sexta-feira, 16 de julho de 2021

E se eu ganhasse na mega-sena?

 

Saudações, confraria!

(post para desestressar)

Ficar sonhando com o que faria caso ganhasse na mega-sena é um assunto comum e que vemos sendo discutido em praticamente qualquer mesa de amigos ou de colegas de trabalho por aí. Volta e meia fico pensando nisso também. Sonhar não custa nada.



Eis aqui o que este que vos escreve faria caso ganhasse um prêmio de loteria, em diversas situações hipotéticas:

1) Ganhei um prêmio "pequeno" (acertei a quadra, a quina, etc.) inferior a 1 milhão - trataria como um bônus ou uma PL e aportaria normalmente, diversificando entre ações, FIIs e renda fixa. Nada de novo em relação ao que já faço. Se eu ganhasse o suficiente (300 mil reais ou mais) compraria outro imóvel e deixaria para alugar. Talvez eu pegasse uma parte (até uns 50K) e investiria em um pequeno negócio que eu tocaria em paralelo ao meu emprego, sem pedir demissão. Fora isso, nenhuma mudança de vida. Infelizmente, o nosso dinheiro já foi tão corroído pela inflação que mesmo 1 milhão de reais é muito e ao mesmo tempo é pouco, é mais um dos "hiatos da economia" de que falei neste post. Não é o suficiente para chutar o balde. Provavelmente com uma parte do dinheiro eu ajudaria (discretamente) a pagar uma dívida de algum parente passando dificuldades.


2) Acertei os 6 números e ganhei entre 1 e 3 milhões - continuaria no meu atual emprego, mas já trabalharia bem mais tranquilo. O dinheiro eu diversificaria da mesma maneira que pretendo diversificar hoje. Dependendo do prêmio,  eu transformaria uns 500 mil em moeda forte e deixaria no exterior. Eu usaria uma parte dos rendimentos  para ajudar a pagar dívidas de um ou mais parentes com dificuldades, mas sempre sendo bem discreto quanto a isso (por mais que a caridade seja importante, ela precisa ser anônima, e além disso é perigoso que pessoas próximas passem a te enxergar como um "saco de dinheiro infinito")


3) Ganhei entre 3  e 10 milhões - este é o patamar que eu chamo de Tranquilidade Financeira (TF). Eu continuaria trabalhando,  só que bem mais tranquilo, e enquanto isso iria procurando outro emprego, só que de meio expediente (provavelmente professor de alguma escola no meu bairro ou em um bairro próximo, mas aí eu teria que começar e concluir uma licenciatura, então demoraria pelo menos uns 4 ou 5 anos pra conseguir). Transferiria 1 ou 2 milhões pro exterior, para proteger, e o resto diversificaria aqui mesmo. Uma boa parte ficaria em renda fixa, acho que deixaria no máximo uns 2 milhões divididos em ações e FIIs. Com os rendimentos eu conseguiria ajudar algumas pessoas de minha família, fazendo doações mensais, mas obviamente sem nunca demonstrar que fiquei milionário.


4) Ganhei um prêmio acima de 10 milhões - é uma imensa quantia que deixa qualquer pessoa que nasceu pobre ou classe média bem tranquila e se a pessoa souber administrar e tiver os pés no chão pode fazer com que dure para sempre. Acho que a partir dos 20 milhões posso considerar que atingi a IF. Ganhando 10 milhões ou mais na mega-sena  eu esperaria uns 6 meses para sair do emprego, para disfarçar, e provavelmente faria a licenciatura presencialmente, curtindo um pouco a "vida de universitário" novamente (ou não, afinal já não posso mais me dar ao luxo de ser irresponsável, mas ainda assim eu gosto do ambiente de sala de aula) ou então montaria um pequeno negócio que me permitisse trabalhar só meio expediente (algum daqueles que eu já escrevi nas minhas postagens sobre pequenos negócios e nas postagens desta série que ainda virão). Assim eu trabalharia com alguma coisa que eu gosto, sem pressão nenhuma, só pra me manter ocupado e só meio expediente.  Provavelmente eu mandaria uns 4 milhões para o exterior, para proteção. Com os rendimentos do prêmio (juros, dividendos, aluguéis) ajudaria parentes em dificuldades, como em todos os casos. 


5) Ganhei sozinho na Mega-sena da Virada - é tanto dinheiro que seria até difícil decidir o que fazer. Provavelmente eu daria aulas também,  ou ficaria em um pequeno negócio. O importante é ficar em paz.  O dinheiro eu diversificaria só em renda fixa, no Brasil e no exterior, e aqui no BR provavelmente só em poupança. Provavelmente metade iria para o exterior, uma parte nos EUA e outra parte na Europa. Com uma pequena parte do dinheiro eu seria capaz de comprar a cidadania de qualquer país que eu desejasse, então isso me daria acesso a mais bancos. Obviamente eu só colocaria o dinheiro em bancos grandes. Eu seria capaz de ajudar alguns parentes a comprarem casas próprias e com isso tirá-los de bairros perigosos. Acho que eu moraria no exterior e viria para o Brasil de vez em quando para visitar a família, ou bancaria a viagem dos parentes mais próximos para virem me visitar. Acho que eu iniciaria um projeto de caridade e me dedicaria a isso, usando parte dos rendimentos do prêmio para bancar os custos.


Em qualquer dos cenários acima, eu jamais esbanjaria. Eu nunca pensei em ter camaro, mansões, barcos... nada disso, porque essas coisas muito provavelmente tirariam minha paz e tranquilidade. Óbvio que eu aumentaria bem o meu padrão de vida, mas isso seria de uma maneira bem disfarçada, até para não atrair a inveja alheia, que é uma força muito perigosa de se lidar no mundo. 

Na real, eu jogo na sena só de vez em quando (quando lembro de jogar), só 6 números e sempre os mesmos números. O importante é não transformar isso num vício e nem ficar torrando dinheiro apostando.

E vocês,  pessoal? O que fariam se ganhassem na mega-sena? Chutariam o balde? Comprariam uma mansão? Comprariam títulos nobiliárquicos? Comentem aí!


Forte abraço!

Fiquem com Deus!

domingo, 11 de julho de 2021

A questão da Saúde Pública

Saúde Pública é um assunto muito polêmico, com debatedores fanáticos de ambos os lados. Uns parecem que defendem o SUS com uma paixão que só deveria ser dedicada a Deus, aos santos e a entes queridos, e outros o desprezam com uma fúria que a meu ver também é desproporcional e não adianta de nada.

Meu post pode soar polêmico para alguns, mas relembro que é apenas a minha opinião pessoal, baseada em experiência própria e de parentes próximos, e que eu não tenho pretensão nenhuma de neste humilde blog, o qual escrevo como hobby e no meu tempo livre, dar a "solução mágica" para a questão da saúde pública. Aliás, eu nem acredito que exista ainda uma resposta certa para qual é o melhor caminho para a saúde: ser 100% pública, 100% privada, um meio-termo, pública para algumas coisas e privada para outras, e por aí vai. 

Eu também não acredito em ninguém que diga ter a solução mágica, até porque a maioria dos que dizem isso não trabalham na área de saúde e geralmente são apenas blogueiros escrevendo na internet.

Dito isto, vamos à minha opinião sobre o polêmico assunto:

O SUS é sim caro e ineficiente, desrespeitoso para com nós pagadores de impostos, poderia ser muito melhor, poderia ser melhor gerido, mas eu acho que poderia ser pior também. 

Será que a saúde 100% privada seria melhor? Provavelmente seria melhor, mas será que seria o mar de rosas que dizem que seria, com cirurgias baratas, médicos disputando clientes a tapa cobrando preços módicos por suas consultas e teríamos UTIs com diárias acessíveis que não levariam ninguém a falência? Não sei, pois nunca vivemos nesta realidade. Qualquer opinião sobre isso é puro achismo. 

(se alguém souber de um caso de um país onde isso acontece, por favor me diga...)

A saúde, infelizmente, é um produto caro por diversos motivos (por exemplo, a demanda por remédios, tratamentos e cirurgias geralmente é inelástica) e no SUS isso ainda é agravado por conta de desvios de verba e outras formas de corrupção. Com certeza há também as considerações econômicas relativas à questão da ineficiência estatal em relação ao mercado para gerir recursos que também influenciam isto. 

Mas, apesar de tudo, eu "prefiro" o nosso sistema aqui do que o de outros países, mesmo com todas as nossas falhas ("prefiro" é uma palavra forte, eu sei). E o motivo não é puramente econômico. 

Óbvio que eu não conheço a fundo os sistemas de saúde de outros países, no máximo tenho "referências anedóticas" (termo que pessoas metidas a inteligentes, especialmente da área de ciências naturais, adoram usar para arrotar "superioridade"). Mas para mim, que não sou médico e nem trabalho na área de saúde, elas bastam. 

No fundo, talvez eu "prefira" o nosso sistema por já estar acostumado com ele e saber onde estão as falhas e onde devo tomar cuidado. Se eu emigrasse, teria que me acostumar com os problemas de outro lugar, e esta mudança seria dolorosa, provavelmente. 

Como eu não tenho poder para privatizar ou melhorar a saúde pública, então só posso aceitar sua existência e lidar com ela da melhor forma possível.

Minha "referência anedótica": eu tenho uma pessoa na família que emigrou para o Reino Unido pois conseguiu um emprego por lá. De vez em quando conversamos e, quando o assunto é saúde, essa pessoa me relata algumas dificuldades que sofre com o National Health Service (NHS, o SUS britânico) e com médicos particulares também. 

Para começar, me parece que lá os médicos são tratados como semi-deuses: é muito difícil ter contato diretamente com um médico por lá. Em consultas, geralmente você é atendido por enfermeiras e são elas que conversam com os médicos no seu lugar, até para pegar o atestado e a receita.  O médico fica na sala dele, e nem te vê. Pelo menos foi essa a experiência que a tal pessoa da minha família passou.

Outro problema: parece que mesmo fazendo consultas particulares (fora do NHS) tem uma lei que obriga o cidadão a primeiro ir em um clínico geral para só depois ser encaminhado para o especialista que irá de fato tratar do seu problema. Isso é bom em alguns casos e para que hipocondríacos não sobrecarreguem os especialistas, mas convenhamos que tem vezes que não precisa ser  médico para saber que tipo de especialista precisamos para tratar nossos problemas. Aqui no Brasil ao menos podemos ir direto ao especialista. 

Outro problema: as enfermeiras tomam conta de coisas demais, e os médicos parecem mais burocratas que ficam só vendo coisas pelos sistemas, ao invés de ver os pacientes. Por exemplo, este meu parente já foi barrado na porta da emergência de um hospital porque a enfermeira de plantão não considerou que seu caso era "emergência" e o mandou embora do hospital sem direito nem a uma consulta ou a um exame - mas era mesmo emergência, foi um descolamento de retina bastante doloroso, que poderia ser grave e para piorar aconteceu em um domingo, com tudo fechado. A enfermeira em questão disse que o caso poderia esperar até segunda-feira e ser tratado em uma ótica. Aliás, isso é outra curiosidade sobre a medicina britânica: o oftalmologista não é bem um "médico", é mais um "técnico de oftalmologia" e atende pacientes em óticas. Me parece que é mais um ofício do que uma profissão de saúde, do jeito que este parente me contou.

Outra curiosidade: até onde sei, enfermagem é a única faculdade pública 100% "gratuita" que existe no Reino Unido (lá você paga para estudar mesmo que a faculdade seja pública, exceto se for enfermagem, conforme escrevi), provavelmente como forma de política pública para aumentar o efetivo de mão de obra em hospitais e o número de profissionais de saúde por habitante. Como consequência, muitas pessoas pobres e classe média baixa do Reino Unido acabam indo estudar enfermagem, pois é a única faculdade que são capazes de bancar. Como consequência disto, há muitas pessoas frustradas, que na verdade não queriam ser enfermeiras, mas se tornaram porque "era o que dava" - e na opinião deste meu parente, é por este motivo que tem tantas enfermeiras carrancudas por lá.

Por outro lado, me parece que o NHS é bem mais organizado, e tem mais hospitais, de modo que ao menos eles não ficam lotados que nem os do SUS - cada um vai para o hospital de sua "região", ou de seu "bairro", não é que nem a bagunça daqui em que o humilde hospital de uma cidade mediana precisa atender também à população das vinte cidadezinhas próximas que não têm hospital.

Outra coisa boa do Reino Unido: me parece que os planos de saúde são mais baratos do que aqui. Esta pessoa da minha família estava para ver um plano cuja taxa era de 600 libras por ano, o que daria uns 350 reais por mês se considerarmos a libra a 7 reais. Em geral os planos de saúde aqui no Brasil são mais caros que isso.

Outra curiosidade sobre os britânicos: eles parecem se preocupar menos com a saúde do que os brasileiros (isso é bom e ruim ao mesmo tempo). Uma evidência disto é que lá ninguém ou quase ninguém tem termômetro em casa para medir a febre. Eles quando acham que estão com febre, tomam um tylenol e deu, nem medem a temperatura. E também evitam ao máximo ir ao médico, só vão quando estão muito ferrados mesmo (mas também acho que aqui nós vamos ao médico demais... é importante ter um equilíbrio)

Enfim, eu """prefiro""" o nosso sistema público (e privado também) em relação ao britânico porque, em que pese este ser mais eficiente, ele me parece muito mais hostil. Ele me passa uma ideia de "isso é problema seu", "no meu entendimento isso não é emergência, por favor se retire", "você não pode falar com o doutor", "não, não vou te encaminhar pro cardiologista mesmo que você tenha histórico de enfartos, quem tem que te atender primeiro é o clínico geral, não interessa". 

Agora falando sobre o Brasil, aqui ocorre uma distorção de certa forma semelhante ao caso das enfermeiras britânicas: muita gente aqui faz medicina pelo status e pela expectativa de ter uma renda bem mais alta que a média, e não por "ter o chamado" ou vocação para a medicina, e o resultado disso são muitos médicos que nem olham para a cara do paciente, tratam com arrogância, não são solícitos, e por aí vai. 

(Claro que graças a Deus existem bons médicos que tratam bem seus pacientes e são solícitos, e muitos fazem caridade e atendem em determinados dias sem cobrar)

Outro problema nosso: os médicos estão muito concentrados nas capitais, de forma que viver em muitas cidades do interior é de certa maneira "inviável" por não ter disponibilidade de médicos, clínicas e laboratórios. Que dirá hospitais. 

Se não me engano, os nossos conselhos de medicina proíbem os médicos e as clínicas de divulgarem publicamente seus preços (lembro de ter lido uma resolução de algum CRM de algum lugar dizendo que isso era "para não caracterizar o exercício mercantilista da profissão médica".... Fica aqui minha crítica aos Conselhos de Medicina: ora, se não se pode exercer a profissão médica "mercantilisticamente" então porque cobram pela consulta? Porque não vivem da caridade de seus aprendizes, de seus pacientes e da comunidade a qual servem, conforme preconizado por Hipócrates?) Penso que se não houvesse esta restrição, os preços das consultas tenderiam a ser mais baratos, pois saberíamos imediatamente quanto cada médico cobra.

Outro problema nosso: os hospitais daqui são os mesmos há pelo menos uns 50 anos - é raro construírem outro. Sempre que converso sobre estas coisas com meu pai ele diz que desde que ele era criança não construíram mais nenhum hospital em nossa cidade. E realmente os nossos hospitais públicos parecem ter parado no tempo. Os que eu já entrei ao menos eram assim.

Agora as coisas boas daqui: ao menos aqui eu consigo ir direto para um especialista quando sei qual é o meu problema.  Consigo falar com os médicos, eles não são tão semi-deuses quanto os britânicos. As enfermeiras não me impedem de entrar no hospital. Comparando o preço de consultas e exames particulares, me parecem mais acessíveis aqui do que no Reino Unido, mesmo para consultas sem plano. Óbvio que depende do lugar. 

Sobre a velha discussão Estado X Iniciativa Privada, eu acho justo que haja um meio termo. O que eu quero dizer com isso: em que pese o argumento de que "ninguém deveria ser obrigado a pagar pelo atendimento médico dos outros" eu não acho certo uma pessoa morrer porque não tem dinheiro para pagar por um atendimento em uma emergência, por exemplo. 

Então, acho que no mínimo o atendimento da emergência poderia ser público e o resto poderia ser privado. Também acho que pelo menos alguma coisa do tratamento de câncer e outras doenças sérias poderia ser pública. Por quê estes casos, exatamente? Não sei, só acho. É o que me parece certo, e lembrem-se de que eu não tenho poder nenhum para mudar a realidade, então levem isso em conta antes de me criticarem. E não precisaria ser "dinheiro público" bancando isso, poderia ser um fundo custeado pelos habitantes de determinada cidade para atender emergências daquela cidade, por exemplo, ou uma empresa de seguros, ou algo assim. 

Acho errado deixar alguém morrer por esta pessoa não ter dinheiro para pagar o médico e outras pessoas ainda acharem isso certo, dizerem que "ah, se não tinha dinheiro então era incompetente, incapaz, vagabundo, etc." (como já li por aí em discussões desse tipo). Sou contra isso porque seria uma forma de "darwinismo social"  ("sobrevive quem tem dinheiro, quem não consegue ganhar dinheiro é um peso para a sociedade e é melhor morrer")  - e do "darwinismo social" para a eugenia é um pulo. 

Se aceitarmos que é válido alguém morrer porque não consegue pagar uma conta, então eventualmente a sociedade aceitará que é válido matar alguém por ser deficiente (na Islândia, por exemplo, é permitido abortar bebês com síndrome de Down, uma verdadeira tragédia que um dia cobrará seu preço), ou por ter QI abaixo de determinado número, ou por ter mais do que determinada idade (essa eu já vi defenderem também... já li por aí um cara dizendo que acima dos 75 anos a pessoa é um peso porque "polui mais o planeta do que é capaz de dar em troca para a sociedade"... daí para dizer que é melhor matar as pessoas acima de 75 anos é só um pulo. Fiquem atentos a estes supostos "defensores do planeta", pessoal. A maioria só quer uma desculpa para cobrar mais impostos e para matar pessoas sem ser preso), e quando nos dermos conta estaremos em um mundo onde seremos de verdade o tal do homo economicus, meros animais ou robôs que vivem para satisfazer necessidades fisiológicas. 

Somos muito mais do que isso.

Fiquem com Deus!

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Os livros do Kiyosaki


Saudações,  confraria!

A maioria dos livros de finanças que são publicados aqui no Brasil, grosso modo, se dividem em basicamente 2 tipos: auto-ajuda financeira e "matemática aplicada para trades" (na minha opinião, uma pseudociência).

Há uma minoria que se salva, mas mesmo assim é difícil encontrar alguma coisa realmente de qualidade, que "te deixe de cabelo em  pé" depois de ler. 

Há  muitos livros que claramente são  escritos só para fins comerciais (em um estilo meio "embrulha e manda", se é que vocês me entendem). Por exemplo, os livros do famoso Robert Kyiosaki. 

O famoso "Pai Rico, Pai Pobre" é na minha opinião um livro muito bom, e costuma ser a primeira redpill financeira de muita gente.  A principal lição, na opinião deste que vos escreve, é aquele famoso diagrama do fluxo de caixa que ilustra a importância da busca pela renda passiva para sustentar nossos gastos. Isso realmente é algo que ninguém costuma ensinar por aí e que se não nos metemos a estudar finanças podemos passar a vida inteira sem saber (parece óbvio depois que lemos, que nem a resposta de uma charada, mas não é tão simples assim chegar a esta conclusão sozinho...Se fosse, seria muito comum ouvirmos conversas sobre fluxo de caixa, renda passiva, e sabemos que fora da nossa bolha esses assuntos não são nada comuns) 

Kyiosaki, na minha opinião, se tivesse publicado só esse livro, já teria entrado para a história. 

Em relação aos demais livros do Kyiosaki, comprei e li somente o Guia de Investimentos e o Unfair Advantage (acho que em português ele se chama "Educação Financeira" ou "O Poder da Educação Financeira"), mas estes livros não trazem muita coisa de novo em relação ao "Pai Rico, Pai Pobre": acho que no fundo são só repetições do mesmo tema. 

No Unfair Advantage ele tenta nos incitar a comprar prata, pois há várias partes em que ele fala sobre isso, sendo que o principal argumento dele era que "Enquanto o ouro foi entesourado, transformado em moedas e barras e guardado em cofres, a prata foi usada para fazer talheres e outros utensílios, e portanto pode ter se tornado mais rara que o ouro" ou algo assim. 

A princípio, parece fazer sentido, mas tendo em vista a imensa diferença que persiste entre o preço do grama de ouro e da prata, para essa teoria ser verdadeira, o Kiyosaki teria que ter sido o único cara que percebeu isso até hoje, e mesmo após alguns anos de sua publicação, o mercado ainda não percebeu...mas é óbvio que o tempo pode provar que ele estava certo. Por outro lado  acho que ele recomenda a compra de "silver certificates" e não fala muito sobre prata física,  o que na minha opinião não é lá muito efetivo (o certificado de prata provavelmente não valerá de nada num verdadeiro desastre financeiro, a meu ver, pois basta o banco fechar, falir ou simplesmente vir uma lei proibindo o resgate de títulos para que eles não valham nada)

Tem até "anúncios" e "pausas para comerciais" dentro desses dois livros, na cara de pau. A maioria é para divulgar os jogos de tabuleiro que ele criou (cashflow) ou para divulgar outros livros da coleção dele. Isso poderia ser feito em uma seção depois do final do livro, como várias editoras fazem. Mas do jeito que ele fez, jogando assim no meio da leitura, fica bizarro demais.

Teve outro dele que eu li quase todo só folheando numa livraria, por volta de 2013, chamado "Como investir em ouro e metais preciosos" em que 90% do livro é só sobre a história do uso do ouro pela humanidade (interessante) e os 10% finais são sobre o investimento em metais em si, mas quase não fala nada e em diversos pontos ele tem a cara de pau de dizer que "se você quiser investir em ouro, procure um profissional de investimentos para lhe explicar" - ora essa, então qual é a utilidade do livro? Para quê eu vou comprar um livro sobre investimento em ouro se o livro não explica como investir em ouro e ainda me sugere contratar um profissional? Aliás,  esse livro acho que nem é do Robert Kiyosaki, mas usa a "franquia" do nome dele.

Um detalhe interessante: ele admite que escrever não é seu forte, e quem já leu algum livro dele em inglês vai perceber isso:  em certos momentos ele escreve que nem uma criança (por exemplo, repete algumas palavras, usa muitos períodos simples, etc). Isso tem um lado bom:  para quem quer aprender vocabulário em inglês relativo a finanças, os livros do Kiyosaki são muito bons, e podem servir como ponte para livros mais avançados. Eu comecei assim, o Rich dad Poor dad foi o primeiro livro sobre o assunto que li em inglês.


Enfim, Kyiosaki é só um exemplo, há vários autores de finanças e negócios que, a meu ver, se encaixam perfeitamente na descrição de "livros escritos somente para fins comerciais". Claro que sempre podemos tirar lições úteis desses livros, e eu entendo que, dependendo do assunto, tem que encher muita linguiça para conseguir produzir um livro. Pode ter sido o caso do Kiyosaki. 

Quais livros dele vocês já leram, confrades?

Forte abraço!
Fiquem com Deus! 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Aportes e Atualização Patrimonial - Junho/2021

Saudações,  confraria da finansfera!

Tendo quitado meu financiamento imobiliário conforme relatei no blog, finalmente dei início aos aportes.

Conforme escrevi algumas vezes, não me sinto confortável divulgando meu patrimônio, então vou usar apenas índices e porcentagens, sem nunca usar a quantidade real, nem o número de ações ou de quotas de FIIs que possuo.

Sendo assim, criei esta "moeda" que batizei de "Coroa" para divulgar meu patrimônio. O valor base será o desta atualização patrimonial, para fim de comparações futuras.

Segue um quadro com o patrimônio no fim de junho de 2021, dividido pelas classes de ativos. Todos os valores estão expressos em Coroas: 

Clique na imagem para ampliar (Créditos dos sprites: Hocus Pocus, jogo para MS-DOS produzido em 1994 pela 3D Realms em parceria com Moonlite Software e Cygnus Multimedia Productions)

Como podem ver, por enquanto só tenho minha RE (a qual está 100% na poupança) e um pouco em ações. Ainda não aportei nada em FII e nem na Reserva de Valor (RV). 

Com o dinheiro que sobrou após ter quitado o financiamento, comprei algumas ações para começar a semear a minha Tranquilidade Financeira.

Assim, segue o quadro com as minhas ações no final de junho- carteiras All Stars e Small (valores expressos em Coroas):

 NENHUMA DAS AÇÕES NO QUADRO É UMA RECOMENDAÇÃO DE COMPRA!!! ESTUDEM SOZINHOS E TOMEM SUAS PRÓPRIAS DECISÕES!!
Clique na imagem para ampliar (Créditos dos sprites: idem). Conforme for comprando mais ações, vou aumentar este quadro.


Aqui vale uma observação: na verdade eu ainda não escolhi nenhuma ação para a carteira
Small. Estas ações da Embraer na carteira são os últimos resquícios dos meus investimentos pré-financiamento imobiliário e só não as vendi para ajudar a quitar a dívida porque são poucas ações, então não faria muita diferença. Resolvi deixá-las na carteira (buy and forget) - quem sabe a Embraer não melhora algum dia? Atualmente eu não teria comprado essas ações e por enquanto não pretendo comprar mais dessa empresa. 

Em relação à carteira All Stars, todas as ações dela foram escolhidas conforme os critérios que divulguei neste post (lucro consistente ao longo de vários anos, boa liquidez, dívida inexistente ou equilibrada, etc.). Só pretendo comprar ações ON para dificultar que os controladores das empresas me sacaneiem, pois é o mesmo tipo de ação que eles possuem.

A partir da próxima atualização patrimonial (referente a julho, que será publicada no começo de agosto) eu incluirei um quadro com a renda passiva. Por enquanto é óbvio que ela está bem pequena, praticamente só os juros da poupança, os quais eu sempre deixo acumular na caderneta mesmo. Aos poucos os dividendos vão pingando. Enquanto não forem o suficiente para comprar ações ou FIIs, eu pretendo guardá-los na RE mesmo.  

Desejem-me sorte e discernimento, confrades. Agora começou esta nova fase da minha jornada rumo à TF (ou quem sabe, se Deus me permitir, a IF?). 

Cada mês vou colocando mais um tijolinho neste castelo que estou construindo.


Forte abraço, caros leitores! 

Fiquem com Deus!