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terça-feira, 21 de julho de 2026

Meu emprego dos sonhos

 Saudações, confrades!

acho que esse post era bait, porque já vi essa mesma história sendo publicada em inglês em outra parte do twitter (ver a foto abaixo). Provavelmente é apenas uma copypasta, mas não deixa de ser, de certa forma, "real"!

A versão em inglês da mesma história, em outra rede social, o que praticamente comprova que trata-se de uma Copypasta. Mas, como eu disse acima, essa história tem um fundo de verdade e já devem ter acontecido situações semelhantes inúmeras vezes na vida real!


Motivado por umas discussões que eu vi na internet recentemente acerca da famigerada "ética do trabalho" (vide imagens acima), vou escrever este post apenas como um exercício mental e de imaginação no qual eu tento desenhar como seria o meu emprego dos sonhos, o meu emprego ideal (esse meu emprego imaginário é na secretaria de uma escolinha de cidadezinha de interior ou de uma cidade mediana com no máximo uns 300.000 habitantes) - acredito que as características que eu vou descrever abaixo são as do "emprego dos sonhos" de muitos brasileiros por aí, então os confrades que gostam de ler meu blog, por favor, vejam se por acaso se identificam:


(OBS: a maioria das coisas que descreverei são características físicas do ambiente de trabalho, então se eu montasse uma empresa eu deixaria o ambiente dessa forma em meu estabelecimento)


- Emprego público, preferencialmente municipal, de uma boa cidadezinha média, ou qualquer emprego privado que tenha alta estabilidade numa cidadezinha dessas - e geralmente escolas são empregos mais estáveis do que a média do mercado privado

- Expediente de 8h às 16h30 ou 8h às 17h (podendo vender o almoço ou almoçar rápido no escritório para sair mais cedo) ou de 9h às 17h. (Se em qualquer emprego eu pudesse vender minha hora de almoço para sair mais cedo, eu traria uma "marmita saudável" todo dia e almoçaria de boa na frente do computador que nem os supostos empregados "de alto desempenho" mencionados na história dos prints acima, mas eu não faço isso porque sei que não haverá vantagem nenhuma e não poderei sair mais cedo, então eu sempre faço questão de tirar a minha hora de almoço inteira igual o protagonista dos prints!)

- A cultura do estabelecimento é de que você só precisa cumprir 40h semanais não importando como elas estejam distribuídas, então se der um gás na segunda-feira poderá sair mais cedo na sexta-feira, por exemplo. Eu faria logo umas 12h na segunda-feira e na terça-feira, para folgar na sexta sempre que pudesse. Nas épocas em que eu estivesse mais animado, faria 12h na 2ª, 3ª e 4ª, e meio-expediente na 5ª e folgando 6ª. - Claro que nessas circunstâncias ia ter que ter um rodízio de folgas entre os funcionários pois muitos iriam querer folgar na sexta e óbvio que isso não seria possível - afinal iria deixar o estabelecimento vazio - mas pela minha experiência geralmente quando não há muita intervenção da chefia nesses arranjos entre empregados isso costuma dar certo, então acredito que seria possível ter um rodízio bom com a colaboração de todos os funcionários, talvez sendo controlado por uma tabelinha num mural em uma área comum.

- Esse emprego sempre enforca os feriados (Ponto Bônus: às vezes até mesmo muda os dias de alguns feriados não-religiosos para que caiam numa sexta ou segunda-feira [por exemplo: em determinado ano o dia de Tiradentes caiu numa quarta-feira, então o chefe manda todo mundo trabalhar na quarta porque vai dar o feriado na sexta-feira]) - é normal escolas enforcarem feriados, mas não sei se isso vale para o pessoal do administrativo ou se só para professores, alunos e inspetores.

- O (A) chefe / diretor(a) é um(a) coroa de uns 60 ou 70 e poucos anos que nem sabe usar computador direito e digita só com 1 ou 2 dedos de cada mão, só sabe usar Word e Excel, no máximo arrisca uns slides no Powerpoint, e no excel mal sabe usar a função SOMA() 

O chefe hipotético, há uns 20 anos no cargo, digitando só com 1 dedo de cada mão em um PC velho que ele se recusa a trocar




- O chefe / diretor(a) é avesso a mudanças e inovações (então nunca vai aparecer "do nada" com um sistema novo para implementar, ou inventando uma mudança brusca de processo a cada 6 meses, ou gastando uma fortuna com uma consultoria duvidosa, e nem ficar inventando de fazer obras, trocar móveis ou mudar as salas de lugar "só porque sim", etc.) - eu já tive um "chefe" (eu estava assumindo o lugar dele na época, e ele ia subir) que era o contrário disso: ele certa vez olhou para um armário bonito, de madeira, que estava em uma das salas da firma e me pediu para jogar o armário fora e comprar outro, dizendo que aquele "já estava ultrapassado" (detalhe: o tal armário tinha no máximo 2 anos) - imagino que ele tenha feito isso porque era um jeito fácil de "demonstrar serviço" - por uma questão de princípios eu não fiz o que ele pediu, e até onde eu sei, o armário ainda está lá.

        - Ponto Bônus: o chefe / diretor (a) é "perpétuo(a)", o que significa que o cargo dele não tem grande rotatividade, e ele pode ficar muitos anos por ali, sem aquela chatice de troca de chefe a cada 2 ou 3 anos (quem já passou por troca de chefe sabe como geralmente é um processo doloroso... Tem um post meu lá do começo do meu blog no qual eu relato a minha experiência pessoal com isso!)

- As atividades desempenhadas são aquelas típicas de "secretaria de escolinha" ou de um "escritório pequeno": preencher planilhas, fazer lançamentos em sisteminhas (pontos bônus se forem sistemas feitos em COBOL, Pascal ou outra linguagem mais "antiga" e tiverem aquele jeitão de MS-DOS com a tela preta e as letras verdes ou brancas), organizar pastas de arquivos (físicos), gerenciar o estoque do almoxarifado, controlar correspondências, controlar numeração de documentos, fazer pedidos de materiais, registrar chamadas, etc.

- A maioria dos colegas na faixa entre 40 e 60 anos (casados, com filhos, enfim, um pessoal mais maduro e que não vai querer fazer happy hour até tarde e muito menos happy hour toda semana) e só uns poucos na faixa dos 30 e só 1 ou 2 na casa dos 20 (estagiários)

- Reuniões são raras e ocorrem somente para planejar eventos (por exemplo, se for uma escola, as reuniões seriam só para planejar os eventos que envolvam os alunos, e essa minha "escola ideal" onde fica o meu "emprego ideal" só faria eventos para Páscoa, Festa Junina, dia das mães, dia dos pais, dia de Nossa Senhora (vulgo dia das crianças), e formatura da 4ª e da 8ª série (nesse meu emprego ideal a escola não tem ensino médio) (Pontos Bônus: as reuniões são só de pessoas sentadas ao redor de um mesão e usando papéis, sem powerpoint, sem datashow, e tem gente que não anota nada)


As reuniões são numa mesa assim, e não tem nem como plugar um datashow e nem colocar notebooks na tomada durante as reuniões




- Quando ocorre um evento no final de semana (e no caso de escolas é comum ter esses eventos aos sábados, principalmente festas juninas), há compensação equivalente durante a semana seguinte,  mesmo que haja feriado naquela semana (trabalhou no sábado = não vai trabalhar em algum dia entre segunda e sexta-feira da semana seguinte, a combinar com a chefia e com os demais funcionários; se trabalhou sábado e domingo = não vai trabalhar durante 2 dias da semana seguinte)

- O sinal de internet é ruim no recinto, então tudo é feito por LAN / intranet, usando documentos e pastas compartilhadas na rede, etc. Como consequência, o ritmo de trabalho é mais lento, porém mais dedicado a cada tarefa individual, pois ninguém perde tempo lendo notícias e nem vendo reels. (Pontos Bônus: Há uma norma interna proibindo o uso de whatsapp e outros aplicativos de mensagens instantâneas para se comunicar com funcionários dentro e fora do horário de expediente)



- Outros Pontos bônus: 

    1) ainda há alguns computadores "velhos" no recinto (com monitor de tubo amarelado, máquinas rodando windows 95, 98, 2000 ou XP, mas que ainda são usadas para rodar determinados programas e sistemas legado)

        2) Tem um sistema legado que só roda em disquete, então existe um computador antigo com drive de disquete (quem lembra do drive "(A:)" ?) que é mantido vivo só para rodar esse sistema (e tem gente que também usa para jogar paciência, campo minado e o pinball do windows nele na hora do almoço!)




      3) o piso em algumas salas é de taco ou outro estilo "antigo" (sem usar piso frio), e em alguma área externa o chão é de "caquinho", igual casa de avó.

Isso é um piso de caquinho, para quem não sabe. Na minha opinião uma das coisas mais bonitas da arquitetura brasileira

        

4) Nas salas onde as pessoas trabalham sempre tem uma mesinha improvisada, coberta com uma toalha de renda ou uma dessas toalhas de plástico usadas em festas de criança, e em cima dela fica a garrafa térmica com café (uma garrafa marrom, velha de guerra, daquelas antigas, que nem da foto abaixo) - (ou seja, não tem nenhum "point do café" com puffes, "gaveta de chocolate", luzes neon, quadros com arte moderna abstrata, pôsteres com mensagens motivacionais, nada disso) 


    5) Quando o chefe pergunta se tem algum voluntário para um determinado curso noturno que a matriz/prefeitura/secretaria de estado está oferecendo ou para participar de um congresso em outra cidade no final de semana ou qualquer coisa chata assim que atrapalhe a rotina pessoal, ninguém tem medo de dizer que não é voluntário.

     6) Quando o chefe diz que vai ser preciso fazer uma reunião e que por causa da agenda dele(a) só dá para marcar às 18h e pergunta para os funcionários se está tudo bem fazer uma reunião que provavelmente vai passar das 19h, ninguém tem medo de dizer que não vai poder participar e nem que "sim, tem problema".


 7) Ninguém fica forçando usar termos em inglês no dia-a-dia ("job", "approach", "drive", "funding", "budget", etc.) - o pessoal só fala português no trabalho (a não ser a professora de inglês)


Por enquanto é isso, confrades. Se depois eu lembrar de mais características "ideais" desse emprego imaginário eu posto aqui e atualizo o post.


OBS: relembro a todos que eu sou um aspirante a "Semi-FIRE"(sempre escrevo por aqui que estou em busca da Tranquilidade Financeira (TF), que é praticamente a mesma coisa com outro nome). Então não almejo grandes objetivos profissionais (a não ser me tornar melhor em determinadas habilidades e conhecimentos que eu gosto e  considero importantes, mas isso é mais para satisfação pessoal e para uma futura carreira como autônomo), e nem me deixo levar por esses papinhos de "visão", "missão", etc. - eu realmente me enxergo como um mercenário: eu trabalho em troca do dinheiro e dos benefícios, e só. As realizações pessoais, conquistas, satisfações metafísicas, e tal, eu busco fora do trabalho. E eu acredito que o mundo seria melhor se mais pessoas fossem mais honestas neste sentido e buscassem sua maior satisfação no lado espiritual, e não subindo na hierarquia de uma empresa ou entidade pública. 

Se algum dia eu julgar que atingi a TF, talvez eu procure um concurso público para algum emprego parecido com esse que descrevi no post, ou me candidate a uma vaga semelhante em alguma escolinha particular pequena, "de bairro" - claro que muitas das características acima eu não vou encontrar, até porque são condições "ideais demais" mas acredito que um dia eu consiga algo "parecido". E acho que a maioria das características que eu descrevi são meramente estéticas. Mas o importante mesmo são as atividades desempenhadas, o horário (sair do trabalho antes de escurecer dá aumento enorme na qualidade de vida)  e o ambiente de trabalho (o ambiente psicológico, o clima organizacional, etc.).

E eu também sei que passados alguns anos eu provavelmente não gostaria mais de trabalhar neste lugar que descrevi, pois sempre há problemas, fora o possível "tédio" (se bem que o tédio é que faz aflorar a criatividade, então alguma dose de tédio sempre é boa na vida)

Imagino que muitos achariam este ambiente que eu descrevi extremamente chato e não aguentariam e nem gostariam de trabalhar num lugar assim, mas acho que isso é 50% questão de maturidade e 50% gosto pessoal - para mim, que só quero coletar meu dinheiro e sair no horário, está ótimo -- ou seja, eu só conseguiria trabalhar numa "startup de crescimento acelerado" que nem a da copypasta dos prints acima se fosse por um prazo curto e bem definido (acho que no máximo 1 ou 2 anos), com uma recompensa bem clara no final [preferencialmente em dinheiro ou em dinheiro + ações, mas nunca somente em ações]. 


terça-feira, 14 de julho de 2026

Aportes e Atualização Patrimonial - junho de 2026

Saudações, confrades!

Há alguns dias terminamos o mês de junho do Anno de 2026 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verdadeiro Messias, Verdadeiro Rei e Salvador do Mundo! 



Vamos a mais um post de atualização, como sempre com todos os valores expressos em Coroas, a moeda fictícia do meu blog.




Aumento acumulado de 579% desde junho de 2021. Cada real aportado é um tijolinho do meu castelo. Sigamos em frente, melhorando sempre e com disciplina.

Relembrando, como sempre, que nenhum ativo mencionado no blog e/ou em seus comentários é uma recomendação de compra e nem de venda! Estudem sozinhos e trilhem seus próprios caminhos, com suas próprias conclusões e montando o seu conhecimento (o ativo mais valioso), ou ficarão para sempre nas mãos pútridas dos nossos horrosos influencers financeiros que perambulam à solta na internet!

Ações - tal qual nos meses anteriores, sem compras e sem vendas em junho, seguindo minha meta de aumentar o valor em RE para dar entrada em um imóvel. E, como escrevi no mês passado, depois de comprar meu imóvel vou me concentrar em adiantar prestações ou engordar a RE ou, em 3º lugar, aportar em FIIs para engordar a carteira previdenciária. Precisarei fazer um gerenciamento mais próximo do dinheiro, tal qual não faço há alguns anos. Por um lado, deve ser divertido...



FIIs - Em junho, aportei nos FIIs HGRU11, TRBL11 e XPLG11. Lendo e-mails "antigos" e postagens no forum do Bastter, percebi que perdi o timing para o OPA do FII XPLG11 XPIN11(eu nem sabia que ia acontecer, tanto que aportei nele! EDIT: confundi os 2 fundos: eu aportei no XPLG11 e perdi a OPA do XPIN11....menos mal!), o que significa que terei que enviar as notas de corretagem para a gestora para comprovar meu preço médio e com isso receber uma combinação de dinheiro + cotas do fundo novo . Uma pena. Vi também que o FII LVBI11 foi marcado no fórum do Bastter como "possível OPA" (pelo visto ele está para ser incorporado ao HGLG, só faltando definir a data para isso acontecer, mas existe também a pequena probabilidade de virar um FII fechado - não negociado em bolsa - e neste caso seria melhor eu vender)- nesse eu vou ficar de olho para não perder o timing, ou então vou deixar quieto e ganhar mais cotas do HGLG. Ou talvez eu venda logo e redistribua o dinheiro entre os outros FIIs da carteira ou compre um FII novo. Vamos ver...



Exterior - Em junho finalmente aportei os dividendos acumulados na corretora, e em REITs, seguindo a minha estratégia de engordar a renda passiva no exterior e deixar essa parte da carteira "andando sozinha" e "se retroalimentando' - aportei nos REITS Weyerhaeuser (do setor de florestas para produção de madeira/celulose e venda de licenças de caça) e One Liberty Properties (majoritariamente do segmento industrial, mas também com alguns imóveis do tipo "lojas de rua", incluindo postos de gasolina e até mesmo academias).


Renda Fixa - mais uma vez, a maior parte do valor que iria para aportes foi para a RE, por causa do meu plano de comprar um imóvel. Será assim pelos próximos meses, não tem jeito. Ou isso ou adiantar prestações quando eu comprar o imóvel.


Renda Passiva - em junho recebi 20,3 Coroas. Acho que o "novo patamar" está estabelecido nessa média entre 16 e 21 Coroas. A média mensal de renda passiva este ano, até  o momento, é de 20 Coroas e em nenhum mês eu recebi menos de 15 (o mínimo foi justamente 15, em fevereiro, que historicamente é um mês mais "pobre" de dividendos), e até o momento já ganhei quase a mesma quantidade de renda passiva do que em todo o ano de 2023 (conforme poderá ser visto no gráfico da renda passiva acumulada, um pouco mais abaixo). 

Segue o meu gráfico favorito, que mostra bem o poder da bola de neve, o qual por sua vez é o resultado de trabalho + disciplina + paciência:



Seguem os gráficos de renda passiva acumulada ano a ano e de patrimônio total do meu ETF fictício MAGO11:




Generalidades

- Mais uma reflexão: há alguns anos, quando começaram a surgir no mercado as lâmpadas LED, havia toda uma propaganda que elas eram "baratas", "eficientes" e "duráveis" e que iriam ajudar você a economizar a conta de luz e você demoraria anos para trocar uma lâmpada LED, pois afinal elas eram "duráveis". Vocês já repararam que nada disso aconteceu? A conta de luz nunca ficou mais barata quando você trocou todas as lâmpadas da sua casa por LED, e elas ainda precisam ser trocadas em apenas alguns meses, tal qual as lâmpadas incandescentes de outrora, ao invés de em anos conforme o propagandeado. A dura realidade da vida é que geralmente essas supostas soluções "mágicas" tecnológicas que vem para reduzir custos na maioria das vezes só vêm para engordar a PLR dos diretores das empresas envolvidas. E eu sinceramente gostava mais das lâmpadas incandescentes... Para compensar isso, eu procuro sempre comprar lâmpadas LED de luz amarela (vendidas como "luz quente"), porque as de luzes brancas têm aquele efeito ruim de fazer sua casa parecer um consultório médico ou um escritório de multinacional.

- Na mesma linha da reflexão acima: quando tornaram os processos de compra de passagens aéreas 100% digitais e praticamente eliminaram os guichês das companhias aéreas em aeroportos... provavelmente havia uma promessa de redução de custos, preços mais baratos, assim como ocorre em toda digitalização de serviços, mas eu não vejo os preços ficarem mais baratos. Para mim está sempre a mesma coisa. Acho que foi mais um caso de redução de custos para aumentar as PLR dos CEOs, CFOs e outros tipos de diretores das cias aéreas...

- Pensando no que escrevi acima, aqui vai um conselho a todos os confrades que leem o meu blog: ajudem seus parentes idosos a lidar com essas maluquices digitais de hoje em dia (principalmente os horrorosos cadastros no gov.br, no inss e em bancos)  Há muitos idosos (e alguns nem tão idosos assim) que simplesmente não sabem nem mexer com e-mail direito, quem dirá acessar gov.br e bancos digitais. E há muitos malandros infiltrados em diversos lugares (órgãos públicos, bancos, financeiras, etc.) que têm acesso às nossas informações e se aproveitam disso (eles sabem pelo histórico de logs nos sistemas que "aquele velhinho de 92 anos" nunca acessou o "MeuINSS .gov .br" então cadastram seus próprios e-mails ou e-mails falsos e fazem empréstimos no nome do velhinho, ou roubam centavos de milhares de velhinhos, ou várias outras maldades que nem faço idéia quais sejam). Eu sinceramente sou contra serviços que migram 100% para  o virtual e abandonam todo o atendimento presencial ou que colocam obstáculos quase intransponíveis para que você seja atendido por uma pessoa, seja por telefone ou numa agência física. Isso não é progresso, é apenas mais uma forma de enganar as pessoas, extrair mais dinheiro delas e entregar serviços piores.

- Uma coisa comum de acontecer é aquele parente que tinha um e-mail antigo do Terra ou do Uol e usou ele quando se inscreveu em algum serviço (como um seguro de vida, por exemplo), e se esqueceu de atualizar o e-mail (isso pode acontecer com todos nós, nem precisa ser idoso!) e com isso qualquer aviso, cobrança, etc. que é enviado por e-mail cai em um limbo de esquecimento, pois ele não possui mais acesso a esse e-mail antigo e acaba sendo prejudicado. Ou então eles não lembram mais como acessar ou por outro motivo não conseguem mais acessar estes e-mails e com isso não conseguem nem resetar senhas, por exemplo. Portanto, ajudem seus parentes mais velhos (seus pais, seus tios, avós, etc.) a cadastrarem e-mails novos nestes serviços, a redefinirem senhas, atualizarem telefones e endereços, para não caírem nas garras de espertalhões que trabalham nestes lugares e vendem nossos dados ou os usam para fazerem empréstimos e compras em nossos nomes! Conforme o que eu escrevi acima, essa mudança para 100% digital só prejudicou os consumidores, e qualquer custo eventualmente reduzido certamente não se refletiu em preços mais baixos. No muito, no muito, serviu para aumentar a PLR dos diretores destas entidades, e só. Fiquemos de olho! 

(OBS: eu não tenho absolutamente nada contra diretores e CEOs ganharem mais e nem contra aumentarem seus salários, contanto que isso não seja em detrimento dos outros trabalhadores e nem em detrimento dos clientes, como acontece quando, por exemplo, em um determinado ano a multinacional XPTO S/A demite 10.000 funcionários, fecha 15 fábricas e ao mesmo tempo anuncia lucro recorde de R$ 80 bilhões no mesmo ano, e o CEO e os principais diretores ganham um bônus cada um de R$ 25 milhões, enquanto os funcionários sobreviventes ganham um "vale-compras" de R$ 1.000,00 [que só pode ser resgatado nas lojas conveniadas] a título de PLR - isso realmente acontece em determinadas S/A que dão prejuízo contábil ano a ano, mas misteriosamente seus diretores têm seus bônus assegurados e religiosamente pagos, ou mantém o salário de 6 dígitos mensais caso não recebam bônus)


Por enquanto é isso, confraria. Vou ver se no maravilhoso mês de julho eu posto alguma outra coisa além de atualização patrimonial. 

Fiquem com a música do mês (Lord of the Rings, da banda Blind Guardian - já devo ter postado aqui em outro mês, mas ouçam de novo, se for o caso. Leiam O Senhor dos Anéis, para aumentar seus horizontes de imaginação e consciência também!):


Forte Abraço, companheiros de jornada! 

Fora da caridade não há salvação!

Fiquem com Deus!

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Aportes e Atualização Patrimonial - maio de 2026

Saudações, confrades!

Terminamos o mês de maio do Anno de 2026 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verdadeiro Messias e Salvador do Mundo!

Começamos o meio do ano, o mês de junho, o que abre as portas para a melhor tradição brasileira, que são as festas juninas.

Literalmente eu. É assim que eu me visto no dia-a-dia. If you are not Wizardmaxxing, you are not gonna make it.

Vamos a mais um post de atualização, como sempre com todos os valores expressos em Coroas, a moeda fictícia do meu blog.


Aumento acumulado de 565,2% desde junho de 2021. Cada real aportado é um tijolinho do meu castelo. Sigamos em frente, melhorando sempre.

Relembrando, como sempre, que nenhum ativo mencionado no blog e/ou em seus comentários é uma recomendação de compra e nem de venda! Estudem sozinhos e tracem seus próprios caminhos, ou ficarão na mão dos sofríveis influencers financeiros à solta na internet!

Ações - sem compras e sem vendas em maio, ainda mantendo minha meta de aumentar o valor em RE para dar entrada em um imóvel. Isso deve permanecer assim por um bom tempo ainda, pois depois de comprar meu imóvel, vou me concentrar em adiantar prestações ou engordar a RE ou, em 3º lugar, aportar em FIIs para engordar a carteira previdenciária.



FIIs - Sem aportes em maio, a carteira de FIIs permaneceu a mesma. O foco em maio foi "sobrar" dinheiro para engordar a  RE.



Exterior - sem aportes aqui, novamente. Mais um mês de dividendos acumulando na corretora. Até fiz um login para o pessoal de lá não achar que eu morri e atualizei algumas informações. Os dividendos que eu for recebendo no exterior vou voltar a aportar em REITs, para engordar a renda passiva no exterior e deixar essa parte da carteira "andando sozinha" e "se retroalimentando'.


Renda Fixa - mais uma vez, todo o valor que iria para aportes foi para a RE, por causa do meu plano de comprar um imóvel. Engraçado como isso (aportar só na RE) era impensável para mim apenas alguns meses atrás (cheguei a comentar que isso me dava "FOMO" porque eu me sentia mal em não aportar em ações, e no entanto agora estou há alguns meses sem aportar nada em ações, tendo feito só uns poucos aportes humildes em FIIs)


Renda Passiva - em maio recebi 24,4 Coroas, acho que este é o segundo maior valor recebido até hoje, sendo superado somente pelo recorde de 44,3 coroas de dezembro de 2025. Segue o meu gráfico favorito, que mostra bem o poder da bola de neve:



Seguem os gráficos de renda passiva acumulada ano a ano e de patrimônio total do meu ETF fictício MAGO11:





Generalidades

- Uma reflexão: reparem que todas as coisas que têm potencial para aumentar a sua riqueza e/ou o seu poder são proibidas para as pessoas comuns (leia-se: proibidas formalmente, por meio de lei), mas são permitidas àqueles que já estão no poder e àqueles que estão por trás do poder (por exemplo: nepotismo, insider trading, etc. - nós, pessoas comuns, se trabalhamos numa S/A listada em bolsa e formos pegos fazendo "insider trade" (ou muito menos que isso, apenas vendendo ações da empresa antes de determinado prazo), pagamos multa e, dependendo, somos até presos, mas os poderosos recebem informações privilegiadas à vontade, fazem o que querem na bolsa e ninguém fala nada; se você por um milagre conseguir se eleger prefeito de uma cidadezinha [de alguma cidade que ainda não tenha sido dominada por alguma quadrilha política] e colocar um irmão ou um primo seu [ou seja, uma pessoa de confiança] para cuidar de um assunto importante, ou dar um cargo, ainda que pequeno, para um tio, ou ajudar aquele seu primo mais pobre dando vagas para os filhos dele no colégio municipal, seus inimigos te denunciarão no TCE local e você será processado e talvez preso - enquanto que os inimigos fazem nepotismo na cara de pau, e nada acontece)

- Esse ano, como sempre, deixei para entregar a declaração do IR para a última hora, então só devo receber minha magra restituição lá para agosto ou setembro (geralmente é por aí, eu sei porque sempre entrego na última semana). Me impressionei como que o programa da receita ficou "bugado" esse ano. Havia tantos erros na declaração pré-preenchida que eu desisti e fiz tudo do zero (e essa foi a primeira vez que resolvi dar uma chance para a tal da pré-preenchida... não foi uma boa primeira impressão). 


Por enquanto é isso, confraria. Vou ver se no maravilhoso mês de junho eu posto alguma outra coisa além desta humilde atualização patrimonial (já prometo isso há muito tempo, eu sei).

Fiquem com a música do mês (Weballergy, da banda Sonata Arctica):




Forte Abraço, companheiros de jornada! 

Fora da caridade não há salvação!

Fiquem com Deus!

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Os Conflitos entre gerações

Quem é "cronicamente online" sabe que já há alguns anos vem sendo fomentada uma animosidade entre os mais jovens, principalmente os da "geração Z" e "Millenials", contra os "baby boomers". 

Não sei se isso é algo "orgânico" ou se é realmente algo que está sendo fomentado por interesses escusos. 

De qualquer maneira, acho algo bastante interessante de ser observado.

Comentarei a respeito neste post.



Primeiramente: "baby boomer" é  o nome que recebeu a geração que nasceu nos anos 40 e 50, época em que os soldados que lutaram na segunda guerra mundial voltaram para casa e fizeram um monte de filhos - daí o nome "baby boom", que significa literalmente "explosão de bebês". 

O estereótipo da geração "baby boomer"  obviamente são os EUA e a grande questão é que eles, os "boomers", deram sorte de pegar uma época de imensa prosperidade econômica no pós-guerra. 

Uma explicação simplificada para isso é que - acredito eu - na época havia menos  homens (pois muitos haviam morrido na segunda guerra mundial) e com isso "sobravam" mais empregos e os salários tendiam a ser maiores (mas por outro lado, foi também a época em que muito mais mulheres entraram no mercado de trabalho, então não sei se isso "equilibrou" a tendência de subida dos salários, do ponto de vista da quantidade de mão de obra disponível na época)

Além disso, por causa dos esforços de guerra, foi criada uma imensa capacidade industrial para produzir combustível, tanques, carros, aviões, munição, etc. fora toda a infraestrutura logística criada e ampliada para abastecer as tropas nos fronts. Depois da guerra, toda essa capacidade ficou "ociosa" e foi redirecionada para reconstruir a Europa e também para produzir eletrodomésticos, carros civis, remédios, alimentos, etc.  Com isso, a produção aumentou, e com as tecnologias geradas para a guerra aplicadas à indústria e ao comércio a produtividade dos trabalhadores também aumentou. Com isso o preço das coisas ficou bem mais barato e os salários tenderam a subir. Assim, as pessoas podiam consumir mais. Acredito que na Europa tenha ocorrido um efeito semelhante, só que tendo ocorrido muito mais mortes de homens do que nos EUA. 

Então especialmente nos EUA foi período de imensa prosperidade econômica. 

Dizem até mesmo que foi um período de prosperidade sem igual na história, de modo que acredita-se que esta foi a geração mais rica que existiu.

Quais são as outras gerações que foram "nomeadas" pelos acadêmicos? Vejamos as principais:



1) Lost Generation ("geração perdida") - nascidos entre 1880 e 1900. Lutaram na primeira guerra mundial e imagino que muitos tenham se tornado niilistas, sombrios, pessimistas, etc. com o ocorrido. Foi a geração que testemunhou o surgimento dos aviões. Não deve ter mais ninguém vivo dessa geração.  Eu imagino que a primeira guerra deve ter sido algo chocante, mas acho estranho que os historiadores digam tanto dos impactos psicológicos da primeira guerra nessa geração (ao ponto de chamarem-na de geração perdida), tendo em vista que houve guerras horrorosas no mundo moderno antes da primeira guerra (Considerando só a Europa, eu penso muito na Guerra dos 30 anos [ok, ela aconteceu uns 300 anos antes da IGM, então não devia haver muita memória dela] e nas Guerras Napoleônicas [estas mais próximas, tendo ocorrido no início do século XIX, então na época da 1ª GM ainda havia pessoas que conviveram com os veteranos das guerras napoleônicas])



2) Greatest Generation ("a ''melhor'' geração de todas") - os nascidos entre 1900 e 1927, viveram as duas guerras mundiais, muitos lutaram na segunda, e acredito que uns poucos chegaram a lutar nas duas, ainda que como civis (pois os mais velhos dessa geração teriam 14 anos no início da primeira guerra). Viveram a vida adulta durante a Grande Depressão, o que deve ter sido bem difícil principalmente nos EUA, e os Europeus, em massa, ainda tiveram que lutar na segunda guerra mundial e depois viver nas ruínas da Europa durante a reconstrução. Muito sangue inocente derramado nessa época. Fico imaginando por onde eles andam hoje em dia, se já se recuperaram de seus traumas.

(Eu não duvidaria se tivesse sido um representante dessa suposta "melhor geração de todas" quem deu a idéia de colocar esse nome). 

Os poucos representantes dessa geração que ainda estão vivos têm 100 anos ou quase.



3) Silent Generation ("geração silenciosa") - nasceram entre 1928 e 1945, o que significa que eram crianças e cresceram durante a grande depressão e a segunda guerra e não tiveram que lutar (exceto, talvez, como civis, principalmente no caso dos países europeus que foram invadidos, e também chineses e japoneses, fora outros países asiáticos que também sofreram na segunda guerra). Devem ter sofrido o trauma de ver suas  famílias e casas destruídas quando eram crianças e adolescentes (principalmente os europeus) e o trauma do "pai soldado que nunca voltou da guerra". Receberam a alcunha de "silenciosa" porque cresceram com esse trauma e buscaram evitar conflitos e só manter as coisas e ficarem seguros, ou ao menos é o que os historiadores/sociólogos dizem. Ainda há muitos deles entre os vivos, e estão na casa dos 80~90 anos. Novamente, esse é um rótulo que se aplica muito mais aos EUA-Europa e nem tanto ao Brasil, por conta de nossa distância dos teatros de operações e de nossa relativamente baixa participação na 2ªGM.

(Foram tão silenciosos que não encontrei um meme decente sobre eles para ilustrar o post)

4) Baby boomer - os nascidos entre 1946 e 1964, segundo a minha fonte para este artigo. Já explicado acima. Como foram mais numerosos do que as anteriores, eventualmente ganharam maior representação na política, nas empresas, associações e comunidades em geral. Hoje em dia estão na faixa entre 60 e 80 anos.



5) Geração X - Aqui os historiadores/sociólogos/demagogos perderam a criatividade e ao invés de darem um nome, deram uma letra. A geração X é a dos nascidos entre 1965 e 1980, segundo a minha fonte. Também pegaram um bom período de prosperidade econômica, impulsionado por avanços nas áreas de eletrônica, informática e o comecinho da internet. Hoje estão na faixa entre 40 e 60 anos. Foram a primeira geração a serem criados, em sua maioria, com o pai e a mãe trabalhando fora, então se acostumaram a "ficarem sozinhos" desde cedo e também foram a primeira geração a testemunhar muitos divórcios, o que certamente afetou sua psique. Além disso, viveram boa parte da vida com os temores da Guerra Fria (a constante ameaça de que, a qualquer momento, os russos ou os EUA iriam começar uma guerra nuclear que escalaria de tal maneira que destruiria o mundo - esse era o terror, a "black pill" daquela época - notem que embora [teoricamente] ainda haja tantas ou mais armas nucleares do que naquela época, quase não se fala mais nisso. Acho no mínimo curioso). Essa me parece ser uma geração meio sem característica própria, quase como uma geração Baby Boomer só que sem tanta prosperidade econômica. Supervalorizam os anos 80.



6) Geração Y ou "Millenials" - são nascidos entre 1981 e 1996. Pegaram o uso da informática e da internet crescendo exponencialmente, mas ainda tiveram uma infância sem internet (e muitos sem computador, principalmente os mais pobres no Brasil). Hoje em dia estão com entre 30 e 40 anos. Receberam a alcunha de millenials porque cresceram "na virada do milênio", eu acho. Foi uma geração que cresceu com computadores, tinham aula de "informática" na escola. Cresceram nos anos 90, uma época de relativa paz e prosperidade no mundo, e por isso supervalorizam aquela década. 



7) Geração Z ou "Zoomers" - nascidos entre 1997 e 2012. Nasceram num mundo onde a internet já era amplamente usada, mas a maioria não usou smartphone quando criança. Ainda estão entre 20 e 30 anos, muitos ainda na faculdade, e outros começando a trabalhar. Já têm fama de não gostarem de trabalho, não quererem se sujeitarem a abusos em empresas e, no Brasil, têm fama de serem a geração que despreza a CLT. Acredito que sejam conhecidos como "Zoomers" somente na internet. São amplamente criticados por Boomers e pela geração X (que são os grupos que representam hoje a maioria dos cargos de chefia nas empresas) por não quererem trabalhar.



9) Geração Alfa - os nascidos depois de 2012 e até 2024. Ainda são  bebês, crianças ou adolescentes. Pegaram um mundo dominado por smartphones e internet de fácil acesso, e vão crescer em um mundo com "inteligência artificial. Muitos estão usando smartphone desde criança, mas tiveram pelo menos uma parte da vida escolar sem IA, especialmente os que nasceram mais próximos de 2012. Os mais para o final da Geração Alfa provavelmente usarão IA em toda a sua vida escolar, e brincaram com tablets e smartphones desde bebês. Ainda têm o agravante de terem tido parte da infância durante a pandemia e terem passado os anos iniciais de suas vidas vendo os adultos usando máscaras. Será que isso gerará desvios psicológicos? O tempo dirá. Só escaparam disso os nascidos a partir de 2022.

10) Geração Beta - aqui eu acho que os "estudiosos" se apressaram e já deram um nome para uma geração que mal começou. São os nascidos a partir de 2025. Ainda são todos bebês, e (teoricamente) vão crescer já com "inteligência artificial" acoplada nos smartphones e computadores, e com as tecnologias que virão depois (se houver).  Provavelmente passarão a vida escolar inteira usando IA, com todas as consequências positivas e negativas disso. Prevejo que no futuro haverá "tiozões" millenials e zoomers fazendo piadas com a geração Beta, por causa do nome. Pelo menos estes não viveram a pandemia.


Agora, falando sobre o conflito inter-geracional, vou escrever em vários tópicos, porque o assunto é grande demais para escrever um só texto contínuo e coeso. Relembro que todos os tópicos que eu escreverei são decorrentes das minhas observações e da minha experiência pessoal:

- O conflito ocorre (ou é fomentado) principalmente entre Boomers e Zoomers e entre Boomers e Millenials na internet.

- Raramente vejo brigas Millenials versus Zoomers, mas também existe. 

- A "Geração X", pelo que vi, só observa e não se manifesta muito como geração. Veremos como é que vai ser quando os X'ers ocuparem o lugar dos boomers.


- Óbvio que estes rótulos não se aplicam 100% ao Brasil, especialmente o rótulo da "geração baby boomer", pois o pessoal que cresceu no Brasil dos anos 50, 60 e 70 pegou um país muito ferrado economicamente, nem de longe se comparando aos EUA, e desconheço se foi um período de explosão populacional no Brasil à semelhança dos EUA. Talvez a geração brasileira que mais se aproxime da baby-boomer americana seja o pessoal que começou a trabalhar no início do Plano Real, que foi o nosso período de prosperidade econômica (por causa da estabilização da inflação, época em que 1 dólar = 1 real, etc.) que seriam mais a geração X, cronologicamente, mas também muitos da geração Boomer. 

- Outra geração que se deu bem no Brasil, a meu ver, foi a que estava se formando na universidade lá por volta de 2000, 2001 e 2002, que foi uma época em que houve muitos concursos públicos bons e naquela época os concursos eram mais fáceis (baseio minha opinião no nível de dificuldade das questões e também pelo fato de ser uma época em que havia uma certa descrença generalizada na lisura dos concursos, o que reduzia a concorrência - isso era fruto de épocas mais patrimonialistas: nos anos 80 muitos cargos públicos que hoje exigiriam concurso eram de livre nomeação, e conheço pessoas que conseguiram cargos permanentes por terem entrado por indicação de parentes e amigos nos anos 80 e isso ainda era possível até o começo dos anos 90)

- Com base no que escrevi acima, uma outra geração que se deu bem era a que estava em idade para trabalhar nos 80 e conhecia ou era parente de funcionários públicos em cargos de chefia e com isso puderam entrar por indicação em órgãos públicos, em cargos que hoje em dia exigiriam concurso e seriam disputados a tapa por milhares de concurseiros.

- O estereótipo que ronda a internet, para os Boomers, é o seguinte: uma geração egoísta, que surfou a maior prosperidade econômica da história, gerou muitos políticos ruins, está se recusando a "largar o osso" na política e nas empresas (muitos políticos da alta cúpula, praticamente todos, são boomers, e o mesmo vale para muitos CEOs, CFOs, etc. das maiores empresas) e têm a má-fama de estarem queimando a riqueza que acumularam ao invés de passarem para seus filhos. 

- Um exemplo disso: recentemente houve uma polêmica envolvendo um discurso do Trump, no qual o mesmo disse que poderia criar mecanismos legais para reduzir o preço das casas, mas que não faria isso para não prejudicar a riqueza dos donos de imóveis. Esta fala incomodou muito os Millenials e os Zoomers, que estão se sentindo excluídos do mercado imobiliário americano por conta dos altos preços dos imóveis.

- No Brasil, essa crise imobiliária também está afetando as esperanças do pessoal millenial e zoomer. É fato que está cada vez mais difícil comprar um imóvel no Brasil. Pela minha experiência pessoal, os preços quadruplicaram lá por volta de 2010, 2011 - algum ano desses (sei disso porque na certidão de RGI do meu imóvel eu vi que o proprietário anterior o comprou em 2008 por um preço 4 ou 5 vezes menor do que eu paguei em 2015, e ainda reclamou do atraso da liberação do valor da entrada, dizendo na minha cara que eu "ainda fiquei com os juros da entrada" só porque a transferência atrasou uns 2 ou 3 dias por conta de burocracias do banco)

- Eu me lembro de um colega de trabalho comentando uma vez (lá por volta de 2016, eu acho - eu lembro do ano por causa do emprego em que eu estava na  época) que "imóveis caros são sinal de prosperidade econômica", mas discordo totalmente dele. Acho que um país realmente próspero é aquele em que as famílias não precisam se preocupar com isso, pois ter um imóvel seria algo trivial. Infelizmente, parece que muita gente acha que imóvel caro é uma coisa necessariamente boa, mesmo que haja milhões de pessoas incapazes de terem o seu.

- Além da crise imobiliária, outra coisa que instiga discussões na internet é a aposentadoria. Lá fora, os millenials e zoomers também estão chateados com a expectativa de trabalharem para bancar a previdência dos boomers ao mesmo tempo que têm um prognóstico de não poderem se aposentar, ou se aposentarem sem benefícios ou só com benefícios ruins.

- Essa discussão da previdência também chegou no Brasil. Imagino que no nosso caso, se ainda existir um INSS, ou nós nos aposentaremos só com 80 ou 90 anos, ou então vão manter a idade mais  ou menos parecida com a que é hoje, mas o pagamento vai ser 1 salário mínimo para todo mundo, mesmo que você tenha contribuído para ganhar o teto. Ou então quem ganhar mais que 1 salário mínimo vai ter um desconto para compensar o rombo e com isso vai ganhar 1 salário mínimo líquido.

- Outra discussão que está pegando fogo lá fora já há alguns anos é a questão dos empregos que foram exportados (principalmente para a China) por conta da globalização. Os EUA e a Europa deixaram de ter muitos empregos industriais e os exportaram para o terceiro mundo, com as empresas deslocando fábricas para outros países e se transformando em uma "economia de serviços" e inventaram a "agenda verde" para justificar isso. Sob esse ponto de vista, eu enxergo a globalização como um erro, pois além do desemprego, da precariedade da "economia de serviços" (e agora da "gig economy"), isso cria uma dependência grande demais desses países para com aqueles onde as fábricas foram instaladas. Estrategicamente, acho que todo país precisa ter uma capacidade industrial e energética para não ficar na mão de outros países. Pelo menos o essencial deve ser produzido em casa. Essa é a minha opinião.

- Acho que aqui essa discussão não chegou tanto porque, primeiro, nunca tivemos tantas indústrias e nem tantos empregos bons como nos EUA dos anos 50 até os anos 80. As poucas empresas boas daqui exportaram fábricas e seus melhores empregos antes mesmo dos brasileiros perceberem que foram passados para trás.

- A Geração X parece que está de fora de todas estas discussões, mas o meme acima é bastante real pelo que pude observar em minhas leituras e pesquisas para este post: o pecado dessa geração é o orgulho.

- Vejo que a "mentalidade boomer" é algo bastante real: faz uns 2 ou 3 anos, lembro de  um pessoal mais velho no trabalho  discutindo os planos para quando se aposentarem, e todos da conversa disseram que iriam gastar 100% do valor acumulado na previdência e não deixariam nada para seus filhos, e até falavam isso de uma maneira um tanto esnobe. Claro que cada um faz o que quer com seu dinheiro, mas eu penso em deixar alguma coisa para os meus, e pretendo ensinar coisas e dar o máximo de vantagens possível para os meus filhos, se Deus quiser. Acho inconcebível essa história de "eles que se virem". Óbvio que eles precisam aprender a se virar, mas daí para gastar o patrimônio e não deixar nada, aí já acho demais. 


- Lembro-me também de uma professora na faculdade que volta e meia criticava a minha turma, dizendo que nós só pensávamos em dinheiro e "em ficar milionários rápido". Havia outras reclamações dela que eram parecidas com esta, mas não lembro agora.

- Não sei se é uma "marca geracional", mas eu tenho um pensamento um tanto "mercenário" quanto ao trabalho: eu me desiludi quanto a coisas como "me realizar" ou "fazer o que gosto" e busco somente um trabalho com o maior pagamento possível e que não me submeta a um estresse maior do que eu posso aguentar, sem idealismos, sem "missão de vida", sem "meu chamado", sem nada disso. 

- Óbvio que tudo o que se escreve como "características" das gerações são meramente "estereótipos", meras "generalizações", e não representam a totalidade dos membros de suas respectivas gerações. Então, por exemplo, há boomers que vão sim deixar heranças para os filhos, há X'ers que não são orgulhosos nem autocentrados e nem apáticos, há millenials que não são "snow flakes" e que sabem que não serão diretores no primeiro ano na empresa, e há zoomers que gostam de trabalhar mesmo na CLT.


É isso, confraria. Se eu me lembrar de outra experiência minha, ou de outro aspecto interessante desse conflito intergeracional, vou atualizar o post.

Vocês têm alguma história para contar sobre isso? Algum leitor meu é boomer? Algum é da geração Z? 


Forte Abraço!
Fiquem com Deus!