gastar tempo fazendo atividades que outras pessoas se dispuseram a realizar, elas também gastando seu tempo de vida em troca de "baterias". E, como escrevi anteriormente, isto só funciona na base da confiança. Se em dado momento a confiança em determinada "bateria" acabar, todas as suas cópias se tornam praticamente inúteis.

E nós passamos por várias camadas de abstração para chegarmos onde estamos hoje em relação ao que entendemos como dinheiro. 

O resumo deste caminho seria mais ou menos assim:

1) No início não existia dinheiro, não havia maneira simples e padronizada de "armazenar" tempo, então todos apenas satisfaziam suas necessidades imediatas e as da tribo, e no máximo estocavam coisas não perecíveis (peles, ossos, ferramentas, cerâmicas, etc.) mas sem pensar muito em trocas - estocavam principalmente porque era necessário para sobreviver (ao inverno, à seca, etc.) ;


2) Eventualmente chegou-se a um acordo não-escrito em que determinados objetos poderiam ser trocados por alimentos, água e por outros objetos (escambo);


3) Chegou-se a uma "conclusão coletiva" de que seria mais fácil e prático usar pedaços de ouro para fazer trocas, e novamente chegou-se a um acordo não-escrito de que isto seria aceito - esta foi a meu ver primeira camada de abstração,  pois foi adotado como meio de troca algo que não tem utilidade imediata em termos de sobrevivência - o ouro. Aceitou-se armazenar esforço e tempo de vida em pedaços de metal;

4) Com o surgimento de Estados (nada mais que a consolidação do domínio das "tribos" mais fortes), ao invés de meros pedaços de ouro passa-se a cunhar moedas (para padronizar o peso e tamanho de cada pedaço de ouro) e o soberano de cada Estado garante que a moeda de ouro é realmente de ouro e tem aquele peso determinado (por isso que as moedas têm os rostos dos governantes e os símbolos do governo) - e cada soberano também força o curso de sua moeda em seus domínios, bem como detém o monopólio de cunhagem da moeda (ou vende tais direitos para um aliado) - chegamos a mais um grau de abstração, pois para que valesse a pena cunhar moedas de ouro, o valor de cada moeda deveria ser superior ao valor do ouro nela contido - havia em cada moeda um valor imaginário: a diferença entre o valor extrínseco e o intrínseco;




5) Um belo dia, percebeu-se que seria mais prático carregar recibos e comprovantes de depósitos de ouro em bancos do que carregar sacos de moedas, e com isto surgiu o papel-moeda. Nesta época era indiferente usar o recibo ou a moeda de ouro, e qualquer um que entregasse um recibo em um banco receberia o ouro em troca, e vice-versa: o dinheiro ainda tinha lastro. Outro grau de abstração foi alcançado: não apenas a moeda vale mais do que o ouro nela contido, o papel que diz que eu possuo determinada quantidade de moedas de ouro guardadas num cofre dentro de um estabelecimento bancário vale tanto quanto as tais moedas. Ou seja, aceitou-se armazenar tempo de vida e esforço em pedaços de papel timbrados, pois tais papéis poderiam ser trocados por ouro.

dizem que os primeiros exemplares de papel-moeda foram notas promissórias chinesas



6) Eventualmente, por decisão unilateral estatal (ao menos nos casos em que conheço), abandona-se o lastro do dinheiro: o papel-moeda deixa de ser conversível em ouro. Por um tempo, esse dinheiro de papel convive com moedas de ouro, mas eventualmente isso terminou e todos passaram a usar só os papéis. Isto foi mais um grau de abstração alcançado: aceitou-se armazenar tempo em pedaços de papel timbrados pois o governo garante que tais papéis serão aceitos como meio de troca. O governo consegue forçar o uso do papel através da força da lei, mas não consegue controlar completamente o valor de tais papéis,  os quais dependem da confiança que os usuários depositam neles, e é por isso que a isto se chama "moeda fiduciária". Se a população perde a confiança no valor do papel-moeda, seu valor diminui,  e esta diminuição quebra ainda mais a confiança,  num ciclo vicioso.

7) Aos poucos, com a crescente digitalização da economia, o papel moeda físico vai sumindo e vai dando lugar a transações com cartões de crédito e débito,  transferências bancárias totalmente eletrônicas, e etc. O PIX facilitou ainda mais o processo. Isto foi mais uma camada de abstração alcançada: não é nem mesmo em um pedaço de papel - o tempo de vida e o esforço das pessoas está sendo armazenado em baterias totalmente virtuais: lançamentos contábeis eletrônicos em sistemas digitais de bancos.

Se criptomoedas vingarem como meio de troca (não sei e ninguém sabe se isso vai acontecer), então acho que isto representaria mais uma camada de abstração: armazenar tempo de vida em baterias virtuais geradas por algoritmos, sendo que alguns "garantem" uma escassez artificial (limite ao número de unidades mineráveis, como o BTC, BCH, etc.) e outras não (ETH). Claro que para isto funcionar, um número suficiente de pessoas precisa aceitar que isto funciona, senão as criptos continuarão sendo apenas bilhetes de loteria e objetos de especulação. 

Notemos que, apesar de a humanidade estar entrando em camadas de abstração cada vez mais etéreas e profundas acerca do que é dinheiro, o escambo não desapareceu completamente (e nem acredito que desaparecerá), e nem as moedas de ouro (também acredito que não irão desaparecer). 

No meu resumo acima, eu foquei no que é explicitamente dinheiro e deixei de lado outras abstrações que também funcionam como dinheiro (o mercado de crédito e o de derivativos, que são mais antigos do que muitos imaginam), para evitar que o texto ficasse longo demais. Talvez eu escreva mais sobre estes outros mecanismos em futuros posts.

A lição central aqui é: o dinheiro, mesmo o ouro, só funciona porque um número suficiente de pessoas concorda que funciona. A vantagem do ouro é que ele é usado há milênios pela humanidade, mas no fundo ele precisa ser aceito por um número suficiente de pessoas para funcionar. Como é usado há milênios, ele tende a ser sempre aceito, mas pode haver cenários em que talvez não seja.

Eu acho que, se não existisse o artifício do dinheiro (armazenar tempo): 

 - ou a principal ocupação da maioria das pessoas seria a de suprir o básico (alimento e água) com as próprias mãos para si mesmo e suas famílias (tal como era no estado natural do homem) - no regime feudal era assim... os camponeses geralmente passavam a vida inteira sem ver dinheiro, só cuidando da terra em troca de proteção do senhor feudal, ou pelo menos é o que nos diz o falecido historiador Jacques Legoff; ou 

- haveria uma divisão de trabalho em troca de outra coisa que não seria dinheiro (honra, favores, reputação, ou algo assim). 


O que acham disso, confrades? 

Que outras reflexões poderíamos tirar a respeito das camadas de abstração do dinheiro?

Forte abraço! 

Fiquem com Deus!

domingo, 6 de novembro de 2022

Os maus hábitos do comércio - parte 5

Saudações,  confrades!

Vamos a mais um post desta série, na qual eu discorro sobre práticas comerciais do dia a dia que eu considero ruins, improdutivas e prejudiciais tanto para os clientes quanto para o próprio estabelecimento em si.

Para quem não leu os posts anteriores e se interessa pelo assunto,  seguem os links:

Os maus hábitos do comércio 

Os maus hábitos do comércio parte 2

Os maus hábitos do comércio parte 3

Os maus hábitos do comércio parte 4

Agora vamos ao post propriamente dito:

Cardápios em QR Code - acho isso desnecessário e incômodo. Estou com o pessoal mais velho nessa. Acho um saco ter que pegar o celular e ler o QR Code para depois ficar arrastando a página do cardápio pra cima e pra baixo com o dedo na tela do celular. Acho que isso não economiza nada (se o restaurante precisa economizar dinheiro não imprimindo os cardápios,  então das duas uma: ou o cardápio muda todo dia ou então o restaurante já faliu e esqueceram de avisar o dono!) e ainda deixa o restaurante com um jeitão de "modernete metido a besta". 

Até hoje só fui em 2 restaurantes que só tinham cardápio em QR Code, e nos dois eu levantei e fui embora sem comprar nada. 

Um deles era uma dessas hamburguerias "gourmet" (que de gourmet só têm o preço mesmo) que só têm 3 hambúrgueres diferentes no menu, excessivamente caros, e o outro era uma cafeteria, e este foi recentemente. Nesse último eu quase me rendi e cheguei a escanear o bendito QR Code, mas a internet estava ruim e o cardápio não carregou (ou o arquivo era pesado demais para o meu telefone, sei lá). E também foi ruim ouvir a balconista com aquele jeitão de "problema seu" dizendo que não tinha cardápio em papel. Desisti e fui embora, e acho que sempre farei isso quando me deparar com cardápio que só existe num QR Code... 

Eu acho que hoje em dia muitas empresas ficam forçando a barra para que os clientes instalem apps e/ou usem o smartphone para fazer coisas triviais. Esse tipo de coisa só faz sentido quando a tecnologia envolvida realmente facilita o trabalho do cliente. Mas do jeito como muitas empresas fazem (como é o caso do cardápio em QR Code), acaba acrescentando mais um obstáculo para o consumidor alcançar o produto, e acrescentando mais uma etapa no processo do negócio onde é possível acontecer alguma falha que faça a empresa perder uma venda (por exemplo, no caso dos cardápios: internet fora do ar, telefone sem bateria, sinal ruim, etc.). 



Só porque uma tecnologia existe, não quer dizer que devemos usá-la o tempo todo e nem que a mesma deva ser incorporada a coisas corriqueiras.

Promoções que não são promoções - há pouco tempo recebi na rua o panfleto de uma loja que estava fazendo essa promoção bizarra: se você fizesse compras acima de 500 reais você ganharia um cupom que te dava a chance de ser sorteado para ganhar um prêmio de "até 10 mil reais". Como sempre, tinha um asterisco que levava para as letrinhas miúdas do contrato: na verdade eram  vários sorteios, alguns de 500 reais, outros de 1.000, e um de 5.000, e o prêmio não era em dinheiro, mas sim em vale-compras que deveriam ser usados na mesma loja e somente até um certa data limite (acho que março do ano que vem). Na minha opinião, se for para fazer uma "promoção" assim, melhor nem fazer, pois acho que pega mal para a imagem da loja. 

Acho que esse tipo de promoção, dando vale-compra, só vale a pena se for de super-mercado ou outro tipo de comércio em que você vá com frequência.

Outro exemplo disso são restaurantes que dão cartões-fidelidade que não trazem nenhum desconto de verdade, ou em que é quase impossível ganhar o desconto. Por exemplo, tem um perto de onde eu trabalho que a cada 10 refeições você ganha 20% de desconto na 11ª e o cartão só vale por três semanas. Acho que estes cartões poderiam ser vitalícios, ou ter validades maiores (1 ano).


E vocês, confrades, o que acham disso? Também se incomodam quando precisam usar o smartphone para ler um cardápio? Participam de promoções de lojas?


Forte abraço! Fiquem com Deus!