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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Inflação também traz problemas morais para a sociedade

    Um costume que me parece ser uma marca de nossa acelerada época é uma estranha obsessão por encontrar uma "causa única", uma "explicação simples" com base em um só fator para qualquer problema, especialmente nas áreas de ciências humanas. É como se hoje em dia as pessoas tivessem "se esquecido" que os fenômenos sociais formam uma imensa teia de eventos correlacionados, que se influenciam uns aos outros, numa cadeia lógica muitas vezes incompreensível à razão humana, da qual muitas vezes conseguimos enxergar somente os elementos mais superficiais.



    Embora eu considere isso uma falha na forma de se pensar as coisas, ao mesmo tempo eu acho interessante, como exercício de pensamento, partir de um só fator ou fenômeno e tentar chegar a conclusões gerais, ou encontrar outros fatores/fenômenos que com ele interajam e influenciem. 

    Dito isto, escreverei sobre o fenômeno da inflação e discutirei algumas de suas implicações para a moral da sociedade. (Óbvio que a inflação não é "A" causa para os problemas aqui descritos, mas certamente contribui para agravá-los)

    Há, por exemplo, pessoas que defendem a idéia de que a diminuição do teor de ouro nas moedas para financiar as campanhas militares foi "A" causa fundamental da queda do Império Romano. Tal diminuição do percentual de ouro nos Aureums e de prata nos Sestércios não teria sido "publicada", "oficializada", nem nada disso, mas feita na surdina, sem o conhecimento do povo, o qual eventualmente percebeu que as moedas não tinham tanto valor quanto antes, estavam mais leves, e aí iniciou-se uma reação em cadeia que culminou na destruição do Império através das invasões bárbaras.

    Eu não sou um grande estudioso da história romana, mas acho essa explicação simplista demais. No entanto, não deixa de ser interessante analisar, olhando a nossa realidade brasileira, os efeitos perniciosos da inflação nos hábitos da sociedade. Vejamos:

(Os exemplos que eu escrevi neste artigo são "anedotas", mas, afinal, o que são "dados" se não uma imensa coleção de "anedotas"?)

O que dizem os livros-texto de economia acerca da inflação? Em sua maioria os livros-texto de economia possuem forte viés keynesiano, ou ao menos assim eram os que eu tive acesso (Ex: Mankiw). Em muitos está escrito que a inflação é uma alta generalizada de preços da economia, a qual leva a uma desvalorização da moeda. Ou subentende-se isso.

E o que dizem as correntes de pensamento econômicos mais voltadas ao libertarianismo a respeito da inflação? Basicamente que a inflação é a desvalorização da moeda, o que acaba acarretando numa alta generalizada de preços. O caminho inverso da explicação "keynesiana".

Uma explicação é um espelho da outra, uma troca a causa pelo efeito da outra. Eu acredito que ambas coexistam, formando uma figura similar a um ouroboros:



Eu acredito que:

1) A emissão de moeda de maneira exagerada pelo governo e pelos bancos comerciais acaba tendo como uma de suas consequências o aumento generalizado dos preços da economia (afinal, considerando que a moeda se comporta como se fosse um bem e a escassez de um bem é um dos fatores determinantes de seu valor, quanto menos escassa for uma moeda, menos valor cada unidade monetária carregará) - essa é a que provoca, nos dias de hoje, a desvalorização direta da moeda e a inflação do ponto de vista mais libertário.


2) A perda de confiança do povo em sua moeda também contribui para a inflação, pois provoca a "Inércia Inflacionária": o povo espera que a moeda desvalorize, então confia menos nela, e essa desconfiança acaba realmente desvalorizando a moeda (uma profecia auto-realizada)


3) Eu não sei se isso é um aspecto da "Inércia Inflacionária", mas eu chamaria este fenômeno que vou descrever a seguir de "Arredondamento da Inflação": Por exemplo, o IBGE/Banco Central divulga que o IPCA foi de 7,5%. O dono do mercadinho e o dono da padaria não vão aumentar os seus preços em 7,5%. Eles vão arredondar logo para 10% porque assim eles "garantem" alguma proteção a mais (se sentem mais seguros) e porque é mais fácil de fazer as contas com números redondos. Eu acredito que a inflação na prática sempre é arredondada para cima. 


4) De certa forma um aspecto do fenômeno do Arredondamento da Inflação: a desconfiança do povo nas informações emitidas por instituições oficiais também pode aumentar a inflação. Todo mundo tem uma idéia geral de que "Inflação = Ruim", e todo mundo tem uma noção de que "Inflação = Ruim = Imagem negativa para os políticos do momento", então há uma idéia de certa forma difundida que "Números oficiais são mais baixos do que a realidade para não manchar a imagem do partido que ocupa os cargos no momento", então quando é anunciado que o IPCA foi de 12%, muitos vão pensar que na verdade foi 15%, então vão aumentar seus preços em 15% ou próximo disso. E isso desvaloriza a moeda, também no ponto de vista keynesiano (alta dos preços que faz a moeda comprar menos)


E Outras coisas que contribuem para o aumento generalizado dos preços em um país, mas não diretamente para a desvalorização da moeda:

A) Os chamados "Custos de Menu" que seriam os custos relativos à própria atualização dos preços em si. O exemplo clássico é o restaurante que incorre em custos extras para ficar atualizando os preços do cardápio, daí o nome do termo, mas aqui entram também todos os custos inerentes a isso, como os custos extras que se têm com o planejamento orçamentário, custos de trocas de fornecedores, gastos com contadores, com equipe de marketing (para "suavizar" com propagandas o aumento do preço - tipo esses chocolates que diminuem de tamanho e colocam isso na embalagem como se fosse uma conquista - "novo tamanho!" ou "nova fórmula!"), os próprios custos de desenvolvimento e troca de embalagens, etc. - todos estes gastos extras aumentam os preços e contribuem para a noção keynesiana de inflação.

B) Problemas gerais com a oferta agregada (infraestrutura ruim, safras ruins, interrupções de cadeias de suprimentos, guerras, crises bancárias, etc.) também provocam altas generalizadas nos preços, o que, forçando a barra, indiretamente contribui para a desvalorização da moeda (no sentido de que uma unidade monetária compra cada vez menos bens), principalmente se tais problemas persistirem, tendo em vista que a "inércia" é um componente importante da inflação  (se o povo de um país perde a confiança em sua moeda, isso inicia uma verdadeira bola de neve inflacionária, e mesmo que os problemas com a oferta sejam resolvidos, a falta de confiança permanecerá, ao menos por um tempo). 

C) Altas cargas tributárias contribuem para o aumento generalizado dos preços e indiretamente contribuem para a inflação, na medida em que desencorajam investimentos produtivos.

D) Taxas de juros altas também provocam o efeito das cargas tributárias altas: se consigo facilmente ganhar mais dinheiro aplicando meu capital com pouco risco em títulos do tesouro, por quê vou me arriscar montando fábricas, abrindo lojas, ou exercendo qualquer outra atividade produtiva? Com isso, produz-se menos, diminui-se a oferta e aumenta-se os preços.


Não é novidade para ninguém que lê sobre economia e finanças que o Real já perdeu muito valor desde sua implantação em 1994 e que em 2024 e 2025 essa perda de valor acelerou bastante, inclusive por conta da deterioração da taxa de câmbio. Cem reais de hoje em dia compram bem menos coisas que cem reais de 1994. Aliás, as notas de cem reais estão bem mais comuns, algumas são sacadas já sujas e com marcas de dobra, sinais claros de que circularam, em contraste com, digamos, 20 anos atrás,  em que eram bem mais raras e estavam sempre limpas. Só não estão mais comuns ainda por causa do uso generalizado do pix.

Além disso, não devemos nos esquecer que o dinheiro é uma abstração e que funciona como uma "bateria de tempo", armazenando nosso tempo gasto trabalhando para que possamos utilizá-lo mais tarde - isso é a "Reserva de Valor", uma das três funções da moeda.

Assim, a desvalorização da moeda implica, então,  numa desvalorização de nosso tempo e de nosso próprio trabalho, e isso traz consequências psicológicas para todos nós,  ainda que a nível inconsciente ou subconsciente. 

Os economistas dizem que os preços funcionam como sinais que indicam o que deve ser produzido, o quanto, e aonde. Então em um cenário de inflação é como se todos nós estivéssemos o tempo todo recebendo uma mensagem: "você vai trabalhar a mesma coisa, ou mais, e vai receber cada vez menos em troca do seu trabalho". Os mais prejudicados nesse processo são os assalariados, que não conseguem ajustar o preço de sua mão-de-obra: dependem do empregador lhes conceder aumentos ou de encontrarem outro emprego que lhes pague melhor, o que no Brasil é muito difícil, dado que temos poucas empresas grandes (só temos 4 ou 5 bancos grandes, só 1 siderúrgica, só umas 2 ou 3 petroleiras, etc. enquanto que nos EUA há literalmente milhares de empresas de grande porte e capazes de pagar bons salários). 

As pessoas de mente mais fraca e de pouca evolução moral se sentem mais tentadas a cometer crimes, tendo em vista que o trabalho honesto não está rendendo tão bem quanto deveria, e a violência aumenta (assaltos, sequestros, roubos, etc.). 

Os Bens Reais, principalmente aqueles atrelados a commodities, e as próprias commodities em si, tendem a manter seu valor real, ceteris paribus, com seus preços se ajustando à inflação - vemos isso nos metais, por exemplo. E por isso aumenta o número de roubos de portas de alumínio, tampas de bueiro (geralmente feitas de ferro fundido), fios elétricos (que são feitos de cobre), etc. 

Eu já testemunhei, à luz do dia, com carros e pessoas passando em volta, um bandido arrancando os fios de um poste, mais de uma vez, e não duvido que vários leitores daqui do blog já tenham presenciado algo assim! Na minha rua já roubaram várias vezes os fios (subterrâneos!) do sinal de trânsito. Também já vi alguns bueiros sem tampa nos caminhos que faço para chegar ao trabalho, e já roubaram, de madrugada, a porta de alumínio que protegia o hidrômetro da casa de meu pai. 

Esses são só alguns exemplos, e tenho certeza de que vocês têm outros parecidos.

Roubo de cabos de cobre dos carregadores de carros Tesla, na Baía de São Francisco, nos EUA. Esse fenômeno é global, não é exclusivo do Brasil!


Há também um nível mais sutil de roubo (para alguns pode não ser roubo, mas para mim não deixa de ser moralmente reprovável) e que é praticado pelas empresas: a diminuição da qualidade dos insumos de produção (moralmente reprovável, dependendo das circunstâncias) e, em alguns casos (aí sim um roubo, inegavelmente), a falsificação dos materiais utilizados. Isso acontece bastante na indústria alimentícia em geral, tanto em restaurantes quanto nos supermercados. Um exemplo que está chamando atenção do pessoal é o chocolate: cada vez menos cacau e leite, cada vez mais "manteiga de cacau" e "soro de leite" e gordura hidrogenada (hoje nós só temos biscoitos "Sabor Chocolate"). 

Assim como os chocolates, os lanches dos fast-food e dos restaurantes como um todo vem diminuindo ano após ano, e seus ingredientes pioraram. 

A cerveja está cada vez mais aguada, com menos cevada e mais "milho", e por aí vai. Logo logo haverá a "bebida alcoólica sabor cerveja".

Para mim o pior caso de falsificação de materiais é o da fiação elétrica: alguns cabos de cobre são falsificados pelos fabricantes e passam a ter altos teores de alumínio,  isso quando não são vendidos fios de alumínio como se de cobre fossem (só com uma cobertura de cobre, ou com o alumínio oculto sob a capa de borracha), e o desempenho dos equipamentos que usam tais cabos não é o  esperado, o que resulta em mais custos de manutenção, fora o risco maior de acidentes. 

Quem me contou essa história de estarem falsificando cabos de cobre foi um técnico que eu chamei uma vez para consertar o ar condicionado da minha casa. Ele disse que tem visto isso em vários equipamentos que ele conserta, e até quando compra fios em lojas de materiais de construção. E eu não duvido que seja verdade. Com o dinheiro desvalorizando, as coisas reais tendem a ficar mais caras, e o cobre não escapa a esta regra.

Outra coisa bizarra é como que os livros-texto de economia em geral "ignoram" o problema da inflação. 

Eu tenho em casa um exemplar da 7ª edição do livro de macroeconomia do Mankiw, e em um capítulo em que ele fala a respeito da inflação ele diz algo do tipo "a inflação não é um problema de verdade porque o salário também aumenta na mesma proporção - não importa se tudo está 10 vezes mais caro porque o salário também aumenta 10 vezes", e eu li esse mesmo argumento em pelo menos outro livro de economia. 

Na minha opinião o argumento ou é burrice ou mau-caratismo. 

Esse raciocínio só seria verdadeiro se o salário aumentasse na mesma proporção que a inflação e na mesma velocidade, o que obviamente não é verdade, pelo menos não aqui no Brasil. 

Talvez em uma hiperinflação (como as da época dos planos Cruzeiro e Cruzado) as empresas dêem reajustes com mais frequência, até porque senão dali  a pouco ninguém estará comprando mais nada e elas também irão se prejudicar. 

Mas em cenários como o nosso atual, de inflação "mediana", com índice oficial entre uns 10% e 15% , não há reajustes salariais proporcionais e, nas raras vezes em que há, eles não são na mesma velocidade da inflação. Vamos perdendo nosso poder de compra a conta-gotas (na verdade, mais rápido do que isso, mas não conheço uma metáfora que ilustre bem a idéia) e nada é feito. 

Quem é autônomo consegue repassar pelo menos um pouco da inflação para seus clientes - quanto mais essencial o seu serviço, ou quanto melhor for sua reputação no mercado, mais o profissional liberal conseguirá repassar a inflação para seus clientes. Por isso que a inflação médica é a maior de todas. Nunca me esquecerei do ano em que meu plano de saúde reajustou 28% de uma só vez e fui forçado a trocar de plano.

Quem é empresário consegue repassar uma parcela maior, a depender da essencialidade / qualidade percebida de seus produtos e serviços. 

E empresas muito grandes conseguem repassar quase tudo por terem uma escala de produção que permite diluir mais seus custos. 

Como sempre, quem sofre mais é o trabalhador comum, cujo salário raramente é reajustado. Algumas empresas nem quinquênio pagam.

E aos poucos o trabalhador vai sendo empurrado para a pobreza, sendo obrigado primeiro a cortar supérfluos (se tiver) até que se chega no modo "sobrevivência". 

E não é um problema apenas estatal - a mentalidade média de nosso empresariado também é parte do nosso problema. Eu nunca vi um produto diminuir realmente de preço (Exceto as variações sazonais de frutas, legumes e vegetais). 

Por exemplo, eu duvido que, se o governo isentasse os chocolates de ICMS e outros tributos, o preço cairia para os patamares de 5 anos atrás ou que a qualidade fosse melhorar. 

Pela minha experiência, o preço e a qualidade se manteriam iguais ao de hoje, e os diretores das empresas que fabricam/importam chocolate iam ganhar bônus maiores no fim do ano. Isso porque aqui não existe concorrência, só existem oligopólios praticamente, e os oligarcas sabem que o público já se acostumou a pagar 15 reais numa barra sebosa de gordura hidrogenada com aroma de cacau, então eles não sentem necessidade de diminuir o preço.

E também é necessário dizer: a realidade de "trabalhar mais para receber cada vez menos" provocada pela inflação também provoca o efeito pernicioso do trabalhador fazer corpo mole e não trabalhar com o devido zelo. Ele não tem incentivo para trabalhar mais, pois percebe ano após ano, mês após mês, que sua recompensa só diminui. Eu vejo nisso uma difícil questão moral: eu sei que não é certo um empresário exigir dedicação total de um funcionário que trabalha de segunda a sábado das 8h às 18h em troca de R$ 1.500,00 por mês (realidade de muitos brasileiros infelizmente), mas também sei que há empregados que não fazem por onde e são mesmo indolentes, insolentes, etc. e a "sensação" de pobreza (entre aspas porque é bastante real) que a inflação traz só piora a indolência de quem já seria indolente de qualquer jeito, e torna indolentes outros que em outra realidade seriam bons trabalhadores.

Toda a sociedade perde com a inflação, e não entendo porque em praticamente todos os países (pelo menos os ocidentais, mas não tenho certeza) existe uma "meta de inflação" maior do que zero, quando deveria ser zero ou até mesmo negativa (deflação).


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Aportes e Atualização Patrimonial - dezembro de 2024

  Salve, salve, confraria!

E inicia-se o Anno de 2025 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como os confrades passaram o Natal? E a noite de Ano-Novo? Espero que todos tenham tido boas festas!

Vamos ao primeiro post de atualização patrimonial de 2025, ainda (e por tempo indeterminado) um post rapidinho e com menos detalhes, por conta dos meus estudos para concursos (que andam meio indisciplinados no final do ano, preciso recuperar a disciplina!)

O aporte de dezembro foi reforçado com a grana do 13º e das férias, mas acabei aportando tanto que precisei sacar da RE para conseguir fazer as compras natalinas, fora outros gastos pessoais no último mês de 2024. De qualquer maneira, dezembro foi um mês em que aportei "like a Michael Jackson", como diria o colega de finansfera Viver de Dividendos, baseado em um vídeo do cantor fazendo a limpa em um antiquário, simplesmente comprando tudo o que via pela frente.





Aumento acumulado de 354,9% desde o início da série histórica, em junho de 2021. De pouquinho em pouquinho vou construindo meu castelo.



Agora, ao post propriamente dito. 

Como sempre, relembro que  nenhum ativo mencionado no blog e/ou em seus comentários é recomendação de compra! Estudem sozinhos e tomem suas próprias decisões, se não irão cair nos papinhos de picaretas na internet!

Ações - o aporte foi em Bradesco, Engie, Metal Leve, Klabin e Brasil Agro. Com o último aporte de 2024 consegui cumprir quase todas as minhas metas com ações para o ano, ficando faltando só uma, mas isso será resolvido agora em 2025. Relembrando que na minha estratégia eu só faço ajustes na carteira comprando, e nunca vendendo ações. Segue o gráfico:



Weg continua desproporcional perante o resto da carteira de ações, em boa parte por conta de sua performance. Essa desproporção não me impedirá de aportar novamente na Weg em breve.



FIIs - este mês aportei nos fundos FIIB11 (indústria), TVRI11 (agências bancárias, mas com grande probabilidade de iniciar a investir em outros ramos), ALZR11 (híbrido) e TRBL11 (logístico). Todos já faziam parte da carteira. O racional para alguns deles foi a defasagem em relação aos demais, e outros o critério foi simplesmente "eu não invisto nesse fundo há muito tempo!".


Agora o ALZR11 tomou a dianteira dos FIIs da carteira, seguido pelo FIIB11. HGLG segue firme em terceiro lugar, embora eu não aporte nele já há uns bons meses. E me pergunto se algum dia irei aportar novamente no HGRE11... 


Exterior - aportei no exterior em Coca-Cola (que já fazia parte da carteira) e nos REITs Gladstone Commercial (híbrido, com muitas lojas de rua) , American Assets Trust (escritórios), Rayonier (florestas) e EPR Properties (Cinemas, clubes, etc.). Estou seguindo meu plano de priorizar os aportes em REITS para aumentar a renda passiva no exterior e com isso, eventualmente, fazer a carteira "andar sozinha" (claro que falta muito para isso, mas o meu objetivo é fazer com que a renda de dividendos me permita todo mês comprar algum ativo lá fora mesmo sem fazer remessa de dinheiro do meu salário). No momento desta atualização, o dólar estava a R$ 6,20. Aliás, ao longo de dezembro parece que o câmbio foi uma montanha-russa mais louca do que o que normalmente é. Eu, particularmente, não fico olhando cotação do dólar, exceto quando vou fazer o post mensal de atualização, mas em dezembro não teve como ignorar o pessoal comentando no trabalho, na rua, no mercado, etc.

Agora a proporção entre Stocks e REITs está na casa dos 70%/30% conforme minha nova estratégia de aumentar a renda passiva em dólar. Em 2025 pretendo aportar todo mês no exterior, por menor que seja o valor.


Renda Passiva - este mês bati na trave novamente, com 18,18 Coroas recebidas, quase alcançando o atual recorde de 18,5 Coroas! Mas em 2025 há uma boa chance de superar esta marca!

Foram recebidas 6,65 coroas de dividendos de ações no Brasil, 9,4 de aluguéis de FIIs, 1,3 de stocks e 0,85 de REITS, totalizando 16,05 coroas no país e 2,15 no exterior.



Fora os 19 FIIs da carteira, as seguintes empresas me pagaram dividendos em dezembro:

Brasil: Itaú, Bradesco, Raia Drogasil, Grendene, Banco do Brasil, Wiz Seguros, Metal Leve, Odontoprev, Arezzo, Petrobras, Multiplan, CPFL energia, Totvs, Laboratórios Fleury e Moinho Dias Branco. Total: 15 empresas, com destaque para Petrobras (R$ 2,08 por ação),  Metal Leve (R$ 0,54 por ação) e Banco do Brasil (R$ 0,48 por ação).

Exterior: Exponent Inc, Linde PLC, Google, Coca-Cola, Home Depot, 3M, Microsoft, Emerson Electric, Wells Fargo, e os REITS Gladstone Commercial, Rayonier, American Assets Trust, EPR Properties, Stag Industrial, Weyerhaeuser e Realty Income, totalizando 9 empresas e 7 REITS. Relembro que no exterior nem todo REIT paga dividendos todo mês: alguns pagam por bimestre, trimestre, etc.

Segue o gráfico com a evolução da renda passiva anual:



Segue o gráfico do patrimônio total do ETF fictício MAGO11, propriedade da minha holding fictícia Mago S/A:


Por enquanto é isso, confraria da finansfera!

Um dia....


Forte Abraço!
Fiquem com Deus!
Feliz 2025!





domingo, 12 de março de 2023

Mais comentários sobre a inflação

Dando continuidade ao meu post sobre a devastação de nosso poder de compra, trago aqui mais alguns comentários sobre a inflação: algumas coisas que são facilmente observadas no dia a dia de qualquer trabalhador / pai de família.


A inflação pode se manifestar de várias maneiras, e não raro como uma combinação destas:

1) o simples aumento dos preços; e/ou 

2) a diminuição das quantidades e/ou do tamanho dos produtos (lá fora já apelidaram isso de "shrinkflation"); e/ou

3) a diminuição da qualidade das matérias-primas e demais insumos usados na produção; e/ou

4) o simples desaparecimento de produtos, que se tornam inviáveis de serem vendidos por conta do aumento do preço (inviáveis ao menos em mercados formais)


fonte da imagem - clique aqui


Vejam que é bastante comum observar os itens 1, 2 e 3 acima em restaurantes e lanchonetes e quaisquer locais que vendam comida, no geral.

Vou dar um exemplo de uma padaria próxima de onde moro. Eu costumava comprar esfihas nesta padaria. Há pouco tempo (ano passado ou retrasado), cada esfiha custava 5 reais, e era bem recheada.

Hoje em dia, as esfihas nesta padaria estão custando R$ 6,90 e o recheio está vindo em menor quantidade (mais massa e menos recheio) e está com qualidade bastante inferior (da última vez que comi uma esfiha de queijo branco, o queijo estava muito "aguado" e muito gorduroso, ou seja, o dono da padaria realmente reduziu o padrão do fornecedor ao mesmo tempo em que aumentou o preço). Por mais que eu seja 100% a favor de apoiar os comércios locais em detrimento das grandes redes, parei de comprar estas esfihas. 

Até restaurantes e botecos que servem o famoso "prato feito" estão de muquiranagem. "Prato feito" sempre foi bem servido, mas eu só observo a quantidade de arroz aumentando e a de carne ou frango diminuindo, a cada ano que passa, e o preço aumentando.

Havia um boteco perto de onde meus pais moram que servia sardinhas fritas a 60 centavos por unidade. Claro que isso já faz bastante tempo (mais de 15 anos, se não me engano!), mas hoje em dia acho que estão cobrando uns 5 reais por sardinha!. E, se bobear, as sardinhas são menores do que aquelas de outrora que custavam 60 centavos!

Outro exemplo que me ocorre são as batatas fritas que acompanham hamburguers em restaurantes, especialmente "hamburguerias gourmet": geralmente elas vinham no prato, em volta do hamburguer. Hoje já vejo alguns restaurantes colocando-as em uma canequinha de metal ou numa cestinha, ou seja, vem menos da metade do que costumava vir.

Outro exemplo são as barras de chocolate que se compra em qualquer mercado por aí (as comuns, tipo nestlé, lacta, etc.). Há algum tempo, os chocolates eram divididos em fileirinhas com 4 quadrados cada uma, ou seja, era fácil dividir uma fileirinha de maneira justa entre 2 pessoas. De uns anos para cá, cada fileirinha passou a ter 3 retângulos, o que dificulta a divisão entre 2 pessoas e faz com que fique mais normal cada um comer uma fileira, consumindo assim 2 fileiras de cada vez (seria uma estratégia dos fabricantes para aumentar o consumo?) .E isso sem falar no tamanho e no peso das barras, que diminuíram sensivelmente de uns anos para cá (a imagem no início do post ilustra bem isso... nos anos 90 as barras tinham 200g, e hoje tem 85g ou 90g). 

As caixas de bombom das principais marcas estão vindo cada vez mais vazias, ano após ano, ao ponto de, na minha opinião, não valer mais a pena comprá-las. Lembro de pesarem 500g ou 400g quando eu era criança, e hoje em dia acho que pesam uns 250g ou menos, vem menos bombons, e o preço só sobe. E os bombons que vinham na caixa até há alguns anos eram melhores. Hoje me parece que está tudo sem graça e com "sabor genérico". Provavelmente por causa da pior qualidade das matérias-primas utilizadas.


Nos anos 80 pesava 500g! - fonte da imagem - clique aqui.


Aliás, no geral, os ingredientes usados nos chocolates feitos aqui no Brasil são de qualidade cada vez pior. Menos cacau, menos leite, e mais gordura, mais parafina, mais "soro de leite", mais "manteiga de cacau", mais corante, mais açúcar, e por aí vai. 

Engraçado que, desde pelo menos uns 10 anos, toda Páscoa surgem aqueles posts "engraçadinhos" dizendo que vale mais a pena comprar barras do que ovos de chocolate por causa da relação R$/g, mas do jeito que as coisas estão indo, acho que agora chegamos em um "tanto faz", porque está tudo caro mesmo.

Será que isso tem um limite? A lógica nos faz acreditar que sim, pois há um limite para o que é razoável, e eu não imagino que seja razoável vender barras de 2g de chocolate, nem de 5g... acho que o limite do aceitável vai ser quando começarem a vender barras da garoto, lacta, etc. nos mesmos moldes daquelas do kinder chocolate, barrinhas de 12,5g. As do kinder chocolate são bem caras, mas pelo menos ainda são de uma qualidade superior (acho). Se as coisas chegarem neste ponto, é porque o resto da economia foi pro saco. Torçamos para que não aconteça!

(Atualização de dezembro de 2024: a inflação no Brasil deu uma disparada em 2024, principalmente a partir do 2º semestre, e aconteceu exatamente o que o Mendigo Investidor descreveu nos comentários: relançaram os chocolates mais ou menos no tamanho antigo (150g) mas inventando ser uma "versão família" e cobrando mais caro!)

Fonte: clique aqui

Enfim, confraria, apenas um desabafo de mais um trabalhador que foi ao supermercado e se assustou com os preços das coisas. É triste ver nossa moeda tão desvalorizada, nossos salários valendo cada vez menos, entre outras problemas... Até quando?

Que produtos estão caros em suas respectivas cidades, confrades?

Forte abraço!

Fiquem com Deus!


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

A devastação de nosso poder de compra

Não é novidade para ninguém que o poder de compra de nossa moeda está cada vez menor. 

Os efeitos da inflação tem se feito sentir com mais intensidade  nos últimos meses. Acho que todo mundo  aqui ja está ouvindo há muito tempo no trabalho, no mercado, na rua, etc. aquelas reclamações do "litro do leite muito caro" ou "preço da carne nas alturas", dentre outras.

Conforme escrevi já  há algum tempo em um comentário no blog do nosso colega de finansfera Engenheiro Tardio:

"Sair pra comer, fazer um passeiozinho qualquer você gasta em unidades de 100 reais (o 100 parece ser o novo 20tão)" - triste verdade, o nosso querido real não está valendo nada...Eu me lembro de quando eu saía para comer com 20 reais e ainda voltava com troco! Essa deveria ser uma das prioridades de qualquer governo, seja de direita ou de esquerda, democrata ou republicano: manter estável o valor da moeda, e buscar a deflação, caso possível."

Eu acho que todo governo deveria buscar valorizar a moeda de seu país,  pois todo o povo se beneficia disso, não apenas os mais ricos. 

E acredito que qualquer governo deveria buscar sempre a deflação, para que o poder de compra de todos aumente com o tempo.

Mas claro, isso num mundo ideal. No mundo real, qualquer governo é seu inimigo pessoal, e devemos fazer de tudo para viver da maneira mais digna possível apesar do governo. Não estou dizendo que não haja servidores públicos bem-intencionados, claro que eles existem, mas a entidade "governo", no geral, muito mais nos atrapalha do que ajuda, pois desde que os governos surgiram, eles foram cooptados a servirem somente aos interesses de  pequenas elites locais em detrimento de seus respectivos povos, e não vejo esse cenário mudando tão cedo, infelizmente. 

Alguns assuntos que têm surgido na internet nos últimos meses e que afetam direta ou indiretamente o poder de compra das moedas em geral:

- o enfraquecimento dos EUA perante China e Rússia, o que faz o mundo rumar para uma ordem "multipolar"

- com um mundo multipolar, o dólar pode deixar de ser a moeda de referência no comércio mundial, enfraquecendo seu poder de compra e sua utilidade como reserva de valor

- Além disso, consta que os EUA vem financiando a guerra na Ucrânia através da famosa impressora do FED. E, antes disso, parece que a maior parte dos gastos públicos com a covid foram financiados da mesma maneira... ou seja, mais dólar foi impresso aos bilhões nos últimos 3 anos.

- Rússia, China e Índia têm aumentado suas reservas de ouro, e muitos estão comentando que o preço dos metais preciosos tem sido mantido artificialmente baixo através da manipulação do mercado de títulos lastreados em metais. Isto está fazendo muita gente (na internet, pelo menos) acreditar em uma possível volta do padrão ouro, ao menos no mercado internacional. Eu sinceramente não acredito muito nisso, embora goste da ideia. E o Brasil bem que poderia seguir o exemplo do restante do BRICS e aumentar suas reservas de ouro também...

Sinceramente, não me interessa tanto se um smartphone está "barato", ou se um laptop está "barato", nem nada disso, se as coisas que realmente importam estão cada vez mais caras... água, comida, energia, gás, planos de saúde (o meu, por exemplo, sofreu um reajuste de 28% desde janeiro) consultas médicas... com estas coisas essenciais cada vez mais caras, de que adianta ter coisas supérfluas baratas? 

É tragicômico  notar como que os preços vão sendo reajustados em cascata... um belo dia a gasolina e o diesel aumentam, e com isso os fretes de todas as transportadoras aumentam, e isso puxa para cima os preços de tudo o que é transportado e os valores das passagens rodoviárias. 

Os preços nos supermercados seguem essa tendência. 

Um médico, ao fazer suas compras do mês,  sente tudo mais caro e pensa "vou ter que aumentar o preço da minha consulta", e assim o faz. 

Um advogado que se consulta nesse médico sente o aumento do preço da consulta, e dos alimentos nos supermercados, e pensa "preciso aumentar meus honorários", e assim o faz.

Quem mais se prejudica é,  como sempre, o trabalhador assalariado, que é encarado e tratado apenas como um custo na planilha do RH de sua empresa, e justamente por isto seu salário não é reajustado na mesma velocidade que os preços da economia, e nem na mesma proporção (vide o incrível aumento de 18 reais brutos do salário mínimo). Por esse e por outros motivos que eu acho importantíssimo que a mentalidade de autônomo seja cultivada, conforme o meu post da "Cultura de Emprego" (atual campeão de visualizações do blog), e também a busca por outras fontes de renda, principalmente por quem é CLT.

sábado, 12 de março de 2022

Breves reflexões sobre a inflação no Brasil e seus efeitos em nossa sociedade

 

A que ponto chegamos...


O nosso dinheiro infelizmente não está valendo nada e temos vivido tempos inflacionários nos últimos anos.

Aliás, de uma maneira geral o dinheiro no mundo todo não está valendo muita coisa, mas como aqui somos um país que há muito tempo possui histórico inflacionário já há uma "desconfiança" natural do povo com relação à nossa moeda e, por isso, geralmente sentimos mais estes efeitos da desvalorização monetária , que ainda por cima é agravada pela desvalorização  cambial. Embora sejamos um país grande e bastante populoso, nossa moeda é irrelevante no comércio internacional. 

A inflação de nossa moeda faz com que os metais e outras conmodities fiquem ainda mais caras para nós, o que impacta todos os preços de nossa economia. 

Um fenômeno que ocorre em consequência disso é o abandono da moeda. Isso inclui a compra de moedas mais fortes, a compra de metais preciosos, e também a busca por outros metais e até mesmo mercadorias baratas, conforme veremos abaixo. 

E acredito que a inflação alta também contribui para o aumento do crime, conforme também veremos abaixo.

Às vezes fingimos que não, mas o Brasil é um país onde a pobreza é quase extrema*, onde falta saneamento básico até mesmo em capitais, a infraestrutura no geral é precária, etc.  

Na verdade, o Brasil tem pequenos "oásis" mais desenvolvidos, cercados por bolsões de pobreza e miséria, ou até mesmo cercados por locais completamente abandonados onde quase ninguém mora e parecem não atrair interesse nem do Estado e nem da iniciativa privada... 

A maioria da população não tem condições de trocar nossa moeda  por outra mais forte, nem por ouro e prata, e nem por ativos mais financeiros (ações, FIIs) e é obrigada a continuar no real, sofrendo com constantes reajustes de preços, sem os devidos reajustes salariais, perdendo seu poder de compra, que nem uma vítima sendo sugada por um vampiro...

Tudo isso é agravado pela inflação: a falta de infraestrutura desestimula investimentos, tanto de investidores nacionais quanto estrangeiros, o que diminui o número de vagas de emprego, principalmente as que exigem maior qualificação. 

A maioria das vagas por aqui é para empregos de baixa ou nenhuma especialização, que normalmente pagam 1 salário mínimo + VT + VR, isso quando pagam, e de período integral (na minha opinião, empregos de 1 salário mínimo deveriam ser só de meio expediente), geralmente com horas extras não pagas - dificultando muito que o indivíduo se qualifique ou busque atividades paralelas, até mesmo o lazer fica difícil, ainda mais o lazer saudável como a leitura. 

Como o desemprego costuma ser alto, mesmo vagas de emprego que pagam pouco são disputadas a tapa por milhares de desempregados, e então não há incentivo nenhum para que os empresários aumentem os salários, pois a oferta de mão de obra está sempre maior que a demanda. Até mesmo reajustes inflacionários demoram a ocorrer, e geralmente são abaixo da inflação. O nosso poder de compra diminui rápido por aqui.

Os salários baixos, aliados à inflação alta e à educação precária contribuem para o aumento da criminalidade: os cidadãos de mente fraca e moral baixa vão para o crime (geralmente oriundos de famílias desestruturadas, mas isso não é condição necessária para ser criminoso)  para tentar compensar o que não conseguiriam ganhar com trabalho honesto (na verdade muitos até repudiam o trabalho honesto - e acredito que as péssimas relações de trabalho no Brasil somadas aos baixos salários e às longas horas de jornada ajudam a explicar ao menos em parte isso, mas óbvio que não justificam!).

Como a criminalidade e a impunidade são bastante altas, tem gente que rouba até mesmo fios de cobre, portas de alumínio, tampas de bueiro feitas de aço ou ferro fundido, e por aí vai, porque o preço dos metais, mesmo os não preciosos, está "compensando" o risco do roubo. Nossa moeda não está valendo nada mesmo. 

Até lâmpadas estão sendo roubadas, obrigando comerciantes a colocarem grades para protegê-las. E a foto logo no início do post é um fenômeno semelhante, com comerciantes colocando cadeados para impedir que roubem o papel higiênico dos banheiros de suas lojas. Surreal!!




É de certa forma assustador pensar que, além da infraestrutura já ser precária, dependendo de onde moramos, ainda corremos um sério risco de, do nada, termos luz, internet e telefone cortados por conta de algum vagabundo que resolveu arrancar os fios para revender o cobre, e então ficamos à mercê da companhia elétrica, esperando ela ir lá e repor os fios, consertar os estragos feitos pelos criminosos (e a conta obviamente será repassada para nós que trabalhamos... o crime infelizmente compensa, no Brasil, pois o ladrão provavelmente seria solto em pouco tempo).


O dinheiro não estar valendo nada também explica ao menos em parte porque a comida tem ficado mais cara: além da própria desvalorização da moeda em si pela inflação, ainda tem a desvalorização cambial que faz valer mais a pena exportar a produção agropecuária do que vender no mercado interno (e acabamos ficando praticamente com a xepa - e cara, ainda por cima)

Sinceramente, não entendo os economistas que defendem que nossa moeda precisa ser fraca no câmbio para sermos mais competitivos no mercado internacional e entendo menos ainda os pseudo-economistas que dizem que inflação é saudável para a economia. Desse jeito estamos sendo competitivos às custas das pessoas comuns,  pobres e de classe média, e o objetivo de nenhum governo deveria ser esse.

O caso da hiperinflação no Brasil, ainda recente em termos históricos, deixou uma marca profunda na psique do brasileiro,  pois forjou uma mentalidade avessa à poupança na população em idade de trabalhar naquela época. 

Após decorridos quase 30 anos de relativa estabilidade do Plano Real, considero que ainda estamos engatinhando na formação desta mentalidade de planejamento para longo prazo. 

Claro que isso não é exclusivamente culpa da hiperinflação dos anos 80 e início dos 90, mas também da relativa precariedade dos salários no Brasil e do espantoso nível dos aluguéis e do custo de vida em geral nas principais cidades, o que impede muitos de pouparem e investirem, ainda que queiram e tenham esta mentalidade de longo prazo.

Eu sinceramente não entendo como que em um país em que a renda média mensal está na casa dos R$ 2.200* as pessoas têm coragem de cobrar mais de R$ 1.000,00 de aluguel até para morar em "semi-cativeiros", e nem como têm coragem de cobrar mais de R$ 100K em casas que parecem barracos em ruas que mal têm asfalto e saneamento básico, ou até mesmo cobrar mais de R$ 200.000 em apartamentos de menos de 30m²... (chamados pela indústria imobiliária de "studio" para não chamar de cubículo ou cela) 

Eu considero que viver pagando mais da metade do salário só em aluguel é uma condição análoga à escravidão,  e que ganhar 1 salário mínimo (ou até um pouco mais que isso) é sim uma forma de escravidão moderna, pois mal dá para cobrir os custos mínimos de vida em muitas cidades e obriga a pessoa a viver correndo atrás do próprio rabo em termos financeiros, sem sair do lugar. Se ao menos fossem empregos só de meio expediente... seria menos pior.

Óbvio que nada o que está escrito acima é culpa exclusiva da inflação... também temos de culpar a educação precária, as más influências da mídia, as más influências da "literatura" nacional que vem sendo produzida pelo menos nos últimos 50 anos, a "arte" que vem sendo produzida nos últimos 100 anos, entre vários outros fatores, principalmente os de ordem cultural ligados à "mentalidade brasileira".

E vocês, confrades, o que acham disso? Vocês têm sentido os efeitos da inflação? Acham que o certo seria brigar para que nossa moeda fosse mais relevante no mundo?


Forte Abraço!

Fiquem com Deus!

*: a renda mensal média do brasileiro é de cerca de R$ 2.200,00, conforme o IBGE, o que daria pouco mais de US$ 5K por ano - lembrem-se de que nos EUA um caixa do Walmart ganha em média US$ 23K  por ano! Pensem no quanto ganha o caixa de um super-mercado grande aqui no Brasil...

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

No Brasil não é normal darem descontos


Percebam que  aqui no Brasil, por alguma razão (impostos? Inflação? Margem de lucro mais alta? Não sei, mas provavelmente uma mistura destes e de outros fatores que não identifiquei) as empresas raramente dão descontos e, quando isso acontece, nunca é que nem nos EUA, em que se pode pegar cupons de desconto em jornais, revistas e até na internet e se consegue comprar coisas até de graça, por conta de vários descontos acumulados.

O desconto mais comum de se achar, e mesmo assim não é em todo lugar, são aqueles 10% para pagamentos à vista (e tem lojas que só dão 5% quando o pagamento é  no débito e só dão  os 10% se for no dinheiro e, hoje em dia, no pix). Geralmente se consegue este tipo de desconto em lojas menores ou de atendimento mais personalizado que dependa de um vendedor. Lojas grandes, como as Americanas, Casa e Vídeo, etc. nunca dão esse desconto, pois o atendimento é impessoal, então não tem como.

Outra característica do comércio brasileiro: quando dão descontos,  eles nunca ou quase nunca acumulam. Por exemplo, se você chegar na loja com um (raro) cupom promocional, provavelmente não conseguirá os 10% que teria se pagasse a vista, e se negociar os 10% a vista, provavelmente o cupom não será utilizado. E geralmente os cupons têm prazos bem curtos, e às vezes vem nas letras miúdas  que eles não são aceitos em todas as filiais da empresa. Pelo menos na minha experiência, sempre foi assim. Não sei como é em outros lugares do Brasil, mas onde moro é assim.

Vou relatar aqui algumas promoções esdrúxulas que vi por aí ou recebi, para ilustrar meu argumento:

 - vi o Shopee (aquela loja das propagandas horrorosas - aliás, quase todas as propagandas são horríveis hoje em dia) oferecendo  50% de desconto em compras, só que limitados a 10 reais (vi num anúncio no youtube)... ou seja, estão dando no máximo 10 reais de desconto e a propaganda diz 50% só pra chamar atenção.

- em uma loja de móveis  onde comprei um armário, veio de brinde um cartão de desconto de 20 reais, mas que só valia por 7 dias e não podia ser usado para abater o valor do frete, só no preço do móvel mesmo, e ainda vinha com uma cartinha da empresa falando de como a empresa era boa e quase uma família. Aham...

- o pseudo desconto da Cacau Show - aquelas barrinhas de chocolate de 20g custavam 2,90 ou 2,70 dependendo do recheio (ou seja, já eram caras). Agora o preço aumentou para R$ 3,30, mas se você for cadastrado na loja, você  ganha um desconto e elas passam a custar R$2,90 ou R$2,70, dependendo do recheio... ou seja, o mesmo preço de antes. Eles aumentaram o preço para incentivar as pessoas a se cadastrarem. Não gosto de me cadastrar em empresas  então simplesmente parei de comprar. 

Iinfelizmente, acredito que a tendência seja eventualmente todas as empresas passarem a ter cadastro de clientes, mas sinceramente acho que os descontos que dão são muito baixos para que eu aceite prostituir vender meus dados. Vejo que as lojas americanas estão indo pelo mesmo caminho, oferecendo alguns descontos só para clientes cadastrados no "Ame". Pode ser que no futuro só haja descontos se você for cadastrado em alguma plataforma ou use algum serviço desses. E mesmo assim, como no caso da Cacau Show, não são descontos de verdade: eles simplesmente aumentam o preço e cobram o preço antigo para quem tem cadastro. Mais uma tática suja.

- Há muitos restaurantes com cartão fidelidade que tem prazo de validade - perto de onde trabalho tem vários assim, com a validade do cartão bem pequena. Não sei se isso é negociável e se é possível ganhar o desconto se você passar 1 dia ou 2 da validade, mas mesmo assim acho que poderiam não ter prazo.

Acredito que essas coisas aconteçam porque o Brasil é um país muito inflacionário, de modo que a diferença de poder de compra de um ano para o outro já é notável. 

No fundo é uma estratégia de sobrevivência (se boa ou não, aí já é outra história):  maximizar a receita cobrando preços altos, ao invés de tentar vender barato e ganhar no volume de vendas. Pelo menos aqui no Brasil me parece que o padrão é esse. O problema é que os clientes em geral aceitam pagar caro! Não deveríamos aceitar. Tem muito preço que  é alto porque as empresas sabem que as pessoas vão pagar de qualquer jeito, mesmo sendo coisas supérfluas. Isso é outro aspecto de nossa cultura que precisa mudar...

O que acham, confrades?


Fiquem com Deus!

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Analisando criptomoedas - Bitcoin Cash

Saudações, confrades, para mais um pequeno post de minha série sobre criptomoedas. 

Analisarei por alto, bem por alto, o bitcoin cash (BCH).

Em minhas pesquisas, verifiquei que o mundo das criptos é ainda mais tomado por emoções do que o mercado de ações,  com direito a entusiastas da criptomoeda "A" invadirem o fórum dos entusiastas da criptomoeda "B" para xingarem, falarem que a moeda B não presta, está fadada ao fracasso  etc. E os entusiastas de muitas moedas fazem análises muito baseadas em "wishful thinking". 

Enfim,  é bem difícil encontrar informações confiáveis a respeito de muitas criptos por aí.  Com tantos especialistas em criptomoedas escrevendo nos fóruns de internet que existem por aí,  fica até difícil acompanhar o ritmo do fluxo de informações...

Assim, o foco da análise deve se restringir ao white paper de cada projeto. 

E no caso do BCH, pelo que vi ele não tem um white paper próprio, em todo lugar que procurei apontavam o  whitepaper do BTC como sendo sinônimo do whitepaper do BCH... caso eu esteja errado, peço que algum leitor mais entendido me corrija. Nem na página oficial do BCH encontrei isso.

 Pelo visto a única diferença entre as duas moedas é o tamanho do bloco.

- Lançado em agosto de 2017, o Bitcoin Cash (BCH) foi um Hardfork do Bitcoin feito com o intuito de acelerar as transações (aumentar o número de transações por segundo possíveis de serem feitas usando blockchain).

- o BCH tem um tamanho de 32 MB de bloco — em oposição ao 1 MB do Bitcoin. quanto maior o tamanho do bloco, mais rápida é a rede, pelo que entendi, então o BCH faria transações mais rápidas que o BTC.

- Uma frase que vi muito ser repetida por aí é  a seguinte: "Se compararmos o BTC com o ouro, o BCH seria como o PayPal, ou seja, está mais para um sistema de pagamentos do que para uma moeda,  ou então ele combina moeda + sistema de pagamentos" - não entendi muito bem a comparação. O BCH  é como se fosse o paypal por que é mais rápido? É isso?

- Assim como o BTC, o BCH possui um limite de emissão de 21 milhões de unidades, o que é uma boa medida de proteção contra inflação, na opinião deste que vos escreve. Mas óbvio que  só isso não determina o valor da moeda.

- Uma coisa que me chama atenção é que (ao menos no momento em que estou escrevendo este post) nem toda Exchange brasileira  disponibiliza BCH em sua lista de moedas disponíveis para compra e venda, e ao mesmo tempo disponibiliza outras moedas, tokens e fan tokens não tão conhecidos assim.  Não sei se isso é um indicativo de que tais exchanges não vejam o BCH com bons olhos, mas acho no mínimo estranho.

- se a diferença entre BTC e BCH é só o tamanho do bloco  então porque dizem que uma vai dar certo e a outra não? A diferença já não é mais só essa? O problema é a equipe que está por trás do BCH? São perguntas sinceras... 


Alguns dos sites que consultei (Não guardei todos):

https://www.moneytimes.com.br/bitcoin-cash-bch-esta-a-altura-do-bitcoin-btc/

https://www.sfox.com/blog/is-bigger-better-how-to-evaluate-bitcoin-cash-based-on-block-size/

O que acham dessa cripto? Já vi muitas opiniões negativas por aí. Mas, opinião negativa por opinião negativa, até sobre ouro as pessoas têm.

Forte abraço,  amigos de jornada rumo à TF! 

Fiquem com Deus!