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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Sobre a previdência social

Recentemente, na França, foi aprovada na canetada uma reforma que aumenta em 2 anos a idade mínima de aposentadoria dos franceses: de 62 passou para 64 anos. E muitos franceses foram às ruas para protestar e até saíram na porrada contra esta reforma, mas foi tudo em vão. 

E olha que dizem que o brasileiro é que não trabalha, ou que trabalha pouco! Pode até ser que a eficiência aqui seja menor, mas é fato que trabalhamos muito. O povo brasileiro é um dos que mais trabalha no mundo,  em termos de horas.

Alguns reclamam que aqui há muitos direitos trabalhistas. Alguns eu acho justos, outros nem tanto (assunto para futuros textos), mas tenho razões  para acreditar que há mais direitos trabalhistas na França do que no Brasil, e esse é um dos motivos para o desemprego lá ser alto, principalmente entre os jovens. 

Um conhecido meu que já trabalhou na França me disse que a cultura de pequenos negócios familiares é forte por lá justamente por conta disso. Ele deu o exemplo de uma padaria francesa, onde não havia nenhum empregado: todos os que trabalhavam lá eram da família do dono - o dono era o padeiro, e fazia os pães sozinho. A esposa ficava no caixa, e os filhos ficavam de faz-tudo, ora ajudando o pai, ora a mãe,  ora recebendo fornecedores, etc, pois o padeiro não teria condições de bancar funcionários de "carteira assinada" ou seu equivalente francês. Quem mais sofre com isso são os jovens cujas famílias não têm negócios próprios,  pois penam bem mais para conseguir empregos na França.

Aqui, ao menos por enquanto,  vejo muitas padarias com empregados, mas não sei se estes recebem todos os seus direitos trabalhistas, nem se as padarias têm condições de paga-los. Mas também já vi alguns destes lugares perto de onde moro que seguem o modelo francês de contratar somente pessoas da família. Por exemplo, a padaria onde geralmente vou comprar pães pertence a duas irmãs,  e seus filhos trabalham no balcão.  Acho que só uns 2 empregados são de fora da família.  Um bar perto da minha casa me parece ser 100% tocado pela família do dono, pois os funcionários são todos muito parecidos, do cozinheiro aos garçons (óbvio que posso estar errado).  


Mas divaguei. Voltando à previdência social, que é o assunto do post: aqui a idade mínima para aposentadoria vai ser de  65 anos no fim da transição de regimes, com a obrigação de somar 105 com o tempo de contribuição (ou seja, para se aposentar aos 65 tem que ter contribuído por 40 anos - é a realidade que a maioria de nós irá pegar), ou seja, trabalhamos mais tempo que o povo francês. E isso sem falar que lá a semana de trabalho tem menos horas (oficialmente 35 horas, contra 40h daqui - mas óbvio que em ambos os países o tempo efetivo de trabalho para o trabalhador médio é superior ao número legal de horas).

E não duvido nem um pouco que ainda pegaremos outra(s) reforma(s) no futuro que aumentem a idade mínima e o tempo de contribuição. Pode ser que quando chegue a nossa vez, tenhamos que trabalhar até os 90, ou algo assim. Ou a previdência social pode simplesmente acabar.

Mas não creio que pegaremos o fim "oficial" da previdência social em nossas vidas... talvez peguemos um fim "disfarçado" - regras impossíveis de serem cumpridas, ou benefícios irrisórios,  ou descontos absurdos nos benefícios, algo nessa linha.

Os principais problemas que eu enxergo são: 

1) supondo que nada mude e não haja mais reforma nenhuma e o governo não faça nada para cobrir rombo nenhum, e mesmo assim ainda pudermos nos aposentar legalmente aos 65 anos: 99,9% se aposentarão com um salário mínimo,  o qual é ridículo e mal dá para pagar contas básicas... ou seja, a vasta maioria vai ficar na penúria e/ou terá que trabalhar até a morte (como era antigamente, antes de existir previdência social) para conseguir viver na velhice, e/ou ser amparado pela família.

2) se o governo resolver "imprimir dinheiro" para se furtar de fazer uma reforma (pois reforma de previdência é algo politicamente ruim), poderemos até ter aumentos no INSS e mais pessoas recebendo mais de 1 salário mínimo,  porém tais valores serão corroídos pela inflação,  e ficamos na mesma situação do item 1.

3) se o governo fizer mais alguma reforma e aumentar a idade mínima e/ou tempo de contribuição, provavelmente todos teremos que trabalhar até os 80 ~ 90 anos para nos aposentarmos pelo INSS e, mesmo assim, provavelmente para receber somente 1 salário mínimo. Será que vale a pena fazer isso? Trabalhar até os 80 anos para receber um salário mínimo de aposentadoria? Eu acho que não. Ainda mais aqui, onde o trabalhador honesto não é culturalmente valorizado, nem mesmo nas empresas, que dele dependem. Melhor ser autônomo e quando ficar mais velho passar a selecionar clientes e a diminuir o horário de trabalho.

4) nada impede o governo de, a qualquer momento, numa canetada, criar algum desconto nos benefícios de aposentados, com a desculpa de que tal desconto é para cobrir algum rombo (como foi o caso dos fundos de previdência de determinadas estatais, que estão descontando a mais para cobrir imensos passivos, alguns deles gerados por desvios de verbas - imagine você com 85 anos recebendo a notícia que seus proventos de aposentadoria irão diminuir a partir do mês que vem porque alguém roubou dinheiro e agora todos terão que pagar a conta), ou com qualquer justificativa que inventarem ma ocasião.


Vejam que não importa o cenário,  todos nós temos que tomar as seguintes atitudes:

1) Criar uma família e cuidar muito bem dela, para termos apoio, carinho, afeto e amparo durante toda as nossas vidas, não só na velhice;

2) Cuidar da saúde tão bem quanto possível, para termos condições de aproveitar a vida até que nossa hora chegue;

3) Aportar com disciplina todo mês,  o máximo que pudermos, de modo a:

    a) ser possível aposentar antes da idade mínima,  seja ela qual for, caso este seja nosso desejo;

    b) ter a possibilidade de não precisar mais trabalhar por causa do dinheiro, ou ter a liberdade de trabalhar com coisas mais leves e por menos horas por dia; e 

    c) para ter uma chance de viver com mais dignidade na velhice, pois no que depender do governo, teremos só o mínimo do mínimo,  e talvez nem isso. 

Enfim, nobre confraria da finansfera, companheiros de trincheira, estes são alguns de meus pensamentos acerca do espinhoso assunto que é a previdência social. 

O que têm a dizer sobre este tema?


Forte abraço! 

Fiquem com Deus!


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Sobre estudar para concursos

 Saudações, confraria!

Conforme escrevi no último post, o da retrospectiva, estou me sentindo um tanto desanimado para estudar para concursos. Vou relatar um pouco da minha experiência. Talvez algum colega de finansfera ou algum leitor anônimo do blog se identifique.

Ano passado teve uma época que eu dei um gás, mas é bem complicado na atual fase de minha vida manter a disciplina e estudar uma boa quantidade de horas por dia. 

Tem dias em que simplesmente não dá: ou eu chego muito cansado do trabalho  (às vezes com enxaqueca de ter passado horas na frente de um monitor, me estressando), e obviamente eu sempre preciso dar atenção à minha família - esta é a minha prioridade. 

Tem dias em que não chego cansado, mas há mais coisas para fazer em casa, e tem dias em que simplesmente preciso dar mais atenção que o normal para a família, por um motivo qualquer. 

Por conta disso, o meu horário pós-expediente acaba sendo um tanto aleatório e, como eu disse, ao menos na minha atual fase de vida, está bastante difícil manter um planejamento de estudos.

Sendo assim, o um jeito que eu vislumbro para estudar de maneira consistente para concursos seria se eu acordasse todos os dias por volta das 4h ou 5h e estudasse até a hora de sair pro trabalho (consigo sair entre 7h e 7h30, pois moro relativamente perto de onde trabalho), além de aproveitar o intervalo do almoço para fazer questões ou ler resumos no celular. Uma barreira óbvia é a qualidade do sono, que seria perdida, trazendo algumas consequências para minha saúde. Outra dificuldade é a verdade inconveniente de que smartphones não foram feitos para leituras longas, o que de certa forma inviabiliza estudar por muito tempo usando um.

E aí  encontro outra barreira: a motivação. A maioria dos assuntos estudados para concurso só são úteis para a própria prova do concurso e talvez durante a carreira no serviço público. Salvo poucas exceções (informática, raciocínio lógico, direito tributário), há muita coisa que se aprende só para passar na prova (não que isso seja muito diferente do nosso sistema de ensino), e isso me desanima muito para estudar. 

Para mim, as piores matérias para estudar (as que considero menos úteis para a vida) são a duplinha direito constitucional e direito administrativo, as quais infelizmente caem na maioria dos concursos. Elas fazem eu sentir que estou perdendo tempo de vida ao estudá-las... Mas, fazer o quê,  né? Tenho que estudar essa "dupla dinâmica" se quiser passar.

Outra dificuldade: não posso fazer todo e qualquer concurso. Eu até aceito sair para ganhar um pouco menos (até uns 25% a menos, eu acho), mas o ideal seria que eu saísse para ganhar a mesma coisa ou um pouco mais. Isso já diminui o leque de provas. Outra coisa é que eu também não gostaria de morar em qualquer cidade ou região do país, então concursos para determinadas localidades não me atraem, mesmo pagando bem. Por exemplo, eu não gostaria de morar em Brasília. Isso também elimina algumas provas. Sim, eu sei que concurseiro raiz não se importa com a cidade, só quer passar na prova, etc etc, mas na fase de vida em que me encontro isso faz diferença para mim. 

Outra coisa que eu vejo que muito concurseiro não se importa, mas que eu presto atenção: as atribuições do cargo. De que adianta sair de um trabalho que eu não gosto e cair em outro emprego ruim? Só porque é público? Pra mim, não cola. Isso tem o lado ruim de diminuir meu leque de provas também. É a vida.


Mas, por outro lado, entre o dia em que comecei a escrever esse artigo e a data de sua efetiva publicação,  eu até consegui estudar alguma coisa. 

Não estou acordando mais cedo (talvez eu ainda faça isso), mas tenho conseguido estudar na hora do almoço. Pelo menos esta semana toda eu consegui. Na maioria dos dias almoço sozinho, então aproveito para estudar. E em alguns dias consegui dar uma lida em resumos no caminho de volta para casa (ando de transporte público,  não tenho carro e nem quero ter). E em alguns dias consegui estudar cerca de uma hora em casa. 

Vamos ver se consigo manter essa disciplina. Uma coisa que me motivou foi a seguinte imagem, publicada recentemente no fórum do Bastter:

 


Enfim, confraria, esta é minha situação quanto ao mundo dos concursos. 

Alguém se identifica?

Alguém tem um livro para me indicar? Ou alguém tem um resumão de constitucional / administrativo? Rs

Forte abraço,  companheiros de trincheira!

Fiquem com Deus!


sábado, 10 de dezembro de 2022

Resenha - O Rei dos Dividendos


Saudações, confraria!

Em novembro comprei um exemplar da biografia do Barsi, entitulada "O Rei dos Dividendos", lançada em outubro desse ano, e vou postar aqui uma resenha, com alguns comentários meus e destacando os pontos que achei mais interessantes. 


"O Rei dos Dividendos", escrito pelo Luiz Barsi Filho, um dos mais ricos investidores de nossa Bolsa, é um livro bem fluido e de fácil leitura, não entra em detalhes chatos e nem em minúcias, de modo que o li bem rápido. 

Achei a leitura interessante. O início narra a origem humilde do velho investidor, nascido em uma família pobre em 1939, morando em um cortiço em São Paulo junto de outras famílias imigrantes européias, o início da vida profissional ainda na infância, vendendo uvas passas no cinema...

Depois ele conta como se formou em um curso de técnico de contabilidade e começou a trabalhar. Foi através dos conhecimentos de contabilidade que ele iniciou sua jornada nos investimentos, pois aprendeu a analisar empresas. Posteriormente se formou também em economia. Uma coisa que o favoreceu foi o fato de que quase ninguém tinha estudo naquela época (anos 60). Destaco o seguinte trecho do livro (página 32):

"No final dos anos 50 e início dos 60, mais de 70% dos brasileiros tinham no máximo 3 anos de estudo. Só 1 em cada 100 trabalhadores havia completado o ensino superior. Com meu diploma de técnico contábil eu já era a pessoa que tinha um olho só em terra de cego. Economista e contador formado, então,  nem se fala."

Além de seu emprego, ele também dava aulas de contabilidade e fazia auditorias por fora, para ganhar uma renda extra (ter mais de uma fonte de renda é cada vez mais importante, confrades... vamos buscar!)

Chegou a trabalhar um curto período em uma pequena estatal, com um salário bom para a época, mas largou o emprego (por causa das limitações do serviço público) e passou a se dedicar ao mercado de ações, no início somente com o dinheiro das aulas e das auditorias, e posteriormente (por volta do fim dos anos 60 e do início dos anos 70) com o dinheiro que recebia sendo sócio de uma corretora chamada "Cruzeiro do Sul", uma das 134 corretoras daquela época. Também passou a ser operador de pregão, atuando através de sua corretora.

A sociedade na corretora não durou muito tempo, e a mesma foi vendida em 1971. A partir daí, Barsi foi trabalhar como operador na corretora "Montanarini". Pelo visto, ele e seus sócios tiveram sorte ou foram visionários, pois em 1971 houve um crash no mercado de ações brasileiro que contribuiu para afastar os investidores pessoa física por muitos anos (o livro dá a entender que este crash originou o cliché de chamarem a bolsa de "cassino" por aqui - talvez esta tenha sido a expressão empregada pelos jornais da época, ou pelas pessoas que talvez tenham sido entrevistadas. E até hoje há quem compare as bolsas de valores em geral a cassinos ou coisas similares. E certamente esse crash foi um dos fatores motivadores para a publicação da Lei das S.A. em 1976)

Com sua crescente fama nos pregões, ele eventualmente foi convidado para escrever no jornal "Diário Popular", onde trabalhou como editor e colunista por 17 anos.

Após o crash de 1971, ele continuou trabalhando como corretor, e já vislumbrava a inviabilidade de se aposentar pelo INSS (na época, INPS). Destaco o seguinte trecho (páginas 73 e 74):

"Talvez eu tenha enxergado algo que era difícil perceber naquele momento (...) Os sinais já estavam no horizonte. As mulheres ensaiavam sua entrada no mercado de trabalho, o número de filhos por família começava a diminuir, avanços na medicina e nas condições de saneamento favoreciam a longevidade e, bem,  já era possível suspeitar que em algum momento no futuro não haveria gente suficiente trabalhando para manter os aposentados. Vale lembrar que nossa previdência é estruturada de tal modo que quem trabalha sustenta os que já se aposentaram".

Foi com base nestas ideias que ele resolveu montar sua "carteira previdenciária", pois estava convencido que o INSS era insustentável e mesmo que entregasse o que prometia, ele receberia uma aposentadoria medíocre. 

Resolveu então focar ainda mais no recebimento de dividendos, com vistas a montar uma carteira que o sustentasse na velhice. Chegou até mesmo a escrever e publicar uma cartilha (intitulada "Ações garantem o futuro") explicando este raciocínio.

Posteriormente ele conta outras histórias no livro, focando em suas participações na Klabin, Eternit, e Unipar. Nestas empresas ele adquiriu imensa quantidade de ações, na casa das milhões de unidades, para receber muitos dividendos e principalmente para ocupar cadeiras nos conselhos, ter o direito de indicar pessoas de confiança para cargos-chave e, com isso, influenciar o andamento de seus negócios. 


As ideias centrais do Barsi, no que tange às finanças pessoais, pelo que se entende da leitura de sua biografia, são as seguintes: 

    - Comprar ações de boas empresas (com bons projetos e já consolidadas) na maior quantidade possível (para receber muitos dividendos), todo mês. 

    - Não diversificar muito (ele diz no livro que a carteira dele sempre tem algo em torno de 12 ações diferentes, e faz a analogia de serem uma para cada mês do ano, como se ele buscasse garantir que todo mês receberia dividendos) - acho que a ideia dele de não diversificar muito vem do fato de ele gostar de comprar muitas ações da mesma empresa

    - Se possível, tornar-se um acionista minoritário relevante, com participação no conselho da empresa e ser capaz de influenciar os rumos do negócio (mais um motivo para ele não gostar muito de diversificar)


Porém nem tudo o que o Barsi escreveu e falou é aplicável por pessoas comuns:

"começar devagar, comprando 1.000 ações todo mês" - pode ter sido figura de linguagem, mas se ele foi literal, isso não é possível de ser feito pela vasta maioria dos brasileiros que investem na bolsa. Pelo menos no caso de algumas empresas seria necessário aportar muito dinheiro de cada vez: para comprar 1.000 ações da Petrobras custaria, hoje, uns R$ 35.000,0. Para comprar mil ações da Arezzo seria uns R$ 84.000,00. Acho mais provável que ele tenha usado uma figura de linguagem. 

"conversar com os diretores, executivos e CEO das empresas para conhecer o negócio" - para ele é perfeitamente possível, tendo em vista sua fama e fortuna, mas para nós pequenos acionistas isto seria bastante difícil, senão impossível: se às vezes até mesmo os departamentos de Relação com Investidores (RI) nos ignoram na cara de pau, que dirá os CEO, altos executivos, etc.


Para finalizar, algumas frases interessantes que eu pesquei do livro:

"Na hora de adquirir papéis, é importante conhecer o interesse do controlador ou dos controladores de um negócio" - o máximo que podemos desfrutar disso é surfar na onda dos controladores, e neste ponto eu concordo com o Bastter que o melhor jeito é tendo ações ON.

"(...) se eu não pensasse grande, ninguém pensaria por mim"- essa é uma das frases mais interessantes e verdadeiras do livro, na minha opinião. Pelos outros, você sempre será um serviçal, um capacho, um personagem secundário, um figurante, etc. Além de você mesmo e de sua família, ninguém tem interesse que você cresça, se desenvolva, nem melhore.

"Independentemente da moeda (...) a palavra 'milhão' tem um papel relevante no imaginário da nossa sociedade" - enquanto uma moeda não se degenera pela inflação, isto é verdade mesmo. Mas óbvio que se a moeda for estragada, isso perde o sentido (lembrem da nota de 100 trilhões de dólares do Zimbábue)

"Não compro o que não conheço ou não consigo entender" - é aqui que a maioria das pessoas cai nas armadilhas do mercado e da vida de modo geral. E não me refiro somente a ações, criptomoedas, etc. Me refiro também a pessoas entrando de trouxa em pirâmides, negócios escusos, etc.

"Não me canso de falar que o cidadão deve adquirir ações para comprar e guardar. Não deve pensar em si mesmo como um acionista minoritário, mas como um pequeno dono. Um dono não vende a empresa porque os papéis caíram ou porque subiram demais. Ele pensa na perenidade do negócio" - acho que esta é a melhor maneira de um pequeno investidor pessoa física sobreviver na bolsa, tendo a mentalidade de sócio (também defendida pelo Bastter) e ignorando notícias e cotações.


Esta foi a primeira vez que li algo do Luiz Barsi. Nem mesmo nos meus tempos de sardinha abissal (em que eu perdi um dinheiro com a OGX, conforme já relatei aqui no blog) eu sequer havia ouvido falar nesta personalidade de nossa bolsa. 

Embora eu não concorde com todas as ideias defendidas (eu sou a favor da diversificação) e acredite que ele não contou tudo o que ele faz (afinal, se ele contasse os seus "pulos do gato" não seria bilionário) e nem tudo  o que ele fez (me parece haver um gap na história profissional dele, na forma como foi narrada), achei uma leitura interessante. Nota 8/10.

O que acham do Barsi, confrades?


Forte abraço! 

 Fiquem com Deus!

domingo, 6 de novembro de 2022

Os maus hábitos do comércio - parte 5

Saudações,  confrades!

Vamos a mais um post desta série, na qual eu discorro sobre práticas comerciais do dia a dia que eu considero ruins, improdutivas e prejudiciais tanto para os clientes quanto para o próprio estabelecimento em si.

Para quem não leu os posts anteriores e se interessa pelo assunto,  seguem os links:

Os maus hábitos do comércio 

Os maus hábitos do comércio parte 2

Os maus hábitos do comércio parte 3

Os maus hábitos do comércio parte 4

Agora vamos ao post propriamente dito:

Cardápios em QR Code - acho isso desnecessário e incômodo. Estou com o pessoal mais velho nessa. Acho um saco ter que pegar o celular e ler o QR Code para depois ficar arrastando a página do cardápio pra cima e pra baixo com o dedo na tela do celular. Acho que isso não economiza nada (se o restaurante precisa economizar dinheiro não imprimindo os cardápios,  então das duas uma: ou o cardápio muda todo dia ou então o restaurante já faliu e esqueceram de avisar o dono!) e ainda deixa o restaurante com um jeitão de "modernete metido a besta". 

Até hoje só fui em 2 restaurantes que só tinham cardápio em QR Code, e nos dois eu levantei e fui embora sem comprar nada. 

Um deles era uma dessas hamburguerias "gourmet" (que de gourmet só têm o preço mesmo) que só têm 3 hambúrgueres diferentes no menu, excessivamente caros, e o outro era uma cafeteria, e este foi recentemente. Nesse último eu quase me rendi e cheguei a escanear o bendito QR Code, mas a internet estava ruim e o cardápio não carregou (ou o arquivo era pesado demais para o meu telefone, sei lá). E também foi ruim ouvir a balconista com aquele jeitão de "problema seu" dizendo que não tinha cardápio em papel. Desisti e fui embora, e acho que sempre farei isso quando me deparar com cardápio que só existe num QR Code... 

Eu acho que hoje em dia muitas empresas ficam forçando a barra para que os clientes instalem apps e/ou usem o smartphone para fazer coisas triviais. Esse tipo de coisa só faz sentido quando a tecnologia envolvida realmente facilita o trabalho do cliente. Mas do jeito como muitas empresas fazem (como é o caso do cardápio em QR Code), acaba acrescentando mais um obstáculo para o consumidor alcançar o produto, e acrescentando mais uma etapa no processo do negócio onde é possível acontecer alguma falha que faça a empresa perder uma venda (por exemplo, no caso dos cardápios: internet fora do ar, telefone sem bateria, sinal ruim, etc.). 



Só porque uma tecnologia existe, não quer dizer que devemos usá-la o tempo todo e nem que a mesma deva ser incorporada a coisas corriqueiras.

Promoções que não são promoções - há pouco tempo recebi na rua o panfleto de uma loja que estava fazendo essa promoção bizarra: se você fizesse compras acima de 500 reais você ganharia um cupom que te dava a chance de ser sorteado para ganhar um prêmio de "até 10 mil reais". Como sempre, tinha um asterisco que levava para as letrinhas miúdas do contrato: na verdade eram  vários sorteios, alguns de 500 reais, outros de 1.000, e um de 5.000, e o prêmio não era em dinheiro, mas sim em vale-compras que deveriam ser usados na mesma loja e somente até um certa data limite (acho que março do ano que vem). Na minha opinião, se for para fazer uma "promoção" assim, melhor nem fazer, pois acho que pega mal para a imagem da loja. 

Acho que esse tipo de promoção, dando vale-compra, só vale a pena se for de super-mercado ou outro tipo de comércio em que você vá com frequência.

Outro exemplo disso são restaurantes que dão cartões-fidelidade que não trazem nenhum desconto de verdade, ou em que é quase impossível ganhar o desconto. Por exemplo, tem um perto de onde eu trabalho que a cada 10 refeições você ganha 20% de desconto na 11ª e o cartão só vale por três semanas. Acho que estes cartões poderiam ser vitalícios, ou ter validades maiores (1 ano).


E vocês, confrades, o que acham disso? Também se incomodam quando precisam usar o smartphone para ler um cardápio? Participam de promoções de lojas?


Forte abraço! Fiquem com Deus!

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Quais as ferramentas mínimas necessárias para morar sozinho?

Saudações,  confraria!

Imagino que muitos leitores do meu blog e da finansfera em geral sejam jovens universitários (ou talvez até do ensino médio, se é que adolescentes ainda leem blogs, hoje em dia)  que ainda moram com os pais, ou jovens adultos que trabalham mas que ainda não saíram da casa dos pais. Posso estar enganado e talvez não haja ninguém desse perfil me lendo, mas de qualquer forma escrevi este post pensando neste público. 

Elaborei a lista abaixo com itens que considero de "necessidade universal" para qualquer pessoa que more sozinha ou casada. 

Usei somente minha própria experiência e o bom-senso (tão em falta hoje em dia...) para elaborar esta lista. 

Talvez com este post eu ajude alguém que esteja prestes a morar sozinho a se situar um pouco neste momento de mudança de vida (ou não,  vai ver que todo mundo que me lê já está com essa parte da vida resolvida, mas aí pelo menos acho um assunto legal para conversar). 

Óbvio que minha lista não esgota todas as necessidades, são só algumas delas, e o foco aqui são ferramentas e pequenos utensílios para fazer os trabalhos domésticos. Não vou falar de eletrodomésticos, nem nada disso. Só coisas manuais mesmo, pessoal.

Sem mais delongas, segue a lista:

-  Dois baldes (um para deixar panos de molho e outro para limpar a casa);

- uma vassoura e um rodo (se puder ter um mop também ajuda)

- Uma escada dobrável (que te permita alcançar o teto);

- uma trena de pelo menos 3 metros (é importante conseguir tirar medidas das coisas em nossas casas, para comprar móveis e organizá-los)

- uma chave de fenda

- 3 chaves philips (uma "pequena", uma "média" e uma "grande", mas se achar caro ou não quiser ter três, tenha pelo menos a média) - a maior parte dos parafusos de móveis hoje em dia são do tipo philips, por isso julgo que esse tipo de chave é mais importante que a chave de fenda (OBS: para quem não sabe: o parafuso tipo "philips" é aquele com a fenda em forma de cruz, e a chave "philips" é aquela que encaixa nesse parafuso)

- um martelo "comum" (também chamam de "martelo de unha", é aquele normal, que nem o da foto abaixo)


- um alicate universal (o alicate mais comum)

- uma alicate tipo "bomba d'água" ou um alicate de pressão, para mexer em canos (eu particularmente prefiro o alicate de pressão, por ser mais versátil)

- um rolo de fita "veda rosca" (para pequenos consertos hidráulicos)

- um rolo de fita isolante (quebra galho em várias situações)

- um rolo de barbante (idem)

- um rolo de arame (idem, e destaco seu uso para desentupir ralos)

- um tubo de cola tipo superbonder

- uma caixinha de durepox (para fazer pequenos reparos emergenciais em canos, paredes,  etc.)

- uma chave de boca (eu tenho uma chave dessas que é regulável, que alcança várias medidas, mas em compensação o aperto da boca não é tão "firme") (OBS: para quem não sabe, a chave de boca é aquela usada para apertar porcas)

- uma furadeira (acho melhor uma furadeira que possa funcionar também como aparafusadeira do que só uma aparafusadeira, mas aí é de cada um...)

- uma ou duas tesouras de tamanho médio ou grande (sem ser tesoura de unha ou tesoura escolar)


Para a cozinha, julgo que o mínimo necessário são estes utensílios:

- o "faqueiro" mínimo para a cozinha seriam três facas: um facão para carne, um médio para limpar filés de frango e uma faca pequena para legumes e frutas;

- uma escumadeira;

- um garfo grande de 2 pontas, para espetar carne;

- um funil (eu uso um funil para jogar fora o óleo de cozinha usado, despejando-o numa garrafa pet vazia. Se jogar o óleo usado direto no ralo da pia da cozinha, ele vai entupir à medida que o óleo for incrustando nos canos, e aí você vai ter muita dor  de cabeça);

- duas tábuas:  uma para cortar carne e outra para legumes e verduras (não é bom misturar essas coisas, pois você corre o risco de "contaminação cruzada" se o sangue da carne entrar em contato com legumes e verduras que você cortar)

- uma colher grande de madeira (para mexer arroz)

- uma ou duas espátulas, de silicone ou de madeira ou de metal (não compre espátula de plástico)

E, fugindo um pouco do foco do post (que é  o mínimo para se ter em casa), para aqueles que gostam de fazer alguns consertos simples em casa por conta própria:

- uma bancada simples de trabalho (pode ser uma mesa velha de madeira, mas que esteja firme)

- um arco de serra

- um nível (daqueles de bolhas)

- um esquadro

- uma espátula (eu uso para raspar excesso de gesso, de massa, etc. da parede, e também para aplainar)

- um alicate de bico fino

- pelo menos dois ou três grampos tipo "C" (também chamados de "sargentos") - para prender tábuas ou outros objetos que se deseje consertar/trabalhar na bancada

- uma morsa de bancada (o tamanho da morsa depende de que tipo de trabalho você pretende fazer)

- um martelo de borracha (para usar em superfícies que poderiam ficar marcadas, deformadas ou quebradas caso fosse usado um martelo de metal, como pisos, azulejos, paredes de gesso, superfícies de madeira já com acabamento, etc.) - por exemplo, eu uso para ajudar a encaixar buchas de parafusos em paredes de gesso

- um tubo de silicone líquido para vedar janelas


Pela minha experiência, para quem não ganha a vida com marcenaria, carpintaria,  etc. a marca das ferramentas não faz muita diferença, e tem várias boas a preços acessíveis (conheço Stanley, Bolder, Tramontina, Excel, Corneta, mas tem várias), então é só evitar aquelas que sejam visivelmente de má qualidade.

Eu não sei quanto a vocês,  mas eu sou do tipo que gosta de fazer esses pequenos trabalhos manuais. 

Alguns desses trabalhos, embora possam por vezes ser frustrantes, são também de certa forma terapêuticos, e acho que fazendo estas pequenas coisas ganhamos mais do que o dinheiro que economizamos  ao não precisar contratar alguém para faze-las por  nós. Ganhamos um pouco de confiança e de satisfação pessoal, porque todo homem gosta de ser e de se sentir útil  e também de fazer coisas concretas.

Não é grande coisa, mas, por exemplo: fui eu que coloquei os varões das cortinas na minha casa - não ficaram perfeitos que nem um profissional faria, mas dão pro gasto e foi satisfatório eu mesmo tê-los instalado. Instalei os varões das cortinas na casa de um parente também. Já instalei algumas prateleiras, na minha casa e na de parentes também. Nada disso ficou perfeito, mas ficou bom.

Eu troquei a torneira da pia da minha cozinha quando ela quebrou. Já troquei alguns canos também. Aprendi vendo tutoriais no YouTube. Não me tornei um bombeiro hidráulico, mas aprendi uma coisa ou outra.

Quando me mudei para cá, já havia um armário planejado na cozinha, sendo que a parte de cima estava boa (e uso até hoje) e a de baixo estava podre e inchada (por conta de um vazamento). Eu que desmontei a parte de baixo do armário, e separei algumas tábuas boas para usar em outras coisas, e guardei todos os parafusos,  porcas, dobradiças e puxadores que estavam em bom estado. Os parafusos e dobradiças tenho até hoje, vou usando conforme a necessidade. Dos puxadores usei o último só recentemente (moro aqui há 5 anos). 

Alguns móveis fui eu que montei -  só contratei montador para aqueles que exigiriam muitas horas de trabalho (para mim, porque um montador profissional monta um guarda-roupa em uma hora ou menos, e eu demoraria umas 4 ou 5 horas).

E ainda pretendo aprender pelo menos o básico de eletricidade e mais um pouco de hidráulica, para ampliar as coisas que posso fazer por conta própria.

Enfim, confrades, este é um assunto que eu gosto de conversar, e... quem sabe? Talvez um dia eu possa virar um autônomo dessas áreas,  ou ganhar uma grana extra de vez em quando. 

O que acham deste assunto? Também sabem fazer estas coisas? Têm alguma área de interesse? Têm algum item a acrescentar à lista acima?

Forte abraço!

Fiquem com Deus!





sexta-feira, 8 de julho de 2022

Minha história no mercado de ações - parte 3

Saudações,  confrades!

Recapitulando a parte 2 desta pequena série,  depois de, em 2013, tomar ferro com ogxp3 me afastei do mercado de ações. 

Mas não vendi nenhuma das empresas da minha carteira na época  (relembrando: a "incrível" carteira era composta de Petr4, Elet3, Elet6, Whrl4, Embr3, ogxp3... diversificadíssima!). 

Nem mesmo as ações da ogx eu vendi. Fiquei com a mentalidade de que se vendesse eu teria assumido o prejuízo, e enquanto mantivesse as ações eu teria chance de recuperar, tendo em vista que a empresa poderia eventualmente melhorar. Isso realmente é um raciocínio plausível,  mas infelizmente a OGX nunca se recuperou. Infelizmente para mim e para muitos outros sardinhas deslumbrados.

Pelo menos não continuei aportando nela para "reduzir o preço médio", pois teria jogado ainda mais dinheiro no lixo.

A partir daí,  conforme escrevi  no começo, me afastei do mercado, não aportei em mais nenhuma ação, e tudo o que sobrava do salário eu jogava na caderneta mesmo.

Fiquei nessa por alguns anos, até porque nesse meio tempo veio a necessidade de comprar um lugar para morar, pois eu ia me casar. O dinheiro que juntei foi quase todo para dar de entrada no meu apartamento e o restante financiei naquele padrão de 30 anos (felizmente quitado em apenas 5 anos)

Ainda sobrou uma reserva de emergência, que mantive intocada. Nem me passava pela cabeça aportar aquela reserva, embora às vezes desse vontade de pegar uma parte do salário e comprar ações.

Mas eu estava desanimado com o mercado por causa do fiasco da OGX e esse desânimo vencia a vontade de aportar.

Foi por volta de 2015 que eu conheci o blog do Viver de Renda, e logo depois a blogosfera das finanças.

Provavelmente descobri o blog dele pesquisando a expressão  "viver de renda" ou "como viver de renda" no google. (Muito provavelmente após um dia especialmente chato no trabalho)

Ler o blog do Viver de Renda foi como uma "epifania financeira", pois ele demonstrava na prática a aplicação dos conhecimentos de finanças. Literalmente estávamos lendo o passo a passo de uma pessoa real no mundo das finanças,  e não os exemplos hipotéticos (e nuitas vezes irreais) de um livro-texto.

Por alguma razão,  os autores de livros de finanças em geral falham em transmitir este conhecimento da mesma maneira. 

Era empolgante ler os posts do VdR e acompanhar sua trajetória aporte por aporte, e entre uma atualização patrimonial e outra ele escrevia textos explicando vários conceitos financeiros de uma maneira simples de entender. 

Através do VdR, descobri também em 2015 o blog do Pobretão de Vida Ruim, e gostava de ler seus posts, embora não tivesse muita coisa sobre finanças. Era um blog divertido. O problema era só  que algumas de suas opiniões eram bastante polêmicas, o que tornava alguns posts bem pesados e gerou uma multidão de haters. 

Apesar de tudo, acho que foi o Pobretão a principal força motriz da blogosfera das finanças. Até no forum do Bastter falavam dele (principalmente no mural da Eletropaulo!), e o ranking da finansfera era divertidíssimo de acompanhar, principalmente com a "narração" do Pobreta (E é uma pena que o ranking sumiu...). 

O número espantoso de comentários em todo post ilustra bem como que aquele blog era famoso,  querido por muitos e odiado por outros tantos. Nunca vi nenhum outro blog na finansfera (nem na blogosfera como um todo) que tivesse tantos comentários por post que nem o do Pobreta. 

Não acredito 100% na teoria de que ele fosse apenas um personagem. Acho que as histórias que ele contava eram em sua grande maioria reais, e que ele só exagerava na descrição de suas emoções perante as situações cotidianas que enfrentava (esporros dos chefes, estresses no transporte público, etc).

Li também o blog do Corey, que era diferente e legal por trazer uma visão do ponto de vista do pequeno/médio empresário,  ao contrário da maioria da blogosfera, que são CLT ou funcionários públicos. Pena que ele fechou o blog. Adoraria ler o que ele poderia ter escrito sobre empreender durante a pandemia, assim como adorei ler suas análises de pequenos negócios (que me inspiraram a escrever os meus posts sobre pequenos negócios) e seus posts sobre sua (breve) estadia em Portugal.

Enfim, li diversos blogs de finanças (e leio até hoje). Acho que aprendi mais no blog do VdR do que em livros  (eu tenho até hoje um caderno com anotações que eu fazia das postagens dele!)

Assim, inspirado por estas leituras, voltei a querer investir... isso foi em 2017. Naquele ano eu me casei, e ainda estava dividido com a ideia de adiantar prestações do meu financiamento imobiliário ou investir buscando algum investimento que tivesse um retorno maior que os juros do financiamento (bastante difícil na prática).

Seguindo os passos do VdR, cheguei a abrir conta em corretora pequena (pra pagar zero de corretagem e custódia), e  cheguei a comprar cotas do PIBB11.

Essa fase não durou muito, pois em 2018 descobri o site do Bastter e mudei de ideia a respeito da prioridade do que fazer com meu dinheiro: passei a focar os aportes em quitar o mais rapidamente possível o meu financiamento imobiliário. 

Esta é, na minha opinião,  a mais importante lição que o Bastter ensina: pagar suas dívidas primeiro, e depois começar a investir. Vendi tudo o que eu tinha de ações - ou seja, aquela minha carteira "superdiversificada",  inclusive as ações da ogx, finalmente assumindo o prejuízo, e também as poucas cotas de PIBB11 que havia adquirido.

Em 2019 finalmente resolvi criar meu blog e virar mais um "personagem" da blogosfera das finanças. 

Em 2021, finalmente quitei o financiamento, e reiniciei os aportes, só que pendendo muito mais para a filosofia do Bastter na hora de escolher as ações e FIIs (aliás,  nunca havia comprado FIIs antes disso, embora soubesse de sua existência).

E o restante da minha história no mercado de ações quem acompanha meu blog já sabe. Onde chegarei? Será que estou seguindo o caminho certo para a Tranquilidade Financeira? Só Deus sabe!

sexta-feira, 4 de março de 2022

Aportes e Atualização patrimonial- fevereiro de 2022 + 3 anos de blog + postagem nº 100

 Saudações,  confraria da melhor blogosfera do nosso Brasilzão de Deus, nossa querida Terra de Santa Cruz!

Esta é a postagem número 100! 

E em 20 de fevereiro o blog completou 3 anos! Não consegui fazer um post especial de aniversário do blog, mas obrigado a todos os leitores, aos (atualmente) 15 seguidores do blog e a todos aqueles que comentam por aqui!

Fevereiro foi um mês bastante intenso e ocupado para mim, e acabei não escrevendo nada por aqui. Mas não pensem que pretendo abandonar o blog, o qual de certa forma é uma válvula de escape e também uma maneira que tenho de compartilhar algumas ideias que não conseguiria compartilhar de outra forma. 

Porém, minha frequência de postagens talvez diminua nos próximos meses, pois agora sou pai! Os leitores que também são pais devem saber o trabalho que uma criança recém-nascida dá (e continua dando por muito tempo depois, mesmo crescida). Aqueles que ainda não são, podem imaginar como é. Só vos digo uma coisa, confrades: tenham filhos!

Dito isto,  vamos ao post de atualização patrimonial, como sempre expressa em Coroas, a moeda oficial do blog do Mago Economista, e desta vez complementei com gráficos:

Aos poucos a RE vai diminuindo de importância em relação ao patrimônio total, e pretendo que o valor aportado em Ações se descase do valor aportado em FIIs, conforme veremos abaixo.

Fevereiro foi o 9º mês de aportes. 

Aumento acumulado de 65,4% desde o início da série histórica (cada aporte representará cada vez menos do patrimônio total, que ficará cada vez mais sujeito às oscilações do mercado)

A RE está aos poucos voltando ao valor inicial. Após isto, vou separar um valor dela (só contabilmente) só para deixar reservado para meu plano de comprar um terreno ou uma casinha no interior.

Segue um gráfico com a evolução do patrimônio desde o começo das postagens de atualização patrimonial (junho de 2021):

Não é nada empolgante, mas o patrimônio está 65% maior do que no começo! Até o momento, enfrentei duas pequenas quedas, em setembro e novembro de 2021. 
 

Ações 


Clique para ampliar. Créditos dos sprites: 3D Realms e Moonlit Software (para quem gosta de jogos antigos de DOS, recomendo o jogo - procurem por Hocus Pocus, na Steam)

Nenhuma empresa mencionada neste blog é uma recomendação de compra! Estudem e tirem suas próprias conclusões sobre cada empresa que quiserem comprar!

O aporte do mês foi na Eztec, empresa do ramo da construção civil e, portanto, cíclica. Essa vai ser uma das empresas mais "buy and forget" da carteira. Vamos ver daqui a uns 15 ou 20 anos o retorno que a Eztec vai me trazer. 

Além disso, aproveitei para reforçar a posição em WEG, que estava para trás em termos de percentual na carteira. 

Em março pretendo adquirir somente empresas novas. E ainda vai ficar faltando comprar um pouco mais de ODPV3 para equilibrá-la em relação ao restante da carteira, mas vou fazer isso depois.

Agora a carteira tem 16 empresas, sendo duas na "segunda divisão". 

Segue um gráfico para deixar mais claro a participação percentual de cada empresa na carteira:

Notem que CIEL3 e EMBR3 representam muito pouco de minha carteira, de modo que não me preocupo nem um pouco com o futuro destas empresas. Por outro lado, a participação de ODPV3 na carteira está desproporcionalmente baixa, e precisarei aumentá-la.


Fiis

Clique para ampliar. Créditos dos sprites: 3D Realms e Moonlit Software (para quem gosta de jogos antigos de DOS, recomendo o jogo - procurem por Hocus Pocus, na Steam)

Nenhum FII mencionado neste blog é uma recomendação de compra! Estudem e tirem suas próprias conclusões sobre FIIs!

O aporte do mês foi em KNRI11, um FII que une prédios de escritório e galpões logísticos em seu portfolio, sendo portanto bem diversificado até mesmo "intraclasse".

Já tenho mais uns dois ou três FIIs em mente, mas repetindo o que disse no post passado, acho que será difícil completar uma carteira de 23 FIIs. Talvez eu feche essa carteira em 17 ou 19 fundos... Mas aguardemos os próximos meses...

Segue um gráfico com a participação percentual de cada FII na carteira de FIIs:


Carteira ainda muito concentrada no HGLG11! Vai demorar até eu voltar a aportar nesse FII!
Por outro lado, SDIL11 e JSRE11 estão bem para trás em relação aos outros, e provavelmente serão os primeiros onde vou repetir o aporte, quando o ciclo se completar.


Reserva de valor

Este mês aportei em BTC, DOT, XLM e ADA. A única que pretendo comprar um pouquinho todo mês é BTC. As outras eu tenho uma quantidade-meta para comprar e holdar (ou no caso seria "hodlar"?), sem aportar mais nada depois. Posso mudar de ideia em relação a algumas delas, mas por enquanto o plano é esse. 

A meta de XLM já foi batida, então não devo comprar mais desta moeda. Vou deixar quieta na carteira e ver daqui a alguns anos se vai me render alguma valorização...

 De qualquer maneira, o percentual de meu patrimônio em criptos é inferior a 3%. Então se virarem pó, não perdi muito, e se explodirem, vou ganhar alguma coisa. Por conta deste percentual baixo e como o valor das criptos é muito mais volátil que o das ações e FIIs, prefiro não incluir nas tabelas de evolução patrimonia.

Renda Fixa 

Mais uma vez empurrei com a barriga o aporte no Tesouro Direto. Eu realmente não tenho confiança de deixar o dinheiro num título do tesouro de 30 anos. Acho isso muito, mas muito arriscado, pois em 30 anos muita coisa pode mudar. 

Mas vejam que é impossível se livrar do risco: no Brasil, até mesmo a poupança já foi confiscada uma vez (e ficou por isso mesmo...) e nos EUA, "terra da liberdade", a mera posse de moedas de ouro já foi crime federal (nos anos 30, eu acho, provavelmente como medida para que o dólar não fosse abandonado por conta da grande depressão).

Renda Passiva

Este mês recebi 2,26 coroas. Aos pouquinhos o valor vai crescendo. Pena que, idealmente, não possamos usufruir 100% da renda passiva dos investimentos, pois ela sai da cotação das ações e dos FIIs, mas tudo bem: só pretendo usufruir da minha renda passiva no dia em que pendurar as chuteiras, comprar meu terreninho no interior, construir minha "choupana" e viver que nem um redneck, e se tudo der certo, nem vou precisar de tanto dinheiro assim para viver quando conseguir meu cantinho.

Agora acho que já vale a pena fazer um gráfico da renda passiva:

Os valores do gráfico estão em Coroas. O recorde até agora foi em janeiro, quando alguns FIIs distribuíram mais do que o normal e também houve mais dividendos de ações.

Resumindo o patrimônio em um gráfico só:

A RE, que começou como quase 100%, agora representa pouco mais de 50% do patrimônio total. O ativo de maior peso, depois da RE, é o HGLG, que representa 4% da carteira total. Notem também que CIEL3 e EMBR3 quase não aparecem no gráfico e que nenhuma ação ou FII representa muita coisa do total. Se eu acrescentasse a carteira de criptos, o percentual de cada ativo seria ainda menor!


Trabalho, estudos, etc. 

Nada a comentar desta vez. Fiquei afastado do trabalho por conta da paternidade, que emendei com parte das férias. 

Esse tempo que passei em casa, mais do que nunca, me fez pensar: como seria bom conseguir uma semi-aposentadoria através dos meus  investimentos e poder passar mais tempo com minha família e fazendo meus hobbies...

Eu sinceramente acho que uns 98% do pessoal que desmerece a comunidade FIRE e diz que vai "trabalhar até os 90 anos com muito orgulho" na verdade não pensam assim, mas têm vergonha de admitir que também não gostam de seus respectivos empregos, até porque pega mal postar derrotas nas redes sociais (e todo mundo é feliz nas redes sociais, não é?). Os 2% restantes são autônomos ou empresários.

Uma coisa "irônica" é que eu não acho que valha a pena concentrar os aportes em FIIs, por mais que eu queira aumentar minha renda passiva para poder ter mais liberdade para escolher com o que trabalhar e os FIIs pareçam ser o caminho mais rápido para isso.

Eu aporto em FIIs todo mês, é claro, mas não seria bom deixar as ações de lado e passar a aportar só em FII, pois as ações são a classe de ativo que têm maior potencial de crescimento futuro. Os FIIs, pelo que vejo, têm uma tendência maior a "andar de lado", e os melhores FIIs provavelmente irão multiplicar o capital investido em 2X ou 3X após muitos anos, enquanto que as melhores ações de uma carteira podem multiplicar o capital em 10X, algumas até mais do que isso.

Em relação aos estudos, ainda não consegui terminar a pós graduação que estou fazendo, e vai ser mais difícil agora. Pelo menos falta só uma matéria. Sinceramente, quase me arrependo de ter começado. Foi muito mais pelo diploma mesmo. É importante enfeitar o currículo, fazer o quê.


Generalidades

Aqui é uma sessão do post onde comentarei notícias e acontecimentos do mundo real que julgar interessante. Como quase não leio notícia, só vou comentar as coisas que realmente chamem a minha atenção. 

O assunto do momento é a guerra entre Rússia e Ucrânia. Não leio as notícias sobre a guerra porque a maioria deve ser mentira mesmo, ou no máximo meias verdades. A propaganda estatal fica ainda mais forte nessas épocas de guerra... é necessário tomar cuidado com o que lemos.

Já vi pessoas comentando que o Brasil devera ir pra guerra para ajudar a Ucrânia, e uns outros dizendo que deveríamos ajudar a Rússia.

Bem, eu imagino que mal tenhamos equipamentos militares e armamentos para defender o nosso território, que é gigantesco, então enviar tropas para a Europa seria um imenso tiro no nosso pé, pois deixaríamos muita coisa desprotegida (além de que essa guerra que os russos resolveram começar não é problema nosso, pelo menos não por enquanto). 

A minha opinião é de que devemos permanecer neutros, e no máximo enviar ajuda humanitária ou nos oferecermos para receber refugiados ucranianos (se é que vão querer cruzar o Atlântico para ir até o Brasil, né). 

Enfim, a guerra é uma das piores coisas que existem. No fundo, as guerras são fruto desavenças entre os ricaços "donos" do mundo, que ao invés de quererem resolver suas diferenças em um duelo (já que gostam de brigar poderiam duelar, que nem antigamente...), preferem covardemente mandar os pobres e a classe média para morrer por eles em batalhas inúteis. 

Bom, é isso, confrades. Escrevi bastante para compensar minha ausência em fevereiro. Devo postar mais alguma coisa este mês - apesar de agora estar mais ocupado, ainda tenho mais de 30 posts no rascunho, que fui fazendo ao longo destes três anos. Nem todos valem a pena ser publicados, na minha opinião, mas acredito que a maioria possa ver a luz do dia. Vamos ver se consigo colocar algum destes para frente.

 Até o próximo post! 

Forte abraço, companheiros de jornada rumo à Tranquilidade Financeira!

Fiquem com Deus!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Reflexões para o Natal

 Saudações, confraria da blogosfera das finanças!


Como o Natal está chegando, resolvi escrever este pequeno post com algumas reflexões que julgo serem importantes para todos nós, frequentadores da finansfera.



Devemos sempre nos lembrar de pensar no dinheiro como uma mera ferramenta para alcançarmos nossos objetivos, e nunca como o nosso objetivo em si. Do contrário, acabamos nos tornando servos de mammon (o qual, conforme Milton escreveu no "Paraíso Perdido"*, desde antes da Queda, era o anjo mais propenso ao mal, pois "vivia olhando para baixo", como se estivesse sempre à procura de moedas ou pedras preciosas no chão), e conforme está escrito, "não se pode servir a dois senhores". Mesmo quem não acredita em Deus pode perceber e entender o quão ruim é ser um servo do dinheiro e do status e deixar o que é mais importante na vida de lado.

(*: lembrando que a obra de Milton não pertence à doutrina cristã - mas, mesmo assim, não deixa de nos fornecer metáforas e reflexões interessantes sobre teologia)

Eu sei que estamos naquela busca pela tranquilidade financeira (e alguns pela IF), geralmente porque não gostamos de nossos empregos ou porque queremos poder um dia poder trabalhar menos ou simplesmente largar tudo. O que quero dizer aqui é que devemos pegar leve nessa busca, sem deixar de aproveitar as coisas boas da vida em prol de "aportar o máximo possível" e, principalmente, sem deixar de ajudar os outros da forma como pudermos ajudar (que vai muito além de simplesmente "dar dinheiro" para os necessitados: podemos ajudar com palavras, dando conselhos, compartilhando experiências de vida,  simplesmente ouvindo o que as pessoas têm a dizer, sendo pacientes, escutando seus desabafos,  perdoando seus erros... em suma, doando nosso tempo, dando apoio emocional, e por aí vai). 

A vida é muito, mas muito mais do que juntar dinheiro. Nosso objetivo neste mundo não é nos tornarmos ricos, e nem sermos bem-sucedidos em nossas carreiras, seja lá o que isso signifique hoje em dia. Todas estas coisas podem nos servir como ferramentas, mas não são nossas missões no mundo. 

Nós estamos aqui para colocarmos, cada um de nós, um "tijolinho" em prol da construção do reino de Deus. Ou seja, cada um de nós pode fazer o mundo um pouquinho melhor, dentro das possibilidades de cada um. Devemos fazer isso onde pudermos, por nossos próprios atos, e dando o exemplo.

Nós também estamos aqui para evoluirmos, tanto intelectual quanto moralmente. Devemos aproveitar nosso tempo neste mundo para aprender o máximo que pudermos aprender, de modo a desenvolvermos nossa inteligência e, mais importante, nossa moral.

Também estamos aqui para servir ao próximo, principalmente para ajudarmos os mais necessitados. Cada um deve ajudar como puder. E como eu escrevi, há muitas maneiras de fazer isso.

Por fim, lembrem-se de valorizar a Família. Nestes tempos apressados e bizarros que vivemos, costumamos deixar muitas pessoas de lado, muitas vezes a troco de nada. Liguem, liguem mesmo, ouçam a voz, não fiquem simplesmente mandando mensagem no whatsapp, para aqueles parentes com quem não falam há muito tempo, ouçam o que têm a dizer, sejam atenciosos. Se puderem, visitem estes familiares. Se puderem ajudar, ajudem. Se reaproximem das pessoas, tentem, na medida do possível, reconstruir os laços que se perderam. Isso vale muito mais que dinheiro.


Sendo assim, confrades, caso não nos vejamos mais, desejo-lhes um Feliz Natal!

Que Deus lhes abençoe!

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

O aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico

Saudações, confrades.


Uma questão bastante importante e fundamental principalmente para os que estão começando a vida profissional e a "carreira" na busca pela IF ou pela TF é o Aporte (e sua frequência). 

O que mais importa no acúmulo de patrimônio é o aporte e sua consistência ao longo dos anos. Como geralmente ganhamos por mês, o ideal é que os aportes sejam mensais também. Mas, para que isso seja possível, é necessário que o aporte seja levado em conta na hora de montar o orçamento doméstico. Sem um bom planejamento dos gastos, uma família não sai do lugar. E na hora de planejar seus gastos, uma família precisa planejar também o aporte. 

O que eu vou escrever pode parecer óbvio, mas por incrível que pareça muitas pessoas com boas condições financeiras (bons salários ou boas rendas de negócios próprios) não seguem isso. Então não é tão óbvio assim.

O que quero dizer é que o aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico. 

Muitas pessoas não planejam seus gastos mensais considerando o aporte (umas por ignorância e outras, infelizmente, por ganharem valores que não tornam possível investir, como é o caso de muitos que ganham 1 (hum) salário mínimo) e por conta disso não conseguem economizar nada, ou então só economizam mesmo as migalhas que sobram no fim do mês (embora sejam melhor do que nada, tendo em vista que há muitas pessoas que nem conseguem economizar, essas migalhinhas não nos levam a lugar nenhum). 

Se uma pessoa com condições de economizar algum dinheiro todo mês não consegue fazer isso, então há algo de errado no orçamento e é necessário tomar alguma atitude, pelo bem de sua família. Afinal, mesmo que não invista no mercado financeiro (ninguém é obrigado a ter ações e nem FIIs), é ao menos necessário aportar na Reserva de Emergência (RE), para evitar cair no cheque especial ou ter que recorrer a um empréstimo para resolver algum problema, e problemas acontecem, às vezes aleatoriamente.

Uma coisa que atrapalha a vida de muita gente é o "deslumbramento" sentido quando se começa a ganhar dinheiro, o que acomete principalmente os mais jovens e de classe média, que geralmente não passaram por necessidades e por conta disso muitas vezes acabam não aprendendo a respeitar o dinheiro.

Vejam só o roteiro "padrão" de uma pessoa de classe média no começo de sua vida profissional:


Imaginem um jovem solteiro de uns 26-27 anos. O rapaz sai da faculdade e arruma um emprego "normal" em São Paulo (por normal quero dizer "de escritório", numa empresa "comum", que é o que geralmente se consegue numa cidade grande). Vamos supor que ele se dê muito bem e ingresse num programa de trainee executivo e ganhe um salário inicial de R$ 6.000,00 líquidos. Como ele está louco para ser independente e ter sua própria vida, ele vai morar sozinho e aluga um apartamento a uma distância razoável de onde trabalha, de modo que não gaste muito tempo com o deslocamento - só aí já vão no mínimo  R$800,00 (conforme minha pesquisa por apartamentos de 1 quarto com pelo menos 20m² e valor do condomínio incluído, em São Paulo, no site Viva Real - 800 reais foi o menor valor que encontrei no dia que fiz esta pesquisa, e provavelmente é em uma localização ruim de São Paulo, mas não sei, eu realmente não conheço bem a cidade). 

Como o jovem hipotético está ganhando bem, ele aproveita e compra um carro (de 40K), financiando sem entrada em 60 prestações - aí já vão mais R$ 1.000,00 do orçamento. Sobraram R$ 4.200,00 e deste valor ele ainda precisa tirar as compras em supermercado, gasolina, manutenções eventuais no carro, de vez em quando comprar roupas, e provavelmente gastará uma boa grana almoçando ou jantando em restaurantes (ou pedindo delivery) e saindo para bares, baladas, etc. (a noite em SP é cara, já dizia o sumido Pobretão). 

Vamos estimar os gastos mensais de nosso herói e pôr numa tabela (tudo estimado mesmo - se eu escrever algum absurdo comentem aí):

Gasto                                Valor      

Aluguel                       R$ 800,00                               
Prestação carro         R$ 1.000,00                              
Luz, água, gás, etc.     R$  600,00                                 
Gasolina                       R$ 800,00                                
Supermercado              R$ 800,00                                
Restaurante                  R$ 800,00                               
Saídas, lazer              R$ 1.200,00                               
Total                          R$ 6.000,00

E assim nosso jovem herói gasta todo mês todo o seu salário, e qualquer gasto que fuja desta programação (ex: uma multa de trânsito que ele leve no mesmo mês em que tiver que levar o carro na oficina) o fará entrar no cheque especial, um dos maiores destruidores de patrimônio que se conhece. 

Se nada de ruim lhe acontecer, ele provavelmente terminará seu primeiro ano de trabalho apenas com seu carro, nenhum patrimônio acumulado, e estará bastante acostumado com seu padrão de vida. 

Como não tem reservas financeiras, pode ser que ele viva preocupado com a possibilidade de não sobreviver ao programa de trainee e ser demitido. Felizmente para ele, seria relativamente fácil vender o carro para quitar pelo menos a maior parte da dívida do financiamento. E, caso seja demitido, ainda é fácil se recolocar no mercado por conta de sua tenra idade.

Vocês podem achar que algumas das estimativas acima não são razoáveis, que algumas estão muito caras ou muito baratas, e realmente é difícil estimar o orçamento doméstico de uma pessoa, ainda mais hipoteticamente, mas o que eu quis ilustrar com isso é que há muitas pessoas que, mesmo ganhando bem, estão financeiramente enrascadas, andando na corda bamba, no fio da navalha, etc. 

Esta é a realidade de muitos, ganhando bem ou ganhando mal. Não basta ganhar muito dinheiro: você pode acabar pobre e falido se não souber administrar bem a sua renda e se não considerar o aporte na hora de definir seu orçamento. 


Em nosso exemplo, o que o jovem trainee poderia fazer? Conforme já recomendei, ele poderia economizar pelo menos 25% de seu salário, o que daria R$ 1.250,00 por mês, para que em 3 ou 4 anos (dependendo do rendimento) tivesse aportado 1 ano de salário, o que lhe daria alguma segurança e maior tranquilidade, tranquilidade esta que poderia até mesmo melhorar seu rendimento no trabalho. 

Em um ano de trabalho ele conseguiria economizar 4 meses de salário, o que já é alguma coisa. Como se trata de um jovem solteiro, ele poderia poupar este dinheiro economizando no restaurante, em suas saídas,  usando menos o carro, maneirando nas compras do mercado, contratando um plano mais barato de celular e internet, etc. 

Para que isto fosse possível, ele deveria, desde o começo, ter considerado este aporte de 25% do salário em seu orçamento doméstico. Poderia fazer melhor ainda: tentar economizar um terço do salário (R$ 1.666,66), aportar os R$ 1.250,00 e usar os R$ 416,66 restantes para adiantar parcelas do financiamento de seu carro, para se livrar mais rapidamente da dívida e eventualmente liberar R$ 1.000,00 de seu orçamento. Neste caso, pode ser mais interessante aportar menos e adiantar mais parcelas. 

Ou melhor ainda: trocar o carro de R$ 40.000 por outro mais barato (mas infelizmente ainda existe uma exigência implícita de "status" em muitos locais de trabalho, principalmente empresas grandes, de modo que um trainee provavelmente seria mal visto se não tivesse carro ou se andasse em um carro muito barato - a não ser, claro, que tivesse uma boa desculpa, como morar perto do metrô e o trabalho ser próximo de uma estação do metrô - ou usar a carta da "ecologia" para justificar não ter um carro, se ele for bom de lábia).


Em suma: tem muita gente com bom potencial e que passa num programa de trainee de uma empresa grande e depois é efetivada ou passa em um concurso top e começa a ganhar R$ 10K ou mais por mês, mas aí acaba estruturando uma vida que custa R$ 9.999,00/mês, sem aportar, e por isso acaba nunca saindo do lugar e vive de mês em mês.


Forte abraço, companheiros de jornada!

Fiquem com Deus!



(O salário médio de trainee eu estimei com base neste site > https://sejatrainee.com.br/salario-dos-trainees/.)