segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Os maus hábitos do comércio - parte 2

Saudações, caros leitores! 


Retomando o meu post sobre os maus hábitos do comércio, que foi um dos que o pessoal mais gostou, trago agora a 2ª parte, onde vou escrever mais alguns maus hábitos que já vi sendo praticados por muitos comerciantes, só que desta vez focando em problemas que percebo em negócios específicos:

1) Hamburguerias gourmet e food trucks em geral: uma coisa que eu sempre notei nesse tipo de negócio (que há pouco tempo eram modinha) é que geralmente há muito pouca variedade de lanches. Na minha rua havia uma hamburgueria dessas, estilo "gourmet", que no cardápio só havia 3 sanduíches, e os três eram em um padrão que eu vejo em praticamente qualquer hamburgueria gourmet: um hamburger basicão (ingredientes: 1 hamburger de "blend" de carnes, 01 (uma) fatia de queijo, 01 (uma) folha de alface, um punhado de cebola caramelizada, pão de brioche ou algum pão escuro para dar aquele ar de coisa sofisticada) que parece que só está lá para encorajar os clientes a comprarem os outros 2 do cardápio; o 2º hamburger igual ao primeiro, só que com 2 carnes (às vezes com bacon em cubinhos); e o terceiro geralmente feito de costela de porco desfiada (e os mesmos adicionais dos outros dois). Geralmente o cardápio fica em um papel pintado de preto, com as letras brancas (cores escuras dão ar de sofisticação em restaurantes, reparem só) e os preços seguem o seguinte padrão:

      - Hamburger basicão: R$ XX,00

      - Hamburger basicão, só que com 2 carnes: R$ XX + 6,00

      - Hamburger de costela de porco desfiada: R$ XX + 10,00

      - Batata "Rústica": + R$ 8,00 (geralmente vem um punhado num cone de papel ou numa canequinha de metal)

      - Onion Rings: + R$ 8,00 (geralmente vem umas 5 ou 6 unidades)

      - Refrigerante (lata de 350ml): + R$ 6,00

Obviamente, os preços variam conforme o custo de vida em cada cidade, então para um cardápio desses em SP, por exemplo, trocamos o "R$ XX" por "R$ 35", "R$ 40", dependendo do bairro. O mesmo vale para Brasília, Rio de Janeiro, BH, etc. e eu vejo esse padrão sendo praticado até em foodtrucks, e aí é pior ainda, porque você acaba gastando mais de 50 reais para comer, literalmente, na rua (o que é estranho, porque o custo desse negócio deveria ser baixo)

Hambúrguer Gourmet com Fritas - ST Burger (São Paulo - Sul e Oeste) - Peixe  Urbano
foto meramente ilustrativa

Starting a Profitable Food Truck Business | Бизнес, Айт











Óbvio que há exceções, mas eu infelizmente vejo essa gourmetização (dos preços) em muito lugar por aí. Isso é ruim porque na grande maioria dos casos esse preço alto não condiz com a qualidade e com o sabor da comida, então esses negócios acabam fechando em relativamente pouco tempo, fazendo com que os funcionários fiquem desempregados, fazendo o dono perder a grana investida e, quando são lojas, o imóvel fica vago, e se demorar muito tempo para outro negócio tomar o lugar, pode acabar sendo invadido e virando casa de mendigos, esconderijo de bandidos, etc., o que é muito ruim para quem mora naquela rua. 

A da minha rua, que eu citei no início do texto, já fechou faz alguns anos, e outra hamburgeria "gourmet" já tomou o lugar dela, mas está resistindo porque é realmente melhor (mas ainda assim é careira).

 Notem que no exemplo das hamburguerias e dos foodtrucks, além do cardápio pouco variado e dos preços inflados, há outro exemplo de um mau hábito do "comércio" brasileiro: a tendência do empresário brasileiro de querer lucrar vendendo pouco, mas vendendo caro, ao invés de querer lucrar vendendo barato mas vendendo muito (eu acho que o nosso padrão é o contrário do padrão do empresário dos EUA, acho que lá eles valorizam mais cobrar preços baixos para vender muito, mas isto é só a minha opinião baseada em minhas observações... posso estar errado)


2) Sebos: eu gosto muito de comprar livros em sebo, acho que uns 40% dos livros que eu tenho eu comprei assim, porque geralmente é só nesses lugares que se consegue encontrar obras que não sejam "best sellers", além de livros sobre assuntos mais específicos e/ou técnicos. Infelizmente as nossas grandes livrarias (as que ainda restam) falharam e muito em oferecer variedade de livros, quase não há livrarias "de nicho" no Brasil, livrarias técnicas, etc. O problema que eu vejo em todos os sebos que frequento é esse: os livros são muito mal organizados. Conheço um que o dono nem se importa, deixa tudo empilhado no chão e nas prateleiras de qualquer maneira, tem que procurar muito para achar alguma coisa. Um outro que frequento pelo menos organiza os livros por assunto, mas não os coloca em ordem alfabética, e por aí vai. Outro problema dos sebos (pelo menos todos os que eu fui eram assim) é que geralmente o dono não faz um inventário dos livros, então ele não tem controle nenhum sobre quais livros possui em estoque e muitas vezes também não vende pela estante virtual ou outro site semelhante, o que dificulta a vida dos clientes e faz com que ele perca vendas (eu sei que um pouco de desorganização pode até ser uma estratégia de negócio para livrarias e sebos: enquanto procuro um certo livro, acabo encontrando outros que posso acabar querendo comprar também, mas a desorganização tem que ter um limite, além do qual ela fica contraproducente).

Super Sebo | VEJA SÃO PAULO



3) Livrarias: pegando um gancho no que eu falei acima, o problema das livrarias no Brasil é que elas praticamente só vendem "best sellers" (aí ficam com as prateleiras entulhadas com 50 cópias dos mesmos livros), livros estúpidos (tipo os de alguns youtubers, e também "biografias" de "celebridades" ainda vivas - para mim, não tem muito sentido escrever biografias de pessoas vivas, principalmente se forem jovens) e algumas delas parecem muito mais papelarias do que livrarias propriamente ditas, e há uns dois anos entraram com tudo na modinha dos "livros de colorir para adultos". Outro mau hábito, só que das editoras de livros,  é o de colocar capas muito feias nas obras, ou então quando o livro dá origem a algum filme, as editoras insistem em colocar a capa com o cartaz do filme. Na minha opinião, capas de livro têm que ser atemporais, e as que reproduzem cenas do filme com o tempo perderão o sentido, ou podem até espantar leitores, caso o filme tenha sido ruim.


4) lojas de ferramentas: o principal problema que vejo aqui é que em geral elas vendem pouca variedade de ferramentas, e é difícil encontrar peças extras e acessórios para as ferramentas elétricas/eletrônicas e mecânicas (diferentes discos de corte para esmerilhadeiras, pontas diferentes para furadeiras e micro-retíficas, etc.). Eu entendo que a demanda para coisas mais específicas não seja alta e que algumas ferramentas são para mercados mais restritos, mas a maioria das lojas de ferramentas me parece que nem tenta oferecer coisas melhores, ter um diferencial, etc. Claro que hoje em dia dá para encontrar muito mais coisa on-line, mas eu preferiria comprar em lojas físicas, porque posso ver a qualidade, ver se não está quebrada, além de não pagar frete (que tem estado muito caro). Outro problema é que normalmente elas não têm todos os tamanhos de peças (tubos, conexões, parafusos, etc. geralmente só tem meia dúzia dos tamanhos que mais saem). 

Passo loja de Ferramentas elétricas, manuais e material elétrico. COMPLETA  - PassaPonto


Amigos, por enquanto é isso. Caso eu me lembre de mais coisas, eu publico uma parte 3 para esta série. Como eu falei no primeiro post desta série, caso você, leitor, seja dono de um dos tipos de negócio que apresentei aqui, não se sinta ofendido, encare tudo como críticas construtivas.

Vocês sabem de mais algum "mau hábito" dos nossos comércios aqui no Brasil? 

Forte abraço! Fiquem com Deus!


15 comentários:

  1. Não sei se pode ser encarado como mau hábito, mas acho que tentar "empurrar" algo para o consumidor ocorre em alguns (muitos) estabelecimentos, principalmente nesses de obra.
    Estava com uma goteira no sistema de entrada de água da descarga e fui em uma loja dessas para comprar somente a borracha de vedação. Quando perguntei, a funcionária disse que não tinha, que não se vendia somente a borracha e que o sistema de entrada era R$ 55,00, mas que o adequado era comprar todo sistema por R$ 150,00, para que não houvesse "problemas de conexão". Bom, continuo precisando só da borracha.
    Mudando de assunto, quitei o apartamento. Boa sorte para você e torço para que quite o seu logo.
    Parabéns pelo excelente blog!

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    1. De fato muitas lojas nos empurram coisas desnecessárias, mas às vezes podem realmente estar querendo ajudar. Pena que é difícil filtrar: eu também fico desconfiado quando tentam me vender uma solução cara para um problema, que nem no seu exemplo, mas tem vezes que realmente o melhor é gastar um pouco mais e resolver mesmo o problema, senão perdemos tempo consertando duas vezes.
      Parabéns por ter quitado o apartamento, anon! Obrigado pela torcida, ano que vem devo quitar o meu também, e obrigado pelo elogio!

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  2. A variedade de produtos e marcas vendidos por alguns tipos de comércio é um ponto interessante.
    Em muitos segmentos do mercado não há muitas marcas, muitos fabricantes de determinados produtos, esse é um dos motivos de alguns esabelecimentos terem poucas opções a oferecer.
    Outro ponto é que em alguns segmentos comerciais o revendedor acaba se tornando exclusivo de uma determinada marca para um determinado produto ou faixa de preço.
    Sendo assim só oferece outro modelo, produto ou marca quando essa não concorre com a marca principal.

    Com relação as livrarias, creio que elas dão mais atenção ao que pode vender mais, ou os produtos das principais editoras e autores.
    Com relação a capas é uma questão de gosto, logo não há muita regra.
    Com relação aos "best sellers e bigrafias" só posso dizer que o Peão Playboy não vai curtir seu post...

    Em suma, cada setor de negócio tem suas características e creio que oferecer essa diversidade para alguns pequenos coerciantes pode ficar difícil por alguns fatores como: Distância dos fabricantes e/ou distribuidores, o fato de já existir outro comerciante da mesma cidade ou região vendendo aquele produto/marca, pra conseguir bons preços as vezes é necessário vender quantidades acima do que o pequeno comerciante pode vender etc etc.
    Creio que alguns tentam mas acabam não se encaixando por esses e outros motivos.

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    1. Sim, toda a parte dos fornecedores (são poucos, são caros, são exclusivos, etc.) influencia no que o comércio vende. Aqui temos mesmo poucas marcas de muitos produtos, não temos uma indústria bem desenvolvida e com concorrência, e até pra importar é difícil por causa dos impostos e dos custos de frete, então acaba que a variedade que a globalização poderia trazer não chega aqui. Em relação às livrarias, como o brasileiro em geral não lê muito, acaba que as livrarias acabam apostando quase que só em best seller. As biografias inúteis a que me referi são as de youtubers e "celebridades", principalmente as ainda vivas e jovens ( não faz sentido ter uma biografia de um cara de 20 anos, que ficou famoso por causa de um canal de memes, por exemplo... O que ele realizou?). Biografias que o Peão Playboy gosta, pelo visto, são as de empresários. Estas tem sim uma utilidade, mas gostei da brincadeira, vamos ver o que nosso amigo comentará.

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  3. No ramo de alimentação sempre rolam essas modinhas e no final é tudo passageiro.

    Sobre o que falou de hamburguerias é bem isso mesmo, fora que os lanches normalmente não tem gosto de nada ou a carne do hambúrguer muitas vezes não tem qualidade alguma.

    Mas é modinha e o povão gosta daquilo, é igual a galerinha que gosta de Outback ou Madero, ah meu Deus, francamente, aquilo é absurdamente caro pela qualidade que entrega. Mas o que vale é o post no Instagram mostrando que você está em um lugar chique ou seleto, é a mesma lógica dessas hamburguerias e food trucks, basta ser bonitinho o lugar e ter um "ar alternativo".

    Sobre biografias de Youtubers (ou livros escritos por Youtubers) ou celebridades juvenis é apavorante que alguém compre aquilo.

    Ansioso por uma continuação.

    Abraços,
    Pi.

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    1. Sim, PI, é apavorante. As pessoas por aqui lêem pouco, e ainda por cima lêem estas bobagens.
      Madero e Outback merecem um post à parte, especialmente o Outback. Talvez eu escreva a parte 3 dedicada a isso, vamos ver.
      Aqui me parece que são poucos os que pensam em "vender barato e vender muito", me parece que os caras mal aprendem a fazer um hambúrguer e já querem faturar alto em cima de cada unidade vendida, ganhar 200% de lucro em cima do refrigerante, etc.

      Abraços!

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  4. Mau hábito de comerciante não lembro de algum específico, mas o que dá pra perceber é que quem se organiza e se esforça para prestar um bom serviço tem muito mais chance de se destacar e de perdurar no mercado. Isso acaba valendo pra todas as profissões.
    Obs: mau humor e arrogância, como características pessoais, são exemplos de coisas que atrapalham o bom atendimento aos clientes. Querer passar a perna e levar vantagem sobre os clientes também são situações que no longo prazo tendem a não dar certo.

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    1. Sem dúvida. Já fui muito mal atendido em diversas lojas, restaurantes, etc. Nesses lugares eu não volto. Atendente de mal humor também, às vezes até desisto da compra. Vendedor / prestador de serviço desonesto, então...

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  5. Nesse ramo de venda de produtos se destaca muito quem tem capital (FERRAMENTAS, com vc citou) quem não tem capital e se aventura, pena bastante.

    Na questão dos livros, eu achei engraçado que os livros que mais gosto são os Best Sellers kkk. Não sei, talvez no futuro migre para outro tipo de livro. Mas curto muito biografias de pessoas e empresas, é uma forma de "conviver com elas" e de alguma trazer aquele aprendizado para a vida real.

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    1. Obrigado pelo comentário, Peão.
      Best seller por si só não é ruim, o problema é a livraria praticamente só vender best seller.
      Como eu expliquei em um comentário acima, biografia de empresário é útil. O que é difícil de engolir é biografia de youtubers, de celebridades jovens, etc.
      E como você falou: quem tem capital se dá bem nas vendas por que tem fôlego financeiro pra aguentar poucas vendas por um tempo, o que massacra o pequeno comerciante. Fora a possibilidade do grande distribuidor fazer preços mais baixos por causa do ganho de escala ou até mesmo praticar dumping (vender por preço inferior ao custo para roubar clientes dos concorrentes e com isso levá-los à falência)

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  6. Farmacêutico Investidor17 de setembro de 2020 12:10

    Boa colocação Mago! No caso do item sobre livrarias, confesso que sempre gostei de livros físicos (na minha graduação inclusive sofri a sindrome do livro-texto, ou seja ter pelo menos de cada disciplina haha). Sebos sempre achei desorganizados e atendimento ruim mas isso pode ser falta de sorte - um amigo meu adora esse tipo de ambiente e admito que ele consegue bons títulos a um preço muito em conta.
    Atualmente só adquiro livros de finanças e da minha área profissional - importados e relativamente caros. Sinto certa falta das livrarias com bom espaço físico (como a FNAC nos bons tempos) e mais variedades de acervo.

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    1. Já fui na Fnac e realmente ela era muito boa, tinha muita variedade, encontrei alguns livros bem específicos nela. Eu também prefiro livro físico. Digital acho que só dá certo obras de ficção l. Os livros técnicos eu preciso ter o físico para fazer anotações.
      Já garimpei muita pechincha em sebos também, isso eles tem de bom.

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  7. "sebos" - acho que a desorganização deles funciona - sem notas fiscais, sem gasto com computadores. é praticamente um depósito de tralha.

    é um dos poucos casos que acho que a organização poderia gerar falência (aprendi isso lendo esse livro: https://www.estantevirtual.com.br/livros/eric-abrahamson-david-h-freedman/uma-bagunca-perfeita/557584336?show_suggestion=0)


    "Hamburguerias gourmet e food trucks" - dava pra gastar o mesmo no shopping e comer hambuguers baratos, mas o bom da rua é que não há tentação em fazer mais gastos.

    pessoalmente faço o pedido de casa e recebo em casa, custa 50 reais (mais ou menos) e é o único gasto. se eu fosse no shopping gastaria com sobremesa + transporte + compras de impulso

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    1. p.s: para livros ainda há a opção virtual:
      https://b-ok.lat/

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    2. Legal, Scant, não conhecia esse site, vou dar uma olhada. Espero que não sacaneiem ele que nem fizeram recentemente com o web archive. Esse livro que você citou também parece interessante.

      Em relação aos foodtrucks gourmets realmente não há tanta compra por impulso na rua, mas ainda assim acho caro pela qualidade e pela quantidade. Mas isso pelo visto é um sintoma global, porque até o Mcdonalds estou achando caro, exceto pela promoção dos pequenos preços.

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