quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Inflação também traz problemas morais para a sociedade

    Um costume que me parece ser uma marca de nossa acelerada época é uma estranha obsessão por encontrar uma "causa única", uma "explicação simples" com base em um só fator para qualquer problema, especialmente nas áreas de ciências humanas. É como se hoje em dia as pessoas tivessem "se esquecido" que os fenômenos sociais formam uma imensa teia de eventos correlacionados, que se influenciam uns aos outros, numa cadeia lógica muitas vezes incompreensível à razão humana, da qual muitas vezes conseguimos enxergar somente os elementos mais superficiais.



    Embora eu considere isso uma falha na forma de se pensar as coisas, ao mesmo tempo eu acho interessante, como exercício de pensamento, partir de um só fator ou fenômeno e tentar chegar a conclusões gerais, ou encontrar outros fatores/fenômenos que com ele interajam e influenciem. 

    Dito isto, escreverei sobre o fenômeno da inflação e discutirei algumas de suas implicações para a moral da sociedade. (Óbvio que a inflação não é "A" causa para os problemas aqui descritos, mas certamente contribui para agravá-los)

    Há, por exemplo, pessoas que defendem a idéia de que a diminuição do teor de ouro nas moedas para financiar as campanhas militares foi "A" causa fundamental da queda do Império Romano. Tal diminuição do percentual de ouro nos Aureums e de prata nos Sestércios não teria sido "publicada", "oficializada", nem nada disso, mas feita na surdina, sem o conhecimento do povo, o qual eventualmente percebeu que as moedas não tinham tanto valor quanto antes, estavam mais leves, e aí iniciou-se uma reação em cadeia que culminou na destruição do Império através das invasões bárbaras.

    Eu não sou um grande estudioso da história romana, mas acho essa explicação simplista demais. No entanto, não deixa de ser interessante analisar, olhando a nossa realidade brasileira, os efeitos perniciosos da inflação nos hábitos da sociedade. Vejamos:

(Os exemplos que eu escrevi neste artigo são "anedotas", mas, afinal, o que são "dados" se não uma imensa coleção de "anedotas"?)

O que dizem os livros-texto de economia acerca da inflação? Em sua maioria os livros-texto de economia possuem forte viés keynesiano, ou ao menos assim eram os que eu tive acesso (Ex: Mankiw). Em muitos está escrito que a inflação é uma alta generalizada de preços da economia, a qual leva a uma desvalorização da moeda. Ou subentende-se isso.

E o que dizem as correntes de pensamento econômicos mais voltadas ao libertarianismo a respeito da inflação? Basicamente que a inflação é a desvalorização da moeda, o que acaba acarretando numa alta generalizada de preços. O caminho inverso da explicação "keynesiana".

Uma explicação é um espelho da outra, uma troca a causa pelo efeito da outra. Eu acredito que ambas coexistam, formando uma figura similar a um ouroboros:



Eu acredito que:

1) A emissão de moeda de maneira exagerada pelo governo e pelos bancos comerciais acaba tendo como uma de suas consequências o aumento generalizado dos preços da economia (afinal, considerando que a moeda se comporta como se fosse um bem e a escassez de um bem é um dos fatores determinantes de seu valor, quanto menos escassa for uma moeda, menos valor cada unidade monetária carregará) - essa é a que provoca, nos dias de hoje, a desvalorização direta da moeda e a inflação do ponto de vista mais libertário.


2) A perda de confiança do povo em sua moeda também contribui para a inflação, pois provoca a "Inércia Inflacionária": o povo espera que a moeda desvalorize, então confia menos nela, e essa desconfiança acaba realmente desvalorizando a moeda (uma profecia auto-realizada)


3) Eu não sei se isso é um aspecto da "Inércia Inflacionária", mas eu chamaria este fenômeno que vou descrever a seguir de "Arredondamento da Inflação": Por exemplo, o IBGE/Banco Central divulga que o IPCA foi de 7,5%. O dono do mercadinho e o dono da padaria não vão aumentar os seus preços em 7,5%. Eles vão arredondar logo para 10% porque assim eles "garantem" alguma proteção a mais (se sentem mais seguros) e porque é mais fácil de fazer as contas com números redondos. Eu acredito que a inflação na prática sempre é arredondada para cima. 


4) De certa forma um aspecto do fenômeno do Arredondamento da Inflação: a desconfiança do povo nas informações emitidas por instituições oficiais também pode aumentar a inflação. Todo mundo tem uma idéia geral de que "Inflação = Ruim", e todo mundo tem uma noção de que "Inflação = Ruim = Imagem negativa para os políticos do momento", então há uma idéia de certa forma difundida que "Números oficiais são mais baixos do que a realidade para não manchar a imagem do partido que ocupa os cargos no momento", então quando é anunciado que o IPCA foi de 12%, muitos vão pensar que na verdade foi 15%, então vão aumentar seus preços em 15% ou próximo disso. E isso desvaloriza a moeda, também no ponto de vista keynesiano (alta dos preços que faz a moeda comprar menos)


E Outras coisas que contribuem para o aumento generalizado dos preços em um país, mas não diretamente para a desvalorização da moeda:

A) Os chamados "Custos de Menu" que seriam os custos relativos à própria atualização dos preços em si. O exemplo clássico é o restaurante que incorre em custos extras para ficar atualizando os preços do cardápio, daí o nome do termo, mas aqui entram também todos os custos inerentes a isso, como os custos extras que se têm com o planejamento orçamentário, custos de trocas de fornecedores, gastos com contadores, com equipe de marketing (para "suavizar" com propagandas o aumento do preço - tipo esses chocolates que diminuem de tamanho e colocam isso na embalagem como se fosse uma conquista - "novo tamanho!" ou "nova fórmula!"), os próprios custos de desenvolvimento e troca de embalagens, etc. - todos estes gastos extras aumentam os preços e contribuem para a noção keynesiana de inflação.

B) Problemas gerais com a oferta agregada (infraestrutura ruim, safras ruins, interrupções de cadeias de suprimentos, guerras, crises bancárias, etc.) também provocam altas generalizadas nos preços, o que, forçando a barra, indiretamente contribui para a desvalorização da moeda (no sentido de que uma unidade monetária compra cada vez menos bens), principalmente se tais problemas persistirem, tendo em vista que a "inércia" é um componente importante da inflação  (se o povo de um país perde a confiança em sua moeda, isso inicia uma verdadeira bola de neve inflacionária, e mesmo que os problemas com a oferta sejam resolvidos, a falta de confiança permanecerá, ao menos por um tempo). 

C) Altas cargas tributárias contribuem para o aumento generalizado dos preços e indiretamente contribuem para a inflação, na medida em que desencorajam investimentos produtivos.

D) Taxas de juros altas também provocam o efeito das cargas tributárias altas: se consigo facilmente ganhar mais dinheiro aplicando meu capital com pouco risco em títulos do tesouro, por quê vou me arriscar montando fábricas, abrindo lojas, ou exercendo qualquer outra atividade produtiva? Com isso, produz-se menos, diminui-se a oferta e aumenta-se os preços.


Não é novidade para ninguém que lê sobre economia e finanças que o Real já perdeu muito valor desde sua implantação em 1994 e que em 2024 e 2025 essa perda de valor acelerou bastante, inclusive por conta da deterioração da taxa de câmbio. Cem reais de hoje em dia compram bem menos coisas que cem reais de 1994. Aliás, as notas de cem reais estão bem mais comuns, algumas são sacadas já sujas e com marcas de dobra, sinais claros de que circularam, em contraste com, digamos, 20 anos atrás,  em que eram bem mais raras e estavam sempre limpas. Só não estão mais comuns ainda por causa do uso generalizado do pix.

Além disso, não devemos nos esquecer que o dinheiro é uma abstração e que funciona como uma "bateria de tempo", armazenando nosso tempo gasto trabalhando para que possamos utilizá-lo mais tarde - isso é a "Reserva de Valor", uma das três funções da moeda.

Assim, a desvalorização da moeda implica, então,  numa desvalorização de nosso tempo e de nosso próprio trabalho, e isso traz consequências psicológicas para todos nós,  ainda que a nível inconsciente ou subconsciente. 

Os economistas dizem que os preços funcionam como sinais que indicam o que deve ser produzido, o quanto, e aonde. Então em um cenário de inflação é como se todos nós estivéssemos o tempo todo recebendo uma mensagem: "você vai trabalhar a mesma coisa, ou mais, e vai receber cada vez menos em troca do seu trabalho". Os mais prejudicados nesse processo são os assalariados, que não conseguem ajustar o preço de sua mão-de-obra: dependem do empregador lhes conceder aumentos ou de encontrarem outro emprego que lhes pague melhor, o que no Brasil é muito difícil, dado que temos poucas empresas grandes (só temos 4 ou 5 bancos grandes, só 1 siderúrgica, só umas 2 ou 3 petroleiras, etc. enquanto que nos EUA há literalmente milhares de empresas de grande porte e capazes de pagar bons salários). 

As pessoas de mente mais fraca e de pouca evolução moral se sentem mais tentadas a cometer crimes, tendo em vista que o trabalho honesto não está rendendo tão bem quanto deveria, e a violência aumenta (assaltos, sequestros, roubos, etc.). 

Os Bens Reais, principalmente aqueles atrelados a commodities, e as próprias commodities em si, tendem a manter seu valor real, ceteris paribus, com seus preços se ajustando à inflação - vemos isso nos metais, por exemplo. E por isso aumenta o número de roubos de portas de alumínio, tampas de bueiro (geralmente feitas de ferro fundido), fios elétricos (que são feitos de cobre), etc. 

Eu já testemunhei, à luz do dia, com carros e pessoas passando em volta, um bandido arrancando os fios de um poste, mais de uma vez, e não duvido que vários leitores daqui do blog já tenham presenciado algo assim! Na minha rua já roubaram várias vezes os fios (subterrâneos!) do sinal de trânsito. Também já vi alguns bueiros sem tampa nos caminhos que faço para chegar ao trabalho, e já roubaram, de madrugada, a porta de alumínio que protegia o hidrômetro da casa de meu pai. 

Esses são só alguns exemplos, e tenho certeza de que vocês têm outros parecidos.

Roubo de cabos de cobre dos carregadores de carros Tesla, na Baía de São Francisco, nos EUA. Esse fenômeno é global, não é exclusivo do Brasil!


Há também um nível mais sutil de roubo (para alguns pode não ser roubo, mas para mim não deixa de ser moralmente reprovável) e que é praticado pelas empresas: a diminuição da qualidade dos insumos de produção (moralmente reprovável, dependendo das circunstâncias) e, em alguns casos (aí sim um roubo, inegavelmente), a falsificação dos materiais utilizados. Isso acontece bastante na indústria alimentícia em geral, tanto em restaurantes quanto nos supermercados. Um exemplo que está chamando atenção do pessoal é o chocolate: cada vez menos cacau e leite, cada vez mais "manteiga de cacau" e "soro de leite" e gordura hidrogenada (hoje nós só temos biscoitos "Sabor Chocolate"). 

Assim como os chocolates, os lanches dos fast-food e dos restaurantes como um todo vem diminuindo ano após ano, e seus ingredientes pioraram. 

A cerveja está cada vez mais aguada, com menos cevada e mais "milho", e por aí vai. Logo logo haverá a "bebida alcoólica sabor cerveja".

Para mim o pior caso de falsificação de materiais é o da fiação elétrica: alguns cabos de cobre são falsificados pelos fabricantes e passam a ter altos teores de alumínioisso quando não são vendidos fios de alumínio como se de cobre fossem (só com uma cobertura de cobre, ou com o alumínio oculto sob a capa de borracha), e o desempenho dos equipamentos que usam tais cabos não é o  esperado, o que resulta em mais custos de manutenção, fora o risco maior de acidentes. 

Quem me contou essa história de estarem falsificando cabos de cobre foi um técnico que eu chamei uma vez para consertar o ar condicionado da minha casa. Ele disse que tem visto isso em vários equipamentos que ele conserta, e até quando compra fios em lojas de materiais de construção. E eu não duvido que seja verdade. Com o dinheiro desvalorizando, as coisas reais tendem a ficar mais caras, e o cobre não escapa a esta regra.

Outra coisa bizarra é como que os livros-texto de economia em geral "ignoram" o problema da inflação

Eu tenho em casa um exemplar da 7ª edição do livro de macroeconomia do Mankiw, e em um capítulo em que ele fala a respeito da inflação ele diz algo do tipo "a inflação não é um problema de verdade porque o salário também aumenta na mesma proporção - não importa se tudo está 10 vezes mais caro porque o salário também aumenta 10 vezes", e eu li esse mesmo argumento em pelo menos outro livro de economia. 

Na minha opinião o argumento ou é burrice ou mau-caratismo

Esse raciocínio só seria verdadeiro se o salário aumentasse na mesma proporção que a inflação e na mesma velocidade, o que obviamente não é verdade, pelo menos não aqui no Brasil. 

Talvez em uma hiperinflação (como as da época dos planos Cruzeiro e Cruzado) as empresas dêem reajustes com mais frequência, até porque senão dali  a pouco ninguém estará comprando mais nada e elas também irão se prejudicar. 

Mas em cenários como o nosso atual, de inflação "mediana", com índice oficial entre uns 10% e 15% , não há reajustes salariais proporcionais e, nas raras vezes em que há, eles não são na mesma velocidade da inflação. Vamos perdendo nosso poder de compra a conta-gotas (na verdade, mais rápido do que isso, mas não conheço uma metáfora que ilustre bem a idéia) e nada é feito. 

Quem é autônomo consegue repassar pelo menos um pouco da inflação para seus clientes - quanto mais essencial o seu serviço, ou quanto melhor for sua reputação no mercado, mais o profissional liberal conseguirá repassar a inflação para seus clientes. Por isso que a inflação médica é a maior de todas. Nunca me esquecerei do ano em que meu plano de saúde reajustou 28% de uma só vez e fui forçado a trocar de plano.

Quem é empresário consegue repassar uma parcela maior, a depender da essencialidade / qualidade percebida de seus produtos e serviços. 

E empresas muito grandes conseguem repassar quase tudo por terem uma escala de produção que permite diluir mais seus custos. 

Como sempre, quem sofre mais é o trabalhador comum, cujo salário raramente é reajustado. Algumas empresas nem quinquênio pagam.

E aos poucos o trabalhador vai sendo empurrado para a pobreza, sendo obrigado primeiro a cortar supérfluos (se tiver) até que se chega no modo "sobrevivência". 

E não é um problema apenas estatal - a mentalidade média de nosso empresariado também é parte do nosso problema. Eu nunca vi um produto diminuir realmente de preço (Exceto as variações sazonais de frutas, legumes e vegetais). 

Por exemplo, eu duvido que, se o governo isentasse os chocolates de ICMS e outros tributos, o preço cairia para os patamares de 5 anos atrás ou que a qualidade fosse melhorar. 

Pela minha experiência, o preço e a qualidade se manteriam iguais ao de hoje, e os diretores das empresas que fabricam/importam chocolate iam ganhar bônus maiores no fim do ano. Isso porque aqui não existe concorrência, só existem oligopólios praticamente, e os oligarcas sabem que o público já se acostumou a pagar 15 reais numa barra sebosa de gordura hidrogenada com aroma de cacau, então eles não sentem necessidade de diminuir o preço.

E também é necessário dizer: a realidade de "trabalhar mais para receber cada vez menos" provocada pela inflação também provoca o efeito pernicioso do trabalhador fazer corpo mole e não trabalhar com o devido zelo. Ele não tem incentivo para trabalhar mais, pois percebe ano após ano, mês após mês, que sua recompensa só diminui. Eu vejo nisso uma difícil questão moral: eu sei que não é certo um empresário exigir dedicação total de um funcionário que trabalha de segunda a sábado das 8h às 18h em troca de R$ 1.500,00 por mês (realidade de muitos brasileiros infelizmente), mas também sei que há empregados que não fazem por onde e são mesmo indolentes, insolentes, etc. e a "sensação" de pobreza (entre aspas porque é bastante real) que a inflação traz só piora a indolência de quem já seria indolente de qualquer jeito, e torna indolentes outros que em outra realidade seriam bons trabalhadores.

Toda a sociedade perde com a inflação, e não entendo porque em praticamente todos os países (pelo menos os ocidentais, mas não tenho certeza) existe uma "meta de inflação" maior do que zero, quando deveria ser zero ou até mesmo negativa (deflação).


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Aportes e Atualização Patrimonial - julho de 2026

 Saudações, confrades!

Agora há pouco terminamos o mês de julho do Anno de 2026 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verdadeiro Rei e Messias da humanidade! 



É assim que eu me vestiria no dia a dia, se fosse socialmente aceito. Talvez quando eu ficar velho e estiver morando numa cidadezinha do interior eu fique assim...





Vamos a mais um post de atualização, como sempre com todos os valores expressos em Coroas, a moeda fictícia do meu blog.





Aumento acumulado de 613,6% desde junho de 2021. Cada real aportado é um tijolinho do meu castelo. Sigamos em frente, melhorando sempre e com disciplina.

Construindo a TF, uma martelada de cada vez

Relembrando, como sempre, que nenhum ativo mencionado no blog e/ou em seus comentários é uma recomendação de compra e nem de venda! Estudem por conta própria e trilhem seus próprios caminhos, com suas próprias conclusões e montando o seu conhecimento (o ativo mais valioso) e não caiam na onda dos nossos youtubers de finanças! Os meus métodos funcionam só comigo e eu nunca escrevo tudo o que eu faço e penso em matéria de finanças!

Ações - tal qual nos meses anteriores, sem compras e sem vendas em julho, seguindo minha meta de aumentar o valor em RE para dar entrada em um imóvel. A carteira permanece.



FIIs - Em julho, também não aportei em FIIs. Só acumulei na RE para dar entrada em imóvel e/ou pagar o ITBI e/ou taxas de cartório e/ou obras e reformas necessárias. A carteira permanece a mesma.



Exterior - Em julho aportei novamente os dividendos acumulados na corretora, novamente em REITs, seguindo a minha estratégia de engordar a renda passiva no exterior e deixar essa parte da carteira "andando sozinha" e "se retroalimentando' - aportei nos REITS Franklin Street Properties (do setor de escritórios, um REIT pequenininho para os padrões dos EUA mas relativamente grande para o Brasil) e Medical Properties Trust (do ramo de saúde, que sofreu alguns reveses em anos anteriores e pode ser que se recupere lentamente). A carteira no exterior permanece numa proporção 30% REITs e 70% Stocks, o que eu considero uma boa proporção.




Renda Fixa - mais uma vez, a maior parte do valor que iria para aportes foi para a RE, por causa do meu plano de comprar um imóvel. Será assim pelos próximos meses, não tem jeito. Ou isso ou para adiantar prestações quando eu comprar o imóvel.


Renda Passiva - em julho recebi 25,3 Coroas, dentre aluguéis de FIIs e dividendos de ações, e este é o 3º maior valor recebido até hoje! A renda passiva acumulada até o momento em 2026 já superou a de todo o ano de 2023, e estimo que superará também o de 2024 por volta de outubro ou novembro. 

Segue o meu gráfico favorito, que mostra bem o poder da bola de neve, o qual por sua vez é o resultado de trabalho + disciplina + paciência:





Seguem os gráficos de renda passiva acumulada ano a ano e de patrimônio total do meu ETF fictício MAGO11:



Generalidades

- Em julho finalmente consegui postar alguma coisa sem ser atualização patrimonial! Para quem não leu, confira aqui o meu post sobre o Meu Emprego dos Sonhos!

- Para os que estão para morar sozinhos, deem uma lida no meu post de 2022 sobre quais as ferramentas mínimas que se precisa ter para morar sozinho. Pode ser que um dia eu escreva um sobre quais ferramentas e utensílios se precisa ter para sobreviver sozinho (numa floresta, em algum lugar isolado, etc.), com base no Manual dos Escoteiros - veremos!

- Eu quero em breve retomar a minha série sobre Idéias de Negócios. O último post que escrevi dessa série foi em janeiro de 2022, quando eu escrevi sobre Chaveiros (ainda penso em um dia abrir um negócio desse tipo...)

Por enquanto é isso, confraria. Vou ver se em agosto eu também consigo postar alguma outra coisa além de atualização patrimonial. 

Fiquem com a música do mês ("White Pearl, Black Oceans - part II", da banda finlandesa Sonata Arctica):





Eu e minha esposa



Forte Abraço, companheiros de jornada! 

Fora da caridade não há salvação!

Fiquem com Deus!




terça-feira, 21 de julho de 2026

Meu emprego dos sonhos

 Saudações, confrades!

acho que esse post era bait, porque já vi essa mesma história sendo publicada em inglês em outra parte do twitter (ver a foto abaixo). Provavelmente é apenas uma copypasta, mas não deixa de ser, de certa forma, "real"!

A versão em inglês da mesma história, em outra rede social, o que praticamente comprova que trata-se de uma Copypasta. Mas, como eu disse acima, essa história tem um fundo de verdade e já devem ter acontecido situações semelhantes inúmeras vezes na vida real!


Motivado por umas discussões que eu vi na internet recentemente acerca da famigerada "ética do trabalho" (vide imagens acima), vou escrever este post apenas como um exercício mental e de imaginação no qual eu tento desenhar como seria o meu emprego dos sonhos, o meu emprego ideal (esse meu emprego imaginário é na secretaria de uma escolinha de cidadezinha de interior ou de uma cidade mediana com no máximo uns 300.000 habitantes) - acredito que as características que eu vou descrever abaixo são as do "emprego dos sonhos" de muitos brasileiros por aí, então os confrades que gostam de ler meu blog, por favor, vejam se por acaso se identificam:


(OBS: a maioria das coisas que descreverei são características físicas do ambiente de trabalho, então se eu montasse uma empresa eu deixaria o ambiente dessa forma em meu estabelecimento)


- Emprego público, preferencialmente municipal, de uma boa cidadezinha média, ou qualquer emprego privado que tenha alta estabilidade numa cidadezinha dessas - e geralmente escolas são empregos mais estáveis do que a média do mercado privado

- Expediente de 8h às 16h30 ou 8h às 17h (podendo vender o almoço ou almoçar rápido no escritório para sair mais cedo) ou de 9h às 17h. (Se em qualquer emprego eu pudesse vender minha hora de almoço para sair mais cedo, eu traria uma "marmita saudável" todo dia e almoçaria de boa na frente do computador que nem os supostos empregados "de alto desempenho" mencionados na história dos prints acima, mas eu não faço isso porque sei que não haverá vantagem nenhuma e não poderei sair mais cedo, então eu sempre faço questão de tirar a minha hora de almoço inteira igual o protagonista dos prints!)

- A cultura do estabelecimento é de que você só precisa cumprir 40h semanais não importando como elas estejam distribuídas, então se der um gás na segunda-feira poderá sair mais cedo na sexta-feira, por exemplo. Eu faria logo umas 12h na segunda-feira e na terça-feira, para folgar na sexta sempre que pudesse. Nas épocas em que eu estivesse mais animado, faria 12h na 2ª, 3ª e 4ª, e meio-expediente na 5ª e folgando 6ª. - Claro que nessas circunstâncias ia ter que ter um rodízio de folgas entre os funcionários pois muitos iriam querer folgar na sexta e óbvio que isso não seria possível - afinal iria deixar o estabelecimento vazio - mas pela minha experiência geralmente quando não há muita intervenção da chefia nesses arranjos entre empregados isso costuma dar certo, então acredito que seria possível ter um rodízio bom com a colaboração de todos os funcionários, talvez sendo controlado por uma tabelinha num mural em uma área comum.

- Esse emprego sempre enforca os feriados (Ponto Bônus: às vezes até mesmo muda os dias de alguns feriados não-religiosos para que caiam numa sexta ou segunda-feira [por exemplo: em determinado ano o dia de Tiradentes caiu numa quarta-feira, então o chefe manda todo mundo trabalhar na quarta porque vai dar o feriado na sexta-feira]) - é normal escolas enforcarem feriados, mas não sei se isso vale para o pessoal do administrativo ou se só para professores, alunos e inspetores.

- O (A) chefe / diretor(a) é um(a) coroa de uns 60 ou 70 e poucos anos que nem sabe usar computador direito e digita só com 1 ou 2 dedos de cada mão, só sabe usar Word e Excel, no máximo arrisca uns slides no Powerpoint, e no excel mal sabe usar a função SOMA() 

O chefe hipotético, há uns 20 anos no cargo, digitando só com 1 dedo de cada mão em um PC velho que ele se recusa a trocar




O chefe / diretor(a) é avesso a mudanças e inovações (então nunca vai aparecer "do nada" com um sistema novo para implementar, ou inventando uma mudança brusca de processo a cada 6 meses, ou gastando uma fortuna com uma consultoria duvidosa, e nem ficar inventando de fazer obras, trocar móveis ou mudar as salas de lugar "só porque sim", etc.) - eu já tive um "chefe" (eu estava assumindo o lugar dele na época, e ele ia subir) que era o contrário disso: ele certa vez olhou para um armário bonito, de madeira, que estava em uma das salas da firma e me pediu para jogar o armário fora e comprar outro, dizendo que aquele "já estava ultrapassado" (detalhe: o tal armário tinha no máximo 2 anos) - imagino que ele tenha feito isso porque era um jeito fácil de "demonstrar serviço" - por uma questão de princípios eu não fiz o que ele pediu, e até onde eu sei, o armário ainda está lá.

        - Ponto Bônus: o chefe / diretor (a) é "perpétuo(a)", o que significa que o cargo dele não tem grande rotatividade, e ele pode ficar muitos anos por ali, sem aquela chatice de troca de chefe a cada 2 ou 3 anos (quem já passou por troca de chefe sabe como geralmente é um processo doloroso... Tem um post meu lá do começo do meu blog no qual eu relato a minha experiência pessoal com isso!)

- As atividades desempenhadas são aquelas típicas de "secretaria de escolinha" ou de um "escritório pequeno": preencher planilhas, fazer lançamentos em sisteminhas (pontos bônus se forem sistemas feitos em COBOL, Pascal ou outra linguagem mais "antiga" e tiverem aquele jeitão de MS-DOS com a tela preta e as letras verdes ou brancas), organizar pastas de arquivos (físicos), gerenciar o estoque do almoxarifado, controlar correspondências, controlar numeração de documentos, fazer pedidos de materiais, registrar chamadas, etc.

- A maioria dos colegas na faixa entre 40 e 60 anos (casados, com filhos, enfim, um pessoal mais maduro e que não vai querer fazer happy hour até tarde e muito menos happy hour toda semana) e só uns poucos na faixa dos 30 e só 1 ou 2 na casa dos 20 (estagiários)

- Reuniões são raras e ocorrem somente para planejar eventos (por exemplo, se for uma escola, as reuniões seriam só para planejar os eventos que envolvam os alunos, e essa minha "escola ideal" onde fica o meu "emprego ideal" só faria eventos para Páscoa, Festa Junina, dia das mães, dia dos pais, dia de Nossa Senhora (vulgo dia das crianças), e formatura da 4ª e da 8ª série (nesse meu emprego ideal a escola não tem ensino médio) (Pontos Bônus: as reuniões são só de pessoas sentadas ao redor de um mesão e usando papéis, sem powerpoint, sem datashow, e tem gente que não anota nada)


As reuniões são numa mesa assim, e não tem nem como plugar um datashow e nem colocar notebooks na tomada durante as reuniões




- Quando ocorre um evento no final de semana (e no caso de escolas é comum ter esses eventos aos sábados, principalmente festas juninas), há compensação equivalente durante a semana seguinte,  mesmo que haja feriado naquela semana (trabalhou no sábado = não vai trabalhar em algum dia entre segunda e sexta-feira da semana seguinte, a combinar com a chefia e com os demais funcionários; se trabalhou sábado e domingo = não vai trabalhar durante 2 dias da semana seguinte)

- O sinal de internet é ruim no recinto, então tudo é feito por LAN / intranet, usando documentos e pastas compartilhadas na rede, etc. Como consequência, o ritmo de trabalho é mais lento, porém mais dedicado a cada tarefa individual, pois ninguém perde tempo lendo notícias e nem vendo reels. (Pontos Bônus: Há uma norma interna proibindo o uso de whatsapp e outros aplicativos de mensagens instantâneas para se comunicar com funcionários dentro e fora do horário de expediente)



- Outros Pontos bônus

    1) ainda há alguns computadores "velhos" no recinto (com monitor de tubo amarelado, máquinas rodando windows 95, 98, 2000 ou XP, mas que ainda são usadas para rodar determinados programas e sistemas legado)

        2) Tem um sistema legado que só roda em disquete, então existe um computador antigo com drive de disquete (quem lembra do drive "(A:)" ?) que é mantido vivo só para rodar esse sistema (e tem gente que também usa para jogar paciência, campo minado e o pinball do windows nele na hora do almoço!)




      3) o piso em algumas salas é de taco ou outro estilo "antigo" (sem usar piso frio), e em alguma área externa o chão é de "caquinho", igual casa de avó.

Isso é um piso de caquinho, para quem não sabe. Na minha opinião uma das coisas mais bonitas da arquitetura brasileira

        

4) Nas salas onde as pessoas trabalham sempre tem uma mesinha improvisada, coberta com uma toalha de renda ou uma dessas toalhas de plástico usadas em festas de criança, e em cima dela fica a garrafa térmica com café (uma garrafa marrom, velha de guerra, daquelas antigas, que nem da foto abaixo) - (ou seja, não tem nenhum "point do café" com puffes, "gaveta de chocolate", luzes neon, quadros com arte moderna abstrata, pôsteres com mensagens motivacionais, nada disso) 


    5) Quando o chefe pergunta se tem algum voluntário para um determinado curso noturno que a matriz/prefeitura/secretaria de estado está oferecendo ou para participar de um congresso em outra cidade no final de semana ou qualquer coisa chata assim que atrapalhe a rotina pessoal, ninguém tem medo de dizer que não é voluntário.

     6) Quando o chefe diz que vai ser preciso fazer uma reunião e que por causa da agenda dele(a) só dá para marcar às 18h e pergunta para os funcionários se está tudo bem fazer uma reunião que provavelmente vai passar das 19h, ninguém tem medo de dizer que não vai poder participar e nem que "sim, tem problema".


 7) Ninguém fica forçando usar termos em inglês no dia-a-dia ("job", "approach", "drive", "funding", "budget", etc.) - o pessoal só fala português no trabalho (a não ser a professora de inglês)


Por enquanto é isso, confrades. Se depois eu lembrar de mais características "ideais" desse emprego imaginário eu posto aqui e atualizo o post.


OBS: relembro a todos que eu sou um aspirante a "Semi-FIRE"(sempre escrevo por aqui que estou em busca da Tranquilidade Financeira (TF), que é praticamente a mesma coisa com outro nome). Então não almejo grandes objetivos profissionais (a não ser me tornar melhor em determinadas habilidades e conhecimentos que eu gosto e  considero importantes, mas isso é mais para satisfação pessoal e para uma futura carreira como autônomo), e nem me deixo levar por esses papinhos de "visão", "missão", etc. - eu realmente me enxergo como um mercenário: eu trabalho em troca do dinheiro e dos benefícios, e só. As realizações pessoais, conquistas, satisfações metafísicas, e tal, eu busco fora do trabalho. E eu acredito que o mundo seria melhor se mais pessoas fossem mais honestas neste sentido e buscassem sua maior satisfação no lado espiritual, e não subindo na hierarquia de uma empresa ou entidade pública. 

Se algum dia eu julgar que atingi a TF, talvez eu procure um concurso público para algum emprego parecido com esse que descrevi no post, ou me candidate a uma vaga semelhante em alguma escolinha particular pequena, "de bairro" - claro que muitas das características acima eu não vou encontrar, até porque são condições "ideais demais" mas acredito que um dia eu consiga algo "parecido". E acho que a maioria das características que eu descrevi são meramente estéticas. Mas o importante mesmo são as atividades desempenhadas, o horário (sair do trabalho antes de escurecer dá aumento enorme na qualidade de vida)  e o ambiente de trabalho (o ambiente psicológico, o clima organizacional, etc.).

E eu também sei que passados alguns anos eu provavelmente não gostaria mais de trabalhar neste lugar que descrevi, pois sempre há problemas, fora o possível "tédio" (se bem que o tédio é que faz aflorar a criatividade, então alguma dose de tédio sempre é boa na vida)

Imagino que muitos achariam este ambiente que eu descrevi extremamente chato e não aguentariam e nem gostariam de trabalhar num lugar assim, mas acho que isso é 50% questão de maturidade e 50% gosto pessoal - para mim, que só quero coletar meu dinheiro e sair no horário, está ótimo -- ou seja, eu só conseguiria trabalhar numa "startup de crescimento acelerado" que nem a da copypasta dos prints acima se fosse por um prazo curto e bem definido (acho que no máximo 1 ou 2 anos), com uma recompensa bem clara no final [preferencialmente em dinheiro ou em dinheiro + ações, mas nunca somente em ações].