domingo, 21 de novembro de 2021

Mais uma vez ETFs - Análise do DIVO11

Embora eu não esteja mais considerando colocar quaisquer ETFs em minha carteira, fiquei curioso e resolvi pesquisar o DIVO11, um ETF focado em ações componentes do IDIV, índice das ações que pagaram mais dividendos na bolsa nos últimos 24 meses (dentre outros critérios - vejam na metodologia do índice no site da B3). 

Talvez esta seja a última vez que eu analise um ETF. Foi só por curiosidade mesmo.

Farei aqui uma breve análise do fundo e sua composição. Todas as informações estão disponíveis no link abaixo.


página do fundo no site do Itaú


Patrimônio Líquido (PL) = R$ 344,9 milhões

Patrimônio em ações = R$ 339,49 milhões (98% do PL - acima da meta de 95% definida no regulamento do fundo)

Taxa de Administração = 0,5%a.a  incidentes sobre o valor do PL (grosso modo, a cada R$ 10.000,00 aplicados no fundo, pagaremos R$ 50,00 - mas ainda assim, julgo alto, pois poderíamos investir por conta própria nas empresas do fundo sem pagar taxa de administração)

Todos os dividendos e JCP são automaticamente reinvestidos no próprio fundo. Bom e ruim ao mesmo tempo.

O fundo possui 46 ações, mas umas 40 empresas, pois há ações ON e PN de algumas empresas repetidas (por exemplo, ELET3 e ELET6, BBDC3 e BBDC4)

Observando a carteira deste fundo, notem que a ação com maior participação é de cerca de 6,5% da carteira (no momento, VIVT3) e a de menor participação possui 0,1% da carteira (GETT11) - achei estranho ter essa GETT, pois o IPO foi há pouco tempo e não encontrei notícias dela distribuindo dividendos... Pelo menos está com um % pequeno.


A participação de cada empresa no IDIV pode ser vista no gráfico abaixo:

composição do IDIV (% por ação)

Como escrevi, a ação de maior participação é VVR3, com 6,5% da carteira. Em segundo lugar, BBSE3 (6,28%), e, em terceiro lugar, VBBR3 (5,8%). 

Como eu ordenei os dados do maior para o menor, o gráfico ficou parece uma escada em caracol, descendo para o fundo de um poço, ou subindo para o alto de uma torre, dependendo do ponto de vista. Mas o que quero realçar aqui é que, pelo menos, o IDIV (e em consequência, o DIVO11) possui uma diversificação mais equilibrada do que a do IBRx-50 (e em consequência, a do PIBB11). Mas, ainda assim, notem que não é tão equilibrado assim: as 12 maiores empresas em participação representam cerca de 50% da carteira do fundo. E há também o outro problema relativo a todo ETF: o DIVO11 aplica em ações de empresas que eu não aplicaria.


Comparem com o gráfico do IBRx-50 abaixo:


Composição do IBRx-50 (% por ação)

O IBRx-50 atualmente está muito concentrado em VALE3 - quase 20% da carteira teórica! Em segundo lugar, bem distante, vem PETR4 (6,9%). Em terceiro, ITUB4 (6,1%). Vejam a diferença. Notem também que as 7 maiores empresas em participação representam cerca de 50% da carteira teórica do índice.


Então, a meu ver, o DIVO11 possui esta vantagem em relação ao PIBB11. 

Pelo menos a carteira dele é mais equilibrada, e não está com um peso muito alto em uma só empresa.

Por outro lado, o PIBB11 possui uma taxa de administração bem menor (0,059% a.a - quase 10 vezes menor que a do DIVO11)

Mas, o mais importante: você mesmo pode investir diretamente nas ações que compõe a carteira do DIVO11 (ou do PIBB11), sem pagar taxa de administração e selecionando somente as ações que você quiser, descartando aquelas empresas que considerar ruins. 

Por isso acho melhor investir diretamente em ações, diversificando bastante e nunca colocando um % muito alto do patrimônio em uma empresa só ou em poucas.  Quanto mais eu diversificar entre empresas boas, maior a chance do meu patrimônio aumentar no longo prazo. Quanto mais empresas boas eu tiver em minha carteira, maior a chance de ter uma "ten bagger" que fará meu patrimônio crescer ainda mais.

O mesmo vale para os FIIs. Escolha os que achar melhores e diversifique, sem concentrar demais em um só ou em poucos.


O que acham, confrades? Algum de vocês investe no DIVO11? No PIBB11? Ou também desencanaram de ETFs?


Fiquem com Deus!


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

No Brasil não é normal darem descontos


Percebam que  aqui no Brasil, por alguma razão (impostos? Inflação? Margem de lucro mais alta? Não sei, mas provavelmente uma mistura destes e de outros fatores que não identifiquei) as empresas raramente dão descontos e, quando isso acontece, nunca é que nem nos EUA, em que se pode pegar cupons de desconto em jornais, revistas e até na internet e se consegue comprar coisas até de graça, por conta de vários descontos acumulados.

O desconto mais comum de se achar, e mesmo assim não é em todo lugar, são aqueles 10% para pagamentos à vista (e tem lojas que só dão 5% quando o pagamento é  no débito e só dão  os 10% se for no dinheiro e, hoje em dia, no pix). Geralmente se consegue este tipo de desconto em lojas menores ou de atendimento mais personalizado que dependa de um vendedor. Lojas grandes, como as Americanas, Casa e Vídeo, etc. nunca dão esse desconto, pois o atendimento é impessoal, então não tem como.

Outra característica do comércio brasileiro: quando dão descontos,  eles nunca ou quase nunca acumulam. Por exemplo, se você chegar na loja com um (raro) cupom promocional, provavelmente não conseguirá os 10% que teria se pagasse a vista, e se negociar os 10% a vista, provavelmente o cupom não será utilizado. E geralmente os cupons têm prazos bem curtos, e às vezes vem nas letras miúdas  que eles não são aceitos em todas as filiais da empresa. Pelo menos na minha experiência, sempre foi assim. Não sei como é em outros lugares do Brasil, mas onde moro é assim.

Vou relatar aqui algumas promoções esdrúxulas que vi por aí ou recebi, para ilustrar meu argumento:

 - vi o Shopee (aquela loja das propagandas horrorosas - aliás, quase todas as propagandas são horríveis hoje em dia) oferecendo  50% de desconto em compras, só que limitados a 10 reais (vi num anúncio no youtube)... ou seja, estão dando no máximo 10 reais de desconto e a propaganda diz 50% só pra chamar atenção.

- em uma loja de móveis  onde comprei um armário, veio de brinde um cartão de desconto de 20 reais, mas que só valia por 7 dias e não podia ser usado para abater o valor do frete, só no preço do móvel mesmo, e ainda vinha com uma cartinha da empresa falando de como a empresa era boa e quase uma família. Aham...

- o pseudo desconto da Cacau Show - aquelas barrinhas de chocolate de 20g custavam 2,90 ou 2,70 dependendo do recheio (ou seja, já eram caras). Agora o preço aumentou para R$ 3,30, mas se você for cadastrado na loja, você  ganha um desconto e elas passam a custar R$2,90 ou R$2,70, dependendo do recheio... o mesmo preço de antes. Eles aumentaram o preço para incentivar as pessoas a se cadastrarem. Não gosto de me cadastrar em empresas  então simplesmente parei de comprar. 

Iinfelizmente, acredito que a tendência seja eventualmente todas as empresas passarem a ter cadastro de clientes, mas sinceramente acho que os descontos que dão são muito baixos para que eu aceite prostituir vender meus dados. Vejo que as lojas americanas estão indo pelo mesmo caminho, oferecendo alguns descontos só para clientes cadastrados no "Ame". Pode ser que no futuro só haja descontos se você for cadastrado em alguma plataforma ou use algum serviço desses. E mesmo assim, como no caso da Cacau Show, não são descontos de verdade: eles simplesmente aumentam o preço e cobram o preço antigo para quem tem cadastro. Mais uma tática suja.

- Há muitos restaurantes com cartão fidelidade que tem prazo de validade - perto de onde trabalho tem vários assim, com a validade do cartão bem pequena. Não sei se isso é negociável e se é possível ganhar o desconto se você passar 1 dia ou 2 da validade, mas mesmo assim acho que poderiam não ter prazo.

Acredito que essas coisas aconteçam porque o Brasil é um país muito inflacionário, de modo que a diferença de poder de compra de um ano para o outro já é notável. 

No fundo é uma estratégia de sobrevivência (se boa ou não, aí já é outra história):  maximizar a receita cobrando preços altos, ao invés de tentar vender barato e ganhar no volume de vendas. Pelo menos aqui no Brasil me parece que o padrão é esse. O problema é que os clientes em geral aceitam.

O que acham, confrades?


Fiquem com Deus!

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

E se fosse fácil ganhar 1 salário mínimo com os FIIs?

 

Post só como exercício de imaginação, inspirado pelas reclamações que tenho lido sobre os FIIs (inclusive a minha do último post)

Como as coisas seriam?

Acho que não tem como isso ser possível pois muita coisa teria que ser diferente na estrutura da economia para tal coisa poder acontecer. Principalmente na questão dos incentivos e na questão  risco×retorno (para pagarem tão bem assim, os FIIs teriam que ser investimentos bem mais arriscados)

Eu imagino que haveria pelo menos duas grandes forças econômicas atuando:

1) Por um lado, talvez houvesse mais empregos, porque ficar em casa à toa já renderia um salário mínimo através dos FIIs, fora qualquer seguro desemprego que as pessoas pudessem pleitear, fora eventuais bicos. Então talvez muita gente optaria por ficar em casa "à toa" depois de garantir uma renda mensal de aluguéis (se fosse facil ganhar 1 salário minimo de aluguéis de FII  então também seria relativamente fácil ganhar 2 ou 3, de modo que varias pessoas provavelmente trabalhariam só até aportarem o suficiente para conseguir a renda desejada e talvez só fizessem bicos para tirar uma renda extra) - e hoje em dia já tem muita gente que fica "à toa" por menos que 1 s.m.

2) Haveria uma pressão nos preços, de modo que tudo tenderia a ser um pouco mais caro, afinal seria simples aumentar a renda mensal em 1.000 reais graças aos aluguéis pagos pelos FIIs. Por outro lado, essa "inflação provocada pela renda" talvez fosse atenuada pela quantidade de pessoas que pararia de trabalhar para viver de aluguéis (e que teria renda de 1 s.m. + auxílios governamentais + bicos), então não seria como se todo mundo passasse a ganhar 1 s.m. a mais em complemento aos salários.

E, além destas duas forças:

3) Talvez os empregos em geral tendessem a pagar mais de 1 salário mínimo,  pois seria simples nesta situação hipotética ganhar 1 salário mínimo sem precisar trabalhar, de modo que seria necessário dar uma motivação financeira a mais para que as pessoas se dispusessem a sair de casa e trabalhar para terceiros. Ou então empregos de 1 s.m. teriam vantagens como menos horas de trabalho por semana, ou benefícios como planos de saúde melhores que os de hoje em dia (seria preciso convencer as pessoas a trabalhar para ganhar 1 s.m.)

4) mas ainda haveria alguma dificuldade, pois seria necessário acumular algum  patrimônio para auferir a renda desejada. Talvez empregos que não exigissem experiência fossem disputados a tapa por pessoas que ainda não construíram essa renda passiva maravilhosa.


Parece absurdo o que eu escrevi? Mas não é mais ou menos a realidade, só que ajustando os valores nas devidas proporções?


terça-feira, 2 de novembro de 2021

Aportes e Atualização patrimonial - outubro de 2021

Salve, salve, confraria!


Vamos a mais um post de atualização patrimonial, expresso em Coroas, a moeda oficial do Mago Economista.


Aumento acumulado de 35,1% desde o início da série histórica.

O castelo ao fundo representa meu apartamento quitado. Espero um dia acrescentar outro castelo à imagem.

Este mês, mais uma vez tive que sacar dinheiro da poupança para cobrir gastos extras (uns móveis e outras coisas que estou comprando aqui para casa). Pelo menos o valor sacado foi menor que no mês passado e no total o patrimônio aumentou, o que é ótimo (como ainda estou no começo da jornada, o valor dos aportes ainda é muito mais importante para o resultado do que a oscilação dos preços de cada ativo). 

Em relação às ações, o aporte deste mês foi em Bradesco (BBDC3), banco com lucros bilionários recorrentes e bom histórico de gestão. Que continue assim! Como sempre, não recomendo que ninguém compre esta ação. Ela é boa para mim, mas pode não ser para você.

A meta da carteira All Stars é ter entre 15 e 20 ações e no momento estou com 9 (sem contar com a Embraer). Ainda falta um pouco para completar esse álbum de figurinhas. Posteriormente a carteira Small terá umas 5 empresas. E penso em criar uma carteira chamada "Segunda Divisão",  onde ficará a EMBR3 e outras empresas que não considero tão boas assim mas que julgo interessante ser sócio. Esta também terá umas 5 ações. Desta forma, terei umas 30 ações brasileiras, quando completar a coleção. Quando começar a aportar no exterior, pretendo ter no máximo umas 10 ações estrangeiras. 

Daqui a pouco vou precisar de um quadro maior! (clique para ampliar)

Vi alguns blogueiros reclamando nos últimos meses do desempenho da bolsa. Sinceramente, eu nem sei se as minhas ações desvalorizaram ou valorizaram em relação ao mês passado, e isso na minha opinião é muito bom, pois sou cada vez mais adepto do buy and never sell. Só me importa comprar e acumular ações de empresas que eu considero boas. 

Abrindo o jogo: dando tudo certo, só vou vender algumas das ações quando tiver o bastante para comprar uma casa ou um terreno em alguma cidade onde eu queira morar, e ainda falta muito para isso acontecer. 

Desta forma, só olho a cotação duas vezes por mês: no momento em que vou comprar ações novas e quando faço este post de atualização mensal, e a única coisa que comparo com o mês anterior é o patrimônio total e os totais de cada tipo de ativo, e nunca dos ativos individuais. O mesmo vale para os FIIs.

Em relação aos FIIs os aportes do mês foram: 

- HGRE11, o primeiro fundo de escritórios da minha carteira (e talvez o único, pois ainda estou vendo como estes fundos de escritório vão se comportar por conta do aumento do home office no Brasil - a tendência é que os fundos se adaptem e se adequem à nova realidade, afinal gestor nenhum vai ficar parado se quiser sobreviver neste emprego, mas vamos ver os próximos capítulos desta eterna novela que é a futurologia...) - dono de vários prédios comerciais nas regiões sul e sudeste do nosso Brasilzão de Deus; e 

- SDIL11, um fundo de galpões logísticos (na minha humilde opinião, o melhor segmento de FII). No momento está com um passivo um pouco alto (20%), mas isto foi para bancar a aquisição de imóveis, então creio que a tendência seja de redução da dívida.

Obviamente, não recomendo a compra de nenhum destes fundos. O critério que funciona para mim pode não funcionar para vocês, pois cada um tem objetivos e necessidades diferentes e situações de vida diferentes.

Vi vários blogueiros reclamando do desempenho dos FIIs e confesso que também me sinto um pouco desanimado com a renda passiva. Porém estou apenas no começo dos aportes, e sinto um pouco de alegria vendo os aluguéis caindo na conta. O que importa é aportar em bons FIIs. 

Clique para ampliar

Pretendo ter no máximo 15 FIIs na carteira, e no momento tenho 7. 

A renda passiva recebida em outubro (99% aluguéis dos FII e 1% dividendos de ações) foi de 1,2 coroa. Se fizermos a divisão da renda passiva de aluguéis pelo total acumulado em FIIs (1,2/235) o resultado é de 0,51% no mês, ou seja, um pouquinho a mais que a regra antiga da poupança (que era 0,5%+TR, sendo que a TR está zerada desde 2017). 

Porém, se considerarmos o quanto já aportei em FIIs desde o começo (250 coroas) o rendimento foi de 0,48% e, excluindo os FIIs comprados no mês (para os quais não recebi aluguéis por ter comprado depois da data-ex), o rendimento foi de 0,59%. Em ambos os casos, o rendimento ajustado dos FIIs este mês foi inferior ao da poupança pela regra nova, o qual atualmente está em 0,62% a.m.conforme esta postagem deste blog. 


Ou seja, em termos de rendimentos, os FIIs estão perdendo para a poupança! Pouca coisa, mas estão perdendo, e isto não deveria acontecer! (se algum leitor perceber algum erro no meu raciocínio, por favor comente aí e me corrija!

EDIT (06 de novembro): conforme observado pelo colega Poupador do Interior, o blog linkado acima se equivocou quanto ao rendimento atual da poupança. O valor atual correto do rendimento mensal da nova regra está em 0,4412% a.m., conforme a página do Banco Central (link).

Desta forma, os FIIs estão ao menos cumprindo a obrigação de renderem mais que a poupança (é obrigação sim, pois seu risco é superior ao da poupança - logo, a remuneração precisa ser maior.)

De qualquer maneira, a taxa SELIC está mais alta: atualmente em 7,75% a.a. ou 0,624% a.m. - ainda um tanto "baixa" para padrões brasileiros, quando comparamos com 2016, por exemplo, em que havia quem acreditasse ser possível viver dos juros da poupança com "apenas" 1 milhão na conta (por exemplo, o sumido Pobretão de Vida Ruim). 

Mas, estando a SELIC a 0,624% a.m., e minha carteira de FIIs tendo rendido 0,59% a.m. neste mês, será que eu "perdi dinheiro"? Será que eu deveria me preocupar?? 

Eu acho que não, a diferença de rentabilidade foi mínima, e no meu patamar de patrimônio quase não faz diferença em valores absolutos (olha aqui os "13 reais"). 

Mas, ainda assim, considerando a questão risco X retorno, não deveriam os FIIs ter rendido mais do que 0,624% a.m.? Será que o problema foi a minha carteira? Ou será com todos os FIIs? 

Vamos ver se este quadro vai se reverter, mas para isto os aluguéis dos imóveis deverão ser reajustados de modo que o rendimento por cota ultrapasse os 0,624% a.m. ou o valor de cada cota deverá diminuir proporcionalmente de modo a aumentar o rendimento por cota, ou uma combinação destas duas coisas. 

Mas com a economia em frangalhos, não sei se é uma boa ideia para os fundos aumentarem os aluguéis neste momento, então provavelmente o que vai acontecer é o reajuste do preço das cotas. Este deve ser um dos motivos para o IFIX estar caindo, ao menos no último ano. Óbvio que há exceções, e que há fundos com as cotas valorizando. Mas na média acho que o caminho, por enquanto, é a queda. 

Independente do rendimento (que não é uma boa medida por si só, diga-se de passagem), os FII têm como vantagem perante a poupança o fato de serem lastreados em imóveis (ativo de valor real e que produz valor) e o fato de os aluguéis ao menos terem a possibilidade de serem ajustados conforme índices inflacionários. 

A poupança é "só dinheiro" (ativo de valor fiduciário e que não gera valor por si só). 

Então julgo que, mesmo que o rendimento de FIIs permaneça inferior ao da poupança SELIC, ainda é uma classe de ativos válida para aportar e diversificar (Até porque é a única maneira de pessoas comuns como nós termos alguma participação no riquíssimo mercado imobiliário). 

De qualquer maneira, ainda tenho um longo caminho a percorrer rumo à TF, confrades! Os aluguéis recebidos aumentam bem devagarinho... É necessário ter muita persistência!

No trabalho, tenho me estressado mais que o normal. Estou tentando mudar de setor (ou mudar de emprego) mas é difícil - vejam se vocês também não passam por isso: nenhum setor quer perder alguém que já sabe fazer o trabalho e ao mesmo tempo nenhum setor quer aceitar alguém que ainda precise aprender  - ninguém gosta de ensinar ninguém nas empresas, todo mundo só quer profissionais já prontos. 

Sinceramente, as pessoas que conseguem ser felizes no trabalho e são ultra-motivadas (ou pelo menos fingem bem), "vestem a camisa" e "têm brilho no olho", entre outras frases bestas pseudo-motivacionais destes tempos sojados que vivemos, têm é muita sorte. Eu  não consigo ser assim, ou pelo menos até hoje nunca encontrei um emprego em que me sentisse assim. 

Às vezes fico muito para baixo e só não largo tudo e me arrisco em um pequeno negócio (informal mesmo) e fazendo bicos por aí porque tenho uma família para cuidar (e seria MUITA irresponsabilidade minha largar o emprego, do nada) e porque sou medroso. 

Não me sinto feliz e nem realizado onde trabalho (acho que poucos são, e acho que ser "feliz" e "realizado" trabalhando é um luxo, é algo para poucos). Meu trabalho é apenas um lugar onde passo a maior parte do dia e recebo um dinheiro todo mês em troca do meu tempo, e só.  Eu tento não deixar que as coisas ruins de lá me afetem na vida particular, mas todos sabemos o quanto isto é difícil na prática. É muito difícil não trazer preocupações para casa e não me sentir mal por coisas que acontecem ou que são ditas no escritório (ou no whatsapp depois do expediente...). Eu tento, mas é difícil.

Assim, não sei porque alguns criticam tanto o movimento FIRE. O pessoal FIRE está certíssimo em seu objetivo, e eu espero algum dia alcançar pelo menos uma semi-IF (que eu chamo aqui de TF - tranquilidade financeira). Concordo que ficar 100% ocioso pro resto da vida faz até mal para a saúde, mas também acho que o mundo do trabalho hoje em dia faz mais mal ainda, especialmente quando se é empregado de alguém. No fundo, o movimento FIRE é só mais um sintoma da doença que nossa sociedade está vivendo - é uma reação do hospedeiro.


Perdoem-me pelo desabafo, confrades. Para que ninguém diga que só sei reclamar, mês passado iniciei uma pós-graduação que talvez me ajude a ser professor (de faculdade particular, porque de pública só com doutorado) e que me dará mais moral para cobrar um pouco mais em aulas particulares, além de dar uma enfeitada no currículo, o que nunca é demais. E talvez eu escreva um livro sobre o assunto da pós e ganhe uns royalties (acho que consigo juntar as aulas particulares que dei e transformar em um livro)

     - falando em livros, vocês sabem se, por exemplo, para escrever livros de finanças é necessário ter certificação anbima ou algo do tipo?(não que eu queira escrever sobre isso, mas é bom saber) 

E para escrever livros de determinada área de conhecimento é "exigido" ter registro no conselho profissional pertinente? Exemplo hipotético: eu corro o risco de ser processado pela OAB caso escreva um livro de direito sem ser advogado, mesmo tendo experiência profissional e amplo conhecimento no assunto e não escreva nenhuma besteira? Alguém tem idéia se isso acontece?

É uma dúvida sincera, porque seria uma maneira de monetizar alguns conhecimentos que tenho.


Ainda assim, é bom eu garantir alguma renda passiva, se for largar meu atual emprego para dar aula em alguma faculdade particular (tenho a impressão de que não pagam bem, mas se tiver algum leitor que seja professor de faculdade particular e puder me dizer alguma coisa a respeito, comente aí). Ainda tenho um longo caminho a percorrer... 


O mundo do trabalho não é nada fácil. 

Tenho que ser perseverante.


Assuntos gerais: não tenho lido nenhuma notícia, graças a Deus! Isso é muito bom. Quando visito meus pais e eles me contam os acontecimentos da semana, eu nunca estou sabendo de nada, chega a ser engraçado. Com certeza isso me poupa de muito estresse e chateação. 


Livros: comecei a ler O Nome da Rosa, livro escrito por Umberto Eco, sobre a investigação de um assassinato ocorrido em um mosteiro na idade média. Livro bom para aprender algumas coisas sobre a vida em mosteiros, um pouco de história da idade média, um pouco de história da Igreja Católica e também um pouco de latim (há várias passagens escritas em latim, e dá para aprender um vocabulário bacana se eu me esforçar e traduzir todas elas). Recomendo a leitura! Comprei num sebo por 10 reais. Costumo ler no caminho de ida e de volta do trabalho (sempre vou de transporte público) e durante o almoço. Já li vários livros assim.


Saúde: fiz um checkup recentemente e está tudo bem, graças a Deus.


Família: tudo bem, graças a Deus!


Forte abraço, companheiros de jornada rumo à TF! 

Fiquem com Deus! 

Que novembro seja um mês ainda melhor do que foi outubro!