terça-feira, 15 de novembro de 2022
O dinheiro é uma abstração, e isso inclui o ouro
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
O dinheiro na idade média
Saudações, confrades
Hoje vou escrever bem resumidamente sobre o uso do dinheiro na idade média, conforme descrito pelo historiador Jacques Le Goff, autor de A Idade Média e o Dinheiro (além de vários outros livros sobre a idade média - para quem gosta do assunto, recomendo!), livro que serviu de base para este post. Resolvi escrever este artigo a título de curiosidade, porque gosto do assunto (sou colecionador de moedas e aprecio a arte numismática), e também porque pode servir para enriquecer um pouco a cultura de meus leitores.
Como é um assunto longo e detalhado, ao invés de escrever o post na forma de um texto como normalmente faço, vou colocá-lo na forma de vários tópicos dos assuntos que julguei mais interessantes do livro:
- Durante boa parte da idade média, a riqueza era representada principalmente por terras. Demorou um pouco até que o uso de moedas ressurgisse (com a queda do império romano, as moedas "sumiram" por causa do relativo caos social da época, e por algum tempo após seu "ressurgimento", as pessoas ainda usavam algumas das moedas romanas que haviam sobrado, porque os conhecimentos acerca de cunhagem de moedas não foram aprendidos pela vasta maioria das tribos bárbaras que destruíram o império romano).
- Como a vida era fortemente rural, muitos camponeses podiam passar a vida inteira praticamente sem nem ver moedas, porque viviam pela lavoura, e até os impostos aos senhores feudais eram pagos em víveres. Uma pequena parte que era paga em dinheiro, e mesmo assim não era em todo lugar que isso ocorria.
- Naquela época as moedas eram usadas principalmente pelos comerciantes (por conta da necessidade de transportar riqueza de maneira portátil e cômoda - o escambo é inviável para o comércio em médias e grandes distâncias) e pelos nobres (mas, como eu disse antes, a riqueza vinha principalmente da posse de terras, e também de imóveis).
- O uso do dinheiro foi sendo impulsionado por causa do aumento das populações das cidades, porque nelas seria inconveniente pagar as despesas em víveres, tendo em vista que não havia espaço para todos plantarem. Assim, os habitantes das cidades adquiriam comida, bens e serviços em troca de dinheiro assim como é hoje. Estima-se que cerca de 60 a 70% dos rendimentos dos habitantes da camada mais pobre das cidades eram gastos para comprar comida (principalmente grãos). Outro motivo para o aumento do uso do dinheiro foi o ressurgimento do comércio.
- a oferta monetária era bastante dependente do comércio, principalmente do comércio exterior - como o dinheiro era 100% físico e lastreado em metal precioso (moedas de ouro e de prata), quanto mais exportações para outros países, mais moedas entrariam na economia local. Essa lógica também valia para o comércio interno, de modo que a oferta monetária poderia ser bastante diferente entre duas cidades do mesmo reino, e creio que sua localização influenciava bastante nessa questão (cidades próximas ao mar ou a outros tipos de acesso a rotas comerciais tenderiam a ser mais ricas, por exemplo, porque teriam um comércio bem mais forte)
- além da oferta monetária, o crescimento do comércio também provocava aumento da demanda por moedas. Como o processo de fabricação de moedas era bem mais demorado que hoje em dia (cada moeda era cunhada individualmente, martelando-se uma chapa do metal que formaria a moeda entre 2 "carimbos", um para o verso e outro para o anverso da moeda, e havia vários trabalhadores envolvidos na produção: o moedeiro em si, o cortador de chapas, o cara que fazia as chapas, o fiscal da qualidade das peças produzidas, etc.), também surgiu a necessidade de moedas de maior valor (moedas de ouro ou de prata maiores, com mais metal, etc.) para que fosse conveniente carregar quantias maiores de riqueza na estrada e também para comprar bens mais caros (terras, casas, jóias) com menos moedas, para ser mais prático.
- Como uma coisa puxa a outra, o aumento do uso do dinheiro fez surgir uma necessidade também crescente por moedas de baixo valor, que eram chamadas de "moedas de esmola", "meios- denários", "óbolos" (lembram da parábola d'O óbolo da viúva?) ou "moedas negras" (como eram feitas de cobre, logo ficavam escuras - o cobre oxida em contato com o ar atmosférico) e eram usadas para as pequenas despesas do dia-a-dia (o autor do livro menciona que uma moeda de cobre era o preço de 1 pão em muitas cidades na época) e também para literalmente dar esmolas (o rei São Luís, da França, foi um célebre distribuidor de parisis - o "denário da esmola")
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| um exemplar da moeda "Parisis" - o denário da esmola |
- as moedas recebiam o selo da autoridade local. O selo era uma prova de que a moeda era verdadeira e que seu teor de metal precioso era o definido em lei, e por isso uma moeda teria um valor intrínseco superior ao valor do metal precioso nela contido (até porque a oficina moedeira tinha que ter lucro, e no caso do rei era daí que vinha a "senhoriagem", que era a diferença entre o valor de face da moeda e o valor do metal nela contido - esta diferença é até hoje uma das fontes de receita pública)
- Nem sempre o rei tinha o monopólio da emissão de moedas - às vezes essa autorização era vendida para oficinas particulares, ou era delegada a nobres, de modo que cada condado/ducado/feudo/cantão poderia ter sua própria moeda em algumas nações europeias - isso por um lado dificultava um pouco o comércio entre nações, por conta da variação cambial (provavelmente o câmbio devia ser 100% baseado no peso das moedas, mas o teor de metal precioso devia variar bastante entre as moedas de cada local, de modo que podia haver distorções caso o comerciante não conhecesse o da moeda que estivesse avaliando na hora. - talvez houvesse moedas que não eram bem aceitas em determinados locais, por exemplo)
- além das moedas, também eram usados como forma de pagamento lingotes de metais preciosos (principalmente de prata). Tais lingotes também recebiam selos de autoridades que atestavam seu teor de pureza.
- Obviamente, falsificações já existiam, e além das moedas falsas, as pessoas encontravam outros jeitinhos de burlar a lei: cortavam ou limavam as bordas das moedas para ir juntando os pedaços e eventualmente derrete-los e usar o metal para fabricar outras moedas ou lingotes; ou juntar todas as moedas em um saquinho e ficar agitando o saco para que o atrito entre uma moeda e outra funcionasse como uma lima, acumulando o pozinho de ouro ou prata no fundo do saco até que valesse a pena derreter o pó acumulado e transformá-lo em um lingote ou em outra moeda. Essas malandragens explicam ao menos em parte o porquê da maioria das moedas medievais que sobreviveram até os dias de hoje estarem tão danificadas. Aliás, é por causa deste golpe de limar ou cortar as bordas das moedas que até hoje elas têm bordas serrilhadas ou com alguma marca, mesmo que não sejam mais de ouro ou prata.
A título de curiosidade, a última moeda de prata que circulou no Brasil foi a de 5.000 réis, de 1936, que tinha o rosto de Santos Dumont no verso e uma asa aberta no anverso. Ou seja, historicamente falando, não faz tanto tempo assim que deixamos de usar moedas de verdade - moedas de metais preciosos.
E vocês, caros leitores, o que acham do assunto? Gostam de Numismática? Gostam de História? Eu gosto de estudar estes detalhes da vida cotidiana da humanidade de outros tempos. Ajuda a entender algumas coisas de hoje em dia, além de nos dar perspectiva do longo caminho percorrido para chegarmos até aqui.
Se souberem de alguma outra curiosidade sobre o dinheiro na idade média, comentem aí!
Forte abraço, fiquem com Deus!
segunda-feira, 20 de julho de 2020
A busca pelo milhão deveria ser uma busca por valor e não por dinheiro
Nos tempos de taxa Selic a mais de 14%, havia quem pensasse ser capaz de viver sem precisar trabalhar tendo um milhão investidos em renda fixa, mas mesmo naquela época (2016) isso ainda era muito arriscado, pois a inflação alta camuflava o rendimento real, que era bastante abaixo dos 14% nominais, de modo que sacar os rendimentos deste milhão aplicado em uma renda fixa, por exemplo, só faria corroer mais depressa o valor do principal. Sacar menos do que os juros auferidos era obviamente uma opção melhor, mas ainda arriscada para quem almejasse parar de trabalhar. Com o tempo, a inflação poderia corroer o valor do principal, e caso vivamos um caso extremo como o da Alemanha do pós-guerra, este investidor que até então havia "atingido" a IF se tornaria um "mendigo milionário".
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| Não é exagero! |
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| Nota de 500 milhões de marcos alemães, de 1923, provando que todo mundo era multimilionário na Alemanha pós-Grande Guerra!! É um pouco difícil de ler, mas realmente está escrito Fünfhundert millionen Mark |
Vejam em números o massacre do Real pela inflação: conforme a calculadora do cidadão, disponível no site do Banco Central, 1 milhão de reais do início do Plano Real (1994) equivalem a mais de 6 milhões de reais atualmente:
O Real perdeu muito valor desde seu início. Temos que multiplicar o milhão de reais por 6 só para empatar com seu poder de compra original. Até mesmo olhando para o passado recente a perda é chocante. Vejam quanto precisamos ter hoje em dia para empatar o poder aquisitivo de 1 milhão de reais de 2016, época da SELIC a 14,25%, na qual havia quem acreditasse poder viver com a renda desse milhão:
Precisaríamos ter quase 200 mil reais a mais só para manter o poder de compra, quase um quinto do valor. Quem tinha 1 milhão e aplicou na renda fixa e passou a viver dos juros provavelmente perdeu dinheiro, no sentido de perder poder aquisitivo.
Será que algum dia seremos capazes de desfazer este massacre financeiro? Será que algum dia o Real prosperará e se tornará uma moeda forte?
Só o tempo dirá.
Enquanto isso, os números incríveis de nossa inflação mostram que ao contrário de outras épocas, em que o dinheiro tinha lastro, ou seja, tinha valor intrínseco (moedas de ouro e prata, certificados de depósito de ouro, etc.) não é tão bom negócio juntar dinheiro. Óbvio que precisamos de dinheiro no dia a dia para trocarmos por bens e serviços, e conforme já expliquei no post anterior, é inegável a importância de se ter uma reserva de emergência de pronto uso, então algum dinheiro é bom sempre termos. Esses tempos histéricos da pandemia, repletos de desmandos e arbitrariedades estatais e de empresas mancomunadas com o Estado, reafirmaram a importância da reserva de emergência.
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| Certificado de Ouro - Está escrito: 100 dólares EM MOEDAS DE OURO pagáveis ao portador sob demanda |
Porém, o ideal é que, após constituída a reserva de emergência, comecemos a diversificar nosso patrimônio de modo que ele tenha mais valor do que dinheiro, porque o que tem valor é sempre ou quase sempre protegido contra a inflação.
Onde encontraremos valor? Onde compramos valor? Resposta: Comprando ações de boas empresas (fundamentos sólidos, vários anos seguidos de lucros, com dívidas equilibradas ou sem dívidas, com boa participação no mercado, etc.), comprando cotas de bons fundos imobiliários (bem geridos, com imóveis bem localizados, bons imóveis, de preferência com mais de um imóvel, etc.), comprando bons imóveis (bem localizados, sem problemas judiciais) e comprando bens que tenham valor (metais preciosos, jóias, moedas, obras de arte, terrenos bem localizados e férteis, etc).
Porém, há uma outra diversificação ainda mais importante, e que deve ser feita todo dia, em qualquer época: a diversificação de conhecimentos e habilidades, ou seja, o investimento em você mesmo. Aumente o seu valor. Estude além do que é necessário para desempenhar sua profissão, estude para melhorar seu desempenho nela e tornar-se uma referência, pelo menos entre seus colegas. Estude e pratique outras atividades fora de sua profissão para ser versátil, primeiramente como hobbies - e quem sabe elas não podem acabar virando outras fontes de renda? Quem sabe elas não possam um dia se tornar sua principal fonte de renda? Quem sabe elas não te salvam de uma enrascada, como ser demitido?
Além disso, nunca deixe de ler ou estudar certos assuntos só porque supostamente "não há mercado" para tais conhecimentos - aumente sua cultura, leia os clássicos da literatura, estude outros idiomas além do inglês, produza algum tipo de arte, etc. Tudo isso contribuirá, no mínimo, para aumentar sua confiança em si mesmo e para expandir sua criatividade, e estas são coisas das quais você nunca se arrependerá, e também aumentarão seu valor como pessoa. Hoje em dia é possível encontrar tantos bons livros de graça ou quase de graça, assim como inúmeros tutoriais de uma infinidade de assuntos no YouTube, em fóruns especializados, cursos on line de praticamente qualquer assunto, e por aí vai. Nunca deixe de investir em você mesmo. Não viva para juntar dinheiro, viva para melhorar a si mesmo e para melhorar a vida dos que estão à sua volta, fazendo sempre o bem.
Forte abraço! Fiquem com Deus!
terça-feira, 9 de julho de 2019
Mais sobre o padrão-ouro: os mecanismos da Deflação
Retomando o assunto do padrão ouro, do qual sou entusiasta, como já disse.

Vamos explorar um pouco mais a questão da diminuição dos preços da economia (deflação), a qual seria uma consequência bastante provável no caso da adoção de um padrão ouro no país.
(Cabe ressaltar que a probabilidade de deflação aumentaria ainda mais com a eventual abolição do salário mínimo (ou seja, se deixássemos o mercado ditar o "salário mínimo", e não uma lei) - esta questão abordarei em outro artigo).
Pode ser que com uma eventual volta do padrão ouro, talvez ocorresse uma "febre do ouro", aumentando o ritmo das atividades de mineração, por exemplo, expandindo a oferta. Tal aumento da oferta do metal, se chegasse a se tornar excessivo, faria seu preço diminuir de modo a tornar proibitivo o custo de mineração, desestimulando novos aumentos da oferta, reestabilizando o preço e suavizando a curva de evolução da oferta de ouro para patamares mais, digamos, aceitáveis.
A possibilidade de deflação se encontra na razão entre a variação da oferta de ouro (que seria igual à oferta monetária desta nova economia) e a taxa de crescimento da economia. Se a oferta de ouro crescesse no mesmo ritmo que a economia, os preços se manteriam bastante estáveis (e a economia provavelmente estaria crescendo bem devagar). Se a oferta de ouro crescesse num ritmo mais lento que a economia (o que é de se esperar, dado que, até onde sabemos, o ouro é um metal raro), os preços em geral tenderiam a diminuir, porque com o crescimento da oferta de bens e serviços, o ouro se tornaria relativamente mais escasso frente à produção total da economia. Em outras palavras, a mesma quantidade de ouro compraria um número maior de bens e serviços, porque estes estão se tornando mais abundantes mais rapidamente do que aquele. Vejam que "ouro" neste texto não deve ser necessariamente entendido em sentido literal: basta que o lastro da moeda seja um bem suficientemente escasso, com oferta inelástica (ou quase inelástica), de uso aceito pela sociedade e que dê confiança. Podem ser diamantes, rubis, prata, platina, ródio, paládio, ou até mesmo uma cesta destes e vários outros bens dotados das características mencionadas e que cumpram as três funções da moeda (unidade de conta, reserva de valor e meio de troca). O ruim é a moeda fiduciária (sem valor intrínseco, ou seja, o valor é mera questão de fé e confiança), que é o caso de praticamente todas (senão todas) as moedas do mundo atual.
| Vejam como o Real está sendo destruído pela inflação. Como isso pode estar certo? |
Conforme disse em meu outro post sobre padrão-ouro, as consequências disso para quem poupa seu dinheiro seriam ótimas: até o dinheiro guardado em casa seria um investimento pois a deflação faria com que ele se valorizasse em relação aos bens cotados em ouro. Sendo assim, até mesmo se você guardasse regularmente uma parte do seu dinheiro "num colchão", sua velhice estaria paga, pois 50 anos depois uma moeda teria seu valor multiplicado pela deflação. Bastaria poupar para ter um bom patrimônio e se aposentar sem ter que pensar em aplicações financeiras complicadas. Cada moeda estaria valendo mais, fora qualquer renda passiva que se conseguisse. Isso dá ensejo a mais um argumento favorável ao padrão-ouro: o incentivo à poupança. Tal incentivo traz como benefício o aumento do estoque de dinheiro disponível para empréstimos, o que torna o custo de tais empréstimos mais barato, ou seja, juros mais baixos. A consequência de juros mais baixos é o aumento dos investimentos (o que em economia tem um significado diferente do mundo das finanças; em "economês" investimento significa compra de capital, ou seja, aquisição de máquinas, equipamentos, fábricas, ferramentas, etc., ou seja, aquisição de bens produtivos com finalidade empreendedora). O aumento dos investimentos, por sua vez, gera mais empregos (mais fábricas significa no mínimo maior demanda por pessoas para vender, transportar, entregar, supervisionar a produção, controlar a qualidade, fazer marketing, etc.) e aumenta a produção, o que por sua vez aumenta a oferta do bem fabricado, o que contribui para reduzir sua escassez e, consequentemente, diminuir seu preço - mais bens para uma quantidade estável de moeda, ou seja, cada unidade monetária adquire uma quantidade cada vez maior de bens. Viram como uma moeda com lastro (ou pelo menos uma moeda de oferta inelástica) pode, ajudar a criar ciclos virtuosos que beneficiam toda a sociedade, sem a necessidade de nenhum plano econômico mirabolante ou produtos financeiros complicados? Uma economia saudável gera preços decrescentes, que contribuem para diminuir o custo de vida, o que por sua vez contribui para aumentar a liberdade econômica dos indivíduos. A deflação, na forma como a descrevi acima, é algo bom e desejável.

Mas, por incrível que pareça, o que é ensinado por aí é bem diferente.
Na minha pós-graduação (que tive que fazer por causa do trabalho, há dois anos...), eu tive uma cadeira de economia, e o professor dizia que a deflação era uma coisa ruim (me parece uma ideia keynesiana, uma vez que nesta teoria a inflação é que é vista como uma coisa boa para a economia... vai entender). A explicação dada por ele era a seguinte: em um cenário deflacionista, a economia desaceleraria com a queda do consumo, porque todo mundo iria esperar os preços diminuírem para consumir. Na minha humilde opinião, tal pensamento é no máximo meio certo. De fato o consumo de alguns produtos supérfluos diminuiria porque algumas pessoas esperariam alguma diminuição do preço para consumir, mas isso não iria zerar o consumo! As pessoas não param de consumir só porque sabem que os preços vão diminuir. Notem que isso já poderia acontecer hoje em dia: todo mundo sabe que o preço do iPhone XR, vai diminuir quando o iPhone 11 for lançado. Segundo o raciocínio de quem acha que a deflação é ruim, ninguém compraria o iPhone XR porque sabe que ano que vem será lançado o iPhone 11. É isso o que observamos na realidade? Claro que não! E estamos falando de bens supérfluos. Algumas pessoas podem até esperar o preço abaixar, mas o consumo estará longe de ser zero. Em relação aos bens normais, principalmente os de primeira necessidade, este argumento contra a deflação se torna ainda mais esdrúxulo. Pensem no arroz. Só porque eu sei que daqui a um mês o arroz vai ficar mais barato, eu vou deixar de comer arroz hoje? Claro que não! Em relação a bens de primeira necessidade, mesmo num cenário de deflação o consumo seria quase inalterado. Não vejo cabimento na teoria de que as pessoas adiariam o consumo de alimentos e remédios para esperar mais uma queda nos preços. O consumo de bens normais continuaria, digamos, normal. Sinceramente, não sei como o professor não pensou em como o argumento que ele usou era fraco. Talvez ele só tenha ouvido na época em que fez a faculdade dele e agora repete, que nem um papagaio.
Sei que hoje em dia uma moeda com lastro parece um sonho distante, principalmente com lastro em metais preciosos, mas sonhar não custa nada... Quem sabe o mundo, um dia, não desperte da ilusão que é o dinheiro fiduciário...
Forte abraço!



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