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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Sobre estudar para concursos e o FOMO (Fear Of Missing Out)

Saudações confraria concurseira e concursada da melhor blogosfera do Brasil! 

Este é um assunto que volta e meia me "atormenta", e falei sobre isso em uma resposta minha a um comentário do Scant feito em outro post de meu blogue. Vou reproduzir aqui:

"Uma coisa que me dificulta muito é que qualquer coisa que eu leia ou estude além de material de concurso tem me provocado uma imensa sensação de "FOMO", parece que estou perdendo tempo que poderia estar estudando as matérias de concurso (por exemplo, outra "fantasia" que eu tenho é a de programar jogos, cheguei até a fazer um curso rápido de pygame, pelo Youtube mesmo, no início de 2021, mas é aquilo: programar requer muito estudo e dedicação, que eu acho que não consigo agora e que me causa uma imensa sensação de "FOMO") - talvez a solução para isso seja separar nem que seja uma hora por semana, ou uma hora a cada 2 ou 3 dias, para me dedicar a estas "habilidades profissionais" e não ficar só estudando coisas semi-inúteis como direito administrativo.

E quando eu passar em algum concurso e puder largar meu emprego, espero conseguir me dedicar mais a estes estudos mais enriquecedores."

Tem muitos assuntos infinitamente mais interessantes que as matérias para concurso que eu gostaria de estar lendo e estudando, e imagino que eu vá estudá-las com muito mais afinco do que as bobagens que são cobradas em concursos públicos (eu adoraria estudar mais história, literatura, religião, mitologias, programação, artesanato,  etc. Até mesmo estudar coisas como fazer macros no excel eu acho que são muito mais interessantes do que decorar a literalidade de artigos de direito constitucional, direito administrativo, etc.)

Assim, eu estou constantemente em busca de um método, estratégia, etc. para evitar este FOMO e conseguir conciliar os estudos para concursos com estudos dos assuntos mencionados acima (e outros) e que são os que realmente me interessam e são mais úteis do ponto de vista profissional, e, é claro, ainda reservar algum tempo para o crescimento cultural e, acima de tudo, para o meu crescimento espiritual (pois afinal, confrades, temos que reservar algum tempo de nossas rotinas para Deus! O "mundo" está sempre tentando nos fazer esquecer de Deus e cabe a cada um de nós reservarmos um tempo para nosso crescimento espiritual, para evitarmos nos tornar "escravos do mundo" e para que possamos acumular os Tesouros do Céu, que no fundo são o que realmente importa).

Mais algum leitor que estuda para concursos sente isso também? Como lidam com isso? Comentem aí!

Forte abraço, companheiros de trincheira!
Fiquem com Deus!


segunda-feira, 27 de junho de 2022

Um olhar crítico sobre nosso sistema de ensino

A questão da educação e do ensino no Brasil, nossa querida Terra de Santa Cruz,  é algo problemático já há algumas décadas. 

Não sei quando o problema começou,  de fato, e sei através de relatos de parentes e amigos que exercem o magistério, que hoje em dia está muito pior do que quando ocupei os bancos escolares. 

Também sei que na minha época já estava pior do que na de meus pais, mas acredito que na época deles as coisas estavam melhores do que na de meus avós. Então creio que o problema tenha começado mesmo por volta dos anos 60 ou 70, embora suas sementes provavelmente já estivessem plantadas há muito mais tempo. O problema não é só administrativo, mas também cultural, mas este assunto fica para outro post.

Se vocês pesquisarem, verão que a degradação do ensino não é um fenômeno exclusivo do Brasil... até as famosas e caríssimas universidades da "Ivy League" estão degradadas e decadentes, embora ainda sirvam para enfeitar currículos mundo afora...

Mas isto também  é assunto para um futuro post. Neste aqui me aterei apenas ao Brasil.

Vejam se a experiência que vocês passaram nos anos de escola não é parecida com o que vou descrever:

O nosso sistema de ensino se divide em basicamente 4 fases: primário,  ginásio,  ensino médio e faculdade (uso a nomenclatura da minha época de aluno).


É no ensino  primário que aprendemos o básico e , no fundo, aquilo que é mais útil pra vida: ler e escrever em português, as 4 operações fundamentais de matemática, frações, porcentagens, e o basicão de ciências, geografia e história. É o mínimo para ser funcional em praticamente qualquer emprego, e também julgo necessário saber o mínimo de biologia para viver (pelo menos onde estudei, aprendíamos até a quarta série o básico do funcionamento do corpo humano, o básico sobre plantas e animais, alguns cuidados que temos que ter com a comida, etc.). 

E, embora a maioria das pessoas nunca vá usar os conhecimentos de geografia e história para ganhar dinheiro, não acho que seria bom que em uma sociedade a maioria das pessoas não soubesse absolutamente nada de geografia e de história do mundo e da história de seu próprio país. Acho que todos temos que saber alguma coisa destes assuntos, pois é essencial ter um mínimo de cultura! 

Não concordo com as ideias, defendidas por alguns, de que somente devemos aprender o que for útil para o trabalho, pois assim seríamos reduzidos a meros "burros de carga", seres incultos que só sabem coisas relativas a suas próprias profissões, como formigas operárias. Isto reduziria o ser humano a algo só um pouco acima dos animais, em minha opinião.

pena que salas de aula arrumadinhas assim sejam exceção no Brasil...


Quando chegamos ao Ginásio e depois ao Ensino Médio as coisas estão estruturadas de maneira que é praticamente só um repeteco mais aprofundado do que vimos no primário, com a inclusão de algumas poucas coisas novas (física e química, principalmente) e entra muita coisa que é só decoreba pro vestibular, principalmente a parte de história, geografia e filosofia no ensino médio. Claro que algumas coisas aprendidas nesta fase são úteis, mas é cada vez mais notório que o objetivo é só preparar os alunos para o ENEM, numa espécie de "linha de montagem" (além da doutrinação vermelha).

Depois do ensino médio, infelizmente, o normal na época de fazer os vestibulares é estudar tudo de novo, em um cursinho preparatório (às vezes esse cursinho é feito durante o terceiro ano do ensino médio e algumas escolas oferecem esse curso no contra-turno do aluno). O cursinho pré-vest simplesmente condensa em uns 7 ou 8 meses tudo o que foi transmitido nos 3 anos de ensino médio, fazendo uma grande "paçoca" de conhecimentos, muitos dos quais são decorados.

Na hora do vestibular, o aluno "vomita" na prova todas as informações acumuladas em tantos anos de repetição e decoreba na época de escola e no cursinho pré-vestibular, e via de regra esquece a maioria das matérias logo depois.


Ironicamente, o aprendizado mais útil da época do ginásio e do ensino médio são os idiomas (geralmente as escolas ensinam inglês e/ou espanhol, e umas poucas ainda ensinam francês como matéria optativa), mas os alunos em geral tratam essas matérias como simples decorebas ou nem aprendem, e as escolas quase sempre permitem que eles passem automaticamente de ano, pois por aqui já algum tempo há uma cultura muito forte de "ah, você não vai fazer o aluno repetir de ano por causa de inglês,  né??". E fica por isso mesmo. O público meio que já se acostumou com a ideia de que "inglês de escola é ruim".

(Por exemplo, na minha época de ensino médio, na minha escola havia um sistema de monitoria, e eu fui o monitor de inglês da minha turma durante os 3 anos do ensino médio. Eu dava aulas de reforço para diversos colegas que não só não sabiam nada de inglês, mas também não queriam nem se esforçar para aprender. Fiz dezenas de redações para que meus colegas de turma decorassem-nas e as "vomitassem" na prova, não importando qual de fato seria o tema da redação da prova...bizarro demais! Os caras se dispunham a decorar redações de 20 linhas, mas não a aprender inglês!)

Durante a faculdade, há muitas matérias que não acrescentam em nada nem para a profissão que está sendo aprendida e nem para a cultura geral do aluno, e estão lá somente porque o MEC determinou que os cursos de bacharelado devem obrigatoriamente ter 8 períodos e determinada carga horária mínima, como se todos os cursos fossem exatamente iguais (eu sei que tem faculdades que permitem puxar "N" matérias, de modo que tem gente que consegue se formar em 3 anos, mas estes casos são exceção)

Uma coisa interessante que eu noto principalmente nas redes sociais e em sessões de comentários de sites em geral: é muito engraçado ver como hoje em dia em qualquer discussão na internet tem gente dando "carteirada de diploma", e às vezes até dando carteirada de "estar cursando" determinado curso. 

Tendo em vista que o perfil médio do universitário brasileiro é aquele cara que foi para a faculdade só pra ir em chopada e frequentar o barzinho local, matava aula direto (só tomando cuidado para não ser reprovado por falta), estudava só de véspera e passava raspando na maioria das matérias  (isso quando não pedia para o professor dar mais meio ponto) e pagou alguém para fazer o TCC, então há uma boa chance de que aquela pessoa que está te dando carteirada com o diploma numa discussão ter sido esse tipo de universitário. 

Afinal, com que autoridade uma pessoa dessas dá carteirada? Só porque tem um pedaço de papel mal e porcamente merecido? Será que essa pessoa fez algum trabalho realmente relevante em sua área de conhecimento ou será que produziu por obrigação mais um TCC de 20 ou 30 páginas que nunca será lido por ninguém (talvez nem pelo orientador)? 

Acho que algumas ideias para para resolver um monte desses problemas, ou ao menos dar o pontapé inicial seriam:

1) Somente o ensino primário ser obrigatório (para todo mundo saber ler, escrever e pelo menos as 4 operações fundamentais) ou pelo menos somente as matérias que mais se aproximam daquelas do "trivium" e, mais tarde, do "quadrivium", serem obrigatórias, com o restante das cadeiras sendo eletivas e cada aluno montando sua grade ao longo dos anos de escola conforme o interesse e o pendor de cada um;

2) Focar o ensino primário em leitura, interpretação de texto, raciocínio lógico e matemática (que são áreas muito defasadas no nosso Brasilzão de Deus) 

3) Diminuir o número de vagas da maioria dos cursos superiores (muitos cursos formam um número de profissionais muito superior à demanda do nosso mercado, o que achata os salários) 

- edit (9/8/22): aumentar o número de vagas pros cursos de medicina, pois apesar do que dizem, há poucos médicos no Brasil, e muito concentrados nas capitais;

- edit (27/3/2023): diminuir também o número de vagas para o ensino médio, e direcionar aqueles que não fossem cursá-lo para cursos profissionalizantes, para que aprendessem ofícios.

4) Acabar com qualquer forma de aprovação automática em todas as etapas do ensino;

5) Focar em abrir mais escolas técnicas / profissionalizantes, e não em abrir universidades (no Brasil tem muito "doutor" e pouco eletricista, encanador, mecânico, etc. que sejam realmente técnicos);

6) Acabar com o currículo obrigatório (exceto talvez para o trivium e quadrivium), e permitir que cada escola tenha o seu próprio currículo personalizado para as peculiaridades locais de cada região e/ou de seu público;

Edit (27/3/2023): 

7) impor uma idade máxima para cada série (e com isso acabar com o absurdo de, por exemplo, adolescentes de 15 anos ou mais na quarta série, dividindo a sala de aula com crianças de 10 anos, que vemos em algumas escolas)

8) em complemento ao item 7, impor um número máximo de reprovações aos alunos (prevendo a expulsão de quem repetir de ano mais do que, por exemplo, duas vezes)

9) Tornar obrigatória a apresentação de algum comprovante de trabalho (carteira de trabalho, contrato de PJ, recibos de autônomo, etc) para frequentar EJAs;

10) direcionar os alunos expulsos das escolas (por conta dos itens 7 e 8), bem como quaisquer alunos e demais pessoas interessadas, para programas de ensino profissionalizante, para que aprendam ofícios.

Edit (16/9/2024):

11) Criar um "vestibular" ou "exame" para dar acesso ao ginásio, com número limitado de vagas (digamos, de cada 100 crianças do primário, apenas umas 60~70 deveriam poder ir pro ginásio). E depois, outro "exame" para o ensino médio, com menos vagas (das 60 que fizeram ginásio, só umas 40 deveriam poder cursar o ensino médio) - os alunos que não conseguissem passar nestes exames seriam direcionados para cursos profissionalizantes, para aprenderem ofícios.

12) Supletivos deveriam ter idade mínima (30~35 anos) e deveriam ter a matrícula condicionada a apresentação de comprovantes de trabalho/emprego, à semelhança de como deveriam ser os EJAs

13) Criar exigência de experiência profissional mínima para poder cursar Mestrado e Doutorado (para acabar com esse negócio de emendar faculdade com mestrado e doutorado, e com isso não formarmos mais  mestres e doutores que nunca colocaram a mão na massa e possuem uma visão apenas teórica sobre suas áreas de conhecimento) 

14) Criar exigência de idade mínima para cursos de Mestrado e Doutorado (eu acho muito estranho quando vejo um doutor de 30 ~35 anos! Doutor deveria ter uns 50, 60 anos, por aí. Mestres deveriam ter uns 40 anos, no mínimo. Isso faria com que somente pessoas com experiência de vida fossem para estes cursos, e não jovens recém-formados)


Não posso afirmar se as ideias acima, caso seguidas à risca, resolveriam os problemas de educação no Brasil, mas acredito que ajudariam bastante no longo prazo. Usei apenas o bom senso para pensar nestas ideias.

Enfim, confraria, estas são algumas de minhas opiniões sobre o nosso sistema de ensino. Será que exagerei alguma coisa? Talvez, mas não acho que escrevi nada muito fora da realidade. Pelo menos foram essas as coisas que vi em meus tempos de formação.


Forte abraço!

Fiquem com Deus!

Fora da caridade não há salvação!

sábado, 2 de abril de 2022

Aportes e Atualização patrimonial - março de 2022

Salve,  salve, confraria, estamos de volta para mais uma atualização patrimonial do blog.

Todos os valores estão, como sempre, expressos em Coroas, a moeda oficial do Mago Economista.

Março já veio e já foi, e com isso 25% do ano de 2022 de nosso Senhor já passaram. Como  o tempo voa!




Aumento acumulado de 97,3% desde o início dos aportes, em junho de 2021. 


Ações - prosseguindo com o plano de criar meu "mini-ETF", as compras do mês foram BBAS3, RADL3 e MDIA3. 

Banco do Brasil é um dos nossos 3 bancões, lucros bilionários, boa frequência de dividendos, etc. O ruim é ter o governo como sócio,  mas tudo bem, é mais uma buy and forget pra carteira. Vou vender quando tiver valor suficiente para comprar um imóvel.

Raia Drogasil, dona de rede de farmácias (demanda inelástica), um dos  negócios que mais crescem atualmente (triste se parar pra pensar) . Achei que tem um bom histórico de lucros.

M.Dias Branco, gigante do setor de alimentos (demanda inelástica também), dona de várias marcas. Também tem lucros interessantes.

Óbvio que nenhuma das ações listadas acima é uma indicação de compra, pois se você confiar em dicas de anônimos de internet, ainda mais em finanças, vai se lascar! Então estude e tire sozinho suas conclusões!

FIIs - o aporte da vez foi no LVBI11, fundo logístico dono de 8 imóveis. Fundos de logística são os que eu mais gosto. Claro que vou diversificar em outros segmentos, mas creio que sempre darei uma preferência para a área de logística. Óbvio que esse FII não é uma indicação de compra! Nenhum FII dos listados no quadro acima  são indicações de compra! Não recomendo nenhum! Se você confiar em dicas de anônimos de internet, ainda mais em finanças, vai se lascar! Então estude e tire sozinho suas conclusões!

O que quero é  que minha receita de aluguéis cresça todo mês . Até agora venho conseguindo cumprir essa meta. Aos pouquinhos os proventos de FII vão se tornando cada vez mais significativos na minha renda mensal!




Reserva de Valor - aportei em BTC, ETH, BCH,  ADA e LINK. Estreei BCH e LINK na carteira. Assim como qualquer outra criptomoeda, o BCH é amado fervorosamente por uns e odiado vorazmente por outros. A mesma coisa vale para o LINK. Quem estará com a razão? No momento não me importa, vamos ver daqui a uns 5 anos...

Eu só os considero mais duas moedas para diversificar. No fundo é tudo FOMO mesmo ("fear of missing out" para quem não sabe)... mas só aporto valores que aceitaria perder, e a carteira de criptos representa hoje só um pouco mais de 3% do valor da minha carteira total (em termos de valor aportado, e não do valor atual de cada cripto - é tão volátil que nem vale a pena calcular isso). Se todas virarem pó ao mesmo tempo, ainda terei 97% do meu patrimônio, então tudo bem. E se explodirem, só tenho a ganhar.

Olhei a composição do HASH11, e sinceramente continuo achando melhor aportar diretamente em criptos mesmo. Achei cara a taxa de administração (1,3%a.a). O HASH11 não é lá essas coisas, e nem precisa comprar tantas criptos assim para copiar o índice, se for do seu interesse.

Para quem não sabe, aí está a composição do HASH11:

  • Bitcoin – 64,6%
  • Ethereum – 31,8%
  • Litecoin – 0,77%
  • Chainlink – 0,68%
  • Bitcoin Cash – 0,46%
  • Uniswap – 0,36%
  • Filecoin – 0,32%
  • The Sandbox – 0,26%

E a minha carteira de criptos está assim dividida:

Bitcoin - 46,7%
Cardano - 17%
Litecoin - 9,8%
Ether- 7,5%
Ripple - 6,2%
Stellar Lumens - 5,8%
Polkadot - 3,5%
Chain Link - 3,2%
Bitcoin Cash - 0,3% (comecei devagar)
Doge Coin - 0,04% (só aportei dinheiro que sobrou na exchange... não me julguem!)
Kyber Network Crystal - 0,02% (idem)

Percebo que nesse meio a opinião dominante é que no fim só sobrarão o BTC e o ETH, e o resto se tornará irrelevante. Talvez seja por isso que o HASH11 coloca um peso bem maior nessas duas moedas (mais de 95% do fundo), mas vejam que o gestor não descartou LTC e nem BCH. Eu particularmente prefiro as moedas que tenham quantidade limite de emissão, pois considero que isso é uma boa defesa contra a inflação da moeda. ETH não tem um limite de emissão, mas li que há situações em que ocorre a "destruição" de tokens. Enfim, não dou tanto valor assim ao Ether...

O que os confrades que aportam em criptos acham de BCH? E de LINK?

Eu não recomendo nenhuma criptomoeda a ninguém! Não sigam dicas de anônimos de internet! Estudem sozinhos e tracem seus próprios caminhos!!

Renda Fixa - só aportei na caderneta mesmo. Com a selic alta, até os juros de nossa poupança são um "oásis"  comparados aos das "savings accounts" de bancos estrangeiros (que pagam geralmente 0,25% ao ano). Sei que uma boa parte do rendimento é corroída pela inflação,  mas ainda assim gosto muito da falta de burocracia e da isenção de impostos da caderneta, além da reaplicação automática dos proventos, o que facilita a formação do efeito bola de neve.

"Contabilmente" já vou começar a separar o valor nela existente entre a RE e a grana para comprar uma casa ou terreno em uma cidade menor, para um dia ter o privilégio de viver que nem um redneck. Assim que eu completar minha carteira de ações e de FIIs, passarei a fazer aportes mais consistentes neste objetivo. 

Portanto, minha renda fixa está, no momento, assim dividida:

950 Coroas = Reserva de Emergência (RE)

176 Coroas = economias para comprar imóvel

E assim que eu perceber que o valor que tenho em ações está suficiente para comprar um imóvel, venderei a quantidade necessária para compra-lo (na minha opinião, ativos reais, principalmente imóveis e terras, são de certa forma superiores a ativos de papel). FIIs não pretendo vender,  a não ser que ocorra um problema muito grave de gestão.

Comentário lvcido!
Deve ter tido (mais um) vídeo de algum youtuber "especialista" em finanças falando mal de ser dono de seu próprio imóvel...

Renda Passiva - este mês recebi 4,48 coroas. Devagar e sempre a renda passiva vai aumentando. Esse mês teve dividendos da Eztec, Engie, M Dias Branco, Weg, e BB, além dos pingados de sempre de Itaú  e Bradesco. Acabou ficando mais ou menos 50% dividendos/JCP e 50% aluguéis.



 A renda passiva do mês quebrou o recorde anterior, de 3,25 coroas, em janeiro de 2022, mês em que os dividendos e aluguéis de FIIs foram maiores que o normal. Acho que agora o "piso" da minha renda passiva já vai ficar em um pouco mais de 2 coroas por mês.

Trabalho & Estudos - finalmente completei a minha pós graduação. Que coisa chata foi essa pós! É muito difícil encontrar um doutor que saiba transmitir conhecimento de forma didática... bem, pelo menos vai ser mais uma coisa para enfeitar o currículo e melhorar minha empregabilidade. Minha próxima empreitada é um curso de macros de Excel e visual basic que comprei na Udemy. Quero finalmente me tornar um "usuário avançado", após anos trabalhando com planilhas (o que eu sei tem sido suficiente até agora, mas quero avançar nessa ferramenta). 

Fora isso, tenho estudado javascript através de um app chamado Grasshopper. Não é lá essas coisas, mas acho que pra aprender o beabá está valendo. 

Generalidades 

- todo mundo viu o caso do "Fresh Prince of Bel Air" que estapeou o Chris, que,  coitado, dizem que é odiado por todos. 

Não duvido que tudo isso tenha sido combinado para alavancar a (cada vez menor) audiência do oscar. Até eu que nunca acompanhei essa premiação fiquei sabendo. O plano deu certo, então.

Mas, se for real, duvido que se quem tivesse feito a piada fosse o "irmão" do Chris, o tal do "The Rock", o príncipe de bel air teria tido coragem de tascar-lhe um tapão no rosto. 

Acho que velho Will guarda muita mágoa no coração por viver um casamento de fachada, e pode ter querido descontar no coitado do Chris...

- Ser de esquerda (ou seja, um NPC) em 2022: ser vegano e se esterilizar para que os netos do Bill Gates possam viver num mundo menos congestionado e com ar mais limpo. E também andar só de bicicleta e comer insetos para que os netos dele possam caçar ursos e javalis na floresta particular deles e comer carne à vontade.


Por enquanto é só, pessoal. Até o próximo post!

Forte abraço!

Fiquem com Deus!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Minha história no mercado de ações - parte 2

Saudações, confraria da melhor blogosfera do Brasil! 

Dando continuidade a esta minha pequena série (cuja primeira parte lancei há uns 6 meses...), trago aqui a parte 2 do caminho que percorri no mercado de ações. 

O objetivo desta série é compartilhar meus erros e meus acertos (mas principalmente os erros), para que mais pessoas possam aprender através de minha experiência. Afinal, muitos iniciantes frequentam nossos blogs.

Link para a parte 1 

Como escrevi na parte 1, investir naquele fundo horroroso oferecido pelo meu bancão teve o lado bom de me fazer começar a estudar sobre economia, finanças e mercado financeiro em geral, pois eu não sabia de nada. Eu era pior que uma sardinha abissal - eu era uma sardinha que nem sabia nadar!

Assim, comprei e li muitos livros a respeito do assunto. Eu estava em busca de um livro que servisse como um "manual de instruções do mercado de ações".

Lembro que o primeiro livro que li foi o "A árvore do dinheiro", de uma coleção chamada expomoney. O livro era bom para começar, mas não falava tanto sobre ações e acho que nem falava sobre FIIs (que na época era um mercado bem iniciante ainda). É um livro bem básico, voltado para quem não sabe quase nada sobre finanças. Foi um ponto de partida.


Depois li o famoso livro do Kyiosaki, o "Pai Rico, Pai Pobre", e gostei da simplicidade das lições daquele livro. Li a versão em inglês (na época os pocket books em inglês eram muito baratos na Saraiva) e graças  a isso peguei um bom vocabulário relativo a finanças que me permitiu ler mais coisas ainda em inglês.

Mas no fundo o livro do Kyiosaki também não ensinava realmente a investir em ações. Ele vale por causa do famoso diagrama do fluxo de caixa e pela lição da importância da renda passiva, mas ele foca muito mais no lado empreendedor, e ele tem um jeito de escrever como se estivesse zombando do leitor, pelo menos foi essa a impressão que eu tive quando li (tipo "ah, se você é um empregado você é imbecil e otário, e esperto sou eu e quem compra e revende imóveis seguindo a minha fórmula"). Pelo menos este livro serve para abrir os olhos quanto à importância da renda passiva e sobre a necessidade de entender ao menos um pouco de contabilidade. Por causa disso comprei o "Contabilidade Básica" do José Carlos Marion, para aprender. 



Depois li o (infame) "Os Axiomas de Zurique", que é outro livro que parece zombar do leitor (o narrador o tempo inteiro soa como se fosse um mestre das finanças e quem não segue as lições dele é um otário, ou pelo menos esta foi a impressão que eu tive, lendo a versão em português). Poucas coisas valem a pena neste livro, a maioria dos axiomas são bobagens, ainda mais para quem faz buy and hold (e acho que nem para especuladores e day traders o livro serve). Engraçado que o autor é um jornalista, e não um administrador de fundos ou especulador. Ao que me parece o autor viveu escrevendo livros sobre o mercado financeiro e colunas em jornais e revistas, e não de investimentos.

Li também (acho que em 2011) o "Investindo em Small Caps", o primeiro livro mais "técnico", com um foco mais prático. Esse livro era interessante e penso em lê-lo de novo para refletir com o conhecimento que tenho hoje em dia. 

E foi graças a esse livro que aprendi uma lição importante: não deixe pessoas conhecidas saberem que você investe (e nem sequer pensarem que você investe). Aprendi essa lição porque eu lia esse livro no refeitório da faculdade no intervalo das aulas e na hora do almoço. Um dia um colega de turma me viu lendo, puxou assunto e eu, ingênuo, dei corda, e a conversa culminou com ele me pedindo 5 mil reais emprestados. Não emprestei (era praticamente tudo o que eu tinha juntado de anos de estágio e dando aulas particulares) e ele só falou comigo de novo uns 10 anos depois (mas não pediu mais dinheiro emprestado).


Enfim, eu li estes e outros livros, e eventualmente abri uma conta na corretora do meu bancão e comecei a comprar ações.

A primeira ação que eu comprei foi a mesma que 99% dos brasileiros que investem em ações compram quando começam no mercado: PETR4. Isso foi em 2013.

Na época eu acho que nem tinha um objetivo em mente. Eu no máximo estava juntando dinheiro (na caderneta de poupança) para comprar um imóvel, mas o dinheiro para isso estava bem separado do dinheiro das ações, na minha mente. Eu nem pensava em usar o dinheiro que estava em ações para ajudar a comprar um imóvel.

Mas ao mesmo tempo eu não estava pensando em coisas como IF, TF, etc. Então meio que não era um "buy and hold" de verdade. Talvez eu tivesse uma meta de preço para vender as ações com lucro, mas não lembro. 

A questão aqui é que hoje eu vejo como pode ser perigoso investir em renda variável "só por investir", sem ter um objetivo. 

Se você não tiver um objetivo sólido de longo prazo em mente (comprar imóvel, comprar terreno, alcançar a IF, alcançar a TF, etc), pode acontecer de qualquer coisa virar motivo para você vender. 

Então quem investe sem objetivos de longo prazo tem muita chance de em qualquer queda de centavos ou de poucos reais no preço da ação querer vender tudo. Quem tem objetivos sólidos de longo prazo não está imune a isso, óbvio que não, mas acho que tem mais chance de aguentar quedas do que quem investe sem objetivo.

Depois do meu primeiro aporte, fui comprando ações todo mês (ao menos eu tinha acertado nisso - a mentalidade de aportar todo mês) e minha "diversificadíssima" carteira na época era composta pelas seguintes ações:

PETR4 (porque todo brasileiro que investe em ações investe nessa)


ELET3 (só por causa dos dividendos gordos)


ELET6 (idem)


WHRL4 (porque é a dona da melhor marca de eletrodomésticos do Brasil e tinha bons indicadores patrimoniais)


EMBR3 (porque gosto de aviação e achava que a empresa iria evoluir para se tornar uma das grandes fabricantes de aviões do mundo)

... e agora a pior de todas:

OGXP3 (porque, afinal, como dizia o Rockefeller, o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada, o segundo melhor é uma empresa de petróleo medianamente administrada e o terceiro melhor negócio do mundo é uma petroleira mal administrada... então a OGX estaria enquadrada como o terceiro melhor negócio do mundo, o que para mim estava ótimo)

A minha análise praticamente se limitava a olhar os múltiplos das empresas no site Fundamentus, e a dar uma olhada no gráfico da cotação (para estimar se a ação estava com tendência de alta ou de baixa). 

De vez em quando eu lia as postagens do fórum InfoMoney (acho que nem existe mais) para ver a opinião que as pessoas tinham sobre as ações das empresas que eu ia comprar. 

Acho que foi lá que eu descobri a OGX. 

A minha sorte foi não ter entrado nessa empresa no seu auge (que se não me engano foi por volta dos R$ 27, mas posso estar errado). 

Eu acho que quando eu entrei a ação estava a uns R$ 5,00. Fiz o primeiro aporte na empresa, nem lembro quantas comprei. 

No mês seguinte já devia estar a R$ 3,00. Fiz meu segundo aporte - afinal, todo mundo dizia que a OGX iria bombar. Era difícil não se deixar levar pelo otimismo da época (afinal, o Eike Batista era o novo Barão de Mauá). 

No mês seguinte (salvo engano, junho de 2013), acho que a ação já tinha caído para a casa dos R$ 2,00. Fiz meu último aporte nela. 

Naquela altura do campeonato, as piadas sobre a OGX já tinham chegado na mídia mainstream, e até pessoas que não eram "do mercado" faziam piadas do tipo "você quer o troco em bala ou em ações da OGX?". Eu não aportei mais em OGX, mas também não vendi as ações que tinha. Simplesmente parei de aportar nela, e permaneci com as minhas 2.980 ações OGXP3, que um tempo depois viraram 29 por conta dos agrupamentos, e as vendi só no ano retrasado, para ajudar a quitar meu financiamento imobiliário (devo ter aportado no total uns R$ 5.000 nessa empresa em 2013 e vendi por R$ 400 em 2020) 


Infelizmente, as perdas com a OGX me desanimaram em relação ao mercado de ações como um todo, de modo que eu me afastei dos investimentos desde meados de 2013, e só voltei a me interessar de novo em 2015, quando descobri a blogosfera das finanças. 

Esse capítulo fica para o próximo post desta série.

sábado, 3 de abril de 2021

O drama de ter que fazer um TCC

 

Um dos grandes erros de nossa academia é o excesso de preocupação com a forma dos trabalhos que são feitos e a quase absoluta falta de preocupação com o conteúdo e com os efeitos práticos que as conclusões de tais trabalhos alcançam.

Basta observar que em qualquer TCC o que mais se cobra são as regrinhas da ABNT e não o conteúdo e a qualidade do texto em si. O irônico é que praticamente toda faculdade, não importa se de humanas ou de exatas, tem uma matéria só para ensinar essas regras ("metodologia da pesquisa"), mas esta matéria geralmente é tão árida (e muitas vezes mal ensinada) que quase todo mundo tem que ficar pesquisando na internet como fazer citações do jeito certo e outras regrinhas bobas (ou pagar alguém por fora para formatar o trabalho - aliás, está aí uma boa ideia de pequeno negócio para um universitário ganhar uma renda extra, caso tenha paciência, desde fique só na formatação e não envolva fazer o trabalho inteiro para os outros.)

Conforme disse em outro post sobre educação, descreverei aqui algumas das minhas experiências ruins com este tipo de trabalho. Provavelmente alguns de vocês irão se identificar:

1) No TCC da faculdade, acabei escolhendo um tema que infelizmente era meio complicado de encontrar bibliografia - acho que só tinha uns 3 ou 4 livros em português, e eu comprei todos para fazer o trabalho. O problema é que eles não são atualizados há muito tempo (o mais recente era uma edição de 2005) e o professor ficou cobrando que eu colocasse citações de mais livros e de livros mais recentes, sem entender que a bibliografia era escassa. Para sossegá-lo, procurei dissertações de mestrado sobre o tema (também raras) e coloquei citações delas só para encher linguiça. 

Na verdade, nenhuma das citações que eu coloquei contribuía de fato para o trabalho, mas infelizmente nossa academia entende que somos obrigados a citar autores só porque sim, como se nenhum de nós fosse inteligente o bastante para ter raciocínios próprios. 

Para os meus leitores que porventura ainda estão na faculdade e não chegaram ao TCC, coloco um exemplo bem hipotético para ilustrar o que os aguarda:

-Você entrega o primeiro rascunho do trabalho assim: 

"O céu é azul, o sol está brilhando, e os passarinhos cantam... a primavera chegou."

-Então o professor te devolve o rascunho com a seguinte correção:

"O céu é azul [quem disse que o céu é azul? colocar citação], o sol está brilhando [novamente, você está fazendo uma afirmação não embasada. Sugiro colocar uma citação de autor consagrado para dar força ao seu argumento] , e os passarinhos cantam... [faltou citação, e não use reticências em trabalhos científicos. Recomendo usar ponto e vírgula para este tipo de separação] a primavera chegou." [a conclusão está partindo de premissas não embasadas em autores confiáveis. Sugiro verificar isso e mudar o tipo de verbo usado na conclusão. Também deixo como sugestão usar mais de um tipo de citação para enriquecer o trabalho]

-Então, você, que não quer perder pontos e nem perder tempo, devolve o trabalho assim:

"Segundo Ramos (2018) "o céu possui tonalidade azul cerúlea que fica mais intensa nos meses mais quentes do ano". Para Almeida e Gonçalves (apud Pedroso, 2015):

o sol brilha forte no alto do céu nas 

estações da primavera e do verão.                                                       

É comum que as aves saiam de seu                                                   

 período relativamente silencioso                                                          

observado nos meses mais frios.

(Pedroso, 2015, p. 394)

Partindo dos pontos de vista apresentados acima, é bastante seguro afirmar que, através da observação do céu quando este apresenta tonalidade azul mais intensa, assim como da observação do aumento da intensidade da luz solar, que o local observado encontra-se na primavera. Para reforçar a conclusão, há também a evidência do aumento na frequência do cantar das aves, conforme definido acima por Almeida e Gonçalves.

-E provavelmente depois de entregar esta versão, ainda corre-se o risco do professor dizer que a referência a Almeida e Gonçalves está datada, porque é de 6 anos atrás, ou que não são autores consagrados, e então exigir uma citação do professor doutor Lindomar. 

O exemplo que dei acima foi bastante esdrúxulo, mas acredito que ilustra muito bem a estrutura de um típico TCC nas universidades brasileiras: gastamos linhas e linhas com citações para chegarmos a conclusões óbvias ou semi-óbvias. Gastamos muito tempo e energia fazendo textos que talvez nem o orientador irá ler direito, e que depois será arquivado e esquecido para sempre.


2) Outro causo do TCC da faculdade: o primeiro feedback do professor orientador foi de "isso que você apontou como problema para propor uma solução eu realmente não enxergo como um problema, então sugiro que você mude o tema do seu trabalho" - sendo que faltava dois meses para entregar. Como eu sempre tive dificuldade em escolher o tema de qualquer trabalho em que o tema era livre, ignorei o conselho dele e continuei mandando os rascunhos com o mesmo tema, na cara de pau. Eu acho meio exagerada essa coisa de que o TCC de uma faculdade tem que propor uma "solução" para um "problema" - até porque o limite costuma ser de 20 páginas, com espaçamento 1,5 e sendo obrigatório encher o texto de citações só porque sim. Como realisticamente propor uma "solução" para um "problema" em 20 páginas?

E o pior: muitas vezes somos forçados a inventar um "problema" que não existe e a propor uma "solução" imaginária.

Infelizmente, temos essa mania de "brincar de pesquisador" em todas as nossas faculdades. Esse modelo obviamente não deveria ser aplicado a todos os cursos. Na minha opinião, os TCC de nível de graduação nem deveriam existir, mas já que o MEC faz questão, então eles deveriam ser somente resenhas de livros consagrados de cada área ou simplesmente estudos de caso, e com limite maior de páginas. Tem vários assuntos em que 20 páginas é muito, e vários assuntos em que 20 páginas é muito pouco, ainda mais em se tratando de "problemas" que muitas vezes nem existem. 

Acho que soluções de verdade para problemas de verdade estão mais no nível do doutorado e do pós-doutorado, com muito mais tempo para pesquisar e muito mais páginas para escrever.


3) Na pós-graduação que fiz, havia algumas matérias com  trabalhinhos de 1 ou 2 páginas que valiam 1 ponto cada. Geralmente eram 3 ou 4 perguntas e era só enviar um arquivo de Word com as repostas para o e-mail do professor. Como era fácil, cada resposta tendo no máximo 1 ou 2 parágrafos, eu simplesmente respondia e mandava sem grandes preocupações. Acontece que na primeira vez um dos professores me devolveu o trabalho corrigido dizendo que eu não havia deixado as respostas no formato padrão da ABNT. Ele estava cobrando que eu colocasse citações de autores e colocasse tudo com as margens, fontes e espaçamentos corretos para responder àquelas perguntinhas simples. Fiquei pasmo com isso.

A minha vontade era dizer que para um trabalhinho de 1 ponto simplesmente não valia a pena perder tempo cumprindo as regras da ABNT, afinal eu gastaria mais tempo formatando o texto e procurando citações para encher linguiça do que de fato respondendo as perguntas, mas como eu tinha mais a perder do que a ganhar fazendo essa reclamação, deixei para lá. Continuei mandando os trabalhinhos sem me preocupar com a formatação e dane-se. Na terceira vez eles pararam de me recomendar que colocasse no padrão da ABNT e ao invés de eu tirar 1 eu tirava 0,8 ou 0,7 na nota. Que lástima, não é?

4) Ainda sobre a minha pós-graduação, uma reclamação memorável  que recebi de um dos professores daquelas matérias com trabalhinhos de 1 ponto era que eu não estava colocando citações nas respostas e, palavras dele: "no nível de pós-graduação, é esperado que as respostas sejam bastante embasadas, afinal não estamos mais no ensino médio, precisamos pesquisar para responder bem cada pergunta que é feita, então é esperado que cada aluno use o máximo de recursos acadêmicos para orientar seus estudos".

Por um lado eu entendo que o uso de citações é uma ferramenta para evitar que os trabalhos sejam feitos com base em "achismo", mas por outro lado, vejo que há um grande exagero em nossa academia em relação à exigência de citações, como podemos observar neste exemplo, em que o professor cobrava citações em respostas que teriam no máximo 2 parágrafos. Até parece que os alunos da pós-graduação não podem pensar por conta própria... Nesse quesito o ensino médio está melhor servido, pois o aluno é livre para escrever usando seu próprio raciocínio sem ter a cobrança por citações, enquanto que o pós-graduando está amarrado a esta obrigação que a meu ver é muito mais estética do que legítima. 


Dito isto, atualmente tenho sentimentos mistos em relação a fazer um mestrado em minha área de interesse. A principal razão para me deixar com um pé para trás são estas cobranças fúteis de nosso academicismo. Porém, não nego que ter um mestrado me ajudaria a alcançar uma carreira de professor, o que me permitiria eventualmente deixar meu atual emprego. Confesso que já estive mais empolgado com esta ideia, mas ainda acho que vale a pena ao menos ter esta carta na manga, como um plano "B" da vida. Vou continuar pensando com carinho nesta ideia.

É uma pena que nossas universidades e escolas (inclusive as particulares) já há muitos anos tenham sido tomadas por ideologias nefastas e inimigas da humanidade, embora posem de defensoras dos pobrezinhos. O trabalho para reverter este quadro será árduo e demorado, mas precisa começar, de algum jeito, ainda que de fora da academia. Já há alguns professores bem intencionados lutando o bom combate, discretamente, tijolinho por tijolinho.


Enfim, cavalheiros da blogosfera, mesmo que eu algum dia consiga ter uma carreira acadêmica, sempre escreverei com muito mais sinceridade e autenticidade aqui do que em artigos acadêmicos, pois aqui - ou em qualquer outra plataforma onde eu eventualmente vá escrever alguma coisa sob este ou outro pseudônimo - este relativo anonimato e total informalidade me deixam mais livre e confortável para expressar minhas ideias.

Embora isso seja só um meme, tem um fundo de verdade

Feliz Páscoa a todos!

Fiquem com Deus!