domingo, 10 de janeiro de 2021

Os maus hábitos do comércio - parte 3

 Saudações,  confraria da blogosfera!


Espero que tenham todos tido um excelente Ano-Novo!

Vamos para mais um post, o primeiro de 2021! Será que esse ano conseguirei postar mais vezes? Só o tempo dirá!


Agora, vamos ao post propriamente dito:

Por incrível que pareça, existem comerciantes que não gostam de vender. Sim, isso mesmo que você leu: existem comerciantes que parece que não gostam de clientes e fazem de tudo para que eles não comprem nada e não voltem para suas lojas nunca mais.

Vou relatar o que aconteceu comigo: há alguns meses fiz uma obra em minha casa, e antes dela começar fui comprando aos poucos o material que o pedreiro pediu. Perto de minha casa há algumas lojas de materiais de construção, cada uma com sua especialidade. Uma delas eu escolhi para comprar o material mais pesado: cimento, tijolo, etc. Fui lá e pedi o material necessário. Ele me perguntou quando era a obra, e eu disse que seria dali a 2 semanas. Ele então respondeu meio de má vontade que "então é melhor comprar só semana que vem, vai por mim". Resolvi seguir o conselho, pois eu sei que o cimento, mesmo dentro do saco fechado, estraga com o tempo e imaginei que fosse isso que ele estivesse me ajudando a evitar. Até aí tudo bem. Não sei se cimento estraga tão rápido assim, mas achei melhor não arriscar.

Nessa mesma loja resolvi comprar também  alguns  metros de lona para proteger meus móveis da poeira da obra. Calculei por alto quanto eu iria precisar e fui até a tal loja e pedi X metros de lona. O vendedor respondeu "ah, não,  X metros dessa lona vão dar Y metros quadrados, é muita coisa. Vou ter que chamar meu ajudante aqui pra me ajudar a desenrolar a lona, vai dar o maior trabalhão e vai ficar ruim de carregar, vai ficar pesado" e etc.  

Convencido pela má vontade dele, reduzi a quantidade, até porque ele me assustou com aquele papo de Y metros quadrados: achei que realmente fosse ser muito e fosse sobrar lona (e eu teria que jogar fora). Ele então cortou a lona (daquele jeito) e me entregou, como se estivesse fazendo um favor. Não foi nem um pouco difícil de carregar e nem estava pesado, mesmo que eu tivesse comprado os X metros que eu queria no início. Resultado: fui na dele e faltou lona, tive que comprar mais depois. Fica aí pro aprendizado: o vendedor pode até entender mais do que você sobre o produto, mas ele não foi até sua casa para saber realmente qual é a sua necessidade. Então nem sempre vale a pena seguir o conselho do comerciante.

Infelizmente me parece que a má vontade para atender o cliente é muito comum em lojas de ferramentas e materiais de construção, principalmente as grandes: lembro-me de outra ocasião em que precisei comprar um parafuso mas não sabia dizer o tamanho exato,  então levei a peça onde ele seria encaixado para não ter erro na hora de comprar. Fui ao balcão e o diálogo foi mais ou menos assim:

 "bom dia, eu queria comprar uns parafusos..."

"De que tamanho?"

"Não sei, mas..."

"Po**@! Aí fica difícil, né??" (ele falou meio irritado)

"Por isso que eu trouxe a peça, você não me deixou terminar de falar."

"Ah..." (e ficou com cara de bunda no balcão)

Se eu não precisasse dos parafusos, e se a próxima loja de ferragens ficasse só a uns cinco minutos de caminhada, eu teria ido embora, mas acabei comprando.

Isso fora todas as vezes em que fui em alguma loja de madeira, materiais de construção, ferramentas, etc. e os vendedores simplesmente me ignoraram ou me atenderam com má vontade, imagino que porque eu realmente não tenho jeito de quem mexe com obras - aí eles ficam de má vontade porque não têm paciência de explicar as coisas pros "leigos", acham que vão perder tempo, etc.

Acho que vou ter que passar a me fantasiar de peão de obra para ser bem atendido...

E vocês, confrades? Já passaram por experiências parecidas? Têm alguma história para compartilhar?

Alguém que me lê trabalha em lojas de ferragem? Trata bem seus clientes? Considerem este post como uma crítica construtiva!

Forte abraço, amigos, fiquem com Deus!

Fora da caridade não há salvação!

20 comentários:

  1. A vontade dos vendedores depende em alguns casos de qual produto você quer comprar.
    Tem produtos que rendem boas comissões, outros não, esse pode ser o motivo de alguns atendimentos desinteressados.

    Outros podem estar simplesmente de saco cheio ou insatisfeitos com o emprego.

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    1. Bom dia, anon. Realmente isso acontece, mas mesmo assim um vendedor tem que prezar por atender bem o cliente. Desprezar por causa de uma comissão ruim pode fazer com que ele não volte mais, o que impede o recebimento de futuras boas comissões.
      É dificil mesmo, tem dias que realmente a insatisfação e o saco cheio estão no limite, mas não podemos descarregar nos clientes.

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  2. cara, falta muito preparo por aí e educação idem

    normalmente não ligo muito de ser maltratado na hora - só não volto no estabelecimento (claro, tb fico desejando que vá á falência, hehe)

    conheço boas lojas de ferragens aqui por onde moro e esse tratamento é inédito

    esse pessoal que maltrata cliente, se não for concessionária pública, acaba se dando mal

    abs!

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    1. Boa noite, Scant.
      Cara, eu não desejo o mal de ninguém, mesmo que me trate mal (não nego que na hora eu fique irritado e acabe pensando bobagem, mas procuro não guardar rancor). Mas é verdade que, eventualmente, o mau lojista se dá mal.

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  3. Já tive o mesmo problema que você e justamente com loja de construção, cheguei na loja querendo uma simples caixinha de correios, andei de um lado para o outro e ninguém se quer se preocupou em me atender, infelizmente eu sou o tipo de pessoa que não consegue encontrar coisas sozinho em lojas e preciso de um vendedor, como eu não consegui, resolvi ir embora da loja depois de alguns minutos, desci algumas quadras e fui em outra loja onde fui atendido muito bem.

    Eu não faço nada a respeito, não sou do tipo de pessoa que procura SAC ou ficar fazendo barraco em loja, eu simplesmente procuro outro lugar e vida que segue.

    Abraços,
    Pi

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    1. Isso aí, PI. Vida que segue. Postei as minhas experiências pessoais para servir de "consultoria" mesmo. Também não sou do tipo que arruma confusão em loja, graças a Deus.
      Abraço!

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  4. Essa questão da Má vontade, é realmente um fenômeno que eu gosto de observar.

    Porque eu condeno isso veemente, só que mesmo assim as vezes me pego agindo com certa má vontade em meu trabalho.

    Nunca tratei um cliente como você relatou no Post, mas já fiz algumas coisas parecidas que desmontraram má vontade ao cliente.

    E eu ODEIO ser atendido com má vontade quando vou em outro comércio.

    Mas oque eu digo que isso é um fenômeno porque a gente tem que estar sempre nos analisando e nos policiando para não cometer esse erro.

    E outra, digo que isso tem muito aver com o descanso da pessoa, alimentação, niveis de estresse etc.

    Embora tenha visto no livro O PODER DO HÁBITO que essa questão de força de vontade para fazer uma coisa é uma habilidade que tem que ser trabalhada.

    Quando mais você se esforçar para ser simpático e atender com atenção, mais você tende a ser assim.

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    1. Obrigado pelo comentário, Peão. Realmente te os que nos policiar para evitarmos que problemas pessoais e profissionais sejam deacontados nos clientes. Acho que é bem por aí, isso é um "músculo" que temos que ir treinando.

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  5. Na minha experiência eu vejo que isso varia de pessoa para pessoa. Uma pessoa educada e de boa vontade trata bem todas as pessoas. Uma pessoa mal educada e sem boa vontade trata mal. Já fui super bem tratado e mal tratado em muitos ambientes. Como a maioria das pessoas, principalmente os brasileiros, têm má índole, falta de educação e má vontade, esse é o padrão de tratamento na maioria dos lugares, sejam em lojas, hotéis, empresas, etc...

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    1. não é a maioria, é apenas 90%... hahahaha

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    2. Infelizmente os 2 estão certos. Percebo que isso varia muito de cidade pra cidade, mas na média o Brasil é bem ruim no atendimento. Parte diso é culpa das péssimas relações de trabalho provocadas pelas leis trabalhistas e em parte pela mentalidade "escravocrata" de muitos de nossos empresários, como o Pobretão dizia.
      Também tem o problema crônico de criação do brasileiro, visto que infeliznebte muitos de nós são incutidos desde cedo com uma certa "mentalidade de malandro".

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  6. Farmacêutico Investidor12 de janeiro de 2021 15:23

    É Mago, mas esse comportamento não é só no comércio não. Trabalho como consultor e fico de boca aberta quando vejo como alguns colegas ou mesmo gestores lidam com as demandas de clientes. Esses dias mesmo tiveram um feedback bem negativo de uma multi por conta da falta de conhecimento técnico (felizmente não foi comigo - fui inclusive elogiado por esse aspecto). Faz 3 semanas já e ninguem corre pra identificar as razoes. Ultima reunião, minha gestora foi questionada e na maior cara de pau disse que "não deve ser nossa culpa, pois o cliente deve ter etc". Ou seja, a reclamação do cliente é culpa dele mesmo. Olha o absurdo das coisas e isso pq estou há 10 anos na área.

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    1. Há quanto tempo, Farmacêutico! Tudo bem? Quando vai criar seu blog?
      Concordo que muita empresa realmente não dá a minima pro cliente. Me parece que quanto maior a empresa, pior vai ficando o tratamento. Eu geralmente sou bem atendido em lugares pequenos, mas claro que essa é a MINHA experiência. Mesmo assim, creio que os pequenos tendam a tratar melhor os clientes, até porque não podem se dar o luxo de perdê-los.

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    2. Farmacêutico Investidor15 de janeiro de 2021 03:47

      Fala Mago! Estive muito enrolado final de ano (trabalhei natal e ano novo para ter ideia). Nao sei se conseguiria manter um blog mas é meu plano sim. Sobre o que você falou tenho tbm uma opinião similar.
      Uma vez um colega comentou que todos os escritórios de grande porte (no ramo em que atuo) tem os mesmos problemas - atendimento medíocre, prazos não cumpridos, respostas estilo "bot" por parte dos profissionais e pouco conhecimento técnico-científico. Respondi pra ele que o segredo é encontrar um escritório pequeno, mas composto por pessoas tecnicamente boas e éticas. Em um escritório de grande porte, você é somente um cadastro no CRM; o atendimento será massificado e qualquer coisa fora do eixo, será complexo, demorado e caro. Por outro lado, em um escritório pequeno, você pode se tornar "O" cliente, com relacionamento mais estreito e agilidade na resolução das coisas. Trabalhei em um escritório pequeno anos atrás e apesar da concorrência brava, consegui fidelizar um cliente grande enquanto estive lá. Resolvi muitos pepinos, prazos loucos, mas sempre estava presente, seja nos bons ou maus momentos.
      Muitos anos depois ao me ver no site da minha empresa atual ele me reconheceu e começou a passar novas demandas - nunca pensei que isso aconteceria, pois fazia apenas a obrigação de um prestador de serviços - atender com qualidade, recomendar o melhor para o cliente e desarmar as situações complicadas. Logicamente, os grandes se apressaram para também aparecer na foto. Mas nenhum deles foi reconhecido por esse cliente ao passo que tenho até elogios dele no meu linkedin. Isso pra mim evidencia que o importante realmente é invisível aos olhos e agir correto vale 100x mais que conversa fiada.

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  7. Por que vendedores atendem mal?

    - Cansaço, problemas pessoais, tédio pela rotina, desvalorização no trabalho, muitos anos na mesma função, falta de perspectivas profissionais, ambiente ruim de trabalho desse vendedor junto aos colegas de trabalho, clientes em muitos casos também grosseiros etc etc etc.

    Os PROBLEMAS PESSOAIS: podem ser pontuais ou crônicos, sejam de saúde, financeiros, de relacionamento com esposa e filhos ou outros parentes. Não se deveria trazer isso para o ambiente de trabalho, mas é inegável e até certo ponto compreenssível que podemos levar esses problemas conosco a qualquer lugar e isso afeta nosso humor, disposição e estado de espiríto.

    PROBLEMAS NO AMBIENTE DE TRABALHO: Tédio, falta de valorização e reconhecimento, cobranças e metas exageradas, ambiente com pessoas tóxicas, muitos anos fazendo a mesma coisa, sensação de estagnação etc. Todos esses fatos geralmente estão interligados, fazendo com que a produtividade diminua, e afetando principalmente a função do vendedor que é o relacioamento com o cliente trazendo como consequência atendimentos ruins ou displicentes.

    Além disso falta de afinidade com o que se faz. Vendedor acaba em muitos casos sendo uma profissão ocupada por pessoas que não conseguiram outras ocupações ou não conseguiram as ocupações que gostariam e acabaram migrando para vendas.

    A maioria dos motivos que citei podem atrapalhar qualquer um em qualquer emprego.
    E num ou outro momento provavelemnte a grande maioria de nós passaremos por essas situações e isso transparecerá a quem estiver próximo de nós, não á algo inerente a apenas alguns ofícios.
    OBS: Não sou nem nunca fui vendedor, as sei dos problemas relacionados ao trabalho em "equipe" e atendimento de pessoas.

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    1. Seu comentário foi muito bom, anon. Daria para escrever um post com ele.
      Esses problemas que você citou são os pequenos martírios do dia a dia que passamos hoje em dia na nossa bizarra era moderna. O trabalho tem sido pra muita gente fonte de estresse, ansiedade e depressão. Por isso tanta gente frustrada, triste e mau humorada em tanto lugar, tanta gente tomando tarja preta, e por aí vai... que Deus nos proteja.

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    2. Em tempo, mesmo estes problemas que você descreveu não justificam tratar mal qualquer pessoa que seja. Ajudam a explicar, mas não justificam.

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    3. Sei que não justificam, mas acontecem e ao meu ver são as razões para a maior parte dessa má vontade que vemos.

      Nem sei se a era moderna é bizarra. Bizarrices fazem parte da história da humanidade, cada época com as suas, algumas inclusive continuam as mesmas.

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  8. Mago, aqui na minha cidade é muito comum ser mal atendido no comércio em geral, não só de materiais de construção.

    Geralmente por empregados mal remunerados que atendem com má vontade.

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    1. É raro mesmo ser bem atendido, Astronauta. Por isso temos que valorizar os bons profissionais que encontrarmos, de todas as profissões.

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