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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Os Conflitos entre gerações

Quem é "cronicamente online" sabe que já há alguns anos vem sendo fomentada uma animosidade entre os mais jovens, principalmente os da "geração Z" e "Millenials", contra os "baby boomers". 

Não sei se isso é algo "orgânico" ou se é realmente algo que está sendo fomentado por interesses escusos. 

De qualquer maneira, acho algo bastante interessante de ser observado.

Comentarei a respeito neste post.



Primeiramente: "baby boomer" é  o nome que recebeu a geração que nasceu nos anos 40 e 50, época em que os soldados que lutaram na segunda guerra mundial voltaram para casa e fizeram um monte de filhos - daí o nome "baby boom", que significa literalmente "explosão de bebês". 

O estereótipo da geração "baby boomer"  obviamente são os EUA e a grande questão é que eles, os "boomers", deram sorte de pegar uma época de imensa prosperidade econômica no pós-guerra. 

Uma explicação simplificada para isso é que - acredito eu - na época havia menos  homens (pois muitos haviam morrido na segunda guerra mundial) e com isso "sobravam" mais empregos e os salários tendiam a ser maiores (mas por outro lado, foi também a época em que muito mais mulheres entraram no mercado de trabalho, então não sei se isso "equilibrou" a tendência de subida dos salários, do ponto de vista da quantidade de mão de obra disponível na época)

Além disso, por causa dos esforços de guerra, foi criada uma imensa capacidade industrial para produzir combustível, tanques, carros, aviões, munição, etc. fora toda a infraestrutura logística criada e ampliada para abastecer as tropas nos fronts. Depois da guerra, toda essa capacidade ficou "ociosa" e foi redirecionada para reconstruir a Europa e também para produzir eletrodomésticos, carros civis, remédios, alimentos, etc.  Com isso, a produção aumentou, e com as tecnologias geradas para a guerra aplicadas à indústria e ao comércio a produtividade dos trabalhadores também aumentou. Com isso o preço das coisas ficou bem mais barato e os salários tenderam a subir. Assim, as pessoas podiam consumir mais. Acredito que na Europa tenha ocorrido um efeito semelhante, só que tendo ocorrido muito mais mortes de homens do que nos EUA. 

Então especialmente nos EUA foi período de imensa prosperidade econômica. 

Dizem até mesmo que foi um período de prosperidade sem igual na história, de modo que acredita-se que esta foi a geração mais rica que existiu.

Quais são as outras gerações que foram "nomeadas" pelos acadêmicos? Vejamos as principais:



1) Lost Generation ("geração perdida") - nascidos entre 1880 e 1900. Lutaram na primeira guerra mundial e imagino que muitos tenham se tornado niilistas, sombrios, pessimistas, etc. com o ocorrido. Foi a geração que testemunhou o surgimento dos aviões. Não deve ter mais ninguém vivo dessa geração.  Eu imagino que a primeira guerra deve ter sido algo chocante, mas acho estranho que os historiadores digam tanto dos impactos psicológicos da primeira guerra nessa geração (ao ponto de chamarem-na de geração perdida), tendo em vista que houve guerras horrorosas no mundo moderno antes da primeira guerra (Considerando só a Europa, eu penso muito na Guerra dos 30 anos [ok, ela aconteceu uns 300 anos antes da IGM, então não devia haver muita memória dela] e nas Guerras Napoleônicas [estas mais próximas, tendo ocorrido no início do século XIX, então na época da 1ª GM ainda havia pessoas que conviveram com os veteranos das guerras napoleônicas])



2) Greatest Generation ("a ''melhor'' geração de todas") - os nascidos entre 1900 e 1927, viveram as duas guerras mundiais, muitos lutaram na segunda, e acredito que uns poucos chegaram a lutar nas duas, ainda que como civis (pois os mais velhos dessa geração teriam 14 anos no início da primeira guerra). Viveram a vida adulta durante a Grande Depressão, o que deve ter sido bem difícil principalmente nos EUA, e os Europeus, em massa, ainda tiveram que lutar na segunda guerra mundial e depois viver nas ruínas da Europa durante a reconstrução. Muito sangue inocente derramado nessa época. Fico imaginando por onde eles andam hoje em dia, se já se recuperaram de seus traumas.

(Eu não duvidaria se tivesse sido um representante dessa suposta "melhor geração de todas" quem deu a idéia de colocar esse nome). 

Os poucos representantes dessa geração que ainda estão vivos têm 100 anos ou quase.



3) Silent Generation ("geração silenciosa") - nasceram entre 1928 e 1945, o que significa que eram crianças e cresceram durante a grande depressão e a segunda guerra e não tiveram que lutar (exceto, talvez, como civis, principalmente no caso dos países europeus que foram invadidos, e também chineses e japoneses, fora outros países asiáticos que também sofreram na segunda guerra). Devem ter sofrido o trauma de ver suas  famílias e casas destruídas quando eram crianças e adolescentes (principalmente os europeus) e o trauma do "pai soldado que nunca voltou da guerra". Receberam a alcunha de "silenciosa" porque cresceram com esse trauma e buscaram evitar conflitos e só manter as coisas e ficarem seguros, ou ao menos é o que os historiadores/sociólogos dizem. Ainda há muitos deles entre os vivos, e estão na casa dos 80~90 anos. Novamente, esse é um rótulo que se aplica muito mais aos EUA-Europa e nem tanto ao Brasil, por conta de nossa distância dos teatros de operações e de nossa relativamente baixa participação na 2ªGM.

(Foram tão silenciosos que não encontrei um meme decente sobre eles para ilustrar o post)

4) Baby boomer - os nascidos entre 1946 e 1964, segundo a minha fonte para este artigo. Já explicado acima. Como foram mais numerosos do que as anteriores, eventualmente ganharam maior representação na política, nas empresas, associações e comunidades em geral. Hoje em dia estão na faixa entre 60 e 80 anos.



5) Geração X - Aqui os historiadores/sociólogos/demagogos perderam a criatividade e ao invés de darem um nome, deram uma letra. A geração X é a dos nascidos entre 1965 e 1980, segundo a minha fonte. Também pegaram um bom período de prosperidade econômica, impulsionado por avanços nas áreas de eletrônica, informática e o comecinho da internet. Hoje estão na faixa entre 40 e 60 anos. Foram a primeira geração a serem criados, em sua maioria, com o pai e a mãe trabalhando fora, então se acostumaram a "ficarem sozinhos" desde cedo e também foram a primeira geração a testemunhar muitos divórcios, o que certamente afetou sua psique. Além disso, viveram boa parte da vida com os temores da Guerra Fria (a constante ameaça de que, a qualquer momento, os russos ou os EUA iriam começar uma guerra nuclear que escalaria de tal maneira que destruiria o mundo - esse era o terror, a "black pill" daquela época - notem que embora [teoricamente] ainda haja tantas ou mais armas nucleares do que naquela época, quase não se fala mais nisso. Acho no mínimo curioso). Essa me parece ser uma geração meio sem característica própria, quase como uma geração Baby Boomer só que sem tanta prosperidade econômica. Supervalorizam os anos 80.



6) Geração Y ou "Millenials" - são nascidos entre 1981 e 1996. Pegaram o uso da informática e da internet crescendo exponencialmente, mas ainda tiveram uma infância sem internet (e muitos sem computador, principalmente os mais pobres no Brasil). Hoje em dia estão com entre 30 e 40 anos. Receberam a alcunha de millenials porque cresceram "na virada do milênio", eu acho. Foi uma geração que cresceu com computadores, tinham aula de "informática" na escola. Cresceram nos anos 90, uma época de relativa paz e prosperidade no mundo, e por isso supervalorizam aquela década. 



7) Geração Z ou "Zoomers" - nascidos entre 1997 e 2012. Nasceram num mundo onde a internet já era amplamente usada, mas a maioria não usou smartphone quando criança. Ainda estão entre 20 e 30 anos, muitos ainda na faculdade, e outros começando a trabalhar. Já têm fama de não gostarem de trabalho, não quererem se sujeitarem a abusos em empresas e, no Brasil, têm fama de serem a geração que despreza a CLT. Acredito que sejam conhecidos como "Zoomers" somente na internet. São amplamente criticados por Boomers e pela geração X (que são os grupos que representam hoje a maioria dos cargos de chefia nas empresas) por não quererem trabalhar.



9) Geração Alfa - os nascidos depois de 2012 e até 2024. Ainda são  bebês, crianças ou adolescentes. Pegaram um mundo dominado por smartphones e internet de fácil acesso, e vão crescer em um mundo com "inteligência artificial. Muitos estão usando smartphone desde criança, mas tiveram pelo menos uma parte da vida escolar sem IA, especialmente os que nasceram mais próximos de 2012. Os mais para o final da Geração Alfa provavelmente usarão IA em toda a sua vida escolar, e brincaram com tablets e smartphones desde bebês. Ainda têm o agravante de terem tido parte da infância durante a pandemia e terem passado os anos iniciais de suas vidas vendo os adultos usando máscaras. Será que isso gerará desvios psicológicos? O tempo dirá. Só escaparam disso os nascidos a partir de 2022.

10) Geração Beta - aqui eu acho que os "estudiosos" se apressaram e já deram um nome para uma geração que mal começou. São os nascidos a partir de 2025. Ainda são todos bebês, e (teoricamente) vão crescer já com "inteligência artificial" acoplada nos smartphones e computadores, e com as tecnologias que virão depois (se houver).  Provavelmente passarão a vida escolar inteira usando IA, com todas as consequências positivas e negativas disso. Prevejo que no futuro haverá "tiozões" millenials e zoomers fazendo piadas com a geração Beta, por causa do nome. Pelo menos estes não viveram a pandemia.


Agora, falando sobre o conflito inter-geracional, vou escrever em vários tópicos, porque o assunto é grande demais para escrever um só texto contínuo e coeso. Relembro que todos os tópicos que eu escreverei são decorrentes das minhas observações e da minha experiência pessoal:

- O conflito ocorre (ou é fomentado) principalmente entre Boomers e Zoomers e entre Boomers e Millenials na internet.

- Raramente vejo brigas Millenials versus Zoomers, mas também existe. 

- A "Geração X", pelo que vi, só observa e não se manifesta muito como geração. Veremos como é que vai ser quando os X'ers ocuparem o lugar dos boomers.


- Óbvio que estes rótulos não se aplicam 100% ao Brasil, especialmente o rótulo da "geração baby boomer", pois o pessoal que cresceu no Brasil dos anos 50, 60 e 70 pegou um país muito ferrado economicamente, nem de longe se comparando aos EUA, e desconheço se foi um período de explosão populacional no Brasil à semelhança dos EUA. Talvez a geração brasileira que mais se aproxime da baby-boomer americana seja o pessoal que começou a trabalhar no início do Plano Real, que foi o nosso período de prosperidade econômica (por causa da estabilização da inflação, época em que 1 dólar = 1 real, etc.) que seriam mais a geração X, cronologicamente, mas também muitos da geração Boomer. 

- Outra geração que se deu bem no Brasil, a meu ver, foi a que estava se formando na universidade lá por volta de 2000, 2001 e 2002, que foi uma época em que houve muitos concursos públicos bons e naquela época os concursos eram mais fáceis (baseio minha opinião no nível de dificuldade das questões e também pelo fato de ser uma época em que havia uma certa descrença generalizada na lisura dos concursos, o que reduzia a concorrência - isso era fruto de épocas mais patrimonialistas: nos anos 80 muitos cargos públicos que hoje exigiriam concurso eram de livre nomeação, e conheço pessoas que conseguiram cargos permanentes por terem entrado por indicação de parentes e amigos nos anos 80 e isso ainda era possível até o começo dos anos 90)

- Com base no que escrevi acima, uma outra geração que se deu bem era a que estava em idade para trabalhar nos 80 e conhecia ou era parente de funcionários públicos em cargos de chefia e com isso puderam entrar por indicação em órgãos públicos, em cargos que hoje em dia exigiriam concurso e seriam disputados a tapa por milhares de concurseiros.

- O estereótipo que ronda a internet, para os Boomers, é o seguinte: uma geração egoísta, que surfou a maior prosperidade econômica da história, gerou muitos políticos ruins, está se recusando a "largar o osso" na política e nas empresas (muitos políticos da alta cúpula, praticamente todos, são boomers, e o mesmo vale para muitos CEOs, CFOs, etc. das maiores empresas) e têm a má-fama de estarem queimando a riqueza que acumularam ao invés de passarem para seus filhos. 

- Um exemplo disso: recentemente houve uma polêmica envolvendo um discurso do Trump, no qual o mesmo disse que poderia criar mecanismos legais para reduzir o preço das casas, mas que não faria isso para não prejudicar a riqueza dos donos de imóveis. Esta fala incomodou muito os Millenials e os Zoomers, que estão se sentindo excluídos do mercado imobiliário americano por conta dos altos preços dos imóveis.

- No Brasil, essa crise imobiliária também está afetando as esperanças do pessoal millenial e zoomer. É fato que está cada vez mais difícil comprar um imóvel no Brasil. Pela minha experiência pessoal, os preços quadruplicaram lá por volta de 2010, 2011 - algum ano desses (sei disso porque na certidão de RGI do meu imóvel eu vi que o proprietário anterior o comprou em 2008 por um preço 4 ou 5 vezes menor do que eu paguei em 2015, e ainda reclamou do atraso da liberação do valor da entrada, dizendo na minha cara que eu "ainda fiquei com os juros da entrada" só porque a transferência atrasou uns 2 ou 3 dias por conta de burocracias do banco)

- Eu me lembro de um colega de trabalho comentando uma vez (lá por volta de 2016, eu acho - eu lembro do ano por causa do emprego em que eu estava na  época) que "imóveis caros são sinal de prosperidade econômica", mas discordo totalmente dele. Acho que um país realmente próspero é aquele em que as famílias não precisam se preocupar com isso, pois ter um imóvel seria algo trivial. Infelizmente, parece que muita gente acha que imóvel caro é uma coisa necessariamente boa, mesmo que haja milhões de pessoas incapazes de terem o seu.

- Além da crise imobiliária, outra coisa que instiga discussões na internet é a aposentadoria. Lá fora, os millenials e zoomers também estão chateados com a expectativa de trabalharem para bancar a previdência dos boomers ao mesmo tempo que têm um prognóstico de não poderem se aposentar, ou se aposentarem sem benefícios ou só com benefícios ruins.

- Essa discussão da previdência também chegou no Brasil. Imagino que no nosso caso, se ainda existir um INSS, ou nós nos aposentaremos só com 80 ou 90 anos, ou então vão manter a idade mais  ou menos parecida com a que é hoje, mas o pagamento vai ser 1 salário mínimo para todo mundo, mesmo que você tenha contribuído para ganhar o teto. Ou então quem ganhar mais que 1 salário mínimo vai ter um desconto para compensar o rombo e com isso vai ganhar 1 salário mínimo líquido.

- Outra discussão que está pegando fogo lá fora já há alguns anos é a questão dos empregos que foram exportados (principalmente para a China) por conta da globalização. Os EUA e a Europa deixaram de ter muitos empregos industriais e os exportaram para o terceiro mundo, com as empresas deslocando fábricas para outros países e se transformando em uma "economia de serviços" e inventaram a "agenda verde" para justificar isso. Sob esse ponto de vista, eu enxergo a globalização como um erro, pois além do desemprego, da precariedade da "economia de serviços" (e agora da "gig economy"), isso cria uma dependência grande demais desses países para com aqueles onde as fábricas foram instaladas. Estrategicamente, acho que todo país precisa ter uma capacidade industrial e energética para não ficar na mão de outros países. Pelo menos o essencial deve ser produzido em casa. Essa é a minha opinião.

- Acho que aqui essa discussão não chegou tanto porque, primeiro, nunca tivemos tantas indústrias e nem tantos empregos bons como nos EUA dos anos 50 até os anos 80. As poucas empresas boas daqui exportaram fábricas e seus melhores empregos antes mesmo dos brasileiros perceberem que foram passados para trás.

- A Geração X parece que está de fora de todas estas discussões, mas o meme acima é bastante real pelo que pude observar em minhas leituras e pesquisas para este post: o pecado dessa geração é o orgulho.

- Vejo que a "mentalidade boomer" é algo bastante real: faz uns 2 ou 3 anos, lembro de  um pessoal mais velho no trabalho  discutindo os planos para quando se aposentarem, e todos da conversa disseram que iriam gastar 100% do valor acumulado na previdência e não deixariam nada para seus filhos, e até falavam isso de uma maneira um tanto esnobe. Claro que cada um faz o que quer com seu dinheiro, mas eu penso em deixar alguma coisa para os meus, e pretendo ensinar coisas e dar o máximo de vantagens possível para os meus filhos, se Deus quiser. Acho inconcebível essa história de "eles que se virem". Óbvio que eles precisam aprender a se virar, mas daí para gastar o patrimônio e não deixar nada, aí já acho demais. 


- Lembro-me também de uma professora na faculdade que volta e meia criticava a minha turma, dizendo que nós só pensávamos em dinheiro e "em ficar milionários rápido". Havia outras reclamações dela que eram parecidas com esta, mas não lembro agora.

- Não sei se é uma "marca geracional", mas eu tenho um pensamento um tanto "mercenário" quanto ao trabalho: eu me desiludi quanto a coisas como "me realizar" ou "fazer o que gosto" e busco somente um trabalho com o maior pagamento possível e que não me submeta a um estresse maior do que eu posso aguentar, sem idealismos, sem "missão de vida", sem "meu chamado", sem nada disso. 

- Óbvio que tudo o que se escreve como "características" das gerações são meramente "estereótipos", meras "generalizações", e não representam a totalidade dos membros de suas respectivas gerações. Então, por exemplo, há boomers que vão sim deixar heranças para os filhos, há X'ers que não são orgulhosos nem autocentrados e nem apáticos, há millenials que não são "snow flakes" e que sabem que não serão diretores no primeiro ano na empresa, e há zoomers que gostam de trabalhar mesmo na CLT.


É isso, confraria. Se eu me lembrar de outra experiência minha, ou de outro aspecto interessante desse conflito intergeracional, vou atualizar o post.

Vocês têm alguma história para contar sobre isso? Algum leitor meu é boomer? Algum é da geração Z? 


Forte Abraço!
Fiquem com Deus!

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Sobre estudar para concursos e o FOMO (Fear Of Missing Out)

Saudações confraria concurseira e concursada da melhor blogosfera do Brasil! 

Este é um assunto que volta e meia me "atormenta", e falei sobre isso em uma resposta minha a um comentário do Scant feito em outro post de meu blogue. Vou reproduzir aqui:

"Uma coisa que me dificulta muito é que qualquer coisa que eu leia ou estude além de material de concurso tem me provocado uma imensa sensação de "FOMO", parece que estou perdendo tempo que poderia estar estudando as matérias de concurso (por exemplo, outra "fantasia" que eu tenho é a de programar jogos, cheguei até a fazer um curso rápido de pygame, pelo Youtube mesmo, no início de 2021, mas é aquilo: programar requer muito estudo e dedicação, que eu acho que não consigo agora e que me causa uma imensa sensação de "FOMO") - talvez a solução para isso seja separar nem que seja uma hora por semana, ou uma hora a cada 2 ou 3 dias, para me dedicar a estas "habilidades profissionais" e não ficar só estudando coisas semi-inúteis como direito administrativo.

E quando eu passar em algum concurso e puder largar meu emprego, espero conseguir me dedicar mais a estes estudos mais enriquecedores."

Tem muitos assuntos infinitamente mais interessantes que as matérias para concurso que eu gostaria de estar lendo e estudando, e imagino que eu vá estudá-las com muito mais afinco do que as bobagens que são cobradas em concursos públicos (eu adoraria estudar mais história, literatura, religião, mitologias, programação, artesanato,  etc. Até mesmo estudar coisas como fazer macros no excel eu acho que são muito mais interessantes do que decorar a literalidade de artigos de direito constitucional, direito administrativo, etc.)

Assim, eu estou constantemente em busca de um método, estratégia, etc. para evitar este FOMO e conseguir conciliar os estudos para concursos com estudos dos assuntos mencionados acima (e outros) e que são os que realmente me interessam e são mais úteis do ponto de vista profissional, e, é claro, ainda reservar algum tempo para o crescimento cultural e, acima de tudo, para o meu crescimento espiritual (pois afinal, confrades, temos que reservar algum tempo de nossas rotinas para Deus! O "mundo" está sempre tentando nos fazer esquecer de Deus e cabe a cada um de nós reservarmos um tempo para nosso crescimento espiritual, para evitarmos nos tornar "escravos do mundo" e para que possamos acumular os Tesouros do Céu, que no fundo são o que realmente importa).

Mais algum leitor que estuda para concursos sente isso também? Como lidam com isso? Comentem aí!

Forte abraço, companheiros de trincheira!
Fiquem com Deus!


quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Sobre a transição de CLT/Funcionário Público para Autônomo / Pequeno Empresário

Saudações, confrades!

Espero que todos os meus leitores tenham tido um bom Natal e que tenham recebido muitas bênçãos de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Vamos ao (provável) último post de 2024, para dar uma variada nos assuntos do blog e não ficar só nas atualizações patrimoniais, conforme eu havia dito no post anterior.

Uma coisa que me vem à mente em minhas elucubrações diárias a respeito de como sair de meu emprego atual (seja via concurso, via empreendendo, via tornando-me autônomo) é a crescente necessidade de autonomia em cada passo da jornada profissional.

(OBS: quando falo "empresário" neste texto refiro-me ao pequeno empresário autônomo, MEI, EPP, EIRELI*, que trabalha sozinho (loja virtual, confecção individual de alimentos, artesão, etc. que tenha um negócio que seja possível de ser operado sem funcionário nenhum a não ser o próprio dono))

*: acho que EIRELI não existe mais, mas posso estar enganado.


Permitam-me ilustrar usando o McDonald's como exemplo:

Quando você é criança, seus pais te levam ao McDonald's, você pede um lanche e ele aparece na sua frente, sem esforço algum. Você nem vê o dinheiro indo para o caixa, ou o cartão sendo passado na maquininha. As coisas simplesmente "acontecem" sem você fazer esforço algum e por conta disso geralmente as crianças não têm noção de como é a realidade.


Depois você cresce mais um pouco, tem seus 15 anos, e vai sozinho ao fast-food. Faz seu pedido e precisa entregar dinheiro ao balconista. Provavelmente quem te deu o dinheiro foi o seu pai ou a sua mãe, mas você teve que se desfazer dele para ganhar seu lanche. Ainda assim, o lanche "apareceu" na sua frente, embora com algum sacrifício de sua parte - o ato de entregar seu dinheiro. Você já aprende um pouco que é necessário fazer alguma coisa para que as coisas aconteçam. Mas ainda é fácil: você sacrifica um dinheiro pelo qual geralmente você não sacrificou nada, pois seus pais te deram, e o sacrifício foi deles (embora aos 15 você já saiba que as pessoas trabalham para ter dinheiro, se você nunca trabalhou você não tem uma noção verdadeira do que é trabalho)


Então suponha que depois você cresce mais, tem seus 18-19 anos e vai trabalhar no McDonald's. Agora são as outras pessoas que pedem o lanche para você, e pela primeira vez ele não vai "aparecer", você é que vai ter que fazer acontecer.

A maioria das pessoas para nesse estágio do amadurecimento. Elas começam a trabalhar, e então descobrem que elas é que têm que fazer as coisas acontecerem. O hambúrguer foi entregue embalado em cima de uma bandeja na mão do cliente porque todo um time de pessoas se envolveu na preparação na lanchonete, em todas as suas fases produtivas, e antes desse time poder trabalhar, vários outros tiveram que concluir seus trabalhos: os caminhoneiros da empresa de logística que entregou os pães, molhos e hambúrgueres congelados, os pecuaristas que criaram as vacas que forneceram a carne, os açougueiros/trabalhadores de frigoríficos que cortaram a carne, congelaram, embalaram e depois separaram para entrega, e entremeando todos estes processos estão inúmeros gerentes, advogados, contadores e coordenadores que criaram, leram, revisaram, e negociaram os contratos com todas as empresas e funcionários envolvidos, fizeram os pagamentos, registraram os pagamentos, registraram dívidas, cobraram dívidas, emitiram os pedidos, emitiram notas fiscais, emitiram DARFs, corrigiram erros, e por aí vai. Isso sem falar em: marketing, auditoria, consultorias, etc. 

Mas ainda assim, o dinheiro cai todo mês, bastando que estas pessoas continuem trabalhando nos dias em que tiverem que trabalhar. E os clientes vão até a empresa, porque já foi feito todo um trabalho para isso. Ou seja, o dinheiro vai até a empresa graças a todo um trabalho prévio que foi acumulado e que permitiu que isso acontecesse.

O estágio seguinte do "amadurecimento profissional", que eu considero ser o dos profissionais autônomos, é o de não somente fazer acontecer, mas também fazer o dinheiro e os clientes aparecerem.  O dinheiro do autônomo não cai todo automaticamente no primeiro dia útil do mês, ele recebe aos poucos ao longo de seu mês de trabalho, conforme vai atendendo seus clientes e prestando seus serviços ou vendendo seus produtos. E não necessariamente os clientes virão de maneira automática - pelo menos não no início de sua carreira. Ele leva algum tempo criando sua fama e montando uma "carteira de clientes". 

(No caso do McDonald's, já foi feito um trabalho de décadas para criar uma marca reconhecida e que praticamente atrai clientes sozinha, quase sem esforço dos franqueados. O autônomo/pequeno empresário precisa levar em conta esse trabalho de conquistar clientes em seu planejamento - e é por isso que muitos pequenos negócios nascem em paralelo a empregos CLT ou empregos públicos: porque o autônomo precisa ganhar um sustento certo e mais estável enquanto está construindo sua carteira de clientes - quando não é assim, ele herdou o trabalho de seu pai ou de sua mãe, que já fizeram todo esse trabalho de criação de uma carteira de clientes e de um nome - é o caso de muitos escritórios de advocacia, por exemplo)

E mais um passo além no "amadurecimento profissional" é o do empresário que resolva empregar outras pessoas em seu negócio: além de fazer as coisas acontecerem e fazer os clientes e o dinheiro surgirem, terá que se preocupar em fazer o dinheiro aparecer para pagar seus funcionários (salários, benefícios, INSS, FGTS,  etc.) e também para pagar a si próprio!

A pessoa que foi CLT ou funcionário público "a vida toda" está acostumada com a previsibilidade de um salário que cai todo mês no começo do mês (ou no fim do mês anterior, em alguns casos), e consequentemente está acostumada a planejar seus gastos de modo a ir consumindo o salário ao longo do mês, mas com a (quase) certeza de que no mês seguinte outro salário, de igual valor, será depositado em sua conta. 

Imagino que o "choque de realidade" possa ser grande quando essa pessoa se torna autônoma ou empresária. Para começar, não é certo que haverá um valor sendo depositado em conta no início do mês ou no fim do mês anterior.  Principalmente no caso do autônomo prestador de serviços (advogado, contador, psicólogo, dentista, médico, etc.) o dinheiro vai caindo na conta aos poucos ao longo do mês, conforme ele vai trabalhando e atendendo seus clientes, o valor é variável e sujeito a sazonalidades e inúmeros outros fatores totalmente fora do controle do profissional e, com isso, o planejamento das finanças pessoais de um autônomo ou pequeno empresário é bastante diferente do de um empregado CLT / funcionário público.

Por este motivo, imagino que, idealmente, a pessoa que se prepare para ser autônoma precise: 

1) fazer primeiro uma reserva de gastos para alguns meses (digamos, uns 6 meses de gastos pessoais ou, mais idealmente, 1 ano, e essa reserva deverá incluir os custos esperados de seu negócio, como o aluguel de uma sala comercial e o condomínio do prédio onde fica esta sala, por exemplo); 

2) buscar sempre manter seu custo de vida baixo, ou o menor possível, equilibrando conforto e frugalidade, pois não há garantia alguma de que atenderá clientes / prestará serviços / venderá produtos a tempo de pagar contas no prazo (claro que com o passar do tempo adquire-se uma carteira de clientes mais estável, via propaganda boca a boca, indicação, fidelização, etc. que permite um planejamento melhor, mas isso pode demorar a acontecer!);

3) Mesmo após ter adquirido uma certa "estabilidade", sempre manter sua Reserva de Emergência (RE), repondo o mais rápido possível os valores consumidos (se eu fosse autônomo eu teria duas RE: uma "pessoal" e outra "profissional", para bancar custos da empresa como aluguel de sala, anuidades de softwares, seguros, etc. em épocas de vacas magras - o meu foco aqui é evitar aquele velho problema de misturar as finanças pessoais com as da empresa)

E imagino que com o passar do tempo, o autônomo se acostume com a idéia de "receita média mensal" ou "pró-labore médio mensal" e ajuste seus custos de vida a este valor. Acho que uma boa medida seria ajustar seus custos de vida para que sejam cerca de metade do "pró-labore médio mensal" (ou menos, caso possível), tendo em vista que a receita mensal é variável e sujeita a sazonalidades, além do fato de que, como autônomo, se você não trabalhar, você não ganha, simples assim. A metade que for economizada deve ir para aportes, "RE pessoal" e "RE profissional".

E creio também que o mais prudente é usar dinheiro ganho em cada mês seja para bancar os gastos do(s) mês(es) seguinte(s), ao contrário do raciocínio mais comumente aplicado por quem é CLT/funcionário público ("recebi este mês, gastei este mês"). 

Outra coisa importante a se considerar no planejamento é a construção de uma "reserva" para bancar suas férias, e feriados prolongados, pois afinal você provavelmente não vai aguentar ficar trabalhando sem parar durante muito tempo, e conforme eu disse acima, sem trabalho = sem dinheiro, então o autônomo precisa levar em conta que haverá dias em que simplesmente não haverá clientes ou haverá bem poucos porque é feriado, ou feriadão, e por aí vai. Você pode até querer trabalhar em um dia desses, mas pode ser que simplesmente não haja clientes. Então você precisa se preparar para dias assim também. E haverá dias em que você ficará doente, ou estará muito cansado, ou terá alguma coisa pessoal para resolver, etc. Haverá também a sua própria necessidade de descanso. Para todos esses dias você precisará ter uma reserva, pois não ganhará nada por estes "dias de folga".

Por fim, outros "choques de realidade" na transição para a autonomia são a falta do 13º e do adicional de férias, fora outros benefícios que empregadores no geral paguem (Auxílio-creche, Vale-Alimentação, Vale-Transporte, etc.), além da obrigatoriedade de recolhimento de INSS, que não é automática, fora outros tributos. O autônomo / pequeno empresário precisa prover todas essas coisas para si mesmo, e não pode se esquecer de recolher pelo menos o mínimo legalmente exigido para o INSS e os demais impostos para evitar problemas com o governo. 

No caso da falta do 13º, ela ainda é agravada pelo fato de alguns condomínios comerciais (especialmente shoppings) cobrarem o "13º aluguel", então é necessário tomar cuidado com esse custo extra que às vezes fica "nas letras miúdas do contrato". A "RE profissional" deve levar esse aluguel extra em consideração. Alguns tipos de negócio se beneficiam do aumento de vendas em dezembro e com isso dão conta desse 13º aluguel, mas acho que fica mais difícil para os pequenos empresários.


Todas essas coisas acima precisam ser levadas em conta no planejamento da carreira do autônomo / pequeno empresário.


Algum dos confrades têm experiências próprias para relatar? Como foi a mudança de vida saindo da CLT ou do emprego público para se tornar um pequeno empresário? 

Aos leitores autônomos / EPP / MEI: que profissão vocês exercem? Como conseguem clientes? 

Qual é a melhor opção: ser MEI, ser EPP, autônomo PJ ou ser um autônomo pessoa física mesmo? Ainda é possível ser autônomo pessoa física? Ou simplesmente não vale à pena?


Forte abraço, companheiros de trincheira!

Tenham todos um Feliz Ano-Novo, e que 2025 seja melhor do que 2024!

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

A inspiradora história de Dwarf Fortress

Dwarf Fortress é um jogo misto de estratégia com RPG e com administração de recursos relativamente obscuro (mas hoje em dia nem tanto)  que conquistou uma razoável comunidade de fãs na internet.


Como o nome sugere,  basicamente é um jogo ambientado em um mundo de fantasia medieval em que você controla uma pequena tribo de anões, a  qual começa com apenas uma carroça de recursos e vai aos poucos construindo uma fortaleza, enquanto coletam recursos, fabricam coisas e se defendem de monstros. 

O carro-chefe do jogo é a construção de fortalezas e cidades subterrâneas, bem como sua exploração.

O jogo é "feio", pois não possui gráficos (não tem sprites): tudo na tela é desenhado somente com caracteres ASCII. Uma escolha deliberada dos criadores, para não "perderem tempo" editando gráficos e adaptando o programa às animações necessárias, e também para que o jogo não ficasse lento, tendo em vista o gigantesco volume de variáveis, interações e funções rodando.

O visual do jogo é assim, todo "escrito", só tem caracteres


Além disso, jogo é extremamente complexo, com muitas situações possíveis, cada personagem sendo extremamente detalhado, desde status comuns como saúde,  força e defesa, até o nível de gostos pessoais (isso em um simulador de construção de fortalezas, com potencialmente milhares de personagens coexistindo e sendo gerenciados pelo jogador), com geração de mundos, geração de mitologia dos mundos, coleta de recursos, sistemas de geração de acidentes e desastres, sistema de magia, sistema de profissões, sistema de combate fisico, diplomacia, espionagem, etc, com todos os subsistemas necessários para que tudo isso funcione. 

E ainda por cima tem o modo "Fortress", com foco na construção de fortalezas e coleta/administração de recursos, e o modo "Adventure", com foco mais no lado RPG, de exploração e luta.

Notem os menus, acho que é do modo Adventure


Um mapa de uma ilha gerada aleatoriamente no jogo

Cada vez que você joga, tudo o que você faz no mundo que foi gerado aleatoriamente para aquela partida influencia não só nos aspectos físicos/geográficos, mas também na própria história e mitologia daquele mundo (também geradas aleatoriamente). E é muito fácil perder pois há muita complexidade envolvida. E como tudo o que você faz influencia o mundo do jogo, é possível explorar as ruínas de uma fortaleza que você construiu meses antes em uma partida perdida. 

Notem que perder é uma parte importante deste jogo.


Tudo isso foi programado ao longo de mais de 20 anos (e os trabalhos ainda estão em andamento), desde 2002, com mais de 700.000 linhas de código em C e C++, por apenas duas pessoas, os irmãos Tarn e Zach Adams.

Tarn cuida da programação e Zach cuida da lore do jogo.

O que me surpreende nesta história é que ambos estão trabalhando juntos há mais de 20 anos dedicando quase que 100% de seu tempo a este projeto e, há até pouco tempo,  viviam somente de doações dos fãs. 

Chegaram até mesmo a recusar uma proposta de US$ 300,000.00 para licenciar o nome "Dwarf Fortress" (que, convenhamos, é um nome comercialmente muito bom, com grande potencial de venda), pois não abrem mão de sua magna opus. 

E acredito que tenham recusado outras ofertas, não só de dinheiro, mas também de trabalho em grandes empresas de jogos.

Por muito tempo se mantiveram dissociados de empresas de jogos, em parte por conta de Tarn querer se dedicar a programar, e não a "gerenciar projetos", e em parte (creio) para manter sua liberdade criativa e controle total de sua criação. Só recentemente se associaram a uma empresa relativamente pequena focada em indie games chamada Kitfox Games, e mesmo assim, mais por questões relativas a saúde: sendo associados eles teriam mais acesso a planos de saúde e poderiam se cuidar no caso de tratamentos de doenças graves. Através dessa parceria, foi lançada uma versão comercial de Dwarf Fortress na Steam, esta com gráficos, para tornar o jogo mais palatável para audiências maiores (imagino que sacrificando vários recursos do jogo para conseguir rodá-lo com gráficos). 

(Só espero que a empresa não sacaneie os criadores do jogo, através de cláusulas escusas e obscuras no contrato, como outras já fizeram)

A versão comercial me parece ter sido um sucesso de vendas, com mais de 500.000 cópias vendidas até o momento, o que deve colocar Tarn e Zach em uma situação bem mais confortável.

Eu sinceramente acho esta uma história inspiradora, principalmente em relação à dedicação dos criadores, sendo também uma valiosa lição de auto-superação e criatividade: literalmente criar algo praticamente "do nada", partindo somente de uma idéia, com muito esforço próprio e improvisando com os recursos e ferramentas disponíveis. 

Um verdadeiro exemplo da força da vontade e da criatividade humana.

Leiam uma entrevista com o programador do jogo neste link.

E, abaixo, um pequeno "documentário" da história do jogo:


E, como não podia deixar de faltar, aqui está o link para o site do jogo, onde o mesmo pode ser baixado de graça: Bay 12 Games. No site da empresa também há um link para fazer doações via PayPal. 


Eu acompanho esse jogo faz uns dois anos, e já joguei algumas vezes. Imagino que se estivesse em outra fase da vida teria ficado "viciado". Ainda não tive tempo (e nem saco) para me acostumar com a ausência de gráficos e nem com a complexidade do jogo, mas mesmo assim admiro a história por trás da criação dele. Talvez eu compre a versão da Steam, ou baixe algum dos (vários) mods que foram feitos para incluir gráficos no jogo.


Podemos tirar algumas lições valiosas da história da criação de Dwarf Fortress, por isso quis compartilhá-la com vocês. 


Forte abraço!

Fiquem com Deus!





segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Eu prefiro receber Restituição do que pagar mais IR

 

Saudações,  confraria da melhor blogosfera do nosso Brasilzão de Deus, a nossa querida Terra de Santa Cruz!


Uma coisa que me chamou muito atenção certa vez (faz alguns meses) enquanto lia determinado fórum na internet, foi quando me deparei com um usuário comentando que o ideal era que, ao fim da declaração anual do IRPF, você terminasse com um saldo a pagar de imposto, e não de imposto a ser restituído.

A explicação era a seguinte: 

1) se você está ganhando uma restituição, isso significa que pagou impostos a mais durante o ano (praticamente emprestou dinheiro para o governo), e então este lhe devolveria este imposto a mais após isto ser apurado ja declaração anual, gerando a restituição.


2) por outro lado, se você termina a declaração tendo que pagar impostos, isso significa que você pagou menos do que deveria ao longo do exercício fiscal (praticamente pegou dinheiro emprestado com o o governo) e então restituiria esse valor ao governo (pagaria sua dívida).


3) na hipótese 1, você deixou de consumir e/ou de aportar por conta dos impostos a mais, e deixando de aportar, você perdeu alguma coisa de juros compostos no futuro. Ou deixou de ter lazer, comer melhor, etc. E o valor devolvido não é exatamente corrigido (acho que é corrigido pelo IPCA, e concordo que o IPCA não é um bom medidor da inflação,ao menos não hoje em dia), então há um prejuízo nesse negócio.


4) na hipótese 2, você consumiu e/ou aportou a mais, e ganhará alguma coisa a mais de juros compostos no futuro (supondo que ao devolver o empréstimo para o governo a correção não seja exata)


Matematicamente até que faz sentido, mas eu pessoalmente não acho que a realidade seja tão simples e fria assim.

Eu pessoalmente considero que todo imposto que eu pago é um Custo Afundado (dinheiro que perdi, já era, não tem mais volta). 

Então para mim é indiferente se eu paguei mais do que deveria: eu vou ficar muito feliz na restituição, pois o que vier é lucro, e também não me importa se o governo está me pagando com meu próprio dinheiro, pois ele poderia simplesmente não pagar. Então,  no frigir dos ovos, ainda que não esteja realmente ganhando nada, estou deixando de perder.

Isso fora o efeito psicológico benéfico de ver o dinheiro caindo na conta. 


Na hipótese contrária, se eu tivesse que preencher uma GRU e pagar ainda mais ao governo após a declaração anual do IR, eu pessoalmente não me sentiria nemum pouco feliz , eu não pensaria que "mwa ha ha ha,  lesei o governo, peguei dinheiro emprestado e só agora estou devolvendo!" -  eu ficaria é muito chateado de, depois de tudo, ainda ter que emitir e pagar uma GRU, nem que fosse de 20 reais (e 20 reais pagam 1 almoço meu,  então é dinheiro)

Ou seja, para mim, o malefício psicológico de ter que restituir imposto ao governo supera muito qualquer ganho de juros compostos que eu poderia auferir por ter "pego dinheiro emprestado com o governo".

A vida, os fenômenos humanos sociais não são matematicamente perfeitos, a vida não pode ser resumida numa planilha de excel.

Se fôssemos viver assim, que nem numa planilha de custos, talvez nunca sairíamos da casa de nossos pais, porque é caro morar por conta própria. Ou não faríamos comida em casa porque teoricamente um restaurante consegue fazer comida de forma mais eficiente, do ponto de vista dos custos, do que uma pessoa fazendo comida sozinha por conta própria. E por aí vai.


Enfim, o efeito psicológico de receber a restituição do IR, na minha opinião supera os hipotéticos juros compostos que deixo de ganhar ao não  "pegar dinheiro emprestado com o governo".

O que vocês acham disso,  confraria?


Forte abraço!

Fiquem com Deus!

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Aportes e Atualização Patrimonial - abril de 2023 [ e lá vamos nós]

 Saudações, confrades!

Abril acabou e com isso já vivemos um terço do ano de 2023 de Nosso Senhor! Está passando muito rápido!


Em abril tive muitos gastos extras e novamente precisei lançar mão de minha RE. Espero que em maio eu não tenha tantos gastos extras assim e que consiga repor alguma coisa à RE, nem que seja somente os juros. Mais tarde, pretendo usar pelo menos uma parte do dinheiro das férias e do 13º para este fim. Por conta disso, o aporte desse mês foi baixo, e apenas em 1 ativo, conforme escreverei adiante.

Aumento acumulado de 198,4% no patrimônio total, desde o início da série histórica em junho de 2021. 

2023 até o momento tem sido um ano de pequenas quedas e de crescimentos modestos, motivados pelo pessimismo de nosso mercado acionário e de FIIs e principalmente por vários gastos extras com minha família e com minha casa que venho tendo desde janeiro. Graças a Deus tenho minha RE! Mesmo assim, em maio apertarei um pouco os cintos.

Este mês registrei um aumento em relação a março (prêmio de consolação!), mais por conta da leve alta no preço da maioria das ações e dos FIIs de minha carteira. A RE diminuiu em relação ao mês anterior, e a carteira no exterior também, por conta da pequena queda da cotação do dólar.


Vamos ao aporte do mês:

(Como sempre, nenhum ativo mencionado no blog e/ou em seus comentários é uma recomendação de compra! Não se orientem por anônimos e nem por "influencers" da internet! Estudem por conta própria para trilharem seus próprios caminhos!)


Ações - este mês o único aporte foi em Eztec, empresa do ramo de construção civil que tem amargado quedas na cotação de suas ações por conta da alta da taxa selic (juros altos prejudicam setores que dependam muito de empréstimos e financiamentos, como é o caso da construção civil). Consegui comprar a R$ 12,58. 

No geral, as ações deram uma subida em abril. Os próximos aportes priorizarão as que estiverem mais defasadas. 

Este mês também recebi bonificação da empresa Romi S/A, do segmento industrial, na proporção de 1 ação para cada 10 possuídas. Às vezes eu considero que receber bonificações é melhor do que receber dividendos!


Agora Eztec é a ação com maior participação na carteira, desbancando a Engie!


FIIs - sem aportes este mês, a carteira permanece com 16 FIIs. Se eu for aportar em somente um ativo em maio, provavelmente será em um FII da carteira, provavelmente o FIIP11B, que é o que está mais defasado no momento (lembrando que estou deixando o HGRE na geladeira, por conta da vacância crônica)




Exterior - sem aportes no mês. A carteira permanece a mesma, com 8 stocks e 9 REITs. Sinceramente, não sei quantas empresas e nem quantos REITs pretendo ter na carteira, mas não acredito que eu vá ter tantas quanto na carteira de ações brasileiras, por exemplo. Acho que vou manter a meta que tracei lá em janeiro/fevereiro do ano passado e ficar com uma carteira no exterior de 17 stocks e 17 REITs, mas mantendo uma proporção de 75% stocks / 25% REITs (por conta, principalmente, do absurdo imposto de 30% que incide sobre dividendos no exterior). Usei o câmbio a R$ 4,99 para calcular os valores para esta atualização patrimonial:


Renda Passiva - Mais um prêmio de consolação: a renda passiva recebida em abril foi de 8,4 coroas, das quais 1 foi oriunda do exterior. 

Este mês, recebi dividendos e JCP:

no país - das empresas Panvel, Romi, Porto Seguro, B3, Tupy, Itaú e Bradesco.

no exterior - Coca-Cola, Gladstone Commercial, Phyisicans Realty Trust, EPR Properties, Stag Industrial, Iron Montain e Realty Income Corp.


A renda passiva acumulada (34 coroas) já superou a metade da renda passiva total recebida em 2022 e foi quase o quádruplo da recebida em 2021. Aos pouquinhos a bola de neve vai crescendo! 



Tudo indica que em maio terei um novo recorde de renda passiva, provocado principalmente pela Grendene, que vai distribuir seu gordo caixa na forma de dividendos, a incríveis R$ 1,11 por ação!


O patrimônio total da "Mago S/A" ficou assim distribuído:



Generalidades 

- em abril procurei me manter ao máximo longe de notícias, tanto do Brasil como do mundo, para não me estressar. Pelo visto consegui, pois não tenho muito o que comentar sobre isso neste espaço aqui!

- abril foi um bom mês de estudo para concursos. Ainda longe do que considero ideal, mas foi um bom mês de qualquer maneira (e acho que nem seria possível atingir esse "ideal" na minha fase atual)

- consegui superar minha meta de posts: em abril foram 3. Obrigado a todos os que comentaram neles! E obrigado aos (atualmente) 24 seguidores do blog!

- Conforme escrevi na última atualização patrimonial, passei por estresses horríveis no trabalho em março, que contribuíram para reforçar em minha mente que devo estar preparado para pedir demissão a qualquer momento. Houve um fim de semana que fiquei literalmente me segurando para não pedir demissão na segunda-feira seguinte... Tenho pesquisado avidamente por trabalhos que poderia exercer de forma autônoma, pela internet, mas infelizmente tudo o que encontrei só serviriam para bicos, e não para realmente viver deles. Uma pena, mas vou continuar pesquisando. Me candidatei a uma entrevista de emprego, mas infelizmente não fui chamado (mas também não sei se eu iria mesmo, caso tivesse sido chamado... me candidatei mais para ter o conforto psicológico de "estar fazendo alguma coisa").

- Por conta da possibilidade de pedir demissão, sinto que preciso reforçar minha RE e pretendo fazer isso com o dinheiro das férias e do 13º, ou ao menos com uma parte desses recursos. Se conseguir algum bico em algum site de freelance vou destinar o dinheiro para a RE também. 

- Em relação a concursos, estou me inscrevendo nos que posso ir fazer (não estou podendo viajar para muito longe para fazer provas), mesmo nos que tem poucas vagas e nos que o salário não é lá essas coisas (servem mais para treinar). Vocês têm algum órgão que onde "sonham" trabalhar? Têm algum onde não trabalhariam de jeito nenhum? 

- Vou ver se consigo voltar a correr este mês. Vamos ver no que dá.


Fiquem com a música do mês (Full Moon, da banda Sonata Arctica):




E vocês, confraria, como foi o mês de abril?


Forte abraço!

Fiquem com Deus!


sexta-feira, 14 de abril de 2023

Sobre a previdência social

Recentemente, na França, foi aprovada na canetada uma reforma que aumenta em 2 anos a idade mínima de aposentadoria dos franceses: de 62 passou para 64 anos. E muitos franceses foram às ruas para protestar e até saíram na porrada contra esta reforma, mas foi tudo em vão. 

E olha que dizem que o brasileiro é que não trabalha, ou que trabalha pouco! Pode até ser que a eficiência aqui seja menor, mas é fato que trabalhamos muito. O povo brasileiro é um dos que mais trabalha no mundo,  em termos de horas.

Alguns reclamam que aqui há muitos direitos trabalhistas. Alguns eu acho justos, outros nem tanto (assunto para futuros textos), mas tenho razões  para acreditar que há mais direitos trabalhistas na França do que no Brasil, e esse é um dos motivos para o desemprego lá ser alto, principalmente entre os jovens. 

Um conhecido meu que já trabalhou na França me disse que a cultura de pequenos negócios familiares é forte por lá justamente por conta disso. Ele deu o exemplo de uma padaria francesa, onde não havia nenhum empregado: todos os que trabalhavam lá eram da família do dono - o dono era o padeiro, e fazia os pães sozinho. A esposa ficava no caixa, e os filhos ficavam de faz-tudo, ora ajudando o pai, ora a mãe,  ora recebendo fornecedores, etc, pois o padeiro não teria condições de bancar funcionários de "carteira assinada" ou seu equivalente francês. Quem mais sofre com isso são os jovens cujas famílias não têm negócios próprios,  pois penam bem mais para conseguir empregos na França.

Aqui, ao menos por enquanto,  vejo muitas padarias com empregados, mas não sei se estes recebem todos os seus direitos trabalhistas, nem se as padarias têm condições de paga-los. Mas também já vi alguns destes lugares perto de onde moro que seguem o modelo francês de contratar somente pessoas da família. Por exemplo, a padaria onde geralmente vou comprar pães pertence a duas irmãs,  e seus filhos trabalham no balcão.  Acho que só uns 2 empregados são de fora da família.  Um bar perto da minha casa me parece ser 100% tocado pela família do dono, pois os funcionários são todos muito parecidos, do cozinheiro aos garçons (óbvio que posso estar errado).  


Mas divaguei. Voltando à previdência social, que é o assunto do post: aqui a idade mínima para aposentadoria vai ser de  65 anos no fim da transição de regimes, com a obrigação de somar 105 com o tempo de contribuição (ou seja, para se aposentar aos 65 tem que ter contribuído por 40 anos - é a realidade que a maioria de nós irá pegar), ou seja, trabalhamos mais tempo que o povo francês. E isso sem falar que lá a semana de trabalho tem menos horas (oficialmente 35 horas, contra 40h daqui - mas óbvio que em ambos os países o tempo efetivo de trabalho para o trabalhador médio é superior ao número legal de horas).

E não duvido nem um pouco que ainda pegaremos outra(s) reforma(s) no futuro que aumentem a idade mínima e o tempo de contribuição. Pode ser que quando chegue a nossa vez, tenhamos que trabalhar até os 90, ou algo assim. Ou a previdência social pode simplesmente acabar.

Mas não creio que pegaremos o fim "oficial" da previdência social em nossas vidas... talvez peguemos um fim "disfarçado" - regras impossíveis de serem cumpridas, ou benefícios irrisórios,  ou descontos absurdos nos benefícios, algo nessa linha.

Os principais problemas que eu enxergo são: 

1) supondo que nada mude e não haja mais reforma nenhuma e o governo não faça nada para cobrir rombo nenhum, e mesmo assim ainda pudermos nos aposentar legalmente aos 65 anos: 99,9% se aposentarão com um salário mínimo,  o qual é ridículo e mal dá para pagar contas básicas... ou seja, a vasta maioria vai ficar na penúria e/ou terá que trabalhar até a morte (como era antigamente, antes de existir previdência social) para conseguir viver na velhice, e/ou ser amparado pela família.

2) se o governo resolver "imprimir dinheiro" para se furtar de fazer uma reforma (pois reforma de previdência é algo politicamente ruim), poderemos até ter aumentos no INSS e mais pessoas recebendo mais de 1 salário mínimo,  porém tais valores serão corroídos pela inflação,  e ficamos na mesma situação do item 1.

3) se o governo fizer mais alguma reforma e aumentar a idade mínima e/ou tempo de contribuição, provavelmente todos teremos que trabalhar até os 80 ~ 90 anos para nos aposentarmos pelo INSS e, mesmo assim, provavelmente para receber somente 1 salário mínimo. Será que vale a pena fazer isso? Trabalhar até os 80 anos para receber um salário mínimo de aposentadoria? Eu acho que não. Ainda mais aqui, onde o trabalhador honesto não é culturalmente valorizado, nem mesmo nas empresas, que dele dependem. Melhor ser autônomo e quando ficar mais velho passar a selecionar clientes e a diminuir o horário de trabalho.

4) nada impede o governo de, a qualquer momento, numa canetada, criar algum desconto nos benefícios de aposentados, com a desculpa de que tal desconto é para cobrir algum rombo (como foi o caso dos fundos de previdência de determinadas estatais, que estão descontando a mais para cobrir imensos passivos, alguns deles gerados por desvios de verbas - imagine você com 85 anos recebendo a notícia que seus proventos de aposentadoria irão diminuir a partir do mês que vem porque alguém roubou dinheiro e agora todos terão que pagar a conta), ou com qualquer justificativa que inventarem ma ocasião.


Vejam que não importa o cenário,  todos nós temos que tomar as seguintes atitudes:

1) Criar uma família e cuidar muito bem dela, para termos apoio, carinho, afeto e amparo durante toda as nossas vidas, não só na velhice;

2) Cuidar da saúde tão bem quanto possível, para termos condições de aproveitar a vida até que nossa hora chegue;

3) Aportar com disciplina todo mês,  o máximo que pudermos, de modo a:

    a) ser possível aposentar antes da idade mínima,  seja ela qual for, caso este seja nosso desejo;

    b) ter a possibilidade de não precisar mais trabalhar por causa do dinheiro, ou ter a liberdade de trabalhar com coisas mais leves e por menos horas por dia; e 

    c) para ter uma chance de viver com mais dignidade na velhice, pois no que depender do governo, teremos só o mínimo do mínimo,  e talvez nem isso. 

Enfim, nobre confraria da finansfera, companheiros de trincheira, estes são alguns de meus pensamentos acerca do espinhoso assunto que é a previdência social. 

O que têm a dizer sobre este tema?


Forte abraço! 

Fiquem com Deus!