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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Quais as ferramentas mínimas necessárias para morar sozinho?

Saudações,  confraria!

Imagino que muitos leitores do meu blog e da finansfera em geral sejam jovens universitários (ou talvez até do ensino médio, se é que adolescentes ainda leem blogs, hoje em dia)  que ainda moram com os pais, ou jovens adultos que trabalham mas que ainda não saíram da casa dos pais. Posso estar enganado e talvez não haja ninguém desse perfil me lendo, mas de qualquer forma escrevi este post pensando neste público. 

Elaborei a lista abaixo com itens que considero de "necessidade universal" para qualquer pessoa que more sozinha ou casada. 

Usei somente minha própria experiência e o bom-senso (tão em falta hoje em dia...) para elaborar esta lista. 

Talvez com este post eu ajude alguém que esteja prestes a morar sozinho a se situar um pouco neste momento de mudança de vida (ou não,  vai ver que todo mundo que me lê já está com essa parte da vida resolvida, mas aí pelo menos acho um assunto legal para conversar). 

Óbvio que minha lista não esgota todas as necessidades, são só algumas delas, e o foco aqui são ferramentas e pequenos utensílios para fazer os trabalhos domésticos. Não vou falar de eletrodomésticos, nem nada disso. Só coisas manuais mesmo, pessoal.

Sem mais delongas, segue a lista:

-  Dois baldes (um para deixar panos de molho e outro para limpar a casa);

- uma vassoura e um rodo (se puder ter um mop também ajuda)

- Uma escada dobrável (que te permita alcançar o teto);

- uma trena de pelo menos 3 metros (é importante conseguir tirar medidas das coisas em nossas casas, para comprar móveis e organizá-los)

- uma chave de fenda

- 3 chaves philips (uma "pequena", uma "média" e uma "grande", mas se achar caro ou não quiser ter três, tenha pelo menos a média) - a maior parte dos parafusos de móveis hoje em dia são do tipo philips, por isso julgo que esse tipo de chave é mais importante que a chave de fenda (OBS: para quem não sabe: o parafuso tipo "philips" é aquele com a fenda em forma de cruz, e a chave "philips" é aquela que encaixa nesse parafuso)

- um martelo "comum" (também chamam de "martelo de unha", é aquele normal, que nem o da foto abaixo)


- um alicate universal (o alicate mais comum)

- uma alicate tipo "bomba d'água" ou um alicate de pressão, para mexer em canos (eu particularmente prefiro o alicate de pressão, por ser mais versátil)

- um rolo de fita "veda rosca" (para pequenos consertos hidráulicos)

- um rolo de fita isolante (quebra galho em várias situações)

- um rolo de barbante (idem)

- um rolo de arame (idem, e destaco seu uso para desentupir ralos)

- um tubo de cola tipo superbonder

- uma caixinha de durepox (para fazer pequenos reparos emergenciais em canos, paredes,  etc.)

- uma chave de boca (eu tenho uma chave dessas que é regulável, que alcança várias medidas, mas em compensação o aperto da boca não é tão "firme") (OBS: para quem não sabe, a chave de boca é aquela usada para apertar porcas)

- uma furadeira (acho melhor uma furadeira que possa funcionar também como aparafusadeira do que só uma aparafusadeira, mas aí é de cada um...)

- uma ou duas tesouras de tamanho médio ou grande (sem ser tesoura de unha ou tesoura escolar)


Para a cozinha, julgo que o mínimo necessário são estes utensílios:

- o "faqueiro" mínimo para a cozinha seriam três facas: um facão para carne, um médio para limpar filés de frango e uma faca pequena para legumes e frutas;

- uma escumadeira;

- um garfo grande de 2 pontas, para espetar carne;

- um funil (eu uso um funil para jogar fora o óleo de cozinha usado, despejando-o numa garrafa pet vazia. Se jogar o óleo usado direto no ralo da pia da cozinha, ele vai entupir à medida que o óleo for incrustando nos canos, e aí você vai ter muita dor  de cabeça);

- duas tábuas:  uma para cortar carne e outra para legumes e verduras (não é bom misturar essas coisas, pois você corre o risco de "contaminação cruzada" se o sangue da carne entrar em contato com legumes e verduras que você cortar)

- uma colher grande de madeira (para mexer arroz)

- uma ou duas espátulas, de silicone ou de madeira ou de metal (não compre espátula de plástico)

E, fugindo um pouco do foco do post (que é  o mínimo para se ter em casa), para aqueles que gostam de fazer alguns consertos simples em casa por conta própria:

- uma bancada simples de trabalho (pode ser uma mesa velha de madeira, mas que esteja firme)

- um arco de serra

- um nível (daqueles de bolhas)

- um esquadro

- uma espátula (eu uso para raspar excesso de gesso, de massa, etc. da parede, e também para aplainar)

- um alicate de bico fino

- pelo menos dois ou três grampos tipo "C" (também chamados de "sargentos") - para prender tábuas ou outros objetos que se deseje consertar/trabalhar na bancada

- uma morsa de bancada (o tamanho da morsa depende de que tipo de trabalho você pretende fazer)

- um martelo de borracha (para usar em superfícies que poderiam ficar marcadas, deformadas ou quebradas caso fosse usado um martelo de metal, como pisos, azulejos, paredes de gesso, superfícies de madeira já com acabamento, etc.) - por exemplo, eu uso para ajudar a encaixar buchas de parafusos em paredes de gesso

- um tubo de silicone líquido para vedar janelas


Pela minha experiência, para quem não ganha a vida com marcenaria, carpintaria,  etc. a marca das ferramentas não faz muita diferença, e tem várias boas a preços acessíveis (conheço Stanley, Bolder, Tramontina, Excel, Corneta, mas tem várias), então é só evitar aquelas que sejam visivelmente de má qualidade.

Eu não sei quanto a vocês,  mas eu sou do tipo que gosta de fazer esses pequenos trabalhos manuais. 

Alguns desses trabalhos, embora possam por vezes ser frustrantes, são também de certa forma terapêuticos, e acho que fazendo estas pequenas coisas ganhamos mais do que o dinheiro que economizamos  ao não precisar contratar alguém para faze-las por  nós. Ganhamos um pouco de confiança e de satisfação pessoal, porque todo homem gosta de ser e de se sentir útil  e também de fazer coisas concretas.

Não é grande coisa, mas, por exemplo: fui eu que coloquei os varões das cortinas na minha casa - não ficaram perfeitos que nem um profissional faria, mas dão pro gasto e foi satisfatório eu mesmo tê-los instalado. Instalei os varões das cortinas na casa de um parente também. Já instalei algumas prateleiras, na minha casa e na de parentes também. Nada disso ficou perfeito, mas ficou bom.

Eu troquei a torneira da pia da minha cozinha quando ela quebrou. Já troquei alguns canos também. Aprendi vendo tutoriais no YouTube. Não me tornei um bombeiro hidráulico, mas aprendi uma coisa ou outra.

Quando me mudei para cá, já havia um armário planejado na cozinha, sendo que a parte de cima estava boa (e uso até hoje) e a de baixo estava podre e inchada (por conta de um vazamento). Eu que desmontei a parte de baixo do armário, e separei algumas tábuas boas para usar em outras coisas, e guardei todos os parafusos,  porcas, dobradiças e puxadores que estavam em bom estado. Os parafusos e dobradiças tenho até hoje, vou usando conforme a necessidade. Dos puxadores usei o último só recentemente (moro aqui há 5 anos). 

Alguns móveis fui eu que montei -  só contratei montador para aqueles que exigiriam muitas horas de trabalho (para mim, porque um montador profissional monta um guarda-roupa em uma hora ou menos, e eu demoraria umas 4 ou 5 horas).

E ainda pretendo aprender pelo menos o básico de eletricidade e mais um pouco de hidráulica, para ampliar as coisas que posso fazer por conta própria.

Enfim, confrades, este é um assunto que eu gosto de conversar, e... quem sabe? Talvez um dia eu possa virar um autônomo dessas áreas,  ou ganhar uma grana extra de vez em quando. 

O que acham deste assunto? Também sabem fazer estas coisas? Têm alguma área de interesse? Têm algum item a acrescentar à lista acima?

Forte abraço!

Fiquem com Deus!





quinta-feira, 18 de novembro de 2021

No Brasil não é normal darem descontos


Percebam que  aqui no Brasil, por alguma razão (impostos? Inflação? Margem de lucro mais alta? Não sei, mas provavelmente uma mistura destes e de outros fatores que não identifiquei) as empresas raramente dão descontos e, quando isso acontece, nunca é que nem nos EUA, em que se pode pegar cupons de desconto em jornais, revistas e até na internet e se consegue comprar coisas até de graça, por conta de vários descontos acumulados.

O desconto mais comum de se achar, e mesmo assim não é em todo lugar, são aqueles 10% para pagamentos à vista (e tem lojas que só dão 5% quando o pagamento é  no débito e só dão  os 10% se for no dinheiro e, hoje em dia, no pix). Geralmente se consegue este tipo de desconto em lojas menores ou de atendimento mais personalizado que dependa de um vendedor. Lojas grandes, como as Americanas, Casa e Vídeo, etc. nunca dão esse desconto, pois o atendimento é impessoal, então não tem como.

Outra característica do comércio brasileiro: quando dão descontos,  eles nunca ou quase nunca acumulam. Por exemplo, se você chegar na loja com um (raro) cupom promocional, provavelmente não conseguirá os 10% que teria se pagasse a vista, e se negociar os 10% a vista, provavelmente o cupom não será utilizado. E geralmente os cupons têm prazos bem curtos, e às vezes vem nas letras miúdas  que eles não são aceitos em todas as filiais da empresa. Pelo menos na minha experiência, sempre foi assim. Não sei como é em outros lugares do Brasil, mas onde moro é assim.

Vou relatar aqui algumas promoções esdrúxulas que vi por aí ou recebi, para ilustrar meu argumento:

 - vi o Shopee (aquela loja das propagandas horrorosas - aliás, quase todas as propagandas são horríveis hoje em dia) oferecendo  50% de desconto em compras, só que limitados a 10 reais (vi num anúncio no youtube)... ou seja, estão dando no máximo 10 reais de desconto e a propaganda diz 50% só pra chamar atenção.

- em uma loja de móveis  onde comprei um armário, veio de brinde um cartão de desconto de 20 reais, mas que só valia por 7 dias e não podia ser usado para abater o valor do frete, só no preço do móvel mesmo, e ainda vinha com uma cartinha da empresa falando de como a empresa era boa e quase uma família. Aham...

- o pseudo desconto da Cacau Show - aquelas barrinhas de chocolate de 20g custavam 2,90 ou 2,70 dependendo do recheio (ou seja, já eram caras). Agora o preço aumentou para R$ 3,30, mas se você for cadastrado na loja, você  ganha um desconto e elas passam a custar R$2,90 ou R$2,70, dependendo do recheio... ou seja, o mesmo preço de antes. Eles aumentaram o preço para incentivar as pessoas a se cadastrarem. Não gosto de me cadastrar em empresas  então simplesmente parei de comprar. 

Iinfelizmente, acredito que a tendência seja eventualmente todas as empresas passarem a ter cadastro de clientes, mas sinceramente acho que os descontos que dão são muito baixos para que eu aceite prostituir vender meus dados. Vejo que as lojas americanas estão indo pelo mesmo caminho, oferecendo alguns descontos só para clientes cadastrados no "Ame". Pode ser que no futuro só haja descontos se você for cadastrado em alguma plataforma ou use algum serviço desses. E mesmo assim, como no caso da Cacau Show, não são descontos de verdade: eles simplesmente aumentam o preço e cobram o preço antigo para quem tem cadastro. Mais uma tática suja.

- Há muitos restaurantes com cartão fidelidade que tem prazo de validade - perto de onde trabalho tem vários assim, com a validade do cartão bem pequena. Não sei se isso é negociável e se é possível ganhar o desconto se você passar 1 dia ou 2 da validade, mas mesmo assim acho que poderiam não ter prazo.

Acredito que essas coisas aconteçam porque o Brasil é um país muito inflacionário, de modo que a diferença de poder de compra de um ano para o outro já é notável. 

No fundo é uma estratégia de sobrevivência (se boa ou não, aí já é outra história):  maximizar a receita cobrando preços altos, ao invés de tentar vender barato e ganhar no volume de vendas. Pelo menos aqui no Brasil me parece que o padrão é esse. O problema é que os clientes em geral aceitam pagar caro! Não deveríamos aceitar. Tem muito preço que  é alto porque as empresas sabem que as pessoas vão pagar de qualquer jeito, mesmo sendo coisas supérfluas. Isso é outro aspecto de nossa cultura que precisa mudar...

O que acham, confrades?


Fiquem com Deus!

domingo, 10 de outubro de 2021

Sobre os míticos "13 reais" e o mindset da miséria

Saudações, confraria da blogosfera das finanças!


Um assunto que volta e meia vem a tona é a questão de economizar com as pequenas coisas do dia a dia e se isso faz diferença ou não no patrimônio e na capacidade de aporte de uma pessoa. Uma postagem recente foi esta, do blog Viver sem Pressa. Eu concordo com a postagem. 

Hoje em dia está mesmo "na moda" criticar as pequenas economias que as pessoas fazem (não à toa é comum vermos a expressão "sem cortar o cafezinho" em vídeos da "finansfera do youtube" e em outras blogosferas voltadas a outros assuntos).


Na comunidade do Bastter, por exemplo, há uma crítica muito forte ao que chamam de "mindset da miséria" e usam muito o exemplo dos  "13 reais" para ilustrar pequenas economias que não valem o esforço necessário para obtê-las.

Eu gosto muito do Bastter, sou assinante do site dele, e acho que ele distribui muitas redpills financeiras. A principal, na minha opinião, é a de quitar as dívidas antes de investir - eu não teria quitado o financiamento do meu apartamento se não tivesse conhecido o site e lido os materiais dele na época que li, e sou grato por ter tido contato com estas ideias, que já contribuíram para me tornar um pouco mais livre do que eu era antes.  

Mas não concordo com tudo o que o Bastter diz em seu site, e uma das minhas discordâncias é que, na minha opinião, eles criticam demais as pequenas economias. A impressão que eu tenho é que praticamente qualquer pequena economia que se faça será taxada como "mindset da miséria" e dirão que "ah, isso é esforço demais para economizar 13 reais". 

Eu particularmente acho que tudo é uma questão de como está a situação financeira de cada pessoa, suas condições de trabalho, se tem suporte da família, se sustenta uma família sozinho, e por aí vai. 

Há uma época para tudo. 

Sendo assim, existem épocas na vida da pessoa em que ela pode ter que se preocupar, sim, com os pequenos gastos e em formas de economizar um pouquinho aqui, um pouquinho ali, uns poucos reais ou centavos em pequenas coisas que acabam, no conjunto da obra, fazendo a diferença no fim do mês. Isso geralmente é necessário quando a pessoa ganha pouco ou está passando por dificuldades financeiras por um motivo qualquer.

Por outro lado, quando a pessoa está de certa forma estabelecida financeiramente (tem uma reserva, ganha um salário ou rendimentos de negócio que permitam viver sem se preocupar com entrar no cheque especial ou pedir empréstimos, etc.) em que realmente pode ser bobagem ficar controlando pequenos detalhes dos gastos (por conta do tempo perdido e da energia gasta fazendo estas coisas).


De qualquer maneira, acredito que independente da situação de cada um, sempre é válido fazer economias inteligentes - economias que fazem alguma diferença e que não exijam grandes sacrifícios da pessoa. Como foi escrito no Viver sem Pressa, "de moeda em moeda o dinheiro se multiplica".

Uma coisa é o mindset da miséria, que eu interpreto como sendo:

- excesso de avareza (deixar que o dinheiro controle tudo na sua vida, deixar de fazer coisas boas por não querer gastar dinheiro, mesmo podendo gastar sem passar por apertos); 

- brigar por centavos ou poucos reais em compras (armar confusão no caixa do mercado porque um produto passou com um preço diferente do da etiqueta, por exemplo); e

- "economia burra" como, por exemplo, dirigir 20km para ir em um atacadão e comprar determinado produto por R$ 18,00 ao invés de ir no mercadinho do lado de casa e pagar R$ 23,00 (sendo que você provavelmente gastou mais do que a diferença em gasolina).

Agora, outra coisa é a Economia Inteligente. Se você economizar de forma inteligente em várias pequenas coisas,  você não vai se sacrificar e isso acaba fazendo a diferença depois (e aqui vou usar como exemplo os famigerados 13 reais, sempre que possível) :

- uma pessoa que tem o hábito de todo dia passar em uma dessas cafeterias gourmet (starbucks, california coffee, etc), se simplesmente deixar de ir vai economizar R$ 13,00 por dia (preço de um café mocha médio qualquer) o que em um ano representa uma economia de R$ 3.276,00 (considerando 252 dias úteis), praticamente 3 salários mínimos, o que é considerável e não deveria ser desprezado.



- no supermercado, deixar de comprar alguns produtos supérfluos (digamos, não comprar biscoitos recheados) ou escolher marcas mais baratas em produtos em que a marca não faz tanta diferença assim (eu, por exemplo, sempre compro a água sanitária mais barata que tiver porque não vejo diferença nenhuma entre as marcas) ou comprar embalagens econômicas de produtos não perecíveis ou de validade longa (por exemplo, comprar pacotes de 2kg ou 5kg de sabão em pó ao invés de pacotinhos de 400g ou 500g).

- Se você almoça fora todos os dias por conta do trabalho, se der um jeito de economizar 13 reais (gastando 13 reais a menos do que gastaria, caso não prestasse atenção nisso), você economizaria R$3.146,00 por ano, considerando 22 dias úteis e um ano de 11 meses (1 mês de férias). Também não é algo a ser desprezado. Claro que este exemplo só é válido para quem gasta rotineiramente R$ 30 ou mais no almoço, e também só é válido se você ainda conseguir comer saudavelmente, pois não adianta economizar no almoço e passar fome ou só comer porcarias baratas, pois o preço será pago com sua saúde, que vale muito mais que qualquer dinheiro do mundo. Mas, creio que só de não tomar refrigerante e não comer sobremesa já dá uma boa economia na hora do almoço e, mais importante, uma economia saudável.


Estes foram somente alguns exemplos. Certamente há mais formas de economias inteligentes que podemos fazer, sem sacrifícios e que nos ajudam a aumentar o patrimônio, e que não se enquadram no "mindset da miséria". Eu já tinha escrito estas e algumas outras neste meu post de 2019.

Eu entendo que há um limite para o quanto se pode economizar  no dia a dia (afinal, sempre existe um "custo mínimo de vida") e sei também que o ideal é sempre procurar formas de aumentar a renda (a melhor defesa é o ataque), mas nem sempre é possível aumentar a renda consistentemente, e também há um limite de bicos que uma pessoa pode fazer, e nem todo mundo tem capacidade ou talento ou energia para dar um jeito de aumentar a renda, então geralmente o que dá para fazer mesmo é tentar economizar nas pequenas e nas grandes coisas, conforme for possível. 

Um pouquinho aqui, um trocado ali, no longo prazo faz diferença, sim, quando somamos o resultado, tanto financeiro quanto psicológico (pelo menos eu me sinto bem em fazer alguma coisa para contribuir com minha jornada rumo à Tranquilidade Financeira)

Mas é importante ressaltar que isso só vai funcionar se você realmente guardar o dinheiro economizado e não gastá-lo com coisas supérfluas ou fúteis. Finja que gastou o dinheiro, e guarde-o na poupança mesmo, ou some-o ao aporte do mês.

Em suma: economizar 13 reais em uma compra só, uma vezinha só e depois nunca mais, não faz diferença para o patrimônio (exemplo: se você for comprar um notebook não faz diferença você pagar R$ 3.000,00 ou R$ 3013,00, porque é uma compra que é feita raramente). 

Mas, economizar sistematicamente 13 reais no dia-a-dia (exemplo: você ia todo dia no starbucks e comprava um café mocha de 13 reais, e então deixou de fazer isso, ou você gastava todo dia R$ 30 de almoço e passou a gastar R$ 17 por dia, em média) faz sim diferença, desde que aportemos estas economias ou as utilizemos em coisas mais úteis. 

E vocês, caros leitores e seguidores do blog, o que fazem para economizar no dia-a-dia? Acham que eu exagerei em alguma das minhas afirmações? Acham besteira cortar alguns gastos supérfluos do dia a dia?  Têm alguma outra dica de economia? Comentem aí!


Forte abraço!


Fiquem com Deus!


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

O aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico

Saudações, confrades.


Uma questão bastante importante e fundamental principalmente para os que estão começando a vida profissional e a "carreira" na busca pela IF ou pela TF é o Aporte (e sua frequência). 

O que mais importa no acúmulo de patrimônio é o aporte e sua consistência ao longo dos anos. Como geralmente ganhamos por mês, o ideal é que os aportes sejam mensais também. Mas, para que isso seja possível, é necessário que o aporte seja levado em conta na hora de montar o orçamento doméstico. Sem um bom planejamento dos gastos, uma família não sai do lugar. E na hora de planejar seus gastos, uma família precisa planejar também o aporte. 

O que eu vou escrever pode parecer óbvio, mas por incrível que pareça muitas pessoas com boas condições financeiras (bons salários ou boas rendas de negócios próprios) não seguem isso. Então não é tão óbvio assim.

O que quero dizer é que o aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico. 

Muitas pessoas não planejam seus gastos mensais considerando o aporte (umas por ignorância e outras, infelizmente, por ganharem valores que não tornam possível investir, como é o caso de muitos que ganham 1 (hum) salário mínimo) e por conta disso não conseguem economizar nada, ou então só economizam mesmo as migalhas que sobram no fim do mês (embora sejam melhor do que nada, tendo em vista que há muitas pessoas que nem conseguem economizar, essas migalhinhas não nos levam a lugar nenhum). 

Se uma pessoa com condições de economizar algum dinheiro todo mês não consegue fazer isso, então há algo de errado no orçamento e é necessário tomar alguma atitude, pelo bem de sua família. Afinal, mesmo que não invista no mercado financeiro (ninguém é obrigado a ter ações e nem FIIs), é ao menos necessário aportar na Reserva de Emergência (RE), para evitar cair no cheque especial ou ter que recorrer a um empréstimo para resolver algum problema, e problemas acontecem, às vezes aleatoriamente.

Uma coisa que atrapalha a vida de muita gente é o "deslumbramento" sentido quando se começa a ganhar dinheiro, o que acomete principalmente os mais jovens e de classe média, que geralmente não passaram por necessidades e por conta disso muitas vezes acabam não aprendendo a respeitar o dinheiro.

Vejam só o roteiro "padrão" de uma pessoa de classe média no começo de sua vida profissional:


Imaginem um jovem solteiro de uns 26-27 anos. O rapaz sai da faculdade e arruma um emprego "normal" em São Paulo (por normal quero dizer "de escritório", numa empresa "comum", que é o que geralmente se consegue numa cidade grande). Vamos supor que ele se dê muito bem e ingresse num programa de trainee executivo e ganhe um salário inicial de R$ 6.000,00 líquidos. Como ele está louco para ser independente e ter sua própria vida, ele vai morar sozinho e aluga um apartamento a uma distância razoável de onde trabalha, de modo que não gaste muito tempo com o deslocamento - só aí já vão no mínimo  R$800,00 (conforme minha pesquisa por apartamentos de 1 quarto com pelo menos 20m² e valor do condomínio incluído, em São Paulo, no site Viva Real - 800 reais foi o menor valor que encontrei no dia que fiz esta pesquisa, e provavelmente é em uma localização ruim de São Paulo, mas não sei, eu realmente não conheço bem a cidade). 

Como o jovem hipotético está ganhando bem, ele aproveita e compra um carro (de 40K), financiando sem entrada em 60 prestações - aí já vão mais R$ 1.000,00 do orçamento. Sobraram R$ 4.200,00 e deste valor ele ainda precisa tirar as compras em supermercado, gasolina, manutenções eventuais no carro, de vez em quando comprar roupas, e provavelmente gastará uma boa grana almoçando ou jantando em restaurantes (ou pedindo delivery) e saindo para bares, baladas, etc. (a noite em SP é cara, já dizia o sumido Pobretão). 

Vamos estimar os gastos mensais de nosso herói e pôr numa tabela (tudo estimado mesmo - se eu escrever algum absurdo comentem aí):

Gasto                                Valor      

Aluguel                       R$ 800,00                               
Prestação carro         R$ 1.000,00                              
Luz, água, gás, etc.     R$  600,00                                 
Gasolina                       R$ 800,00                                
Supermercado              R$ 800,00                                
Restaurante                  R$ 800,00                               
Saídas, lazer              R$ 1.200,00                               
Total                          R$ 6.000,00

E assim nosso jovem herói gasta todo mês todo o seu salário, e qualquer gasto que fuja desta programação (ex: uma multa de trânsito que ele leve no mesmo mês em que tiver que levar o carro na oficina) o fará entrar no cheque especial, um dos maiores destruidores de patrimônio que se conhece. 

Se nada de ruim lhe acontecer, ele provavelmente terminará seu primeiro ano de trabalho apenas com seu carro, nenhum patrimônio acumulado, e estará bastante acostumado com seu padrão de vida. 

Como não tem reservas financeiras, pode ser que ele viva preocupado com a possibilidade de não sobreviver ao programa de trainee e ser demitido. Felizmente para ele, seria relativamente fácil vender o carro para quitar pelo menos a maior parte da dívida do financiamento. E, caso seja demitido, ainda é fácil se recolocar no mercado por conta de sua tenra idade.

Vocês podem achar que algumas das estimativas acima não são razoáveis, que algumas estão muito caras ou muito baratas, e realmente é difícil estimar o orçamento doméstico de uma pessoa, ainda mais hipoteticamente, mas o que eu quis ilustrar com isso é que há muitas pessoas que, mesmo ganhando bem, estão financeiramente enrascadas, andando na corda bamba, no fio da navalha, etc. 

Esta é a realidade de muitos, ganhando bem ou ganhando mal. Não basta ganhar muito dinheiro: você pode acabar pobre e falido se não souber administrar bem a sua renda e se não considerar o aporte na hora de definir seu orçamento. 


Em nosso exemplo, o que o jovem trainee poderia fazer? Conforme já recomendei, ele poderia economizar pelo menos 25% de seu salário, o que daria R$ 1.250,00 por mês, para que em 3 ou 4 anos (dependendo do rendimento) tivesse aportado 1 ano de salário, o que lhe daria alguma segurança e maior tranquilidade, tranquilidade esta que poderia até mesmo melhorar seu rendimento no trabalho. 

Em um ano de trabalho ele conseguiria economizar 4 meses de salário, o que já é alguma coisa. Como se trata de um jovem solteiro, ele poderia poupar este dinheiro economizando no restaurante, em suas saídas,  usando menos o carro, maneirando nas compras do mercado, contratando um plano mais barato de celular e internet, etc. 

Para que isto fosse possível, ele deveria, desde o começo, ter considerado este aporte de 25% do salário em seu orçamento doméstico. Poderia fazer melhor ainda: tentar economizar um terço do salário (R$ 1.666,66), aportar os R$ 1.250,00 e usar os R$ 416,66 restantes para adiantar parcelas do financiamento de seu carro, para se livrar mais rapidamente da dívida e eventualmente liberar R$ 1.000,00 de seu orçamento. Neste caso, pode ser mais interessante aportar menos e adiantar mais parcelas. 

Ou melhor ainda: trocar o carro de R$ 40.000 por outro mais barato (mas infelizmente ainda existe uma exigência implícita de "status" em muitos locais de trabalho, principalmente empresas grandes, de modo que um trainee provavelmente seria mal visto se não tivesse carro ou se andasse em um carro muito barato - a não ser, claro, que tivesse uma boa desculpa, como morar perto do metrô e o trabalho ser próximo de uma estação do metrô - ou usar a carta da "ecologia" para justificar não ter um carro, se ele for bom de lábia).


Em suma: tem muita gente com bom potencial e que passa num programa de trainee de uma empresa grande e depois é efetivada ou passa em um concurso top e começa a ganhar R$ 10K ou mais por mês, mas aí acaba estruturando uma vida que custa R$ 9.999,00/mês, sem aportar, e por isso acaba nunca saindo do lugar e vive de mês em mês.


Forte abraço, companheiros de jornada!

Fiquem com Deus!



(O salário médio de trainee eu estimei com base neste site > https://sejatrainee.com.br/salario-dos-trainees/.)


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A importância de deixar uma herança para os filhos

 Saudações,  confrades!

Escrevi este post inspirado neste bizarro tweet do perfil bloomberg opinion:


Vejam que atitude destrutiva estes "analistas" estão incentivando (pelo menos na manchete): gastar quase todo o patrimônio em vida e não passar quase nada para os filhos, ao invés disso dar-lhes apenas "experiências".

(O texto linkado ao tweet não é tão sensacionalista quanto a manchete, lá pelo meio do artigo ele fala em "dar dinheiro aos poucos" aos filhos para evitar mordidas do imposto de renda, mas como a maioria das pessoas só vai ler a manchete, a ideia que vai ficar é a de "não passar herança, porque isso não faz mais sentido no mundo atual")

Claro que não é saudável ser um pai avarento que nunca dá nada pros filhos. Óbvio que faz parte da criação proporcionar (dentro das possibilidades de cada um) boas experiências, lições e conselhos que ajudem os filhos a se desenvolverem como pessoas, estas coisas valem, sim, mais do que dinheiro, mas daí para torrar a grana e passar zero (ou pior, passar uma dívida) para os filhos eu já acho um imenso e perigoso exagero.

Também sei que cada um é dono de seu patrimônio e portanto cada um decide o que for melhor para si nesta questão de deixar ou não uma herança pros filhos. Se uma pessoa decide que quer usufruir de seu patrimônio até o último centavo, e faz esta escolha livremente, aí é de cada um.

Como sempre, defendo o equilíbrio.

A herança serve para que no longo prazo a família desfrute de alguma segurança, para que possa aproveitar as oportunidades que surgirem (imóveis, negócios, etc.), para que possam se dedicar a coisas além do trabalho e de correr atrás do sustento. Uma família sem herança tem que começar "do zero" em cada geração, e dificilmente irá para a frente, provavelmente será pobre para sempre (até que surja um gênio empreendedor que alavanque o patrimônio da família, mas por definição isso é bem raro).

Por quê playboys e patricinhas têm a chance de ir para a faculdade estudar coisas como artes, teatro, etc., para as quais o mercado é mais duro e fazer um sucesso mediano é bastante difícil, ou se dedicar a pequenos negócios e atividades de retorno duvidoso, coisas que um filho de um pobre normalmente não poderia fazer? Porque eles têm um patrimônio familiar que lhes dá tranquilidade suficiente para não se preocuparem em necessariamente ter que se dedicar a atividades com retorno financeiro mais certo. Eles têm um "Continue" no jogo da vida. Se tudo der errado para a patricinha e a carreira de desenhista não der certo, sua família pode bancar uma faculdade de emprego mais fácil, como medicina, por exemplo, ou um mestrado/pós-graduação numa instituição de prestígio que lhe abra algumas portas no mundo corporativo - fora os contatos que os pais provavelmente têm. E se mesmo assim tudo der errado, os filhos dos ricos terão um grande patrimônio deixado de herança que os sustentará, mesmo que só consigam subempregos ou seus pequenos negócios só rendam lucros minúsculos.

(vejam que não estou criticando estas pessoas: se existe a patricinha, é porque alguém antes dela ralou e suou muito a camisa em um emprego ou negócio. Desta forma, não acho certo o haterismo que existe em cima de playboys e patricinhas só pelo fato de estes terem dinheiro)

Por quê o filho do pobre é obrigado a ter empregos "de verdade" e a colocar a mão na massa, muitas vezes em atividades insalubres e extenuantes? Por que ele não tem escolha. Ele "só tem munição para 1 tiro", e tem que acertar, então normalmente ele não pode tentar ganhar a vida como pintor de quadros, ou dançarino de balé clássico, ou cantor, etc. Quer dizer, ele pode sim tentar fazer essas coisas, mas só no tempo livre: ele precisa de um emprego (ou de um negócio) "normal", com uma renda mais estável, que lhe dê dinheiro para as necessidades básicas. Claro que também é possível um pobre prosperar nestas coisas, mas as chances são bastante pequenas.

Sendo assim, uma família pobre terá chances de sair da pobreza através do trabalho e do acúmulo de patrimônio. E este acúmulo de patrimônio através de gerações pode eventualmente acabar com a pobreza de uma família (e por "acabar com a pobreza" eu quero dizer permitir aos descendentes não se preocuparem mais em faltar dinheiro para pagar o aluguel, não se preocuparem em faltar dinheiro para comprar comida, etc. Ou seja, não estou falando de luxos, estou falando em satisfazer com mais segurança as necessidades dos níveis mais baixos da pirâmide de Maslow). Sendo assim, eu vejo a herança como uma coisa essencial e importante, algo que não pode ser negligenciado, nem tratado levianamente.

E o "sistema" (a "matrix", chamem do que quiserem) sempre nos incentivará a fazer o contrário disso: nos incentivará a gastar o máximo possível, inventará falsas necessidades, luxos desnecessários, nos estimulará a girar o patrimônio, pagar muitas taxas, muitas comissões, muitos impostos, etc., em suma, o sistema sempre tentará nos manter presos na corrida dos ratos. A manchete que mostrei no início do post é só mais um exemplo disso. Cabe a cada um de nós nos disciplinarmos e buscarmos o equilíbrio financeiro, para que um dia possamos desfrutar da tranquilidade financeira e, se Deus permitir, transmitir algo além de conselhos e experiências para os filhos.


domingo, 5 de julho de 2020

Sobre o padrão de vida e os "hiatos" da economia

O padrão de vida que uma pessoa pode ter, em termos materiais, é  determinado por sua renda. O erro que muitos cometem no mundo todo é querer gastar quase tudo, ou até mais, do que ganham. 

A lição óbvia (e imortal) das finanças pessoais: nunca gaste mais do que você ganha. Ela é óbvia e tão velha quanto o dinheiro, mas vemos todos os dias inúmeras pessoas que parecem ser incapazes de entender isso. Algumas por burrice, hedonismo, etc. e outras, infelizmente, por serem extremamente pobres e seus ganhos não cobrirem sequer os custos mínimos de vida. 

Para aqueles que podem, entretanto, é muito importante aplicar a velha lição e ajustar seu padrão de vida a ela.

Por exemplo, se você ganha um salário líquido (é o líquido que importa, porque é com ele que você se acostuma a viver no dia a dia) de R$ 4.000,00, você não pode ter um "padrão de vida de R$ 4.000,00". Você precisa ter um padrão de vida de R$ 3.000,00 ou menos. Eu diria que de R$3.500,00 no máximo, porque o aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico. 

No exemplo acima, ganhando 4K e guardando 1K, a cada 4 meses você guardaria 1 salário, ou seja, em um ano você  conseguiu guardar 3 salários, então mantendo este ritmo por 4 anos, você terá 1 ano de salário economizado (fora os juros), caso não tenha precisado sacar nada para cobrir algum problema, o que é uma reserva de emergência interessante, pois caso perca o emprego você aguentaria ficar 1 ano sem receber enquanto se requalifica e procura outro trabalho, e no meio tempo ainda vai poder fazer bicos para não consumir tanto da sua reserva (ifood, uber, qualquer bico honesto).  

Na verdade, se considerarmos um trabalhador em regime CLT, que tem o 13º salário, você conseguiria montar essa reserva em 3 anos, caso conseguisse economizar 100% do 13º. Vejam esta simples demonstração:

1º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 16K (4 salários)
2º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 32K (8 salários)
3º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 48K (12 salários)

Por isso eu recomendo a todos aqueles que puderem: guardem 100% do 13º salário (ou usem-no para pagar dívidas).

O exemplo do salário líquido de R$4.000,00 foi apenas para facilitar a conta. A matemática é o que importa: poupando 25% do salário mensal e 100% do 13º, consegue-se fazer em 3 anos uma reserva de emergência equivalente a 1 ano de salário, o que é muito bom para começar, pois dá uma relativa segurança ao trabalhador, diminui um pouco o medo de ser demitido e essa maior confiança pode resultar em um rendimento melhor no trabalho. Se o salário líquido é de R$2.000,00, então o padrão de vida desta pessoa deveria ser de R$1.500,00 para que ela possa guardar R$500,00 por mês (25%) e assim sua reserva no final de 3 anos seria de R$ 24K, o que equivale a 1 ano de salário.

E se a pessoa guardasse um terço do salário? É uma fração "cabalística" que eu já vi muito ser recomendada por aí. Vejamos ela aplicada no exemplo dos R$4K:

1º ano: R$ 1.333,33 *12 + R$4K (do 13º) = R$ 20K (5 salários)
2º ano: 40K (10 salários)
3º ano: R$ 60K (15 salários)

Ao final de 3 anos a pessoa que economizasse 1 terço do salário teria 15 salários guardados, e teria atingido a meta de 1 ano de salários na metade do segundo ano de economia.

Na minha opinião pessoal, essa reserva de emergência deveria ficar aplicada no ativo de renda fixa mais líquido possível, pois ela não tem o objetivo de render e dar ganhos de capital, mas de suprir emergências, salvar o trabalhador de apertos que surgem no cotidiano, como por exemplo uma consulta médica cara, a compra de um remédio caro, uma multa de trânsito, uma cota extra inesperada do condomínio, uma obra necessária para se fazer em casa, etc. que são gastos que fogem de nosso controle (exceto a multa, que temos algum grau de controle). Por isso, ao contrário do que "gurus" de finanças e analistas "especialistas" falam, eu recomendaria que pelo menos uma parte deste valor ficasse na poupança, e esta deve ser uma parte que a pessoa se sinta confortável e segura (por exemplo, 1 ou 2 salários líquidos, de modo que haja 1 ou 2 meses de "sobrevida" para pronto uso), e o restante aplicado em alguma renda fixa que possa ser sacada rapidamente em caso de emergências realmente sérias ou em caso de desemprego. A importância de algum pequeno valor ser deixado na poupança é a extrema liquidez da mesma: o valor pode ser transferido para a conta-corrente aos sábados, domingos e feriados, inclusive de madrugada, sem depender de intermediários, horários bancários, etc. o que pode te salvar de apertos.

Porém esse raciocínio não é possível de ser aplicado para muitas pessoas. Há uma certa faixa salarial na qual não é possível ter custos de vida que permitam poupar 25% ou mais do salário, talvez nem 10% (outra porcentagem "cabalística"), dependendo do caso.  Não sei onde exatamente essa fronteira se encontra, pois ela depende do custo de vida em cada cidade (e ele pode ser muito diferente de cidade para cidade), mas acho seguro dizer que quem ganha 1 salário mínimo não é capaz de economizar nada caso tenha como renda apenas o próprio salário. Isto é o que eu chamo de um "hiato" na economia: um abismo que separa diferentes realidades econômicas, difícil de ser atravessado. Neste caso, o hiato é a realidade das pessoas que vivem com salário mínimo: seus rendimentos são incapazes de cobrir totalmente os custos mínimos de vida (moradia, luz, água, gás, alimentação, internet e saúde) e  tais pessoas provavelmente não conseguem trocar de emprego porque seus rendimentos também não lhes permitem investir em qualificação. 
Na minha opinião, ganhar 1 salário mínimo é, grosso modo, uma forma de escravidão moderna, e cabe a cada um que se encontra nesta situação "comprar sua liberdade" dando um jeito de aumentar sua renda. Não adianta nada pedir ao governo que aumente o salário mínimo com uma canetada: ao fazer isso, os custos de todas as empresas subirão simultaneamente, provocando 2 efeitos: demissões e aumentos de preços de produtos (não se iludam, o custo sempre é repassado ao consumidor), o que anula automaticamente qualquer "ganho" obtido com o aumento do salário mínimo. Na minha humilde opinião, o salário mínimo não deveria nem existir, porque ele destrói empregos.

Um salário mínimo, dependendo de onde a pessoa mora, não é capaz nem de pagar o aluguel do apartamento mais humilde, então não é surpreendente vermos em grandes cidades (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são as que tem em geral os aluguéis mais caros) pessoas que, mesmo com emprego, literalmente moram na rua durante a semana e vão para suas residências (caso as tenham) nos fins de semana, às vezes em uma cidade menor vizinha, por não serem capazes de pagar o aluguel na mesma cidade onde trabalham e/ou não serem capazes de cobrir os gastos com transporte que incorreriam se fizessem o trajeto casa-trabalho-casa todos os dias. Qualquer evento que fuja da normalidade é devastador para o orçamento de uma pessoa que viva assim, forçando-as a se endividarem e gerando uma bola de neve que culminará em sua miséria.

A dura realidade é: se você ganha salário mínimo, não adianta investir em nada que não seja a sua própria qualificação. E se você mora sozinho, sem ninguém para dividir as despesas, pode ser que nem isso seja possível. Quem ganha salário mínimo, caso seja possível, deveria continuar morando com os pais, e investir o máximo possível de sua renda em sua formação, e estar disposto a aguentar uma jornada dupla, trabalhando durante o dia e estudando à noite, por algum tempo - de dois a cinco anos (a duração de um curso técnico ou de uma faculdade) e fazendo bicos sempre que puder, para complementar a renda. Caso não seja possível morar com os pais, deveria se juntar com outra pessoa que também tenha alguma renda (nem que seja de 1 salário mínimo) para dividir os custos de habitação e focar na formação pessoal, do mesmo jeito. 

Outro "hiato" na economia: ainda é bastante difícil juntar R$ 100.000,00 (uma das primeiras milestones da finansfera), porém esta não é mais, há muito tempo, uma quantia que realmente mude a vida da pessoa, e geralmente servirá no máximo para comprar um imóvel (provavelmente só para dar entrada na compra) - eu sei que para quem ganha 1 salário mínimo 100 mil reais é uma quantia que "muda a vida" da pessoa, mas quem realmente vive com salário mínimo simplesmente não consegue juntar 100 mil reais só com seu trabalho. Só se morasse com os pais e fosse totalmente bancado por eles, mas mesmo assim teria que economizar 100% do salário e demoraria por volta de 8 anos, a não ser que desse muita, mas muita sorte na renda variável, o que é bastante improvável. Quem conseguiria viver assim, sem gastar nada durante quase uma década? Será que os pais aceitariam isso? Será que os pais teriam condições para isso? 

Para os poucos brasileiros que são capazes de juntar R$100K através de trabalho honesto, 100 mil reais é "pouco" dinheiro, e ao mesmo tempo não é: servem para dar segurança, caso não sejam usados para adquirir imóvel (e dependendo da localização serviriam somente como entrada, e talvez nem isso) e, conforme o post anterior, não garantiriam nem 1 salário mínimo de proventos de FII, embora rendessem uma boa renda passiva (provavelmente algo entre 500 e 700 reais). Ainda assim, repito, juntar R$ 100K é um hiato - um abismo difícil de ser atravessado.

Para os poucos capazes de juntar  R$100K  com seu trabalho (e muitos da blogosfera das finanças são capazes), eu concito: façam caridade. Para um porteiro, uma diarista, um vendedor de doce na rua, etc. R$ 50 a mais no orçamento fazem muita diferença, e para vocês não. Ajudem estas pessoas. Comprem doces do homem que fica o dia inteiro na rua com seu pote de paçocas, se puderem comprem um estoque novo para ele poder vender, vocês estarão dando dignidade para ele, que é mais importante que dinheiro. Deem R$20, R$ 30 a mais para a diarista que faz faxina em suas residências para ajudá-la a pagar a passagem e não ter que consumir do valor ganho com a faxina. Não hesitem em contribuir para a caixinha de Natal do porteiro do prédio onde vocês moram, sejam generosos. Ajudem seus parentes que estão em dificuldades, ainda mais hoje em dia por causa da pandemia. Às vezes é porque faltam R$100,00 para inteirar o aluguel que uma pessoa é despejada e passa a viver na rua, e daí começa uma verdadeira avalanche que destrói sua vida. Ajudem os pequenos comerciantes, ajudem os pequenos negócios, para protegerem os empregos que eles geram. Façam caridade, da maneira como puderem, mas façam caridade. É dever de todos perante o Criador.

Forte Abraço! Fiquem com Deus!

segunda-feira, 23 de março de 2020

Lições da Crise

Saudações confrades,

Que situação estamos vivendo, não é mesmo? 
Um termo antes meio restrito ao mundo das finanças e da estatística, "cisne negro", começa a se popularizar, e vejo pessoas diante da pandemia se polarizando entre os histéricos e os totalmente indiferentes. Como sempre, o ideal está no equilíbrio: não podemos ficar apavorados e agir como se o mundo fosse acabar, mas também não podemos ignorar o bom senso e as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias. Temos que continuar vivendo tão normalmente quanto a situação permitir, continuar trabalhando, estudando, cuidando da saúde, fazendo exercícios como pudermos, e seguir as recomendações de higiene, distanciamento social, evitar aglomerações, sair de casa o mínimo possível, não expor parentes idosos, etc.

Deus permite que as crises aconteçam para ajudar a humanidade a desenvolver sua inteligência, bem como para estimular a  prática da caridade, da humildade, para exercitar e testar a fé das pessoas, dentre outras coisas. 

Sendo assim, temos que extrair desta crise as lições necessárias para sairmos mais fortes, mais capazes, mais preparados, e evoluirmos, em diversos aspectos da vida. 

Agora, falando apenas do lado profissional / financeiro / econômico, que é o assunto deste blog, julgo que as lições a serem aprendidas pelas pessoas com os acontecimentos atuais são as seguintes:

1 - a importância da reserva de emergência com liquidez diária,  >> creio que os autônomos que, devido à natureza de suas atividades, não possam prestar serviços on-line, são dos que mais vão sentir com a falta de clientes e a consequente falta de renda. Além deles, tenho certeza que há muitos empregados sendo mandados embora ou que ainda serão por causa da queda do consumo. Sendo assim, aqueles que tiverem conseguido constituir uma boa reserva de emergência serão capazes de atravessar este período com mais tranquilidade. Mas em épocas assim, uma vez que a economia está toda interligada, todos terão que se virar de uma forma ou de outra, uns mais e outros menos;

2 - a importância da frugalidade >> aqui valem dois raciocínios: como os supermercados e demais serviços considerados essenciais não estão parando de funcionar, não é necessário encher o carrinho de compras para se preparar pro apocalipse, então devemos pegar apenas o necessário, como em épocas normais, para evitar pressões desnecessárias nas cadeias de suprimentos e evitar que produtos essenciais faltem nas prateleiras, o que poderia desencadear uma onda de pânico e histeria que provocaria problemas ainda mais sérios.  Principalmente para aqueles que estão com pouca ou nenhuma renda (os autônomos que não podem trabalhar remotamente, acima citados), ser frugal nesta época é importante para prolongar a duração das reservas financeiras constituídas, e para quem está recebendo salário normalmente, também é bom ser frugal nestas épocas de exceção para reforçar as reservas (ou iniciá-las, com urgência) e também para sermos capazes de ajudar aqueles que estiverem necessitados (os desempregados, os moradores de rua, etc);

3 - a importância de ter mais de uma fonte de renda >> eu acho que isso se tornará cada vez mais necessário, mesmo em épocas normais no futuro, e em situações de crise em que vários empregados são dispensados, empresas fecham, etc. ter outras fontes de renda se torna fundamental. Claro que é impossível ter segurança total (por exemplo, você pode ser mandado embora do emprego e seu pequeno negócio pode falir, nada realmente impede que isso aconteça), mas isso não tira a importância de diminuir seus riscos profissionais. Acho importante também que se tenha pelo menos duas fontes de renda provenientes de trabalho, porque se ficarmos "apenas" com o binômio "salário do emprego + dividendos / aluguéis de FII", embora já estejamos muito melhores do que a vasta maioria da população brasileira (quiçá do mundo), ainda assim não estaremos tão seguros, porque em grandes crises econômicas as empresas simplesmente pararão de pagar dividendos, e os FIIs podem acabar não distribuindo aluguéis (por vacância ou inadimplência dos inquilinos, que também são consequências de crises econômicas, ou [acho] por decisão do gestor, que poderia optar por constituir reservas com os aluguéis ao invés de repassá-los aos cotistas >> me corrijam se eu estiver errado e um gestor de FII não puder fazer isso, eu ainda não invisto em FII, então não estudei isso a fundo). Devemos tentar ser úteis à sociedade de várias maneiras, não só para manter nossa empregabilidade, mas também para ajudar os outros. Podemos chamar isto de "reserva de habilidades e competências", e falei sobre o assunto neste outro artigo.

4- a importância de manter os custos fixos baixos, mas mantendo o bom senso >> devemos buscar a melhor relação custo benefício: não acho muito inteligente pagar um aluguel baixíssimo morando a horas de distância do trabalho ou de comércio e serviços essenciais. De qualquer maneira, ter baixos custos fixos de vida potencializa a capacidade de aporte e constituição de patrimônio e faz muita diferença em momentos como este que vivemos. Custos fixos baixos nos permitem suportar melhor eventuais diminuições em nossas rendas, seja por perda de clientes, diminuição de comissões, não distribuição de lucros, etc. 

E o que as empresas e organizações em geral, públicas e privadas, podem tirar de aprendizado nesta crise? Julgo que sejam estas:

1 - Muitas funções hoje em dia podem ser feitas via home office, o que diminui custos (transporte de funcionários, materiais de escritório, luz, água, etc.) e permite alocações mais eficientes de recursos, o que permite diminuir preços e/ou produzir mais, o que é bom para todos. A cultura presencialista do Brasil até hoje tem inibido bastante a proliferação do trabalho remoto. O COVID-19 está forçando as organizações a adotarem esta prática na marra, e isso pode se manter depois da crise - espero que sim; e

2 - É importante ter um planejamento de crise: muitas organizações foram pegas de surpresa pela pandemia - claro que não é algo que se possa prever com facilidade, mas é incrível como muitas empresas, prefeituras, governos de estado, etc. demonstraram não ter planos de contingência e tiveram que se virar do dia para a noite para  se organizar e continuar funcionando, mesmo algumas coisas essenciais que não poderiam nunca parar. Espero que depois dessa todo lugar mantenha um plano "B" de operações. Acho que no mínimo um planejamento de revezar turnos e escalas de trabalho em situações emergenciais todo lugar deveria ter, seja público ou privado, nem que esteja "escrito num papel de pão"

Desejo boa sorte a meus leitores e a todos da finansfera! Que atravessemos esta época de dificuldades com fé e esperança no futuro. Como já escrevi aqui antes, é importante nos prepararmos para o inverno, porque ele sempre vem, isto nos é ensinado desde os tempos bíblicos e também pelo sábio Esopo. Mas o inverno também passa.
Acredito que nenhuma geração viveu neste mundo sem experimentar algum tipo de crise. Creio que por conta da natureza do mundo e dos desígnios de Deus, que quer sempre que a humanidade cresça e evolua, as crises são inevitáveis, fazem parte da vida.

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Forte Abraço!

domingo, 18 de agosto de 2019

Dicas de Economia Doméstica (1) - o óbvio precisa ser dito


Vou escrever aqui algumas coisas que aplico no dia a dia e que me ajudam a diminuir meu custo de vida, sem sacrifícios. 

Lógico que nem tudo se aplica a todo mundo, pois cada um tem uma situação e condições de vida diferentes. Para quem está muito bem de vida a maioria das coisas vai parecer bobagem, por exemplo. 

Além disso, não acho bom em nenhuma hipótese ficar neurótico com economia doméstica - se você se estressar muito (nível Julius, por exemplo), não vale à pena, é melhor se desligar dessas coisas. 

Mas se você for levar de boa, sem estresse, fazendo estas coisas no automático (como eu já faço, em muitos dos casos) e sem perder tempo, então tudo bem. 

Por exemplo: não acho que vale à pena ir fazer compras em 2 mercados diferentes (e com isso perder tempo duas vezes, pegar duas filas, etc.) porque tem uma coisinha ou outra da sua lista de compras que é mais barata no mercado "B" do que no mercado "A". 

Agora, se você vai comprar uma coisa cara (sei lá, uma televisão) e descobre que na outra loja, no mesmo shopping, está 300 reais mais barato, aí sim vale à pena. 

Resumo: não vale à pena perder TEMPO (o recurso mais escasso da sua vida!) para economizar centavos ou até mesmo alguns reais. Ou seja, é muito importante ter bom senso na hora de economizar.

Algumas coisas aqui podem parecer óbvias, mas como diz um amigo meu, às vezes o óbvio precisa ser dito. Quem sabe? Posso acabar escrevendo alguma coisa aqui que determinada pessoa nunca pensou e pode acabar ajudando. E é sempre bom ajudar o próximo, nem que seja com um conselho. Se alguma coisa que escrevi aqui puder ajudar uma pessoa que seja, já ficarei muito feliz.

Dito isto, vamos lá:

1 - Não vá ao mercado com fome (essa é manjadíssima, mas é importante escrever aqui, só para relembrar);

2 - Compre os produtos da marca "do mercado" ao invés de marcas mais famosas, sempre que você perceber que não há grande diferença de qualidade entre as marcas (para mim o principal exemplo disso é a água sanitária, que eu sempre compro a que tiver mais barata e não tenho nenhuma marca favorita - outras coisas podem ser papel toalha, perfex, esponjas, etc., mas admito que não há muitos produtos em que valha à pena fazer isso -na maioria das vezes vale à pena sim pagar um pouco mais caro e pegar uma marca de maior qualidade - se alguém souber de algum bom exemplo, comente aí);

3- Tente pagar o máximo possível de coisas à vista e tente negociar um desconto se for comprar uma grande quantidade ou se for pagar em dinheiro. Muitas vendas têm desconto quando pagas em dinheiro, então dê preferência a pagar em dinheiro sempre que a loja for dar um desconto (eu já consegui um desconto de R$400,00 em uma loja de móveis, que acabou fazendo com que uma estante saísse quase de graça) ;

4 - Dê preferência a comprar as frutas e verduras da época, e que estejam em promoção (é bom que também ajuda a variar a dieta);

5 - De vez em quando limpe coisas como o filtro do aspirador de pó, o filtro do ar condicionado, a parte de trás da geladeira, etc. (isso prolonga a vida útil destes equipamentos e no caso do ar condicionado é questão de saúde);

6 - compre no atacado ou "atacarejo" os itens não perecíveis ou de prazo de validade longo (exemplos: esponjas, perfex, sabão, papel higiênico, papel toalha, papel alumínio, pasta de dente, etc. - é bom que também economiza tempo, pois você vai demorar a precisar comprar estas coisas de novo);

7 - Não jogue fora no ralo da pia da cozinha o óleo usado, porque isso com o tempo provoca entupimentos, te fazendo gastar mais com a manutenção da casa - o ideal é jogar fora o óleo numa garrafa (e fazendo isso você ainda pode ajudar uma cooperativa que recolha este tipo de lixo, ou alguém que fabrique sabonetes artesanais, por exemplo);

8 - saiba fazer consertos simples, como trocar a resistência do chuveiro, trocar espelhos de tomadas, instalar varões de cortinas, desentupir pias e vasos sanitários,  colocar rejunte em azulejos, montar e desmontar seus próprios móveis, etc. (além de economizar, saber fazer estas coisas geralmente te faz sentir bem consigo mesmo - pelo menos é o meu caso - o que é bom para a sua autoestima);

9 - Tire os eletrônicos da tomada sempre que for passar mais de um dia longe de casa (roteador, TV, computador, telefone fixo, etc.);

10 - Não tome refrigerantes e sucos industrializados (principalmente as versões diet e light) ou evite-os ao máximo possível - isso te fará economizar no longo prazo com gastos médicos;

11 - Reaproveite as melhores embalagens de presentes recebidos para embrulhar os que você for dar;

12 - Reaproveite as melhores garrafas, potes, latas, etc. para guardar comida, água e pequenos utensílios;

13 - Quando for jogar um móvel fora (só se não puder vendê-lo ou doá-lo), desmonte-o e reaproveite seus parafusos, arruelas, aldravas, dobradiças, cantoneiras, etc. - alguns destes itens, como os parafusos e arruelas, são muito baratos, custam centavos, mas você economiza o tempo que gastaria indo na loja quando precisar deles. Até algumas partes de madeira podem ser aproveitadas para improvisar prateleiras ou para consertar outros móveis, quando necessário (não economiza tanto dinheiro, mas acho que contribuem para a autoestima, e pelo para mim, isso me faz me sentir bem comigo mesmo);

14 -  Não coloque conta de luz, água, etc. no débito automático - para mim isso é uma armadilha. Aliás, julgo que nenhuma conta deva ficar no automático. Pague você mesmo estas contas para sempre avaliar se estão vindo muito caras, se seu consumo está aumentando, etc. Uma conta de água anormalmente cara, por exemplo, pode tanto indicar um erro de medição quanto um vazamento em algum cano de sua casa que você não percebeu. Por isso é que acho importante você ter o pequeno trabalho de pegar as contas e pagá-las (se ao menos as empresas fornecedoras de luz, água, etc. dessem um desconto para quem colocasse no débito automático, eu até poderia pensar no caso, mas como na minha cidade isso não acontece, então prefiro continuar pagando uma por uma, e podendo fiscalizá-las);

15 - A não ser que você tenha o hábito de todo dia tomar aqueles cafés gourmetizados (ex: Starbucks) que custam 15 reais ou mais por copo, geralmente não vale muito à pena cortar essas pequenas despesas de centavos com cafezinho, balas, etc., a não ser que seja por motivo de saúde ou se você tem o dinheiro contadinho para passar o mês. Mas, se você tem o hábito de tomar todo dia um desses cafés gourmet, então pare já e passe a tomá-los só de vez em quando e de preferência quando estiver socializando. Sério, já conheci pessoas que tomavam um café desses todo dia antes do trabalho - imagine gastar 22 x R$ 15,00 = R$ 330,00 por mês em média só em café... Sei lá, para mim não dá certo;

16 - Tenha algumas ferramentas em casa, mesmo que você não saiba fazer muitas coisas com elas - podem economizar seu tempo. Vou contar uma coisa que aconteceu comigo: certa vez chamei um cara para fazer um reparo numa janela, e foi muito chato conseguir agendar um dia em que eu pudesse estar em casa para acompanhar o serviço. No meio do trabalho, ele disse que não poderia continuar porque tinha esquecido de trazer uma determinada ferramenta e alguns tipos de parafusos adequados ao serviço - por sorte, eu tinha justamente a ferramenta e os parafusos de que ele precisava (aliás, os parafusos eu tinha conseguido seguindo a minha dica nº 13, de reaproveitar os dos móveis velhos) e com isso ele terminou o serviço naquele mesmo dia, sem eu precisar me estressar reagendando e tendo que ficar com o conserto feito pela metade até lá;

17 - Se puder, não tenha carro (essa depende muito de N condições da vida de cada um. Coloquei aqui porque por enquanto é o que tem dado certo para mim, mas sei que nem todos podem se dar ao luxo de não ter um carro);

18 - Nem se incomode em gastar meia hora ou mais para chegar em algum super mercado ou loja de  material de construção mais baratos, a não ser que valha MUITO a pena (por exemplo, você vai construir sua casa do zero ou vai fazer uma grande reforma, ou então vai fazer as compras do mês todo no mercado) - se for fazer só uma compra pequena, como comprar uma prateleira para instalar na parede, por exemplo, ou só algumas frutas, vale mais a pena ir no lugar mais perto possível da sua casa, para economizar tempo (e gasolina ou o dinheiro que seria pago no taxi/uber);

19 - Pague o IPTU à vista no início do ano, caso a prefeitura de sua cidade dê um desconto (também é bom porque acaba sendo menos uma conta para se preocupar);

...

Bem pessoal, por enquanto são essas as coisas que consegui me lembrar. Quem tiver algo para contribuir e somar à lista, comente aí. 

Todo mundo vive em situações e condições de vida diferentes e desenvolve suas próprias táticas de economia, então julgo que é bom ouvir o que outras pessoas, de diferentes condições sociais, têm a contribuir para o assunto. 

A lista na verdade é "infinita". Caso eu me lembre de mais coisas, ou descubra ou invente novas técnicas, faço uma parte 2 deste post.

Lembrem-se: sem neurose, sem exageros, e o bem mais importante a ser economizado é o tempo. Não percam duas horas de suas vidas indo para outra loja no outro lado da cidade para economizar cinquenta reais. Bom senso sempre!

Forte abraço!