domingo, 18 de agosto de 2019

Dicas de Economia Doméstica (1) - o óbvio precisa ser dito

Vou escrever aqui algumas coisas que aplico no dia a dia e que me ajudam a diminuir meu custo de vida, sem sacrifícios. Lógico que nem tudo se aplica a todo mundo, pois cada um tem uma situação e condições de vida diferentes. Para quem está muito bem de vida a maioria das coisas vai parecer bobagem, por exemplo. Além disso, não acho bom em nenhuma hipótese ficar neurótico com economia doméstica - se você se estressar muito (nível Julius, por exemplo), não vale à pena, é melhor se desligar dessas coisas. Mas se você for levar de boa, sem estresse, fazendo estas coisas no automático (como eu já faço, em muitos dos casos) e sem perder tempo, então tudo bem. Por exemplo: não acho que vale à pena ir fazer compras em 2 mercados diferentes (e com isso perder tempo duas vezes, pegar duas filas, etc.) porque tem uma coisinha ou outra da sua lista que é mais barata no mercado "B" do que no mercado "A". Agora, se você vai comprar uma coisa cara (sei lá, uma televisão) e descobre que na outra loja, no mesmo shopping, está 300 reais mais barato, aí sim vale à pena. Resumo: não vale à pena perder TEMPO (o recurso mais escasso da sua vida!) para economizar centavos ou até mesmo alguns reais. Ou seja, é muito importante ter bom senso na hora de economizar.

Algumas coisas aqui podem parecer óbvias, mas como diz um amigo meu, às vezes o óbvio precisa ser dito. Quem sabe? Posso acabar escrevendo alguma coisa aqui que determinada pessoa nunca pensou e pode acabar ajudando. E é sempre bom ajudar o próximo, nem que seja com um conselho. Se alguma coisa que escrevi aqui puder ajudar uma pessoa que seja, já ficarei muito feliz.

Dito isto, vamos lá:

1 - Não vá ao mercado com fome (essa é manjadíssima, mas é importante escrever aqui, só para relembrar);
2 - Compre os produtos da marca "do mercado" ao invés de marcas mais famosas, sempre que você perceber que não há grande diferença de qualidade entre as marcas (para mim o principal exemplo disso é a água sanitária, que eu sempre compro a que tiver mais barata e não tenho nenhuma marca favorita - outras coisas podem ser papel toalha, perfex, esponjas, etc., mas admito que não há muitos produtos em que valha à pena fazer isso -na maioria das vezes vale à pena sim pagar um pouco mais caro e pegar uma marca de maior qualidade - se alguém souber de algum bom exemplo, comente aí)
3- Tente pagar o máximo possível de coisas à vista e tente negociar um desconto se for comprar uma grande quantidade ou se for pagar em dinheiro. Muitas vendas têm desconto quando pagas em dinheiro, então dê preferência a pagar em dinheiro sempre que a loja for dar um desconto;
4 - Dê preferência a comprar as frutas e verduras da época, e que estejam em promoção (é bom que também ajuda a variar a dieta);
5 - De vez em quando limpe coisas como o filtro do aspirador de pó, o filtro do ar condicionado, a parte de trás da geladeira, etc. (isso prolonga a vida útil destes equipamentos e no caso do ar condicionado é questão de saúde);
6 - compre no atacado ou "atacarejo" os itens não perecíveis ou de prazo de validade longo (exemplos: esponjas, perfex, sabão, papel higiênico, papel toalha, pasta de dente, etc. - é bom que também economiza tempo, pois você vai demorar a precisar comprar estas coisas de novo);
7 - Não jogue fora no ralo da pia da cozinha o óleo usado, porque isso com o tempo provoca entupimentos, te fazendo gastar mais com a manutenção da casa - o ideal é jogar o óleo fora numa garrafa (e fazendo isso você ainda pode ajudar uma cooperativa que recolha este tipo de lixo, ou alguém que fabrique sabonetes artesanais, por exemplo)
8 - saiba fazer consertos simples, como trocar a resistência do chuveiro, trocar espelhos de tomadas, instalar varões de cortinas, desentupir pias e vasos sanitários,  colocar rejunte em azulejos, montar e desmontar seus próprios móveis, etc. (além de economizar, saber fazer estas coisas geralmente te faz sentir bem consigo mesmo - pelo menos é o meu caso);
9 - Tire os eletrônicos da tomada sempre que for passar mais de um dia longe de casa (roteador, TV, computador, telefone fixo, etc.);
10 - Não tome refrigerantes e sucos industrializados (principalmente as versões diet e light) - isso te fará economizar no longo prazo com gastos médicos;
11 - Reaproveite as melhores embalagens de presentes recebidos para embrulhar os que você for dar;
12 - Reaproveite as melhores garrafas, potes, latas, etc. para guardar comida, água e pequenos utensílios;
13 - Quando for jogar um móvel fora (só se não puder vendê-lo ou doá-lo), desmonte-o e reaproveite seus parafusos, arruelas, aldravas, dobradiças, cantoneiras, etc. - alguns destes itens, como os parafusos e arruelas, são muito baratos, custam centavos, mas você economiza o tempo que gastaria indo na loja quando precisar deles;
14 -  Não coloque conta de luz, água, etc. no débito automático - para mim isso é uma armadilha. Aliás, julgo que nenhuma conta deva ficar no automático. Pague você mesmo estas contas para sempre avaliar se estão vindo muito caras, se seu consumo está aumentando, etc. Uma conta de água anormalmente cara, por exemplo, pode tanto indicar um erro de medição quanto um vazamento em algum cano de sua casa que você não percebeu. Por isso é que acho importante você ter o pequeno trabalho de pegar as contas e pagá-las (se ao menos as empresas fornecedoras de luz, água, etc. dessem um desconto para quem colocasse no débito automático, eu até poderia pensar no caso, mas como na minha cidade isso não acontece, então prefiro continuar pagando uma por uma, e podendo fiscalizá-las);
15 - A não ser que você tenha o hábito de todo dia tomar aqueles cafés gourmetizados (ex: Starbucks) que custam 15 reais ou mais por copo, não vale muito à pena cortar essas pequenas despesas com cafezinho, balas, etc., a não ser que seja por motivo de saúde ou se você tem o dinheiro contadinho para passar o mês. Mas se você tem o hábito de tomar todo dia um desses cafés gourmet, então pare já e passe a tomá-los só de vez em quando. Sério, já conheci pessoas que tomavam um café desses todo dia antes do trabalho - imagine gastar 22 x R$ 15,00 = R$ 330,00 por mês em média só em café... Sei lá, para mim não dá certo;
16 - Tenha algumas ferramentas em casa, mesmo que você não saiba fazer muitas coisas com elas - podem economizar seu tempo. Vou contar uma coisa que aconteceu comigo: certa vez chamei um cara para fazer um reparo numa janela, e foi muito chato conseguir agendar um dia em que eu pudesse estar em casa para acompanhar o serviço. No meio do trabalho, ele disse que não poderia continuar porque tinha esquecido de trazer uma determinada ferramenta e alguns tipos de parafusos adequados ao serviço - por sorte, eu tinha justamente a ferramenta e os parafusos de que ele precisava (aliás, os parafusos eu tinha conseguido seguindo a minha dica nº 13, de reaproveitar os dos móveis velhos) e com isso ele terminou naquele dia mesmo, sem eu precisar me estressar reagendando e tendo que ficar com o conserto feito pela metade até lá;
17 - Se puder, não tenha carro (essa depende muito de N condições da vida de cada um. Coloquei aqui porque por enquanto é o que tem dado certo para mim, mas sei que nem todos podem se dar ao luxo de não ter um carro);
18 - Nem se incomode em gastar meia hora ou mais para chegar em algum super mercado ou loja de  material de construção mais baratos, a não ser que valha MUITO a pena (por exemplo, você vai construir sua casa do zero ou vai fazer uma grande reforma, ou então vai fazer as compras do mês todo no mercado) - se for fazer só uma compra pequena, como comprar uma prateleira para instalar na parede, por exemplo, ou só algumas frutas, vale mais a pena ir no lugar mais perto possível da sua casa, para economizar tempo;
19 - Pague o IPTU à vista no início do ano, caso a prefeitura de sua cidade dê um desconto (é menos uma conta para se preocupar);

...

Bem pessoal, por enquanto são essas as coisas que consegui me lembrar. Quem tiver algo para contribuir e somar à lista, comente aí. Todo mundo vive em situações e condições de vida diferentes e desenvolve suas próprias táticas de economia, então julgo que é bom ouvir o que outras pessoas, de diferentes condições sociais, têm a contribuir para o assunto. A lista na verdade é infinita. Caso eu me lembre de mais coisas, ou descubra ou invente novas técnicas, faço uma parte 2 deste post.
Lembrem-se: sem neurose, sem exageros, e o bem mais importante a ser economizado é o tempo. Não percam duas horas de suas vidas indo para outra loja no outro lado da cidade para economizar cinquenta reais. Bom senso sempre!
Forte abraço!

sábado, 10 de agosto de 2019

Sobre a meritocracia e ascensão social



Eis que a revista Exame publicou este artigo no mês passado, falando mal sobre a meritocracia. Inspirado por este artigo, tecerei meus comentários.
Por um lado, admito que "meritocracia" é algo que tem sido superestimado nas empresas e se tornou já faz muito tempo uma das palavras da moda, usada para justificar uma porção de atitudes e decisões empresariais, mesmo que não tenham nada a ver ou que sejam injustificáveis.

Primeiramente, meritocracia não justifica tudo, e o "mérito" nem sempre  serve, nem sempre é suficiente e nem sempre te renderá frutos. Vejam bem: uma vez tive que ficar no escritório até meia noite e meia (foi o meu recorde de sair tarde do trabalho - espero que esse continue para sempre como o meu recorde) porque estava resolvendo um problema complicadíssimo cujo prazo era o dia seguinte, ou seja, não poderia ir embora até que estivesse tudo terminado. Terminei meu trabalho, e o problema foi resolvido. Tive o mérito de resolver o problema! Ganhei alguma coisa? Fora o aprendizado e a satisfação pessoal, o benefício de não ser mandado embora por causa das consequências que aquele problema teria causado se eu não o tivesse resolvido. Porém, como eu resolvi, as consequências não aconteceram e ninguém além de mim ficou sabendo. Entenderam? Somente o mérito em si não quer dizer muita coisa. É fato que o sucesso em muitas áreas da vida dependerá de N fatores além do mérito, e isso inclui uma dose bem alta daquilo que alguns interpretam como sendo sorte e outros como sendo destino, e não há nada que ninguém possa fazer para mudar isso, para o desespero de muitos histéricos.
Então, realmente, "meritocracia" é um conceito vago e superestimado.

Por outro lado, discordo da maioria das coisas que o autor do artigo escreveu. Ele cambou para um discurso esquerdista mal disfarçado e falou bobagens. Para começar, ao contrário do que ele afirma implicitamente, nascer numa família rica não é garantia de ter vida tranquila e nascer numa família pobre não significa estar condenado a uma vida de dificuldades. Primeiro vamos concordar numa coisa: em termos de dinheiro, ninguém é rico, no máximo está rico, pois a riqueza material pode ser perdida de várias maneiras e o estado natural do ser humano é a pobreza. Segundo: o que é uma família rica? Me parece que os exemplos no imaginário popular brasileiro são as famílias donas de grandes e médias empresas (ok), ou aquelas com membros que são profissionais liberais de destaque, como médicos ou advogados com muitos clientes ou clientes ricos (ok), ou as famílias em que ao menos um dos membros é um alto-executivo de alguma empresa (discutível) ou um funcionário público do mais alto escalão (também discutível), principalmente se for do poder judiciário.
De todos esses exemplos, julgo que o que tem mais chance de fazer a riqueza fluir para as próximas gerações é o da família dona de grande ou média empresa. No caso do profissional liberal bem-sucedido, a chance é boa se a família se tornar um verdadeiro clã naquela profissão e montar uma estrutura corporativa familiar que suporte a geração e manutenção da riqueza (por exemplo, o pai é um médico relativamente famoso e tem seu consultório. Os filhos seguem a tradição e se tornam médicos também e com a ajuda do pai abrem uma clínica, e podem diversificar e abrir também um laboratório de análises clínicas, e por aí vai), mas se ninguém da família aproveitar para seguir a profissão deste membro bem-sucedido, a chance de a riqueza ser mantida diminui bastante. O caso da família onde o pai ou a mãe são executivos tops eu vejo como o menos provável da riqueza se manter no mesmo patamar entre uma geração e outra: de uma hora para outra o alto-executivo pode dar uma escorregada e ser mandado embora, e depois não conseguir se recolocar no mercado. No caso do funcionário público do alto escalão, os cargos mais altos e que ganham mais são de livre nomeação e exoneração (ex: ministros de estado), então também não há estabilidade, então pode acontecer o mesmo caso do alto executivo: dificuldade de se recolocar no mercado após ser exonerado.  A exceção é o poder judiciário, pois um juiz ganha muito bem e é estável, e se souber acumular patrimônio a riqueza pode ser mantida até a geração seguinte.

Agora, notem que nada disso é garantido: a empresa grande pode falir; os filhos do médico rico e famoso podem resolver aproveitar a grana do pai para se acomodar ou perseguir carreiras pouco rentáveis, e o alto-executivo pode acumular vários bônus que o permitam começar sua própria empresa ou acumular uma quantidade suficiente de ações para se tornar dono de uma parte significativa do patrimônio daquela onde ele trabalha (em se tratando de S.A., possuir 0,0001% da empresa já é uma quantia muito significativa), os filhos de um juiz ou outro funcionário público top podem pôr tudo a perder, também. Repetindo: nada é garantido. Os ricos apenas estão ricos. 

Os filhos dos ricos realmente têm vantagens no início, mas elas não são garantia de sucesso. Eu fiz faculdade pública, e convivi com alguns playboys e patricinhas na época. Todos se encaixavam nos padrões que descrevi acima. Pela minha experiência na faculdade, a maioria era acomodada, achava que estava com a vida ganha e não se preocupavam muito com o fato de que depois da faculdade teriam que começar a trabalhar. Um exemplo: lembro de uma filha de um funcionário bem graduado de alguma multinacional que estava fazendo faculdade de moda - será que o "nome" do pai dela necessariamente abrirá portas, por melhor que ele seja dentro da empresa?  Acho que a maior vantagem que ela pôde ter foi o "colchão de segurança" que o pai lhe proporcionou, que a permitiu se arriscar numa área em que o filho de um pobre não se meteria, mas na minha opinião, a vantagem dela parou por aí. A maior probabilidade é que ela não ganhe tanto quanto o pai e depois vai ter uma vida relativamente confortável por causa da herança, isso se tiver herança. Para mim, a vantagem dos filhos dos ricos é essa: a segurança para se arriscar em qualquer carreira, sabendo que caso as coisas deem errado, os pais poderão sustentá-los em um novo começo. Uma outra crítica que fazem é que o filho do empresário ou do executivo vai ser beneficiado pelos "contatos" do pai. Ok, isso pode render um estágio ou um programa de trainee, mas vai depender 100% do garotão sobreviver e crescer na empresa depois disso. Em suma, se a vida é um jogo, quem nasceu em famílias com mais posses têm vários "continue",  mas ainda correm o risco de gastarem todos eles e ficarem na pior. 

Os filhos dos pobres começam em desvantagem em relação aos dos ricos? Sim, mas isso não é garantia de uma vida inteira de pobreza e privações. A riqueza surge de algum lugar, e a origem de muita família que hoje em dia é rica é um pobre trabalhador que se esforçou, teve boas ideias, soube aproveitar as oportunidades, etc. ao invés de ficar reclamando que é pobre. O meu bisavô, por exemplo, foi um refugiado de alguma guerra civil que ocorreu na Espanha no início do século passado, veio para o Brasil sem nada, e conseguiu criar uma família, ter uma casa, etc, sem luxo, mas conseguiu. Adiantaria ter ficado reclamando que era só um pobre refugiado sem ter nem onde cair morto? Meu avô, filho do refugiado, era pobre também, tentou montar uma pequena empresa, foi enganado pelo sócio e perdeu tudo o que investiu, mas nunca deixou faltar comida e criou bem a minha mãe, que estudou, fez faculdade, trabalhou e me criou. O meu avô por parte de pai morreu relativamente jovem, de tuberculose (comum na época), e minha avó paterna criou meu pai e meu tio com o dinheiro que ganhava costurando e lavando roupa para fora. Meu pai nasceu e foi criado na pobreza, mas estudou, serviu ao exército, fez faculdade, trabalhou e construiu seu patrimônio. Sua origem pobre não o impediu de ter um bom emprego e conseguir tudo o que conseguiu.  
E mesmo entre os pobres há várias camadas de diferenciação: o filho do pobre que é dono de uma biboca ou de uma barraca de cachorro quente provavelmente terá vantagens em relação aos filhos dos outros pobres que não são donos de nada. Reclamar das dificuldades da vida não vai fazer elas sumirem, e exigir compensações por parte do governo e das empresas provavelmente vai criar distorções na economia que prejudicarão todos mais para a frente (mais impostos, menos empregos, mais burocracia, mais controles, mais leis inúteis, etc.). Participar de passeatas exigindo direitos, de movimentos estudantis, etc. só é bom para quem é o líder destes movimentos, que se projeta numa carreira política. Todos os demais participantes só estão gastando tempo e energia.

Também foi dito no texto que hoje está mais difícil ascender socialmente, e está mesmo, mas não pelos motivos que a revista apresentou (aquele blá-blá-blá falacioso e vitimista de sempre). 
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Tá difícil...
Os principais e reais motivos são que hoje está mais difícil arranjar emprego e está mais difícil empreender, e isso vale para todos. O Pobretão já escreveu sobre isso lá em 2012: antigamente era mais fácil empreender e ter algum sucesso, ainda que modesto, porque a concorrência era pequena, havia poucas empresas grandes, e as que havia eram menores do que as gigantes de hoje (que se locupletam com o Estado para sufocar a concorrência desde antes desta nascer). Além disso, era mais fácil arranjar emprego antigamente porque eram tempos em que no Brasil "era tudo mato", até nas principais cidades, e a maioria das pessoas era analfabeta ou só tinha o primário, de modo que só sabendo ler, escrever e fazer contas básicas já dava para fazer alguma coisa, e alguém com ensino médio era diferenciado, e com superior era mais ainda. Ou seja, naquela época havia muito espaço disponível para as pessoas medianas (e até para as abaixo da média) crescerem e subirem na vida. O que mudou de lá para cá?

1) Hoje em dia a educação está mais acessível do que antigamente, há mais escolas, há a internet, etc. mas não necessariamente de qualidade, mesmo em escolas particulares, e também é defasada em relação ao que o mercado precisa. Até as faculdades públicas, outrora renomadas, se tornaram lixo devido à turma da lacração e a anos de "desserviços" prestados por professores marxistas. Além disso, nossas escolas secundárias viraram meras fábricas de fazedores de provas cujo único objetivo é tirar boas notas no ENEM, e não aprender e se desenvolver intelectualmente;

2) As principais cidades, especialmente as capitais dos estados, estão saturadas: várias não possuem uma infraestrutura empresarial e produtiva que dê conta da oferta de mão de obra. O resultado disso é o achatamento de salários, desemprego, a proliferação de subempregos e informalidade;

3) Outra consequência da saturação das principais cidades é o aumento do preço dos imóveis e aluguéis - todo mundo quer um espaço nelas, para abocanhar uma fatia do imenso mercado consumidor que nelas vive, então os donos dos imóveis podem cobrar mais caro;

4) A consequência do aumento dos aluguéis é o aumento dos preços dos produtos e serviços em geral - aluguéis mais altos representam mais custos, que são repassados para os consumidores;

5) Uma das consequências de longo prazo (que já sentimos na pele) é que com salários menores as pessoas têm que trabalhar mais, fazer bicos, etc., e isso em geral significa pais menos presentes, prejudicando a formação dos filhos, o que prejudica a próxima geração.  As gerações atuais já são fruto de uma criação menos presente,  e isso explica em parte o aumento do crime, a cultura do vitimismo e a queda do nível intelectual da juventude, reforçando o item 1;

6) Além disso, hoje em dia temos muitas necessidades que na verdade são falsas e que nos impelem a consumir e gastar nosso dinheiro, dificultando o acúmulo de patrimônio;

7) Está mais fácil do que nunca gastar dinheiro: é só passar o cartão na máquina, e tem mil e uma facilidades para comprar no crédito, parcelar, etc. Tudo isso nos faz gastar mais e faz com que as pessoas menos prudentes acumulem menos patrimônio. Ou seja, incentivo total ao consumo, incentivo nenhum para a poupança;

8) Está mais difícil empreender porque a fiscalização por parte do Estado está muito mais eficiente do que no passado, a burocracia necessária é maior, os impostos estão mais altos, as empresas grandes usam o aparelho estatal para acabar com as concorrentes desde antes que elas surjam (através de lobby, influências nefastas no poder legislativo para criar mais leis esdrúxulas e controles abusivos, etc.), é potencialmente perigoso para os pequenos empresários contratarem funcionários [e isso diminui seu potencial produtivo], há muita insegurança jurídica [o empresário nunca tem certeza de que está cumprindo tudo das leis trabalhistas e tributárias - neste país podemos cometer crimes sem nem sabermos!] ; ou seja, aqui no Brasil não há incentivo nenhum para produzir, e isso inibe a oferta, reforçando os itens 2, 3 e 4 da lista.

Eu poderia continuar a lista acima indefinidamente, pois não há uma resposta certa definitiva, mas acho que os 9 itens acima explicam boa parte da dificuldade de ascender socialmente que vivenciamos hoje em dia. 

Qual a opinião de vocês a respeito disso? E da meritocracia? 

Forte Abraço! 



domingo, 4 de agosto de 2019

Salários X Responsabilidades - Onde estará o equilíbrio?

Bom dia pessoal, faz quase um mês que não escrevo nada. As coisas têm estado corridas no trabalho, tenho saído tarde quase todo dia, o que me deixa sem tempo para escrever por aqui. O artigo de hoje tem um tom de desabafo, mas também há um pouco de ciência econômica embasando. São algumas coisas que tenho pensado esses dias.

A realidade é que chefe nenhum gosta de seus empregados, muitos tendem a tratá-los
como gado humano, e o salário vai ser uma eterna briga: sempre ganhamos menos do
que achamos justo diantedo que fazemos no trabalho e ao mesmo tempo somos considerados
muito caros pela empresa.
O chefe recorre frequentemente ao artifício de reduzir o salário por hora não nos permitindo
sair no horário e/ou cobrando coisas por whatsapp e por e-mail em dias de folga ou à noite
após o expediente e nunca pagando hora extra. Claro que deixar de sair no horário porque
temos um prazo apertado para cumprir ou algo importante que não pode ser deixado para
amanhã é questão de responsabilidade, mas é um absurdo ter que receber um olhar feio do
chefe e sermos adicionados na lista negra quando pedimos para ir ao médico ou quando
vamos sair no horário, por mais raras que essas coisas sejam. É como se o tempo do
expediente não contasse nada, e para o chefe só valesse o tempo que passamos além do
horário. Eu entendo a questão dos incentivos e a psicologia aplicada: idealmente numa
empresa nenhuma tarefa "fácil" deve ser muito bem remunerada porque senão seria criado
um incentivo para o funcionário nunca sair do lugar, ficar a vida toda numa tarefa fácil e
ganhando bem, mesmo tendo potencial para fazer coisas mais complexas . Todo os salários
têm essa logica por trás, dentre outras. Faz sentido e é bom (acredito) para a economia e
para a sociedade que haja o mínimo possível de pessoas acomodadas. Porém, ao mesmo
tempo, hoje em dia há um desincetivo para o crescimento na carreira: conheço várias
pessoas dentro e fora de onde trabalho que, embora possam ser promovidas, fazem de
tudo para não o serem, inclusive mentindo e diminuindo seus currículos, se destacando
menos do que poderiam,etc., com medo de se tornarem caros demais para a empresa.
Além disso, creio que mesmo dentre aqueles que ganham muito bem (digamos, 10 mil
líquido ou mais, por mês) a maioria lida com responsabilidades e cobranças que extrapolam
o benefício percebido pelo salário. Vejam um superintendente ou um gerente sênior, por exemplo.
Imaginem a cobrança, a quantidade de e-mails lidos e respondidos por dia, as reuniões,
as metas absurdas,etc. E o tempo todo com a corda no pescoço, porque basta um vacilo para
ser mandado embora, não importando a quantidade de sucessos anteriores. Às vezes  são
responsáveis por recursos e patrimônio de milhões de reais… eu me pergunto: será que o
salário compensa? Eu acho que, até pela questão psicológica, nunca compensa, pois estamos
sempre querendo mais, e a maioria das pessoas que passa a ganhar cinco mil se esquece
imediatamente de como é ganhar mil. Mas por outro lado não acho que seja justo uma pessoa
que trabalha de 8h às 20h ganhar 1.200,00 ou1.500,00 (o que é o caso de muita gente hoje em
dia), ou uma pessoa que é responsável por gerir valores de dezenas de milhões de reais
ganhar "apenas" 5.000,00 ou 6.000,00 (caso de muito gerente, supervisor e coordenador por aí).
Acho que hoje em dia estamos vivendo num hiato bastante desconfortável: não ganhamos o
suficiente para nos sentirmos tranquilos e planejarmos bem o futuro e ao mesmo tempo
parece que qualquer salário de dois mil reais é caro demais para a empresa pagar.
Onde estará o ponto de equilíbrio? 


Outra coisa: o salário mínimo. Esse perdeu completamente o sentido, pois quem só ganha isso vive
mal, precisa contar as moedinhas do troco e mal consegue cobrir os custos de vida, por mais baixos
que sejam, se é que consegue. Quem vive de salário mínimo precisa correr e se qualificar pra ganhar mais, arranjar outro trabalho, empreender, fazer bicos, etc. Sinceramente, nem sei para quê existe o salário mínimo. Claro que a mentalidade do empresário é a de reduzir os custos ao máximo, e isso inclui os salários, e no Brasil essa mentalidade (diminuir o salário por hora exigindo que o empregado fique além do expediente) ao meu ver é pior do que em outros países, e o salário minimo idealmente serviria como uma ferramenta para evitar grandes explorações por parte dos empresários (digamos, pagar 200 reais por mês em valores atuais para o empregado trabalhar de 8h às 20h). Mas sinceramente, acho que qualquer emprego que pague apenas o mínimo já é em si uma exploração (a não ser que o emprego seja muito fácil e/ou tenha um horário bem tranquilo),  de modo que a existência do salário mínimo não evita esse tipo de situação. Claro, numa situação hipotética, uma pessoa miserável em situação de fome se sujeitaria a qualquer trabalho em troca de qualquer pagamento e seria provavelmente explorada, mas tão logo suas necessidades mais básicas fossem satisfeitas, essa pessoa passaria a procurar oportunidades melhores (digo isso baseado na ideia da Pirâmide de Maslow) e o empregador que lhe está explorando ficaria sem o empregado. Acho que no mundo real as explorações mais extremas teriam vida curta.

Outro argumento acerca da inutilidade do salário mínimo é que há empresas que dão um jeito de burlar isso e explorar seus empregados, como é o caso de empresas que só contratam estagiários alguns restaurantes de alguns grandes e famosos chefs que pagam seus cozinheiros com "comida e experiência", ou o caso de vários artistas que são pagos com "divulgação" (na minha família já houve um caso assim, mas meu parente recusou o trabalho, felizmente). E é uma pena que quando tentamos conversar sobre esse tipo de assunto corremos o risco de ouvir algum "fodão-que-aguenta-tudo" dizendo coisas como "hurrr se você ta insatisfeito com o salário pede demissão hurr durrrr", como se fosse fácil se recolocar no mercado, ou então o velho e manjado argumento "huurrr você recebe salário então não é escravo huuurrr", como se a escravidão não tivesse evoluído - Nassin Taleb ilustra bem isto em seu livro "Arriscando a própria pele" (no capítulo intitulado "Como ser dono de outra pessoa legalmente"). Não suporto essas pessoas.

Na minha opinião: salário mínimo não deveria existir (perdeu a razão de ser e não adianta de nada, além de diminuir o número de pessoas que as empresas podem contratar), e os salários não deveriam nunca ser mensais: todos deveriam ganhar por hora ou por produção, sempre com base na produção real ou nas horas realmente trabalhadas, porque é mais justo: atendeu 10 clientes? Vai receber por 10 clientes. Produziu 50 unidades? Será pago por 50 unidades. Trabalhou 10 horas? Vai receber 10 horas de salário. No outro dia teve que sair mais cedo e só trabalhou 5 horas? Receberá pelas 5 horas. Com o salário por mês é muito mais fácil ser explorado: num mês de baixa atividade, no qual você saiu "no horário" quase todo dia você recebe a mesma coisa que no mês de alta atividade, com mais reuniões e operações e vendas, no qual você saiu todos os dias duas ou três horas depois do horário. Ou seja, não importa o quanto você produziu, o salário será sempre o mesmo, e isso não é justo.



Enfim, escrevi este artigo mais em tom de desabafo mesmo, porque as ultimas semanas no trabalho têm sido duras, além de outros problemas que estou passando na família, o que me faz me sentir desmotivado e triste. Falando sinceramente, admito sem medo e sem vergonha alguma que o meu sonho (e o de muitos brasileiros, pelo que observo) é ficar num empreguinho em que eu saia no horário certo e não tenha tanta cobrança de chefe, e que não envolva gerir recursos financeiros ou materiais, e de modo que eu não possa nunca ser responsabilizado pelo erro dos outros - sei que isso é muito utópico, mas sonhar não custa nada. Na verdade, acho que só de sair no horário certo já seria um grande avanço na vida. O ideal seria poder trabalhar de casa, ou então perto de casa, pra nunca pegar trânsito e não perder tempo. Tem dias no trabalho que eu me pego pensando "esta tarefa eu podia estar fazendo de casa, pela internet", mas sei que a cultura do "presencialismo" é forte no Brasil - ninguém confia em ninguém, então é difícil uma empresa aceitar que funcionários trabalhem de home-office.


Sinceramente, gosto de trabalhar, acho que é importante para a vida, para o desenvolvimento intelectual, social, moral, etc., além de ser importante você fazer algo útil para a sociedade, mas no meu emprego não tenho ambição nenhuma de ser superintendente, diretor, vice-presidente, CEO, CFO, etc. Também não tenho vontade de deixar legados, apenas faço o meu da melhor maneira possível e pronto. Tento me manter um pouco acima da média para diminuir minha chance de ser mandado embora, e só isso. Se eu pudesse, ficaria num carguinho pequeno e sem grandes responsabilidades pelo resto da vida até me aposentar. Se eu vivesse de renda ou fosse herdar uma grande fortuna, tentaria algum trabalho braçal ou artístico só pra me ocupar. Se eu conseguir atingir a TF,conforme meu objetivo, vou procurar um trabalho assim.  Sei que nunca serei feliz no trabalho (pelo menos não no meu emprego atual), então busco alegria e felicidade na minha família e nos meus hobbies e considero o trabalho apenas um ganha-pão e ocupador de tempo. Me dedico com mais afinco aos meus hobbies e aos meus estudos. São essas coisas (família, hobbies, estudos) que me fazem continuar seguindo em frente e aturando o dia-a-dia no trabalho, é assim que lido com isso.
E vocês, como encaram o dia-a-dia? O que lhes dá forças?

Forte abraço!