segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Renda Passiva e a aposentadoria se constroem ao longo de toda a vida

Saudações, confrades

Retomando o assunto do post anterior, vou falar um pouco mais detalhadamente sobre a renda passiva e as dificuldades inerentes à mesma.

Para ilustrar a dificuldade de se obter uma renda passiva "decente", vamos fazer uma "conta de padaria": selecionando alguns FIIs, vamos calcular uma estimativa, considerando as informações atuais, de quantas cotas eu precisaria ter e quanto dinheiro seria necessário para ganhar um salario mínimo de proventos por mês (para arredondar, considero que um salario mínimo são 1.100 reais, pois estou levando em conta o 13o salário). Escolhi os FIIs porque ao menos em teoria eles pagam proventos todo mês, ao contrário das ações pagadoras de dividendos, e estes aluguéis  tendem a ter valores mais estáveis  que os dividendos, mas óbvio que um patrimônio bem diversificado provavelmente incluiria ações e FIIs.


Os FIIs selecionados para este pequeno estudo NÃO SÃO recomendações. Coloquei alguns que considero bons e outros que considero ruins conforme meus critérios pessoais. 

O valor do aluguel recebido por cota corresponde ao último aluguel pago ou à média aproximada dos últimos aluguéis, caso o último aluguel recebido seja muito superior ao que o FII normalmente vinha pagando. 


Vamos às contas:


Fundo: KNRI11

Provento mensal: R$0,65
Valor da cota: R$ 182,00
Quantidade de cotas necessária: 1.692
Valor a ser investido: R$307.944,00

Fundo: BBPO11
Provento mensal: R$ 1,05
Valor da cota: R$162,15
Quantidade de cotas necessária: 1.047
Valor a ser investido: R$ 169.871,00

Fundo: HGLG11
Provento mensal: R$ 0,78
Valor da cota: R$182,00
Quantidade de cotas necessária: 1.410
Valor a ser investido: R$ 256.620,00

Fundo: RNGO11
Provento mensal: R$ 0,42
Valor da cota: R$  80,89
Quantidade de cotas necessária: 2.619
Valor a ser investido: R$ 211.851,00

Fundo: HGRE11

Provento mensal: R$ 0,57
Valor da cota: R$ 150,00
Quantidade de cotas necessária: 1.930
Valor a ser investido: 289.500,00

Fundo: LUGG11
Provento mensal: R$ 0,50
Valor da cota: R$  107,00
Quantidade de cotas necessária: 2.200
Valor a ser investido: R$ 235.400,00

Fundo: VRTA11
Provento mensal: R$ 0,73
Valor da cota: R$ 137,00
Quantidade de cotas necessária: 1.507
Valor a ser investido: R$ 206.459,00

Fundo: FIIB11
Provento mensal: R$ 1,70
Valor da cota: R$ 493,59
Quantidade de cotas necessária: 647
Valor a ser investido: R$ 319.352,00

Fundo: RCRB11
Provento mensal: R$ 1,55
Valor da cota: R$  181,12
Quantidade de cotas necessária: 710
Valor a ser investido: R$ 128.595,20

Reforço que as contas acima são apenas ilustrativas e não são totalmente verdadeiras - os rendimentos dos FII podem mudar, a cotação sobe e desce todo dia, pode ser que alguns FII sejam extintos, pode ser que fiquem com inadimplência alta e parem de pagar aluguéis, etc. Como sempre, o que salva é a diversificação. Nunca é prudente colocar todo o seu dinheiro em um ativo só, então eu nunca colocaria 200K em um mesmo FII, por exemplo, a não ser que 200K representassem 5% ou menos  do meu patrimônio- mas se este fosse o caso, acho que eu não estaria preocupado com a renda passiva e provavelmente acharia que um salario mínimo é uma quantia insignificante...

Multiplique os valores acima por 10 para ver o quanto é necessário investir, aproximadamente, para receber um salário  de R$ 11.000,00 em proventos, um dos "santos graais" da blogosfera das finanças...

Percebam que a matemática confirma a obviedade do que escrevi acima- é preciso ter bastante dinheiro aplicado para produzir uma renda passiva minimamente decente. 

Isso pode parecer frustrante, a principio, mas não podemos desanimar da busca pela Tranquilidade Financeira, que é parte da busca pela própria Liberdade. Cada meta de renda passiva atingida é uma pequena vitória no caminho e nos deixa um pouco mais livres. Um exemplo interessante é do nosso colega de finansfera, o Soldado do Milhão, que tem uma carteira majoritariamente composta por FIIs. Segundo a última atualização dele (o fechamento de maio, neste momento em que escrevo), ele tem uns 60K aplicados em FII e ganha por volta de  R$ 300,00 por mês de rendimentos, o que já  é uma renda passiva que ajuda o bolo a crescer. Firme e forte, aos poucos ele está incrementando a carteira, e pelo que entendi do "lema" do blog dele, seu objetivo é obter uma renda passiva de R$1.000,00 por mês. Torço para que o soldado alcance a meta.



Com isso, vemos que, a não ser que você seja um alto executivo de uma multinacional que recebe anualmente bônus de valores  consideráveis, a renda passiva é algo a ser construído os poucos ao longo de toda a vida, e ao mesmo tempo não pode ser tratada como um objetivo de vida per si, e sim como uma ferramenta. Temos que ir construindo a nossa Tranquilidade Financeira tijolinho por tijolinho, mês a mês, sem desanimar, e toda a renda passiva obtida ao longo desta caminhada tem que ser reinvestida para gerar mais renda passiva, ou seja, devemos evitar ao máximo gastar os dividendos e os aluguéis recebidos - devemos, sempre que for possível, reaplicá-los. A hora de gastar tais rendimentos é quando sentirmos tranquilidade para parar de trabalhar por obrigação, parar de trabalhar pelo dinheiro, e isso depende do patrimônio acumulado e dos custos fixos de vida e, portanto, pode ocorrer em qualquer idade: não precisamos de um número arbitrário para isso, muito menos o do INSS - aliás, esta foi uma imensa lavagem cerebral que a humanidade sofreu: por causa da existência das Previdências Sociais estatais, foi incutido no imaginário das pessoas que há uma idade certa para se aposentar, e isso faz com que muitos não pensem nisso desde a juventude, por considerarem que é "cedo demais", fora o grande dano social provocado pelo fato das pessoas terceirizarem a responsabilidade por sua previdência.  Na verdade, a aposentadoria tem que ser construída ao longo de toda a vida, um pouquinho a cada dia, tijolinho por tijolinho. É importante mantermos isto sempre em mente.  

Forte abraço!



sexta-feira, 26 de junho de 2020

A Tranquilidade Financeira se conquista aos poucos

Saudações, confrades

Como estão indo nesta quarentena?  

Eu tenho trabalhado em um regime "híbrido", às vezes ficando no home office e às vezes indo até a empresa para resolver coisas que realmente requerem a minha presença.

Atualmente trabalho naquilo que eu classifiquei neste post como sendo um "trabalho comum de escritório", ou seja, um trabalho mais mental, que envolve ficar horas na frente de um computador preenchendo planilhas, fazendo powerpoints para reuniões, ligando pra clientes e fornecedores, respondendo e-mails, frequentemente levo preocupações para casa, tenho épocas de grande fadiga mental e estresse, na maioria das vezes saio depois do horário, etc.

Como sou um ser humano e, portanto, eternamente insatisfeito, fico sonhando com trabalhos em que isso não aconteça, trabalhos mais físicos e  menos mentais, em que por mais que eu me cansasse fisicamente, não teria tanto estresse e fadiga mental, além de não levar preocupações para casa. Isso ou ser professor, conforme descrevi neste post (link). Saindo de minha atual profissão, só sinto vontade de, caso ainda trabalhe para os outros, fazer trabalhos mais "braçais", e o único trabalho mais mental que acho que conseguiria fazer como empregado de alguém seria o de professor (ou seja, não quero mais ser um "rato de escritório" - a não  ser, talvez, que eu ficasse numa área mais técnica e menos de gestão, mas isso é muito difícil de se conseguir hoje em dia - em empresas esse tipo de atividade ou é terceirizado para uma consultoria ou então é um cargo reservado para membros da panelinha - conforme descrevi neste outro post aqui).

Resumindo: meu objetivo financeiro acaba sendo, no fundo, conquistar o direito de poder trabalhar em um emprego bem mais simples e ganhando menos, o direito de trabalhar num emprego mais tranquilo, ou de ganhar menos do que ganho atualmente trabalhando como professor em alguma escola particular. No fundo esta é a minha ideia central de Tranquilidade Financeira. No meu caso particular, para alcançá-la, eu preciso reduzir meus custos fixos de vida e acho que seria uma boa ideia garantir uma renda passiva mínima mensal antes de dar este passo.

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E o que eu considero um emprego mais tranquilo?  Conforme eu disse acima: um que não leve preocupações para casa, que eu não fique horas à frente de um computador operando um sistema corporativo (ERP) ou preenchendo planilhas e, o mais importante: um que eu possa sair no horário todos os dias. Vejam que eu não quero sair mais cedo, só quero sair no horário, ou seja, sair todo dia por volta das 17h, e não às 18h, 19h, 20h,... Se eu pudesse encontrar um emprego de meio expediente, melhor ainda. Em um mundo ideal, eu conseguiria viver da renda do meu patrimônio, complementada por dinheiro ganho em projetos freelancer, bicos e pela renda de um pequeno negócio.

Sleeping Wizard by capnjammer on DeviantArt


Para conquistar este direito, o que é necessário? 

1) Quitar meu financiamento (se eu parar de adiantar pagamentos, ele será quitado em 2024; se eu continuar adiantando, eu o quitarei daqui a dois anos, em meados de 2022, conforme meus cálculos, mas pode ser antes disso, pois cada adiantamento diminui o número de parcelas e com isso os juros diminuem, fazendo com que cada prestação consuma cada vez mais do saldo do principal - atualmente falta apenas um terço do valor original para quitar);

2) Receber pelo menos um terço do meu salário atual na forma de renda passiva (para possibilitar que eu arranje um emprego que pague metade do meu salário atual) - essa meta é a mais complicada, e explicarei mais adiante;

3) Constituir uma reserva de emergência que custeie no mínimo  1 ano de meus gastos atuais, para começar. Depois de quitar o financiamento vai ser possível ampliar esta reserva para 2 anos de gastos.

Ressalto que embora os 3 objetivos acima sejam referentes à minha situação particular, acredito que eles podem ser aplicados à vida da maioria das pessoas - muita gente tem financiamentos de 30 anos, muita gente vive de salário em salário sem reserva nenhuma, etc. 


O objetivo 1 já está em vias de ser alcançado, basta um pouco mais de paciência. O objetivo 3 também não é difícil, basta manter meu padrão atual de frugalidade e aporte que eu logo chego lá. A grande dificuldade é o item 2, pois requer muito mais tempo para ser alcançado. Qualquer renda passiva é difícil de ser conseguida e requer muito dinheiro investido - mas isso é lógico, porque se fosse moleza conseguir, digamos, um salario mínimo  por mês de dividendos, de aluguéis  de FII ou até  mesmo  de juros de poupança,  a realidade seria muito diferente, mas isso é assunto para outro post.

A tranquilidade financeira deve ser construída aos poucos, um tijolinho a cada dia que passa. Não é realista ficar esperando "a grande tacada" no mercado financeiro. É preciso paciência e persistência. 

Forte abraço! Fiquem com Deus! Que esta confusão termine logo.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Os pequenos comércios de bairro


Saudações, quarentenados e sobreviventes! Como estão passando? Espero que estejam todos conseguindo trabalhar e tirar seu sustento!

Escrevo agora a "continuação" do artigo anterior inspirado neste tweet:





(Esse cara às vezes diz umas coisas sensatas, é interessante ler de vez em quando, e também tem um canal no youtube sobre mecânica, que pode ser útil para quem estuver aprendendo ou pretende ser mecânico.)

Sou totalmente a favor da ideia de valorizar o comércio de bairro, valorizar o pequeno comerciante, e eu tento seguir esse pensamento o máximo possível, dando preferência a comprar algumas coisas em mercadinhos, lojas de rua, vendedores ambulantes, etc. ao invés de comprar em grandes redes. Acho que é importante para contribuir com a prosperidade de todos, porque quanto mais pequenos negócios, mais oferta e mais empregos (uma vez que as grandes empresas são muito mais sujeitas a enxugar pessoal, centralizar atividades e automatizar processos). E quanto mais empregos, mais renda, e por aí vai, num ciclo virtuoso. Por exemplo, eu procuro fazer pelo menos algumas compras em mercadinhos e comprar suprimentos de escritório em papelarias pequenas sempre que possível, dou preferência às pequenas farmácias, dentre outras coisas.
(Particularmente, eu evito ao máximo comprar coisas nas grandes empresas "lacradoras" e que tentam empurrar agendas globalistas, esquerdistas, etc. goela abaixo do povo. Infelizmente ainda não é possível evitá-las totalmente, porque nosso país ainda é dominado por oligopólios, mas quem sabe um dia...)
   
Mercadinhos de bairro: pequenos notáveis - Blog Comunidade Urbana

Por outro lado, realmente existe o problema do alto preço cobrado em alguns comércios pequenos.

Por quê eles às vezes cobram tão caro? Imagino que pelos seguintes motivos:

- Se forem muito pequenos, geralmente  não conseguem o desconto de compras em grandes lotes dados pelos fornecedores >> se a loja é pequena, provavelmente não tem espaço para guardar grandes estoques, então o comerciante é obrigado a comprar aos poucos, o que aumenta o custo unitário das mercadorias e também leva a gastos mais altos com fretes (como compra um pouco de cada vez, tem que comprar mais vezes, o que gera mais fretes) > pensando no exemplo dos supermercados: eles são capazes de sustentar seu negócio tendo um lucro de alguns poucos centavos (ou até de frações de centavos) por cada unidade vendida devido ao grande volume diário de vendas, capacidade que um mercadinho de bairro não dispõe por causa da menor capacidade de atender clientes e do menor espaço físico na loja.

- Não têm acesso aos mesmos fornecedores que as grandes lojas têm >> a capacidade de produção de um fornecedor não é infinita, então uma estratégia usada por grandes empresas para evitar ou dificultar o surgimento de concorrentes é comprar toda a produção de seus fornecedores, pelo menos a dos melhores fornecedores. Sendo assim, as empresas menores não têm acesso aos mesmos fornecedores que as grandes, tendo que comprar as produções dos menos eficientes e/ou de menor qualidade
Brumado: Farmácia Meira a melhor opção em seu Bairro na compra de ...


- Como têm uma projeção menor de clientes por dia, tentam garantir seu lucro com menos vendas, o que de certa forma os obriga a cobrar mais caro por cada produto;

- Devido à menor escala de atividades, as empresas pequenas têm menor poder de barganha em relação a fornecedores, o que empurra para cima seus custos (têm menos chance de conseguir descontos, ou de conseguir prazos maiores para quitar suas dívidas com fornecedores, ou são obrigadas a pagar tudo à vista, o que gera a necessidade de ter permanentemente muito dinheiro em caixa - este último caso vale principalmente para aqueles que se abastecem nas lojas maiores e não com fornecedores atacadistas)

Creio que o motivos acima ajudem a explicar a diferença de preços. Além disso, pagando mais caro em um mercadinho, por exemplo, você também está pagando pela conveniência de não pegar a fila de um supermercado, ou pelo menos é o que se costuma dizer, e geralmente é verdade, mas também há, infelizmente, pequenos comerciantes que alopram no preço, a meu ver desnecessariamente e até mesmo com preguiça de correr atrás de fornecedores melhores e mais baratos, ou até por pura ganância. Me pergunto se não valeria mais à pena cobrar mais barato para conseguir vender mais e girar mais o estoque... 

Infelizmente é normal acontecer o exemplo mencionado no tweet acima: no supermercado o preço é R$ 3,50 e no mercadinho é R$ 7,00... Como nunca fui dono de mercadinho, não posso saber se daria certo, mas se eu fosse dono, eu tentaria arranjar um fornecedor melhor que cobrasse mais barato em cada produto, enxugaria custos onde pudesse e caso eu realmente não conseguisse fornecedores "de verdade" e fosse obrigado a me abastecer nos supermercados grandes, eu não cobraria o dobro do preço, o meu ágio seria menor... 

Digamos, se no Extra a Heineken custa R$3,50, eu cobraria R$ 4,50 ou R$ 5,00 na unidade caso me abastecesse no Extra. E ainda basearia minha propaganda nas filas grandes do Extra e demais supermercados, colocaria cartazes e distribuiria panfletos com coisas como "Fuja das filas, compre aqui" e tentaria descobrir produtos e marcas que o Extra não vende e tentar oferecer na minha loja, além de atender muito bem cada cliente, coisa que empresas grandes têm dificuldade em fazer (e vários comércios pequenos falham também, conforme relatei no meu último artigo)... 

O que vocês acham dos mercadinhos e demais pequenos negócios de bairro? Comentem aí...

Que suspendam logo essa quarentena! 

Forte abraço, fiquem com Deus!