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terça-feira, 21 de julho de 2026

Meu emprego dos sonhos

 Saudações, confrades!

acho que esse post era bait, porque já vi essa mesma história sendo publicada em inglês em outra parte do twitter (ver a foto abaixo). Provavelmente é apenas uma copypasta, mas não deixa de ser, de certa forma, "real"!

A versão em inglês da mesma história, em outra rede social, o que praticamente comprova que trata-se de uma Copypasta. Mas, como eu disse acima, essa história tem um fundo de verdade e já devem ter acontecido situações semelhantes inúmeras vezes na vida real!


Motivado por umas discussões que eu vi na internet recentemente acerca da famigerada "ética do trabalho" (vide imagens acima), vou escrever este post apenas como um exercício mental e de imaginação no qual eu tento desenhar como seria o meu emprego dos sonhos, o meu emprego ideal (esse meu emprego imaginário é na secretaria de uma escolinha de cidadezinha de interior ou de uma cidade mediana com no máximo uns 300.000 habitantes) - acredito que as características que eu vou descrever abaixo são as do "emprego dos sonhos" de muitos brasileiros por aí, então os confrades que gostam de ler meu blog, por favor, vejam se por acaso se identificam:


(OBS: a maioria das coisas que descreverei são características físicas do ambiente de trabalho, então se eu montasse uma empresa eu deixaria o ambiente dessa forma em meu estabelecimento)


- Emprego público, preferencialmente municipal, de uma boa cidadezinha média, ou qualquer emprego privado que tenha alta estabilidade numa cidadezinha dessas - e geralmente escolas são empregos mais estáveis do que a média do mercado privado

- Expediente de 8h às 16h30 ou 8h às 17h (podendo vender o almoço ou almoçar rápido no escritório para sair mais cedo) ou de 9h às 17h. (Se em qualquer emprego eu pudesse vender minha hora de almoço para sair mais cedo, eu traria uma "marmita saudável" todo dia e almoçaria de boa na frente do computador que nem os supostos empregados "de alto desempenho" mencionados na história dos prints acima, mas eu não faço isso porque sei que não haverá vantagem nenhuma e não poderei sair mais cedo, então eu sempre faço questão de tirar a minha hora de almoço inteira igual o protagonista dos prints!)

- A cultura do estabelecimento é de que você só precisa cumprir 40h semanais não importando como elas estejam distribuídas, então se der um gás na segunda-feira poderá sair mais cedo na sexta-feira, por exemplo. Eu faria logo umas 12h na segunda-feira e na terça-feira, para folgar na sexta sempre que pudesse. Nas épocas em que eu estivesse mais animado, faria 12h na 2ª, 3ª e 4ª, e meio-expediente na 5ª e folgando 6ª. - Claro que nessas circunstâncias ia ter que ter um rodízio de folgas entre os funcionários pois muitos iriam querer folgar na sexta e óbvio que isso não seria possível - afinal iria deixar o estabelecimento vazio - mas pela minha experiência geralmente quando não há muita intervenção da chefia nesses arranjos entre empregados isso costuma dar certo, então acredito que seria possível ter um rodízio bom com a colaboração de todos os funcionários, talvez sendo controlado por uma tabelinha num mural em uma área comum.

- Esse emprego sempre enforca os feriados (Ponto Bônus: às vezes até mesmo muda os dias de alguns feriados não-religiosos para que caiam numa sexta ou segunda-feira [por exemplo: em determinado ano o dia de Tiradentes caiu numa quarta-feira, então o chefe manda todo mundo trabalhar na quarta porque vai dar o feriado na sexta-feira]) - é normal escolas enforcarem feriados, mas não sei se isso vale para o pessoal do administrativo ou se só para professores, alunos e inspetores.

- O (A) chefe / diretor(a) é um(a) coroa de uns 60 ou 70 e poucos anos que nem sabe usar computador direito e digita só com 1 ou 2 dedos de cada mão, só sabe usar Word e Excel, no máximo arrisca uns slides no Powerpoint, e no excel mal sabe usar a função SOMA() 

O chefe hipotético, há uns 20 anos no cargo, digitando só com 1 dedo de cada mão em um PC velho que ele se recusa a trocar




- O chefe / diretor(a) é avesso a mudanças e inovações (então nunca vai aparecer "do nada" com um sistema novo para implementar, ou inventando uma mudança brusca de processo a cada 6 meses, ou gastando uma fortuna com uma consultoria duvidosa, e nem ficar inventando de fazer obras, trocar móveis ou mudar as salas de lugar "só porque sim", etc.) - eu já tive um "chefe" (eu estava assumindo o lugar dele na época, e ele ia subir) que era o contrário disso: ele certa vez olhou para um armário bonito, de madeira, que estava em uma das salas da firma e me pediu para jogar o armário fora e comprar outro, dizendo que aquele "já estava ultrapassado" (detalhe: o tal armário tinha no máximo 2 anos) - imagino que ele tenha feito isso porque era um jeito fácil de "demonstrar serviço" - por uma questão de princípios eu não fiz o que ele pediu, e até onde eu sei, o armário ainda está lá.

        - Ponto Bônus: o chefe / diretor (a) é "perpétuo(a)", o que significa que o cargo dele não tem grande rotatividade, e ele pode ficar muitos anos por ali, sem aquela chatice de troca de chefe a cada 2 ou 3 anos (quem já passou por troca de chefe sabe como geralmente é um processo doloroso... Tem um post meu lá do começo do meu blog no qual eu relato a minha experiência pessoal com isso!)

- As atividades desempenhadas são aquelas típicas de "secretaria de escolinha" ou de um "escritório pequeno": preencher planilhas, fazer lançamentos em sisteminhas (pontos bônus se forem sistemas feitos em COBOL, Pascal ou outra linguagem mais "antiga" e tiverem aquele jeitão de MS-DOS com a tela preta e as letras verdes ou brancas), organizar pastas de arquivos (físicos), gerenciar o estoque do almoxarifado, controlar correspondências, controlar numeração de documentos, fazer pedidos de materiais, registrar chamadas, etc.

- A maioria dos colegas na faixa entre 40 e 60 anos (casados, com filhos, enfim, um pessoal mais maduro e que não vai querer fazer happy hour até tarde e muito menos happy hour toda semana) e só uns poucos na faixa dos 30 e só 1 ou 2 na casa dos 20 (estagiários)

- Reuniões são raras e ocorrem somente para planejar eventos (por exemplo, se for uma escola, as reuniões seriam só para planejar os eventos que envolvam os alunos, e essa minha "escola ideal" onde fica o meu "emprego ideal" só faria eventos para Páscoa, Festa Junina, dia das mães, dia dos pais, dia de Nossa Senhora (vulgo dia das crianças), e formatura da 4ª e da 8ª série (nesse meu emprego ideal a escola não tem ensino médio) (Pontos Bônus: as reuniões são só de pessoas sentadas ao redor de um mesão e usando papéis, sem powerpoint, sem datashow, e tem gente que não anota nada)


As reuniões são numa mesa assim, e não tem nem como plugar um datashow e nem colocar notebooks na tomada durante as reuniões




- Quando ocorre um evento no final de semana (e no caso de escolas é comum ter esses eventos aos sábados, principalmente festas juninas), há compensação equivalente durante a semana seguinte,  mesmo que haja feriado naquela semana (trabalhou no sábado = não vai trabalhar em algum dia entre segunda e sexta-feira da semana seguinte, a combinar com a chefia e com os demais funcionários; se trabalhou sábado e domingo = não vai trabalhar durante 2 dias da semana seguinte)

- O sinal de internet é ruim no recinto, então tudo é feito por LAN / intranet, usando documentos e pastas compartilhadas na rede, etc. Como consequência, o ritmo de trabalho é mais lento, porém mais dedicado a cada tarefa individual, pois ninguém perde tempo lendo notícias e nem vendo reels. (Pontos Bônus: Há uma norma interna proibindo o uso de whatsapp e outros aplicativos de mensagens instantâneas para se comunicar com funcionários dentro e fora do horário de expediente)



- Outros Pontos bônus: 

    1) ainda há alguns computadores "velhos" no recinto (com monitor de tubo amarelado, máquinas rodando windows 95, 98, 2000 ou XP, mas que ainda são usadas para rodar determinados programas e sistemas legado)

        2) Tem um sistema legado que só roda em disquete, então existe um computador antigo com drive de disquete (quem lembra do drive "(A:)" ?) que é mantido vivo só para rodar esse sistema (e tem gente que também usa para jogar paciência, campo minado e o pinball do windows nele na hora do almoço!)




      3) o piso em algumas salas é de taco ou outro estilo "antigo" (sem usar piso frio), e em alguma área externa o chão é de "caquinho", igual casa de avó.

Isso é um piso de caquinho, para quem não sabe. Na minha opinião uma das coisas mais bonitas da arquitetura brasileira

        

4) Nas salas onde as pessoas trabalham sempre tem uma mesinha improvisada, coberta com uma toalha de renda ou uma dessas toalhas de plástico usadas em festas de criança, e em cima dela fica a garrafa térmica com café (uma garrafa marrom, velha de guerra, daquelas antigas, que nem da foto abaixo) - (ou seja, não tem nenhum "point do café" com puffes, "gaveta de chocolate", luzes neon, quadros com arte moderna abstrata, pôsteres com mensagens motivacionais, nada disso) 


    5) Quando o chefe pergunta se tem algum voluntário para um determinado curso noturno que a matriz/prefeitura/secretaria de estado está oferecendo ou para participar de um congresso em outra cidade no final de semana ou qualquer coisa chata assim que atrapalhe a rotina pessoal, ninguém tem medo de dizer que não é voluntário.

     6) Quando o chefe diz que vai ser preciso fazer uma reunião e que por causa da agenda dele(a) só dá para marcar às 18h e pergunta para os funcionários se está tudo bem fazer uma reunião que provavelmente vai passar das 19h, ninguém tem medo de dizer que não vai poder participar e nem que "sim, tem problema".


 7) Ninguém fica forçando usar termos em inglês no dia-a-dia ("job", "approach", "drive", "funding", "budget", etc.) - o pessoal só fala português no trabalho (a não ser a professora de inglês)


Por enquanto é isso, confrades. Se depois eu lembrar de mais características "ideais" desse emprego imaginário eu posto aqui e atualizo o post.


OBS: relembro a todos que eu sou um aspirante a "Semi-FIRE"(sempre escrevo por aqui que estou em busca da Tranquilidade Financeira (TF), que é praticamente a mesma coisa com outro nome). Então não almejo grandes objetivos profissionais (a não ser me tornar melhor em determinadas habilidades e conhecimentos que eu gosto e  considero importantes, mas isso é mais para satisfação pessoal e para uma futura carreira como autônomo), e nem me deixo levar por esses papinhos de "visão", "missão", etc. - eu realmente me enxergo como um mercenário: eu trabalho em troca do dinheiro e dos benefícios, e só. As realizações pessoais, conquistas, satisfações metafísicas, e tal, eu busco fora do trabalho. E eu acredito que o mundo seria melhor se mais pessoas fossem mais honestas neste sentido e buscassem sua maior satisfação no lado espiritual, e não subindo na hierarquia de uma empresa ou entidade pública. 

Se algum dia eu julgar que atingi a TF, talvez eu procure um concurso público para algum emprego parecido com esse que descrevi no post, ou me candidate a uma vaga semelhante em alguma escolinha particular pequena, "de bairro" - claro que muitas das características acima eu não vou encontrar, até porque são condições "ideais demais" mas acredito que um dia eu consiga algo "parecido". E acho que a maioria das características que eu descrevi são meramente estéticas. Mas o importante mesmo são as atividades desempenhadas, o horário (sair do trabalho antes de escurecer dá aumento enorme na qualidade de vida)  e o ambiente de trabalho (o ambiente psicológico, o clima organizacional, etc.).

E eu também sei que passados alguns anos eu provavelmente não gostaria mais de trabalhar neste lugar que descrevi, pois sempre há problemas, fora o possível "tédio" (se bem que o tédio é que faz aflorar a criatividade, então alguma dose de tédio sempre é boa na vida)

Imagino que muitos achariam este ambiente que eu descrevi extremamente chato e não aguentariam e nem gostariam de trabalhar num lugar assim, mas acho que isso é 50% questão de maturidade e 50% gosto pessoal - para mim, que só quero coletar meu dinheiro e sair no horário, está ótimo -- ou seja, eu só conseguiria trabalhar numa "startup de crescimento acelerado" que nem a da copypasta dos prints acima se fosse por um prazo curto e bem definido (acho que no máximo 1 ou 2 anos), com uma recompensa bem clara no final [preferencialmente em dinheiro ou em dinheiro + ações, mas nunca somente em ações]. 


quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Sobre a transição de CLT/Funcionário Público para Autônomo / Pequeno Empresário

Saudações, confrades!

Espero que todos os meus leitores tenham tido um bom Natal e que tenham recebido muitas bênçãos de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Vamos ao (provável) último post de 2024, para dar uma variada nos assuntos do blog e não ficar só nas atualizações patrimoniais, conforme eu havia dito no post anterior.

Uma coisa que me vem à mente em minhas elucubrações diárias a respeito de como sair de meu emprego atual (seja via concurso, via empreendendo, via tornando-me autônomo) é a crescente necessidade de autonomia em cada passo da jornada profissional.

(OBS: quando falo "empresário" neste texto refiro-me ao pequeno empresário autônomo, MEI, EPP, EIRELI*, que trabalha sozinho (loja virtual, confecção individual de alimentos, artesão, etc. que tenha um negócio que seja possível de ser operado sem funcionário nenhum a não ser o próprio dono))

*: acho que EIRELI não existe mais, mas posso estar enganado.


Permitam-me ilustrar usando o McDonald's como exemplo:

Quando você é criança, seus pais te levam ao McDonald's, você pede um lanche e ele aparece na sua frente, sem esforço algum. Você nem vê o dinheiro indo para o caixa, ou o cartão sendo passado na maquininha. As coisas simplesmente "acontecem" sem você fazer esforço algum e por conta disso geralmente as crianças não têm noção de como é a realidade.


Depois você cresce mais um pouco, tem seus 15 anos, e vai sozinho ao fast-food. Faz seu pedido e precisa entregar dinheiro ao balconista. Provavelmente quem te deu o dinheiro foi o seu pai ou a sua mãe, mas você teve que se desfazer dele para ganhar seu lanche. Ainda assim, o lanche "apareceu" na sua frente, embora com algum sacrifício de sua parte - o ato de entregar seu dinheiro. Você já aprende um pouco que é necessário fazer alguma coisa para que as coisas aconteçam. Mas ainda é fácil: você sacrifica um dinheiro pelo qual geralmente você não sacrificou nada, pois seus pais te deram, e o sacrifício foi deles (embora aos 15 você já saiba que as pessoas trabalham para ter dinheiro, se você nunca trabalhou você não tem uma noção verdadeira do que é trabalho)


Então suponha que depois você cresce mais, tem seus 18-19 anos e vai trabalhar no McDonald's. Agora são as outras pessoas que pedem o lanche para você, e pela primeira vez ele não vai "aparecer", você é que vai ter que fazer acontecer.

A maioria das pessoas para nesse estágio do amadurecimento. Elas começam a trabalhar, e então descobrem que elas é que têm que fazer as coisas acontecerem. O hambúrguer foi entregue embalado em cima de uma bandeja na mão do cliente porque todo um time de pessoas se envolveu na preparação na lanchonete, em todas as suas fases produtivas, e antes desse time poder trabalhar, vários outros tiveram que concluir seus trabalhos: os caminhoneiros da empresa de logística que entregou os pães, molhos e hambúrgueres congelados, os pecuaristas que criaram as vacas que forneceram a carne, os açougueiros/trabalhadores de frigoríficos que cortaram a carne, congelaram, embalaram e depois separaram para entrega, e entremeando todos estes processos estão inúmeros gerentes, advogados, contadores e coordenadores que criaram, leram, revisaram, e negociaram os contratos com todas as empresas e funcionários envolvidos, fizeram os pagamentos, registraram os pagamentos, registraram dívidas, cobraram dívidas, emitiram os pedidos, emitiram notas fiscais, emitiram DARFs, corrigiram erros, e por aí vai. Isso sem falar em: marketing, auditoria, consultorias, etc. 

Mas ainda assim, o dinheiro cai todo mês, bastando que estas pessoas continuem trabalhando nos dias em que tiverem que trabalhar. E os clientes vão até a empresa, porque já foi feito todo um trabalho para isso. Ou seja, o dinheiro vai até a empresa graças a todo um trabalho prévio que foi acumulado e que permitiu que isso acontecesse.

O estágio seguinte do "amadurecimento profissional", que eu considero ser o dos profissionais autônomos, é o de não somente fazer acontecer, mas também fazer o dinheiro e os clientes aparecerem.  O dinheiro do autônomo não cai todo automaticamente no primeiro dia útil do mês, ele recebe aos poucos ao longo de seu mês de trabalho, conforme vai atendendo seus clientes e prestando seus serviços ou vendendo seus produtos. E não necessariamente os clientes virão de maneira automática - pelo menos não no início de sua carreira. Ele leva algum tempo criando sua fama e montando uma "carteira de clientes". 

(No caso do McDonald's, já foi feito um trabalho de décadas para criar uma marca reconhecida e que praticamente atrai clientes sozinha, quase sem esforço dos franqueados. O autônomo/pequeno empresário precisa levar em conta esse trabalho de conquistar clientes em seu planejamento - e é por isso que muitos pequenos negócios nascem em paralelo a empregos CLT ou empregos públicos: porque o autônomo precisa ganhar um sustento certo e mais estável enquanto está construindo sua carteira de clientes - quando não é assim, ele herdou o trabalho de seu pai ou de sua mãe, que já fizeram todo esse trabalho de criação de uma carteira de clientes e de um nome - é o caso de muitos escritórios de advocacia, por exemplo)

E mais um passo além no "amadurecimento profissional" é o do empresário que resolva empregar outras pessoas em seu negócio: além de fazer as coisas acontecerem e fazer os clientes e o dinheiro surgirem, terá que se preocupar em fazer o dinheiro aparecer para pagar seus funcionários (salários, benefícios, INSS, FGTS,  etc.) e também para pagar a si próprio!

A pessoa que foi CLT ou funcionário público "a vida toda" está acostumada com a previsibilidade de um salário que cai todo mês no começo do mês (ou no fim do mês anterior, em alguns casos), e consequentemente está acostumada a planejar seus gastos de modo a ir consumindo o salário ao longo do mês, mas com a (quase) certeza de que no mês seguinte outro salário, de igual valor, será depositado em sua conta. 

Imagino que o "choque de realidade" possa ser grande quando essa pessoa se torna autônoma ou empresária. Para começar, não é certo que haverá um valor sendo depositado em conta no início do mês ou no fim do mês anterior.  Principalmente no caso do autônomo prestador de serviços (advogado, contador, psicólogo, dentista, médico, etc.) o dinheiro vai caindo na conta aos poucos ao longo do mês, conforme ele vai trabalhando e atendendo seus clientes, o valor é variável e sujeito a sazonalidades e inúmeros outros fatores totalmente fora do controle do profissional e, com isso, o planejamento das finanças pessoais de um autônomo ou pequeno empresário é bastante diferente do de um empregado CLT / funcionário público.

Por este motivo, imagino que, idealmente, a pessoa que se prepare para ser autônoma precise: 

1) fazer primeiro uma reserva de gastos para alguns meses (digamos, uns 6 meses de gastos pessoais ou, mais idealmente, 1 ano, e essa reserva deverá incluir os custos esperados de seu negócio, como o aluguel de uma sala comercial e o condomínio do prédio onde fica esta sala, por exemplo); 

2) buscar sempre manter seu custo de vida baixo, ou o menor possível, equilibrando conforto e frugalidade, pois não há garantia alguma de que atenderá clientes / prestará serviços / venderá produtos a tempo de pagar contas no prazo (claro que com o passar do tempo adquire-se uma carteira de clientes mais estável, via propaganda boca a boca, indicação, fidelização, etc. que permite um planejamento melhor, mas isso pode demorar a acontecer!);

3) Mesmo após ter adquirido uma certa "estabilidade", sempre manter sua Reserva de Emergência (RE), repondo o mais rápido possível os valores consumidos (se eu fosse autônomo eu teria duas RE: uma "pessoal" e outra "profissional", para bancar custos da empresa como aluguel de sala, anuidades de softwares, seguros, etc. em épocas de vacas magras - o meu foco aqui é evitar aquele velho problema de misturar as finanças pessoais com as da empresa)

E imagino que com o passar do tempo, o autônomo se acostume com a idéia de "receita média mensal" ou "pró-labore médio mensal" e ajuste seus custos de vida a este valor. Acho que uma boa medida seria ajustar seus custos de vida para que sejam cerca de metade do "pró-labore médio mensal" (ou menos, caso possível), tendo em vista que a receita mensal é variável e sujeita a sazonalidades, além do fato de que, como autônomo, se você não trabalhar, você não ganha, simples assim. A metade que for economizada deve ir para aportes, "RE pessoal" e "RE profissional".

E creio também que o mais prudente é usar dinheiro ganho em cada mês seja para bancar os gastos do(s) mês(es) seguinte(s), ao contrário do raciocínio mais comumente aplicado por quem é CLT/funcionário público ("recebi este mês, gastei este mês"). 

Outra coisa importante a se considerar no planejamento é a construção de uma "reserva" para bancar suas férias, e feriados prolongados, pois afinal você provavelmente não vai aguentar ficar trabalhando sem parar durante muito tempo, e conforme eu disse acima, sem trabalho = sem dinheiro, então o autônomo precisa levar em conta que haverá dias em que simplesmente não haverá clientes ou haverá bem poucos porque é feriado, ou feriadão, e por aí vai. Você pode até querer trabalhar em um dia desses, mas pode ser que simplesmente não haja clientes. Então você precisa se preparar para dias assim também. E haverá dias em que você ficará doente, ou estará muito cansado, ou terá alguma coisa pessoal para resolver, etc. Haverá também a sua própria necessidade de descanso. Para todos esses dias você precisará ter uma reserva, pois não ganhará nada por estes "dias de folga".

Por fim, outros "choques de realidade" na transição para a autonomia são a falta do 13º e do adicional de férias, fora outros benefícios que empregadores no geral paguem (Auxílio-creche, Vale-Alimentação, Vale-Transporte, etc.), além da obrigatoriedade de recolhimento de INSS, que não é automática, fora outros tributos. O autônomo / pequeno empresário precisa prover todas essas coisas para si mesmo, e não pode se esquecer de recolher pelo menos o mínimo legalmente exigido para o INSS e os demais impostos para evitar problemas com o governo. 

No caso da falta do 13º, ela ainda é agravada pelo fato de alguns condomínios comerciais (especialmente shoppings) cobrarem o "13º aluguel", então é necessário tomar cuidado com esse custo extra que às vezes fica "nas letras miúdas do contrato". A "RE profissional" deve levar esse aluguel extra em consideração. Alguns tipos de negócio se beneficiam do aumento de vendas em dezembro e com isso dão conta desse 13º aluguel, mas acho que fica mais difícil para os pequenos empresários.


Todas essas coisas acima precisam ser levadas em conta no planejamento da carreira do autônomo / pequeno empresário.


Algum dos confrades têm experiências próprias para relatar? Como foi a mudança de vida saindo da CLT ou do emprego público para se tornar um pequeno empresário? 

Aos leitores autônomos / EPP / MEI: que profissão vocês exercem? Como conseguem clientes? 

Qual é a melhor opção: ser MEI, ser EPP, autônomo PJ ou ser um autônomo pessoa física mesmo? Ainda é possível ser autônomo pessoa física? Ou simplesmente não vale à pena?


Forte abraço, companheiros de trincheira!

Tenham todos um Feliz Ano-Novo, e que 2025 seja melhor do que 2024!

sábado, 16 de novembro de 2024

A polêmica da escala de trabalho: (6x1), (5x2) ou (4x3)?

Saudações, confraria da melhor blogosfera do país e da melhor finansfera do mundo!

Mais um post para quebrar o "jejum" de postagens que não sejam de atualização patrimonial. 

Desta vez estou escrevendo sobre um dos assuntos do momento, o polêmico projeto de lei que visa acabar com a escala 6x1 e implantar a 4x3 (conforme um pequeno extrato do projeto de lei que li na internet). 

As minhas opiniões sobre a escala de trabalho (e também outros assuntos envolvendo relações trabalhistas) são as seguintes:

 1) Concordo 100% que viver trabalhando 6x1 é uma droga, pois você quase não tem tempo para você, para cuidar da sua família, lazer, etc. e também quase não tem tempo para se desenvolver, de modo que quem trabalha nesse ritmo provavelmente ficará preso no ciclo 6x1. Então aquele argumento de "Pede demissão e arruma um emprego melhor se não quiser trabalhar 6x1" é  bastante desonesto, pois quem está inserido na corrida dos ratos da escala 6x1, já com obrigações e responsabilidades (Família), muito dificilmente arranjará algo melhor para poder sair. A maioria não se pode dar o luxo de sair para estudar, se qualificar, etc. 


2) O problema nem é só a carga de trabalho, mas também o tempo gasto no transporte para ir e voltar todos os dias, 6 vezes por semana.  e também o fato de que a escala 6x1 muitas vezes vira 7x0, porque dependendo da empresa, do tipo de negócio, etc. você pode ser chamado para cobrir a falta de alguém no seu dia de folga, e não necessariamente será compensado no dia seguinte. Talvez nem ganhe horas extras, e talvez nem mesmo o tal do "banco de horas" (que costuma ser desrespeitado).


3) Eu considero irreal, pelo menos no momento atual do Brasil, haver uma escala 4x3 mencionada no projeto de lei e que nem a que querem implantar na Europa (ou ao menos é o que dizem). Porém, uma escala 5x2 já melhora bastante a qualidade de vida da pessoa e é a que eu vejo como a "escala normal/padrão de trabalho", pois permite mais tempo com a família, mais tempo para religião, mais tempo de lazer, mais tempo para estudar, para ter hobbies, e por aí vai. E para quem quiser trabalhar mais, também dá mais tempo de se dedicar a bicos, a um negócio paralelo, e por aí vai. Acho que nenhuma empresa merece tanto do nosso tempo, nenhuma empresa merece o nosso 6x1. E como eu já disse outras vezes aqui, para mim a combinação "escala 6x1 + salário mínimo" é uma forma de escravidão moderna. O argumento de que "se não gosta é só pedir demissão" é desonesto porque praticamente não há opção, e para a maioria das pessoas não há mesmo opção.


4) Ao contrário do que dizem por aí, eu acho que o brasileiro trabalha muito e enxergo os nossos feriados e o nosso padrão de férias de 30 dias como uma bênção, dadas as condições do país e as dificuldades que passamos por aqui. Eu já tive um chefe com alguma experiência internacional que, quando conversava comigo, sempre aproveitava para malhar a quantidade de feriado e férias que temos por aqui e citava como exemplo os EUA, em que o normal é você começar na carreira só com algo entre 5 e 10 dias de férias por ano e só quando alcançar um cargo "sênior" é que se ganha uns 20 dias (e ele dizia também que o pessoal "sênior" nunca tirava esses 20 dias porque suas responsabilidades não costumavam permitir, fora o fato de que algum rival dentro da empresa aproveitaria esses 20 dias de ausência para "puxar o tapete") e ele, todo orgulhoso, dizia que "nos EUA o pessoal trabalha até revirar os olhos". Eu acho que ele se esqueceu de levar em conta vários fatores diferentes entre os países - por exemplo, 1 (hum) dólar nos EUA, mesmo hoje na relativa decadência do dólar, rende muito mais do que 1 real aqui - por aqui 1 real não compra quase mais nada, talvez um punhado de bala juquinha - eu lembro de quando elas custavam 1 centavo, hoje em dia deve ser algo entre 20 e 50 centavos; e as coisas lá são muito mais organizadas, limpas, eficientes, seguras, e por aí vai. Eu não acho que sobreviveríamos às bagunças, ineficiências, perigos,  caos, etc. do Brasil com uma rotina americana de trabalho, feriados e férias. Ficaríamos malucos com poucos feriados e poucas férias. Essa é a minha opinião.


5) Por outro lado, entendo que a carga tributária e de benefícios sociais e trabalhistas é deveras pesada principalmente para o pequeno e médio empresário, de modo que muitas vezes a escala só é 6x1 porque é isso que o dono do negócio é capaz de bancar. Sendo assim, uma excelente contrapartida para o fim do 6x1 seria haver uma redução proporcional nos custos tributários e trabalhistas. 

(Entretanto, sei que isso é um pensamento utópico, pois por aqui quando o governo se acostuma a arrecadar determinado valor, é quase impossível convencê-lo a abrir mão dessa arrecadação (até porque ao invés de guardar e fazer reservas, ele já gastou e já se acostumou a gastar). Aliás, noto que um fenômeno praticamente análogo ocorre no comércio brasileiro: quando um produto atinge determinado preço mais alto do que o anterior (por exemplo, por conta de uma safra ruim, de um pico no preço do petróleo que jogou a gasolina lá em cima, etc.) dificilmente o comércio reduz o preço para os patamares de antes, ainda que a causa do aumento do preço já tenha passado. Ou seja, no Brasil os  aumentos de impostos e de preços costumam ser permanentes. Porém, no mínimo os parlamentares que tenham algum interesse em melhorar o Brasil deveriam brigar para incluir essa redução dos custos trabalhistas nesse projeto de lei da escala 6x1. Uma excelente medida seria a redução do desconto do FGTS, tanto do funcionário quanto o patronal).


 6) Acredito que essa permanência dos aumentos de preços no comércio brasileiro seja uma consequência de vivermos em uma sociedade de baixa confiança (falta de confiança tanto no próximo quanto no governo); 


 7) E também é consequência de nossa moeda ser muito inflacionária. Infelizmente as teorias econômicas mais "mainstream" enfiaram na cabeça dos acadêmicos que a deflação é ruim e que deveríamos seguir uma inflação perpétua e baixa, mas eu discordo: ao contrário do que pregam, deveríamos mesmo é perseguir uma Deflação, também perpétua e baixa, na casa dos 2%~3% a.a, ou, ao menos, a manutenção do poder de compra da moeda (inflação zero, deflação também zero).


 8) Em que pese a elevada carga tributária e trabalhista, também acho que haja uma parcela de culpa nos empresários brasileiros, por conta de nossa cultura: aqui predomina a mentalidade controladora, em que se valoriza mais que o empregado esteja ali, no batente, onde pode ser observado e controlado, ao invés de se preocupar se ele está de fato produzindo alguma coisa.


 9) Óbvio que empresas pequenas não têm condições de pagar grandes salários, mas noto que também há no Brasil uma cultura de desvalorizar o trabalho alheio e de pagar pouco, mesmo em empresas grandes. Muito gerente no Brasil, mesmo de empresa multinacional, ganha mais ou menos o que um caixa do Walmart ganha nos EUA. E não duvido que haja mendigos nos EUA que ganhem mais dinheiro com esmolas do que muito funcionário CLT ganha de salário no Brasil. 

Novamente: parte disso é sim por causa dos altos impostos e custos trabalhistas, mas parte também é mesquinharia do "empresário brasileiro médio". Aqui vale muito a famosa metáfora do "balde de caranguejos": ninguém fora da sua família quer que você cresça e evolua, muito pelo contrário! E por esse motivo nosso serviço é desvalorizado e no geral somos todos mal pagos, não temos acesso a bons planos de carreira e crescimento profissional, e geralmente a alta cúpula das empresas médias e grandes são panelinhas e dificilmente dão aumentos de salário a empregados de escalões mais baixos - muito pelo contrário: às vezes encontram meios criativos de reduzir nossos salários (além das clássicas horas extras forçadas, para reduzir o seu salário por hora).      

(Por exemplo, uma pessoa muito próxima a mim na família trabalhava numa empresa (de média para grande) em que havia plano de carreira e todos os funcionários ganhavam PLR, até os que faziam serviços mais simples. A empresa foi vendida para determinado empresário, que colocou sua panelinha nos cargos de direção. As medidas que eles tomaram logo de cara: fim do plano de carreira (ninguém nunca mais seria promovido, e quem estava nos postos mais altos do antigo plano de carreira foi demitido), redução do salário-base (quem foi contratado depois da mudança entrou ganhando menos do que ganharia se tivesse entrado antes da troca de dono) e o fim da distribuição de PLR para todos os funcionários exceto diretores - a panelinha distribuía o lucro somente entre si).


 10) Resumindo: 

    a) As empresas são muito expropriadas via impostos e benefícios trabalhistas obrigatórios e, por conta disso, espremem seus empregados até não sobrar nada;

    b) O Brasil é muito pobre de empresas por conta da burocracia, dos altos custos, do risco jurídico e da nossa "cultura de emprego", então todo empresário sabe que, no geral, para cada funcionário reclamando do serviço tem outros 500.000 na fila implorando pela vaga e até aceitando ganhar menos e trabalhar mais. Por isso que normalmente a idéia da "livre negociação entre empregado e patrão" quase nunca acontece por aqui;

  c) Em um mundo ideal, ninguém seria obrigado a aceitar o 6x1. As pessoas só aceitam porque geralmente não têm opção. Se tivessem opção, recusariam qualquer proposta 6x1 e nenhuma empresa operaria assim. Realmente é desumano trabalhar 6x1, ainda mais ganhando "mil e quinhentão" e sem direito a  PLR, plano de saúde, etc. que é o caso da maioria das pessoas, infelizmente.

 d) O certo seria o salário ser por hora, e não por mês, e de alguma forma vinculado à produção, de forma a incentivar o trabalho e a produtividade. No mínimo, no mínimo, ser vinculado às horas trabalhadas. Aí talvez acabasse o problema das horas extras não pagas e o da escala de trabalho. O padrão brasileiro deveria ser salário por hora.

e) A escala 6x1 não deveria existir, mas para ser abolida na canetada (ser proibida por lei), então que a caneta reduza também os custos trabalhistas, sociais e tributários. (infelizmente acho difícil reduzirem todos esses custos...)

f) Geralmente as discussões sobre essa polêmica da escala estão focando só no lado econômico, mas não passam pelo lado moral / humano da coisa. Eu acho imoral fazer uma pessoa trabalhar 6x1 e pagar salário mínimo - que, ao menos, esses funcionários não fiquem 8 horas no batente, que trabalhem meio expediente, para que tenham tempo para suas famílias e seus estudos. 

f) Independente do que o governo e as empresas vão fazer, devemos todos buscar, no tempo que tivermos disponível, meios de sair da corrida dos ratos (e acho que geralmente o primeiro passo para sair da corrida dos ratos é sair do 6x1, para ganhar tempo, que vale mais do que qualquer dinheiro do mundo)

domingo, 23 de abril de 2023

Seria possível atingir a IF sem ser frugal?

Saudações, confraria!

Escrevi o post de hoje baseado em um comentário feito pelo colega Engenheiro Tardio no blog do Neto Financista do Velho Barreiro. 

No post, o colega perguntou qual era o valor que o NFVB  considerava suficiente para atingir a IF. Ao fim de sua resposta, o colega NFVB questionou se seria possível atingir a IF sem ser frugal.  

Eu dei o meu pitaco sobre o assunto, respondendo o seguinte (e aqui neste post está a versão "completa" do meu comentário):

Acho que não é possível ser FIRE sem ser frugal, a não ser que você ganhe muito, mas muito dinheiro por mês. 

Não estou falando de R$ 10.000,00 nem de R$ 25.000,00 / mês (valores já muito altos para os padrões brasileiros...mas não esqueçam que vivemos em um país de população muito pobre, onde na média o pessoal ganha R$ 2.200/mês, conforme o IBGE). Estou falando de valores a partir de, digamos, centenas de milhares de reais por mês. 

Só que nesse nível de renda, o pensamento deve mudar muito, assim como a forma que se encara o trabalho (pode até ralar e se estressar, mas de uma maneira diferente que pessoas comuns ralam e se estressam - talvez de uma maneira que não dê vontade de parar como muitos de nós sentimos, porque provavelmente a sensação de recompensa nesse nível de renda deve ser maior do que a nossa).


Por exemplo, lembro de ter lido numa reportagem em uma revista (há muito tempo, acho que quando estava na faculdade ou no fim do ensino médio) que dizia que o Faustão ganhava meio milhão de reais (0,5MM) só para mencionar o nome de uma marca no programa dele, a cada vez que mencionava a tal marca, e ganhava 1MM ou 1,5MM para inventar na hora algum trocadilho/jingle/frase de efeito usando essa marca. 

E isso fora outras receitas que o programa dele trazia. 

Não sei se no caso desses "pingados" que ele ganhava só para dizer o nome de uma marca o dinheiro ficava 100% para ele ou se ele usava para pagar algum custo relativo ao programa (equipe, equipamentos, etc), mas supondo que ele tirasse limpo uns 3 milhões por mês, ele já seria FIRE com pouco mais de 3 meses de trabalho (FIRE para os nossos padrões, claro, pois vejo que muitos colocam o número mágico de 10MM como o objetivo). 

Alternativamente a aporta em ações ou FIIs, ele poderia comprar 1 imóvel muito bom por mês ou vários imóveis de nível classe média ou classe média baixa todo mês, e em pouco tempo seria capaz de viver de aluguel. 

As possibilidades são inúmeras nesse nível de grana. 

Porém, o problema é que pessoas que ganham nesse nível teriam um FIRE diferente. Dificilmente ele se contentaria com 9 milhões para ser FIRE. Ter "somente" 9 milhões de reais para ele seria como ser condenado a viver na pobreza, considerando o padrão de vida que ele deve ter (e mesmo que haja "reportagens" que dizem que ele é na verdade um cara simples, o padrão "simples" dele ainda seria provavelmente muito superior ao que estamos acostumados).

Talvez pessoas que ganham dinheiro no nível dele também tenham um "número mágico", que nem gostamos de inventar, só que o dessas pessoas seria muito maior, talvez na casa dos bilhões de reais. 

Mas muito provavelmente uma pessoa como o Faustão não encara o trabalho da mesma maneira que encaramos, então ele não deve ver motivo para ser FIRE, até porque ele muito provavelmente já deve ter o FI de FIRE, e ele sabe que se parasse agora poderia viver tranquilo o resto da vida (claro, considerando que ele tem um bom patrimônio poupado). 

Acho que isso ajuda a explicar o nível de workaholismo de grandes empresários e altos executivos de empresas. Claro que alguém poderia dizer que eles são ricos por serem workaholics, mas eu digo que isso acaba funcionando como um ciclo virtuoso. Como eles enxergam o trabalho de forma diferente do trabalhador comum, eles têm muito mais motivação para trabalhar, e isso os incentiva a serem workaholics / trabalhar muito. E isso é impulsionado por uma recompensa maior, e também por uma sensação de recompensa/satisfação proporcionada pelo trabalho bastante superiores às de um empregado comum.

Para nós, meros mortais, resta somente sermos frugais e/ou conseguirmos outras fontes de renda.

Há dezenas de ideias internet afora de como economizar gastos corriqueiros do dia a dia. Sendo frugais, reduzimos nossos custos de vida (muita das vezes sacrificando coisas importantíssimas como o lazer) e com isso fazemos sobrar mais dinheiro, que idealmente seria revertido em aportes maiores. Claro que nem sempre isso é possível, faz parte da vida. E além disso, há um limite para a frugalidade, além do qual não conseguiremos de jeito nenhum reduzirmos os gastos, mesmo que chegássemos ao extremo de morar na rua para economizar as contas domésticas (e tem gente que quase chega nisso... tem uma história famosa de um empregado do Google que morava dentro de um caminhão no estacionamento da empresa para conseguir juntar dinheiro... pesquisem essa história!)

Quanto à renda extra, eu vejo isso sendo dito em vários lugares na internet e também defendo aqui no blog: a necessidade cada vez maior no mundo de hoje de conseguir outras fontes de renda complementares à do emprego "oficial", seja outro emprego no contra-turno, um pequeno negócio próprio, aulas particulares, livros, etc. Através da renda extra, poderemos aumentar nosso poder de aporte e atingirmos mais rapidamente a tranquilidade financeira, além de já termos desde já a tendência de ficarmos mais tranquilos no emprego "oficial".  Se você conseguir isso, ótimo! Porém, mesmo assim há um limite para o que conseguiremos produzir de renda extra por conta própria sem sermos pessoas excepcionais. 

E a vida não é uma ciência exata. As mesmas coisas não funcionam para todo mundo, e nem ao mesmo tempo. Eu, por exemplo, me encontro numa fase da vida em que só posso ser frugal, pois não tenho tempo para buscar fontes extras de renda (ao menos não em valores significativos).

Enfim, confraria, respondendo novamente à pergunta do título do post: acho que para pessoas normais atingirem uma IF, é necessário sim algum grau de frugalidade (viver 1 degrau abaixo do que poderia), mas isso deve idealmente ser combinado com a busca por fontes extras de renda. E devemos sempre lembrar que a vida é feita de diversas fases. Em algumas épocas será impossível ser frugal, em outras será impossível buscar rendas extras, e em outras será impossível fazer as duas. Temos que ir gerenciando as coisas da melhor forma que nos couber.

E, claro, manter sempre em mente que a vida não é só dinheiro e juntar dinheiro. 

O que os confrades pensam do assunto?

Forte abraço!
Fiquem com Deus!

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Sobre a previdência social

Recentemente, na França, foi aprovada na canetada uma reforma que aumenta em 2 anos a idade mínima de aposentadoria dos franceses: de 62 passou para 64 anos. E muitos franceses foram às ruas para protestar e até saíram na porrada contra esta reforma, mas foi tudo em vão. 

E olha que dizem que o brasileiro é que não trabalha, ou que trabalha pouco! Pode até ser que a eficiência aqui seja menor, mas é fato que trabalhamos muito. O povo brasileiro é um dos que mais trabalha no mundo,  em termos de horas.

Alguns reclamam que aqui há muitos direitos trabalhistas. Alguns eu acho justos, outros nem tanto (assunto para futuros textos), mas tenho razões  para acreditar que há mais direitos trabalhistas na França do que no Brasil, e esse é um dos motivos para o desemprego lá ser alto, principalmente entre os jovens. 

Um conhecido meu que já trabalhou na França me disse que a cultura de pequenos negócios familiares é forte por lá justamente por conta disso. Ele deu o exemplo de uma padaria francesa, onde não havia nenhum empregado: todos os que trabalhavam lá eram da família do dono - o dono era o padeiro, e fazia os pães sozinho. A esposa ficava no caixa, e os filhos ficavam de faz-tudo, ora ajudando o pai, ora a mãe,  ora recebendo fornecedores, etc, pois o padeiro não teria condições de bancar funcionários de "carteira assinada" ou seu equivalente francês. Quem mais sofre com isso são os jovens cujas famílias não têm negócios próprios,  pois penam bem mais para conseguir empregos na França.

Aqui, ao menos por enquanto,  vejo muitas padarias com empregados, mas não sei se estes recebem todos os seus direitos trabalhistas, nem se as padarias têm condições de paga-los. Mas também já vi alguns destes lugares perto de onde moro que seguem o modelo francês de contratar somente pessoas da família. Por exemplo, a padaria onde geralmente vou comprar pães pertence a duas irmãs,  e seus filhos trabalham no balcão.  Acho que só uns 2 empregados são de fora da família.  Um bar perto da minha casa me parece ser 100% tocado pela família do dono, pois os funcionários são todos muito parecidos, do cozinheiro aos garçons (óbvio que posso estar errado).  


Mas divaguei. Voltando à previdência social, que é o assunto do post: aqui a idade mínima para aposentadoria vai ser de  65 anos no fim da transição de regimes, com a obrigação de somar 105 com o tempo de contribuição (ou seja, para se aposentar aos 65 tem que ter contribuído por 40 anos - é a realidade que a maioria de nós irá pegar), ou seja, trabalhamos mais tempo que o povo francês. E isso sem falar que lá a semana de trabalho tem menos horas (oficialmente 35 horas, contra 40h daqui - mas óbvio que em ambos os países o tempo efetivo de trabalho para o trabalhador médio é superior ao número legal de horas).

E não duvido nem um pouco que ainda pegaremos outra(s) reforma(s) no futuro que aumentem a idade mínima e o tempo de contribuição. Pode ser que quando chegue a nossa vez, tenhamos que trabalhar até os 90, ou algo assim. Ou a previdência social pode simplesmente acabar.

Mas não creio que pegaremos o fim "oficial" da previdência social em nossas vidas... talvez peguemos um fim "disfarçado" - regras impossíveis de serem cumpridas, ou benefícios irrisórios,  ou descontos absurdos nos benefícios, algo nessa linha.

Os principais problemas que eu enxergo são: 

1) supondo que nada mude e não haja mais reforma nenhuma e o governo não faça nada para cobrir rombo nenhum, e mesmo assim ainda pudermos nos aposentar legalmente aos 65 anos: 99,9% se aposentarão com um salário mínimo,  o qual é ridículo e mal dá para pagar contas básicas... ou seja, a vasta maioria vai ficar na penúria e/ou terá que trabalhar até a morte (como era antigamente, antes de existir previdência social) para conseguir viver na velhice, e/ou ser amparado pela família.

2) se o governo resolver "imprimir dinheiro" para se furtar de fazer uma reforma (pois reforma de previdência é algo politicamente ruim), poderemos até ter aumentos no INSS e mais pessoas recebendo mais de 1 salário mínimo,  porém tais valores serão corroídos pela inflação,  e ficamos na mesma situação do item 1.

3) se o governo fizer mais alguma reforma e aumentar a idade mínima e/ou tempo de contribuição, provavelmente todos teremos que trabalhar até os 80 ~ 90 anos para nos aposentarmos pelo INSS e, mesmo assim, provavelmente para receber somente 1 salário mínimo. Será que vale a pena fazer isso? Trabalhar até os 80 anos para receber um salário mínimo de aposentadoria? Eu acho que não. Ainda mais aqui, onde o trabalhador honesto não é culturalmente valorizado, nem mesmo nas empresas, que dele dependem. Melhor ser autônomo e quando ficar mais velho passar a selecionar clientes e a diminuir o horário de trabalho.

4) nada impede o governo de, a qualquer momento, numa canetada, criar algum desconto nos benefícios de aposentados, com a desculpa de que tal desconto é para cobrir algum rombo (como foi o caso dos fundos de previdência de determinadas estatais, que estão descontando a mais para cobrir imensos passivos, alguns deles gerados por desvios de verbas - imagine você com 85 anos recebendo a notícia que seus proventos de aposentadoria irão diminuir a partir do mês que vem porque alguém roubou dinheiro e agora todos terão que pagar a conta), ou com qualquer justificativa que inventarem ma ocasião.


Vejam que não importa o cenário,  todos nós temos que tomar as seguintes atitudes:

1) Criar uma família e cuidar muito bem dela, para termos apoio, carinho, afeto e amparo durante toda as nossas vidas, não só na velhice;

2) Cuidar da saúde tão bem quanto possível, para termos condições de aproveitar a vida até que nossa hora chegue;

3) Aportar com disciplina todo mês,  o máximo que pudermos, de modo a:

    a) ser possível aposentar antes da idade mínima,  seja ela qual for, caso este seja nosso desejo;

    b) ter a possibilidade de não precisar mais trabalhar por causa do dinheiro, ou ter a liberdade de trabalhar com coisas mais leves e por menos horas por dia; e 

    c) para ter uma chance de viver com mais dignidade na velhice, pois no que depender do governo, teremos só o mínimo do mínimo,  e talvez nem isso. 

Enfim, nobre confraria da finansfera, companheiros de trincheira, estes são alguns de meus pensamentos acerca do espinhoso assunto que é a previdência social. 

O que têm a dizer sobre este tema?


Forte abraço! 

Fiquem com Deus!


terça-feira, 4 de abril de 2023

Aportes e Atualização Patrimonial - março de 2023 [pra fora!]

Saudações, confrades!


Março é aquele mês em que o ano realmente começa no Brasil. No trabalho as coisas ficam mais rápidas, e parece que o pessoal finalmente saiu daquela letargia de janeiro e fevereiro: as cobranças aumentam desproporcionalmente...

Este foi um mês fraco de aportes, por conta da última prestação da compra grande que eu fiz (a última, mas a partir de abril vou passar a ter um gasto mensal mais ou menos equivalente a esta parcela, então ao menos no curto-médio prazo, os próximos aportes deverão ser mais fracos, a menos que eu vá queimando a RE para compensar isto, mas não acho uma boa ideia). Desta forma, a não ser que eu consiga apertar os cintos em outra área nos próximos meses (e isso se torne um hábito) ou consiga uma fonte de renda extra, os aportes do mês passarão a ser em somente 1 ou 2 ativos. (Se alguém tiver uma fonte de renda extra, que possa ser algo plausível de fazer de casa no tempo livre e fora do horário comercial, aceito sugestões! E se alguém conhecer um site bom de freelance, comenta aí,  por favor!)

Além disso, precisei sacar da RE para pagar uma pequena obra aqui em casa. Faz parte da vida! E pelo menos a RE ainda está superior a quando comecei a postar as atualizações patrimoniais. Provavelmente quando receber o dinheiro das férias e/ou a metade do 13º irei recompor a RE.

Assim, o aporte do mês foi somente no exterior, visando equilibrar a relação país X exterior da minha carteira.

A taxa de câmbio usada para esta atualização patrimonial foi de R$ 5,06.



Aumento acumulado de 191,4% desde o início da série histórica, em junho de 2021. Acho que vai demorar um pouco para alcançar a marca das 3.000 coroas, talvez mais uns 2 ou 3 meses! E as 4.000 vão ficar só para o ano que vem ou para o próximo, se tudo der certo! 


Seguem os aportes e comentários do mês:

Relembrando, como sempre, que nenhum ativo mencionado neste blog e/ou em seus comentários é uma recomendação de compra! Estudem sozinhos e tracem seus próprios destinos! Se forem na onda de blogueiros anônimos, vão perder dinheiro!

Ações - sem aportes este mês, a minha carteira permaneceu a mesma, com 31 empresas no total. O próximo aporte em ações provavelmente priorizará as que estiverem mais defasadas em termos de percentual da carteira. 

Parece que a ENBR corre um sério risco de fechar o capital. Tomara que não, mas se decidirem que vão fechar mesmo, provavelmente vou vender as ações a mercado e aportar em alguma outra empresa da carteira.

Segue o quadro em pixel art, usando os sprites do jogo Hocus Pocus, desenvolvido pela Apogee Software (atual 3D Realms) no longínquo ano de 1993:



No mais, notei que no geral as ações sofreram uma queda em relação ao mês passado. O mercado está pessimista. Me pergunto por quê.



FIIs - sem aportes este mês. Portanto, a carteira de FIIs permaneceu a mesma, com 16 fundos imobiliários, todos de tijolo, sendo quase todos (15) multi-imóvel e multi-inquilino (a exceção sendo o FIIB11, que é mono-imóvel, porém multi-inquilino). E dos 16 fundos, 14 são de gestão ativa. Os 2 de gestão passiva são o FIIB11 e o FIIP11B. Gostaria de fechar uma carteira de 17 FIIs, porém ainda não encontrei outro que gostasse o suficiente para aportar, embora já esteja de olho em alguns. Mesmo assim, o próximo aporte irá priorizar o que estiver mais defasado em termos de percentual da carteira. 



O HGRE permanece em quarentena, por conta de sua alta vacância ainda não resolvida. Pelo que li do último relatório, está para ser concluída uma obra em um de seus edifícios (mas não sei se isso vai diminuir a vacância), mas por outro lado já está prevista a entrega de outro por um inquilino que foi à falência, o que aumentará a vacância, e posteriormente este imóvel será vendido (pelo visto deve ser um imóvel difícil de alugar, talvez seja um imóvel muito específico, adequado para determinado tipo de empresa). Este fundo está  mesmo passando por dificuldades! Tomara que a gestão consiga resolver! Vou deixar quieto na carteira, e aos pouquinhos ele se vai se tornando cada vez menos relevante para o meu patrimônio total (hoje ele representa cerca de 0,85% de meu patrimônio, então estou bem tranquilo. Agora, imaginem se eu não diversificasse e tivesse dado um all-in nele? Talvez nem estivesse dormindo direito! Vejam como diversificar é muito importante, confraria!). Se o gestor resolver o problema da vacância crônica,  volto a aportar.


Em relação ao mês anterior, os FIIs também deram uma queda, porém caíram menos do que as ações (acho normal, pois considero que os preços das cotas dos FIIs, embora oscilem, são mais estáveis do que os preços das ações).

Exterior - conforme havia escrito antes, este mês o aporte foi somente no exterior: 1 stock e 2 REITs. Não me lembro qual foi a taxa de câmbio que peguei para fazer a remessa. 

A stock do mês foi a Home Depot, uma empresa gigante do ramo de varejo de produtos para construção civil e utilidades domésticas (tipo a Leroy Merlin, só que muito maior), com lucro anual bilionário, dividendos crescentes pelo menos nos últimos 10 anos, e dívida pequena em relação ao faturamento e ao lucro. Comprei a tempo de receber os dividendos,  altos para os padrões brasileiros:  2,09 dólares por ação, porém o preço da ação é salgado: próximo dos 300 dólares! Aliás,  me pergunto se as empresas lá nos EUA tenderão a pagar mais dividendos por conta do aumento dos juros, para aumentar o Dividend Yield (DY)... ou isso, ou as cotações irão diminuir , o que também aumenta o DY (para talvez compensar o fluxo que provavelmente passará da renda variável para a renda fixa)

Já os aportes em REIts do mês foram:  

- Realty Income Group (O), um REIT focado em varejo, dono de quase 12.000 imóveis nos EUA, Reino Unido e Espanha, com mais de 70 tipos de atividades (se bobear, só esse REIT é maior que todo o mercado de FIIs brasileiro); e

- Physicians Realty Trust (DOC), REIT do segmento de saúde, dono de clínicas, consultórios médicos, hospitais, etc. que já fazia parte da carteira.



Renda Passiva

Um prêmio de consolação do mês foi a renda passiva: 9,5 coroas, bem próxima de meu recorde atual (10,2 coroas, em janeiro deste ano). Cabe ressaltar que das 9,5 coroas, 8,5 foram oriundas de investimentos no Brasil e 1 coroa foi oriunda do exterior (vou passar a computar a renda passiva do exterior a partir deste post). Infelizmente a do país foi gasta, mas pelo menos me ajudou a sacar menos do que eu teria sacado da RE se não fosse por ela. A do exterior será totalmente reinvestida, como vem sendo, tendo em vista que é um tantinho mais burocrático e difícil fazer uma remessa para o Brasil do que sacar da caderneta.


As empresas que me pagaram dividendos e JCP este mês foram: 

    - no país: Banco do Brasil, Eztec, M. Dias Branco, Panvel, Weg, Itaú, Bradesco e Romi. Foram 8 empresas, no total, me pagando dividendos este mês (6, se desconsiderarmos o Itaú e o Bradesco, que vem pagando migalhinhas todo mês - porém, este mês o Bradesco pagou incríveis 53 centavos por ação, e o Itaú pagou também incríveis 48 centavos por ação, a título de JCP)

    - no exterior: Gladstone Commercial Corp, Weyerhaeuser, EPR Properties, Stag Industrial, Home Depot, 3M e Emerson Electric. Ou seja, 4 REITs e 3 Stocks, totalizando 7 empresas. Destaque para Home Depot, que pagou um dividendo bruto de 2,09 dólares por ação.

Sendo assim, em março recebi proventos de 15 empresas no total. O normal é receber só uns poucos centavinhos por ação, mas se formos comprando um pouco todo mês, esses poucos centavos uma hora acabam virando alguns poucos reais, depois viram algumas dezenas, depois centenas e, eventualmente, após muita disciplina, muito trabalho e muitos aportes, o investidor passa a receber dividendos na casa dos milhares de reais. Em um país pobre como o nosso isso faz uma diferença enorme na vida.

A renda passiva acumulada (26 coroas) está quase chegando na metade da recebida ano passado, e foi praticamente o triplo da recebida em 2021.


Agora o gráfico com a distribuição total do patrimônio:

a RE está representando praticamente 1/3 do patrimônio total. Considero um bom percentual, e creio que irei mantê-la sempre com entre 20% e 33% do patrimônio. Fora a RE, os ativos no top 5 são KNRI, HGLG, Coca-Cola, HGRU e ALZR. Estes 5 estão representando cada um por volta de 2% do patrimônio total. Bem no limite do que considero seguro.



Generalidades

- Os franceses estão quebrando tudo lá na França por conta da reforma da previdência que o "cuckron" e a primeira ministra da França passaram na canetada! Pelo que li, a idade mínima de aposentadoria na França subiu de 62 para 64 anos. Ou seja, 2 anos a mais de trabalho, e os franceses não gostaram, simplesmente partiram para a porrada! Acho que se fosse aqui no Brasil o povo teria dado graças por terem sido "só" 2 anos de aumento.  E mesmo assim, apesar de toda a quebradeira que mostrou a óbvia insatisfação do povo, me parece que a reforma foi aprovada (caso tivesse ocorrido um plebiscito ou algo assim para consultar o povo, imagino que a reforma não passaria). Essa questão da reforma da previdência é um bom assunto para o próximo post.

- Nossa inflação está nas alturas, e com certeza a inflação real é superior à divulgada pelos índices oficiais (o Barsi fala isso no livro dele, "O rei dos Dividendos". Aliás, fiz a resenha do livro aqui no blog). Acho que vou passar a fazer que nem o Barsi e registrar aqui no blog os preços de itens básicos de consumo que costumo comprar, e comparar com os preços do final do ano e com isso descobrir a minha inflação pessoal. A todos que comentaram no post anterior, muito obrigado! Blogs se alimentam de comentários!

- No trabalho aconteceram algumas coisas ao longo de março que me fizeram pensar que devo estar preparado para pedir demissão a qualquer momento, e isto me faz pensar que preciso reforçar minha RE. Por isto, pretendo dar uma reforçada na RE com qualquer grana extra que receber, inclusive férias e 13º, conforme relatei no começo do post. 

- Pelo jeito março foi um mês ruim no trabalho para mais de um colega de finansfera: li os relatos do Beto Fiscal e do Funça Beta. Não sei se houve outros. Só reforça a importância do aporte, do desenvolvimento de habilidades e competências, da busca por outras fontes de renda, etc. 

Segue uma música para animar o mês (no post anterior esqueci!). The Bard's Song, da banda Blind Guardian. Música excelente para ouvir enquanto se lê livros como "O Senhor dos Anéis".



Forte abraço!

Fiquem com Deus!

Que tenham todos uma feliz Páscoa!