quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Mais sobre ETFs (1) - Resenha do "The little book of Common sense Investing"


Saudações, amigos.

Estou retomando aqui no blog a discussão sobre ETF, porque ainda há coisas que me incomodam sobre o assunto... Uma vez que este blog também me serve como um diário de meus pensamentos econômicos e financeiros, quero deixar aqui registrados e claros os fundamentos da discussão tal qual eu os entendo, e conforme os estudei.
Não acho que possamos simplesmente dispensar qualquer assunto relativo a finanças (e na verdade, a praticamente qualquer área da vida) com a frase "isso é besteira, deixa para lá" ou "tal coisa é lixo, então dane-se": acho importante entendermos os fundamentos por trás das teorias para então, com o julgamento racional, tomarmos nossas próprias decisões, ao invés de seguir cegamente a opinião de fulano ou beltrano.

Esta semana terminei de ler um livro do John Bogle, aquele que já há alguns anos foi recomendado pelo Viver de Renda - "The Little Book of Common Sense Investing" (O pequeno sobre investimentos de senso comum), e vou começar esta série  fazendo aqui uma breve resenha do livro.




Aliás,  não sei se alguém da blogosfera chegou a comentar, mas, infelizmente, John Bogle morreu em janeiro deste ano. Fiquei sabendo disso enquanto fazia minha pesquisa para este post. Que Deus guarde sua alma.

Antes de mais nada, é importante dizer que tanto a vida profissional quanto a vida acadêmica de John Bogle gravitaram em torno de fundos de índice. Na verdade, ele foi o autor da ideia, o pai dos fundos de índice.. Sendo assim, é óbvio que a opinião do autor é bastante enviesada neste sentido e, por isso, recomendo cautela e um pouco de ceticismo a todos os que lerem o livro.
Dito isto, vamos à resenha:

A filosofia de investimentos de John Bogle pode ser resumida nas seguintes  afirmações:

1) Mantenha os custos baixos (taxa de administração, de carregamento, de performance,etc. Busque sempre os menores custos)
2) Mantenha o turnover baixo (ou seja, gire muito pouco o seu patrimônio, não  fique toda hora trocando o dinheiro de lugar, pulando de um ativo para outro)
3) Stay the course (mantenha-se no rumo - ou seja, não mude toda hora a sua estratégia - pense bem nela e mantenha o curso)
4) Mantenha tudo simples (ou seja, não é necessário - e é até prejudicial - usar métodos complicados de investimento, como métodos quantitativos, análises econométricas, fazer operações complicadas na bolsa, aplicar em produtos financeiros ultra sofisticados, etc. No próprio livro há a citação de um blogueiro ["Dividend Growth Investor"] que define o "Keep it Simple" como sendo "tenha ações e alguns títulos")

- O livro em si é um tanto repetitivo - em alguns pontos chega a lembrar os livros do Kyosaki, por conta da repetição de ideias... mas isso até é compreensível por 3 motivos: 1º - Bogle quer "martelar" a ideia na cabeça dos seus leitores, e uma maneira de fazer isso é através da repetição; 2º - conforme eu escrevi acima, a ideia por trás do livro é simples e pode ser resumida em 4 parágrafos, mas Bogle quis escrever um livro, então precisou encher linguiça; e 3º - por mais simples que sejam as ideias, é  necessário  demonstra-las com fatos e números para que tenham mais credibilidade;

- Nos capítulos iniciais Bogle demonstra várias vezes a superioridade de um fundo de índice (que ele denomina "TIF" - Traditional Index Funds) perante qualquer fundo de investimento ativo (fundos ativos são aqueles que tentam superar seus benchmarks, ou seja, o gestor fica fazendo operações na bolsa para superar, por exemplo, o Ibovespa) , e explica que isso se dá principalmente por causa dos custos: os fundos ativos, em sua tentativa de superar seus benchmarks, acabam girando demais seu patrimônio, incorrendo em muitos gastos com corretagens, emolumentos, taxas diversas da B3, etc. Um fundo passivo, por outro lado, como apenas tenta seguir seu benchmark, faz muito menos operações e isso gera custos menores.  Outra explicação é a "Regressão à Média", um termo estatístico que pode ser traduzido como "tudo o que sobe eventualmente desce" - com isso Bogle quer dizer que os fundos com melhor desempenho passado teriam maior propensão a ter rendimentos inferiores no futuro (e isso faz sentido, porque quanto mais um fundo cresce e maior se torna seu patrimônio, mais difícil se torna ter um retorno alto em termos percentuais, e retornos em percentuais declinantes tendem a ativar o comportamento de manada que faz com que a muitos dos investidores queiram sacar seu dinheiro do fundo);

- Outra explicação para o desempenho dos fundos ativos em geral ser pior do que o dos passivos é que o gestor que tenta superar um benchmark se vê obrigado a fazer investimentos mais arriscados, na esperança de acertar "na mosca" e faturar alto em uma tacada, mas o que acontece na maioria das vezes é justamente o contrário;

- Outro mérito do livro é apontar para os custos fiscais dos fundos de investimento. Isso é outro ponto fraco dos fundos ativos (e de qualquer investidor que fique girando demais seu patrimônio): quando o gestor fica "treidando", lucrando alguns centavos por ação em cada operação, parte deste lucro irá para o governo. Outra parte vai para alimentar as terríveis "taxas de performance" e o que sobrar, só aí irá para o patrimônio do investidor. Os fundos passivos, por outro lado, como só estão preocupados em acompanhar seu índice-referência, tendem a não girar tanto o patrimônio, o que significa menos custos com impostos.

-É interessante notar, no capítulo 15, que Bogle fala especificamente dos ETF (Exchange Traded Funds) e os define como sendo uma versão "mais agressiva" dos TIF, o que me leva a crer que aqui no BR não há TIFs na concepção de Bogle.

- Outra característica de alguns dos ETF, citada pelo autor, é a existência de um "tema", uma característica de todas as ações que o compõe e que norteia as aquisições do fundo (ex: um ETF que só investe em ações que tenham dividend yield superir a X%; ou que só invista em ações de empresas de tecnologia, ou só de empresas exportadoras, etc. No BR tem alguns ETF assim: por exemplo, aqui existe o ECOO11, que investe em empresas que adotam "práticas transparentes de eficiência de emissão de gases causadores do efeito estufa", seja lá o que isso signifique, e baseia sua alocação de ativos em "níveis de emissão de gases do efeito estufa") na visão de Bogle (e eu concordo com ele), se o fundo é baseado em um "tema", então ele não está diversificando de verdade, o que torna esta estratégia ineficiente, do ponto de vista da dicotomia Risco X Retorno. 

- Nos capítulos 18 e 19, o autor fala sobre alocação de ativos, nos quais ele defende a estratégia simples, enunciada por Benjamin Graham, de diversificar entre ações e títulos (públicos e privados), de modo que a proporção investida em ações sempre fique entre 25% e 75% do portfolio do investidor. Bogle defende que quanto maior for a expectativa de vida do investidor no momento do investimento, maior deverá ser a alocação em ações. Bogle até mesmo defende que um investidor jovem, no início de sua carreira profissional, fique alocado 100% em ações em seus primeiros anos de investimento , e também não acha uma boa ideia que mesmo um idoso tenha 0% em ações (ele acha isso arriscado) - ele defende que, idealmente, a renda do investidor idoso e aposentado seja proveniente dos dividendos das ações e da própria seguridade social (o nosso INSS), e não da venda dos ativos do portfolio.

- Por fim, uma lição muito importante: em diversos momentos do livro, o autor relembra que todas as estratégias de investimento têm uma falha em comum: todas, em maior ou menor grau, levam em consideração as rentabilidades passadas (das ações, do mercado como um todo, dos títulos públicos, etc.), o que nunca é garantia de rentabilidade futura, e é por isso que Bogle defende a ideia de que "não adianta ficar procurando a agulha no palheiro: compre o palheiro inteiro, que a agulha estará lá"; esta ideia sintetiza o que seria um TIF ideal.

Após ter lido o livro, cheguei às seguintes conclusões:

1) Na minha opinião, dentre os ETF negociados na B3, a princípio os que mais se aproximam dos critérios de investimento defendidos por John Bogle são o PIBB11, BRAX11 e BOVA11. No próximo artigo desta série (que já está no forno), falarei um pouco mais sobre eles.
2) Os fundos ativos só continuam existindo porque a maioria das pessoas têm preguiça de pensar e entender o que são coisas como taxa de administração, taxa de carregamento e taxa de performance, e seus efeitos perversos sobre o patrimônio, e também porque o lobby do setor financeiro no mundo todo é poderoso;
3) Fundos de investimentos, principalmente os ativos, são máquinas de fazer dinheiro... para seus gestores, para os bancos e corretoras, e para o governo, e tudo isso às custas do patrimônio dos cotistas;
4) O único tipo de fundo que eu acho "aceitável" como investimento são os aqueles definidos por Bogle como "TIF" (Traditional Index Fund): gerenciamento passivo, custos bem baixos (não só a taxa de administração, mas também os custos internos das operações do fundo), diversificação grande que tente replicar o índice "do mercado" (de preferência, fundos que tenham literalmente ações de todas as empresas negociadas na bolsa, ou pelo menos de muitas empresas, sem concentrar em setores específicos);
5) Em que pese o item 4, ainda há de se levar em conta o fardo da taxa de administração e, no caso brasileiro, o absurdo imposto de 15% sobre o lucro quando da venda das cotas  (Porém, pensando por outro lado, suponha que você consiga viver de renda, vendendo um pouco das cotas desses fundos periodicamente para se sustentar: se você é assalariado, você provavelmente paga entre  7,5% e 27,5% de IRPF. Mas, se seu sustento viesse não de um salário, mas das vendas das cotas de ETFs que você acumulou ao longo da vida, você acabaria pagando menos IR do que paga hoje, caso hoje você esteja na metade superior das alíquotas do IRPF... ).

Forte abraço, e até a próxima parte!

domingo, 8 de setembro de 2019

As loucuras do mundo moderno (3) - o lado sombrio da tecnologia

Essa imagem sempre me faz lembrar do mito da caverna...
Saudações, confrades.

Eis a parte 3 (e por enquanto a última) da série do bizarro mundo moderno. Hoje falarei sobre a tecnologia e o rumo sinistro que as coisas podem tomar caso as pessoas comuns não abram  os olhos e deixem de aceitar passivamente qualquer porcaria que lhes é empurrada.
Antes, há uma coisa que precisa ficar clara (o óbvio precisa ser dito): as tecnologias em si são essencialmente neutras, e obviamente é o ser humano quem faz seu uso para o bem e para o mal. O motivo do meu pessimismo em relação às tecnologias que comentarei nas próximas linhas se deve ao fato de que eu enxergo o mundo atual da seguinte maneira:

1) os poderes estatais estão se fortalecendo, e não é de hoje que podemos perceber que seu alcance é ampliado pelas novas tecnologias:
o facelixo foi e é usado como ferramenta pela UE para tornar a imigração forçada uma ideia mais "aceitável" perante os povos europeus, além de forçar goela abaixo do povo diversas outras agendas maliciosas

2) empresas grandes estão tendendo a agir mais em conluio com os governos (vide  foto acima), possivelmente em troca de privilégios, monopólios, isenções fiscais,etc.;
3) algumas destas grandes empresas já estão cerceando a liberdade de expressão das pessoas comuns devido a seus alinhamentos político-ideológicos;


4) na china o governo já há bastante tempo está ostensivamente oprimindo sua população, e as coisas estão piorando com o uso das tecnologias que mencionarei abaixo [e este pode ser o caso de outros países, mas acontece que simplesmente temos mais notícias a respeito do governo chinês; o Reino Unido estava seguindo pelo mesmo caminho, pelo que sei, e espero que com a subida de Boris Johnson ao cargo de Primeiro-Ministro este quadro comece a se reverter];
5) a sociedade, de modo geral, está moralmente doente - parece que muitas pessoas hoje em dia vivem sem propósito, sem algo maior e transcendente em suas vidas, de modo que buscam objetivos vãos. O resultado disso é o que vemos muito hoje em dia: várias pessoas deprimidas, com distúrbios psiquiátricos, aumento do crime, proliferação de "culturas" e subculturas destrutivas, niilismo, hedonismo, questionamento dos valores essenciais para o convívio em sociedade, etc.
6) historicamente, o conhecimento científico superior e o uso de tecnologias mais avançadas tem sido usado para massacrar e escravizar grupos menos avançados e com menor ou nenhum domínio de tais conhecimentos. Dado que a tecnologia humana evoluiu, ao longo dos séculos de nossa história, exponencialmente mais rápido do que a MORAL, porque acreditar que hoje em dia isso seria diferente?

Dito isto, essas são as tecnologias que eu considero como sendo as potencialmente mais perigosas para a liberdade e felicidade humana a médio e longo prazo:

- Dinheiro 100% virtual (advento da "cashless society"): já falei sobre isso em outro post. Se isso acontecer, tudo o que você fizer será rastreável, praticamente nada poderá ser escondido dos bancos e do Estado, e este processo já nos está sendo empurrado goela abaixo (a guerra das maquininhas, pulseira que paga que nem cartão, países onde já há limites definidos por lei para compras em dinheiro, etc.) e hoje em dia já há softwares robôs minerando seus dados de pesquisas em sites, compras com cartão, etc. para traçar seu perfil de consumo e com isso direcionar o marketing "certo" para você. O que é ruim aqui?
1) Qualquer transação pode ser avaliada tributariamente, e caso seja constatado que houve um fato gerador de um tributo, a conta chegará automaticamente (isso se você já não for descontado logo de cara). Convenhamos: há uma infinidade de pequenos negócios aqui no BR que só sobrevivem, em parte, porque sonegam alguma coisa e não cumprem todos os "requisitos legais" - na prática, acho que NENHUM negócio cumpre, e NENHUM negócio paga 100% dos tributos. E, sinceramente, eu prefiro 1.000X que esses pequenos negócios soneguem alguns impostos, se mantenham fora do radar da receita e outras entidades estatais reguladoras e sobrevivam. Acredito que toda pessoa sensata concordaria comigo nesse ponto. O meu ponto aqui é o seguinte: a fiscalização tributária não deveria nunca ser 100% eficiente. Num realidade de dinheiro totalmente virtual isso seria, infelizmente, possível.
2) Se o dinheiro virtual for atrelado a outros serviços (por exemplo, cada banco ter uma moeda virtual própria, ou o caso do plano do facebook de criar sua própria criptomoeda), então o que acontecerá se você perder acesso a este serviço? O que acontece se seu perfil for bloqueado ou suspenso por "violar os padrões da comunidade"? Você fica sem acesso ao seu dinheiro? (na prática isso já acontece, pois não conseguimos sacar 100% do nosso dinheiro à vontade sem antes customizarmos junto ao banco o limite de saque. Nem o banco 24 horas salva, porque ele também tem limites de saque)
ao menos por enquanto, isso é apenas um meme.


Uma chance que a humanidade tem contra esta ameaça é a criação de "N" moedas virtuais independentes, com servidores diferentes, códigos diferentes, etc., sendo necessário a cada pessoa diversificar nestas moedas, para não correr o risco de ter todo o seu dinheiro deletado ou bloqueado, além da boa e velha diversificação em ouro físico e outros metais preciosos.
O pior cenário possível numa realidade sem dinheiro físico seria o caso de uma única moeda virtual de curso forçado - o que significaria controle total sobre a parte financeira da sua vida, controle este que poderia facilmente se derramar por outras áreas.


- Softwares de reconhecimento facial :  já estão em uso na China, e sei lá onde mais. É vendida a ideia de que são necessários para manter as pessoas seguras, porque localizam criminosos bem rápido (assim como o desarmamento da população civil, que também é vendido com a ideia de "proteger o povo", mas a história já mostrou que na verdade é um "benefício" vendido para nos prejudicar no futuro). O problema é que depois que tais sistemas são implantados e aperfeiçoados, eles se mostram ferramentas muito convenientes para ditadores ou governos totalitários, e passam a ser usadas para localizar opositores e demais pessoas que representem perigo para o "Partido". 1984 realmente foi um aviso. O negócio é tão sério que em Hong Kong o pessoal está derrubando postes com câmeras. Não é brincadeira! Estes manifestantes de Hong Kong estão sacrificando suas vidas em prol da liberdade. Enquanto isso, há pessoas que aplaudem a ideia da vigilância total ou que propagam a ideia de que não adianta fazer nada porque tais coisas são inevitáveis... Não sei se por mau caratismo, burrice ou pelos dois.
(link do vídeo)

O pessoal protestando em Hong Kong estava derrubando torres com câmeras, e usavam guarda-chuvas para não serem identificados pelos softwares de reconhecimento facial.
- Deep fakesão softwares que usam técnicas de machine learning e inteligência artificial para criar fotos e até mesmo vídeos falsos porém convincentes. Atualmente só se sabe de casos de pessoas muito famosas que foram prejudicadas, mas é bastante plausível a possibilidade de tais coisas serem usadas para prejudicar pessoas comuns. Como este negócio tem potencial para realmente prejudicar até mesmo o zuckerberg e outros poderosos, está sendo de alguma forma combatido pela mídia mainstream e por grandes empresas. Com este tipo de tecnologia, torna-se ainda mais difícil confiar em notícias, além de outras consequências sinistras (evidências forjadas de crimes, ou até mesmo crimes que não aconteceram de verdade, por exemplo - coisas que sempre aconteceram, mas que se tornariam mais difíceis de desmascarar.), e não teremos nem ao menos a certeza da existência de determinadas pessoas e eventos, ou seja, amplia e aperfeiçoa as possibilidades de manipulação da história - mais uma vez, 1984 foi um aviso. A solução óbvia para este caso é a criação de sistemas de IA treinados para detectar vídeos e fotos feitos com softwares deepfake, porque acredito (opinião de leigo) que tais manipulações deixem algum tipo de rastro. Nisso podemos ter alguma esperança, pois há sim desenvolvedores do bem interessados em atrapalhar aqueles que gostam de brincar de deus. É o caso da empresa que desenvolveu um app que bloqueia gifs da Gretchen, e que já identifica vídeos e gifs de k-pop

Eu escrevi este artigo com um tom pessimista e de alerta porque enxergo muitas coisas ruins no mundo atual, e várias vezes elas parecem se sobrepor às boas. Agora também queria deixar aqui uma mensagem mais positiva, pois é fundamentalmente necessário que haja muito mais espaço para o otimismo em nossos corações: não foi dito que "a noite é mais escura logo antes do amanhecer"? Nos resta saber se a noite já está escura o suficiente... Mas de qualquer maneira, esperemos os raios da aurora do novo dia, porque o novo dia virá. Como tudo o que acontece só o acontece pela vontade de Deus, então pode ser que em seu afã para controlar as massas e manter seus privilégios e fortunas, as pessoas mal intencionadas por trás das tecnologias supracitadas estejam, sem o saber, pavimentando o caminho para o reino de Deus na Terra. Acredito que estes movimentos e "mecanismos" divinos, em curso ao longo de toda a história, cuja total compreensão está além do alcance da mente de qualquer ser humano, são captados, de forma sutil, pelas mentes mais criativas, especialmente no ramo das artes em geral, especialmente na literatura.*

Para citar um exemplo: há décadas, J.R.R. Tolkien, devido à sua grande cultura e estudos em diversas áreas do saber, especialmente no campo teológico, percebeu um pouco destes mecanismos, e os incluiu nesta passagem fenomenal de sua obra, a qual aliás é uma excelente metáfora para a criação do mundo (os colchetes são meus):

"Então falou Ilúvatar [Deus] e disse: - Poderosos são os Ainur [os anjos], e o mais poderoso dentre eles é Melkor [o diabo]; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou." - O Silmarillion, 1977







* Obviamente me refiro às verdadeiras artes, e à verdadeira literatura, e não ao que hoje convencionou-se chamar de arte e literatura.