sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Coisas que acontecem no trabalho

Saudações, confraria da blogosfera!

No meu emprego, como já disse em postagens anteriores, eu ocupo uma posição intermediária, ou seja, não sou peão mas também não sou patrão, e tenho uns poucos funcionários "subordinados" a mim.  

Consegui esta vaga agindo sempre com bom senso, não cometendo erros graves e evitando arranjar confusão - eu tento adotar uma postura não reativa, evitando arranjar problemas com colegas, superiores e subordinados. 

Evito manifestar opiniões pessoais sobre assuntos sérios, e tento, sempre que possível, almoçar sozinho em um local afastado, para ficar longe dos papos sobre o trabalho (é incrível como que tem gente que adora ficar fazendo "reuniões informais" no almoço...) e poder pensar com calma em outras coisas, para desanuviar minha mente. 

Às vezes eu almoço bem rápido, em 15 minutos ou menos, e saio para andar por aí. Eu todos os dias gasto a maior parte da hora de almoço andando nos arredores do trabalho (se pudesse vender a hora de almoço para sair mais cedo, eu faria isso, mas infelizmente não é assim que as coisas são, então aproveito para descansar a mente).  

O que importa para mim é ficar longe dos papos sobre trabalho e das fofocas de escritório. É bom para refletir sobre a vida e ter ideias. 

(Aliás, alguns posts deste blog tiveram sua origem nessas caminhadas)

Quem trabalha em empresas que não são "de família" - onde normalmente os cargos mais importantes pertencem aos membros da família, e praticamente não há possibilidade de promoções - se depara com uma certa rotatividade de chefes. Volta e meia trocam os gerentes, os diretores, o CEO, etc. Sempre que há uma mudança dessas, geralmente é dolorosa (conforme ilustrei neste meu post sobre o diretor detalhista), porque um chefe novo sempre traz mudanças nos processos de trabalho e até no próprio ambiente em si. Algumas benéficas, outras não. 

Recentemente (já faz alguns meses) em meu trabalho, houve a troca de um gerente e um diretor ao mesmo tempo, e muitas foram as mudanças: revisão de processos, reformulação de departamentos, e por aí vai. Teve aquele choque da nova gestão que todo mundo que trabalha ali certamente sentiu. Como sempre, isso envolveu sair mais tarde, com muitas horas extras não pagas.

Isso me fez refletir sobre algumas coisas que são comuns nessas épocas de mudança. Vejam se já não passaram por experiências semelhantes e concordam comigo:

1) Essas épocas costumam ser ruins porque além de ter que fazer o seu trabalho, você ainda tem que ficar mostrando pro novo chefe como as coisas funcionam e ficar o tempo todo provando que 2+2=4 e ainda deixando um monte de coisas do jeito que ele quer, ou seja, você deixa de fazer as coisas que estava acostumado e tem que se adaptar a fazer coisas diferentes (geralmente na forma, e não no resultado) e isso quase sempre é doloroso.

2) Em termos de quantidade, a maior parte das mudanças que ocorrem na troca de um chefe é puramente estética - por exemplo, ele troca o layout padrão dos slides que são confeccionados para reuniões, troca a cor da toalha da mesa onde fica o café, troca a disposição das mesas onde as pessoas trabalham,  e por aí vai. Isso é, a meu ver, uma forma de "marcar território" e além disso, pode ser explicado pelo seguinte fato: 99% dos trabalhos de escritório que existem são orientados por processos que já foram mapeados há muito tempo, de modo que a maioria das alterações provocará mudanças apenas incrementais, ou seja, o grosso do trabalho - criar o processo e estruturá-lo e passar a cumpri-lo rotineiramente - já foi feito, e agora é só deixar a "máquina" girando e fazendo pequenos ajustes ocasionais. 

3) Sempre tem coisas que por alguma razão eram muito importantes para o chefe  anterior mas que o atual simplesmente não liga, e há  coisas que para o outro não tinham importância mas para o novo chefe são imprescindíveis. Cada um tem um modo de enxergar as coisas. O chato são as mudanças que isso proporciona - ocorrem mudanças de prioridade no meio do caminho e tudo fica embaralhado por um tempo.

4) Existem chefes que delegam mais coisas e deixam os subordinados fazerem suas tarefas, só cobrando os resultados, enquanto há outros que querem controlar os pequenos detalhes - quando se muda do primeiro tipo para o segundo a mudança é especialmente dolorosa, e foi o que aconteceu no meu trabalho. Eu particularmente prefiro que me deixem na minha fazendo o meu trabalho,  mas isso infelizmente mudou. (mas o lado bom do chefe "micro-gerente" é que ele também acaba carregando um pouco da culpa quando alguma coisa dá errado)

5) Pela minha experiência, muitos chefes pensam da seguinte maneira: "na época dele" tudo era muito mais difícil, mas mesmo assim ele resolvia tudo, fazia tudo com os olhos vendados, em cinco minutos e melhor que você. Ele com certeza era o bonzão quando era analista e depois ficou melhor ainda quando virou gerente. (Será que agiremos da mesma maneira quando formos mais velhos, caso tenhamos a oportunidade de subir... será que teremos a oportunidade de subir?)

6) É nestes momentos de mudança  em que descobrimos que não sabemos tanto quanto achávamos que sabíamos. Basta o chefe novo perguntar "mas por quê esse processo é assim e não desta outra maneira?" e muitas vezes perceberemos que não temos uma resposta. Às vezes nem existe uma resposta para isso. Acontece. Normalmente não trabalhamos na empresa desde sua criação, já assumimos nossas funções com os processos "rodando quente", e simplesmente aprendemos tais processos e os cumprimos, fazendo ajustes pontuais conforme o alcance de nossa influência no todo. Por um lado, essas perguntas cretinas são muito boas para nos fazer pensar e revisar coisas que possam estar ultrapassadas ou contraproducentes. Mas por outro lado, provocam mudanças dolorosas que envolvem ficar até tarde procurando a resposta que o seu chefe quer ou adaptando tudo para que fique da maneira que ele acha que é melhor, e que na maioria das vezes geram ganhos apenas incrementais ou puramente "estéticos".

7) Dificilmente uma mudança em um  processo, ainda que o simplifique, resultará em menos trabalho para os funcionários. Por um lado isso é bom, pois quem trabalha em empresa como CLT está a todo momento em uma eterna batalha para justificar seu custo (afinal, normalmente para a empresa somos só números numa planilha do RH e da contabilidade, e não seres humanos com necessidades, desejos e aspirações - não sacrifiquem sua saúde por nenhum emprego, confrades!). 

8) Se a mudança que ocorre no trabalho envolve implantar um sistema novo, a maior parte do seu tempo será gasta ou aprendendo a usar o tal sistema e/ou lutando contra as reclamações dos outros, que não querem usar o sistema, principalmente se forem seus subordinados. E, não se iludam: mesmo que o novo software XPTO seja a "solução mágica para todos os problemas da empresa", daqui a um ano ou menos algum diretor ou equivalente (querendo aparecer e demonstrar serviço) vai cismar que o tal programa já não atende mais às expectativas e vai providenciar a implementação de um novo, e o ciclo das torturas infernais se repetirá.


E vocês, confrades? Como passam por mudanças no trabalho? 

Comentem aí!

Forte abraço! 

Fiquem com Deus!

16 comentários:

  1. Eu passei por todas essas situações na época do serviço militar , cada vez que tinha troca no comando .

    Se na vida militar aonde todos os procedimentos , horários e maneira de fazer as já eram padronizadas , e mesmo assim cada comando tinha manias e maneiras de operar diferentes , não quero nem imaginar como deve ser o caos na iniciativa privada a cada mudança no comando .

    https://rasratel.blogspot.com/

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    1. Valeu pelo comentário, Ras Ratel.
      Sim, é o verdadeiro caos. As coisas ficam obsoletas muito rápido, cada chefe novo quer implementar uma "escola de pensamento" diferente, e por aí vai.
      Você é funcionário público? Ou é autônomo? Como são as mudanças no seu ambiente de trabalho?

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    2. Interessante foi a questão número seis .

      Uma coisa que eu aprendi no ambiente militar é que devemos ser bons no que fazemos , conhecendo o serviço de trás pra diante .

      Eu ganhei muitos pontos positivos por ser bom de serviço , mas quando o peão é pego no contrapé , infelizmente ele vai ter que aturar reclamação e trabalho extra do superior .

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  2. Mago,

    Esse tema é muito bacana para reflexão.

    Eu também não gosto de almoçar ou fazer lanchinhos junto com os outros colegas de trabalho, prefiro fazer isso sozinho e em paz. Em especial no que trata-se de comida, me deixa mais confortável comer sozinho em um canto.

    Acho que fofoca não é algo muito relevante, no máximo você aprende que o fofoqueiro não é uma pessoa de confiança e que se fala mal de outro pelas costas é quase certo que faz o mesmo com você. Não entendo os motivos para criticarem o trabalho de um colega para mim, eu não tenho poder ou autonomia para fazer nada a respeito. Vai falar para o chefe do fulano!

    Assim como você não ocupo nenhuma posição de liderança, mas já fui uma pessoa preocupada com o resultado de toda a equipe. Sempre gostei de pensar em formas de melhorar o processo para melhorar a entrega do resultado, na época pré-covid gostava de ir em treinamentos ou reuniões na matriz para conseguir trocar experiências com funcionários de outras filiais, sempre aprendi muito e nessas trocas acabava tirando alguma coisa que poderia servir para a filial que faço parte.

    Entretanto com o tempo percebi que isso não era bem visto na minha filial, muito por incompatibilidade na filosofia de trabalho, para evitar queimar meu filme resolvi abortar esse tipo de iniciativa e simplesmente jogar o jogo.

    Em relação aos pontos mencionados com você sobre a troca de chefes, apesar da minha curta carreira no mercado e poucas trocas de chefes eu concordo com seu raciocínio.

    Abraços,
    Pi

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    1. Realmente quem faz fofoca dos outros com você certamente dirá coisas a seu respeito nas suas costas...

      Esse seu relato sobre o esforço que você fazia para trazer boas práticas pra sua filial da empresa e não ser bem visto infelizmente acontece muito. O esforço muitas vezes não é recompensado nas empresas. Muitas preferem iludir os funcionários com tranqueiras e bobagens como "dia do pijama", sala de video game (que você nunca vai jogar), etc. Ao invés de dar promoções, aumentos ou bônus. Aliás, tem muita empresa que nem tem mais plano de carreira: quem pegou alguma promoção, pegou, quem entrou depois vai ficar no "nível 1" até ser demitido, acumulando responsabilidades que antes eram dos níveis mais altos mas sem receber nada a mais por isso.

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    2. Detestável essas empresas "descoladas".

      Gosto de ser remunerado em dinheiro. Preciso de dinheiro para pagar minhas contas e investir.

      Quantos "Parabéns" e tapinhas nas costas eu preciso juntar para comprar um lote de ITSA ou pagar a internet?

      Abraços,
      Pi

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    3. Pois é. Essas empresas moderninhas comandadas por "homens sojados" são muito sem noção. Tudo bem nos dar parabéns por um serviço bem feito, mas também queremos dinheiro.

      Empresários, querem motivar seus funcionários?
      Sigam estes 3 passos:
      1 - recompensas sempre em dinheiro (nada de vale presente, vale desconto em lojas conveniadas, workshops, nada disso. Queremos é dinheiro)
      2 - participação nos lucros para todos, e não só para os alto executivos
      3 - meio expediente nas sextas feiras (pelo menos 1 vez por mês)
      4 - paguem as horas extras, em dinheiro.

      Se só cumprirem o item 1, já estarão infinitamente melhores que 99% das demais empresas de hoje em dia.

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  3. Uma das coisas mais importantes para qualquer pessoa no ambiente de trabalho é ser observador e identificar o mais rapidamente possível qual é o ambiente que você está.
    Quem é quem entre seus colegas (quem realmente trabalha, quem é fofoqueiro, mentiroso, sabotador, invejoso, quem é focado, participativo, quem é folgado etc).
    E se há possibilidade de crescimento, valorização ou ao menos um ambiente onde haja um mínimo de respeito. Após essa consciência sobre os colegas e a empresa dá pra ter uma noção do que é possível esperar daquele contexto e o quanto antes para de alimentar ilusões que nunca se concretizarão.
    Tem pessoas que durante anos agem como burros atrás da cenoura, trabalham anos na expectativa de contrapartidas, reconhecimentos, promoções que não vem e podem nunca vir.
    O importante é ser profissional, coisa que poucos são.
    Respeitar a empresa, os colegas e a sí mesmo. Não se envolver em fofocas e baixarias, procurar desempenhar seu papel da melhor forma independente de contrapartidas, afinal o funcionário já recebe bem ou mal pra fazer algo.

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    1. Valeu pelo comentário, anon.
      É isso mesmo: fazer o melhor possível, sem comprometer a própria saúde, para defender o seu salário, nunca se envolver com baixarias e intriguinhas, e poupar o máximo possível, para depender cada vez menos da empresa.

      "O funcionário já recebe bem ou mal para fazer algo"
      O problema é que hoje em dia não há respeito pelo contrato de trabalho. As empresas pagam o mínimo e esperam o máximo, mesmo coisas fora da função para a qual você foi contratado. Esperam que você "vista a camisa" mas não vestem a sua. Daí a importância de poupar, aportar em ativos de valor, e estudar muito para se tornar altamente empregável e não depender da empresa.

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  4. eu sou servidor publico há 15 anos.
    Já tive várias chefias. De cabeça agora, me lembro de sete chefes IMEDIATOS. Sem contar as mudanças de chefias acima do meu chefe imediato.

    Só tive problema com a minha primeira chefia. Ela era muito controladora. Gostava de deixar a "marca" dela nas minhas tarefas. Chegava ao cúmulo de pedir besteiras do tipo trocar porém por no entanto.

    Na primeira oportunidade que tive para mudar de setor, não pensei duas vezes. Bye.

    Daí em diante as mudanças foram tranquilas. Só pedi para mudar uma vez. As outras mudanças eu fui convidado para participar de novos projetos e aceitava, a depender do que era oferecido.

    Nunca fui chefe, nunca ocupei cargo em comissão. E não quero.
    Sou um excelente executor, e gosto de trabalhar sozinho.

    Também almoço sozinho. Odeio fofoca e almoço com colegas é praticamente isso.

    Das mudanças que você apontou no texto, realmente ocorrem muito também no serviço público. Normalmente as tarefas já são bem padronizadas e eficientes, mas as novas chefias gostam de fazer alterações, inclusive de programas e sistemas. No fundo, alguns prejudicam e outros melhoram, mas continua tudo do mesmo jeito em questão de eficiência e produtividade.

    Incrível como as pessoas são egocêntricas. Elas partem do princípio de que, se foram colocadas como chefes, elas tem que deixar a marca delas, senão a chegada delas não se justificaria.

    Abraço!

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    1. A vaidade é realmente um problema sério e que traz muitas dificuldades e contratempos no trabalho. Muitos chefes iniciam projetos e determinam mudanças na empresa mais por ego do que por eficiência. Eu já notei muito esta tendência de querer "deixar sua marca", por mais fútil que seja. Concordo que provavelmente é uma maneira de justificar a promoção a um cargo de chefia.
      Eu já tive um chefe que mandou trocar toda a mobília do escritório (novinha, com menos de 2 anos de uso!) porque, segundo ele, "estava ultrapassada" - eu jamais faria isso no lugar dele.
      Eu, caso venha a estar numa posição destas algum dia, só vou querer consertar coisas que estejam erradas, não vou querer reinventar a roda e nem fazer mudanças estéticas.

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  5. "Como passam por mudanças no trabalho? " finjo que sou retardado (tenho especial talento para isso) e no final com as tarefas mais idiotas

    vai ser arriscado quando meu atual chefe se aposentar, mas acho que conseguirei repetir a encenação se alguém desconhecido tomar o lugar o dele

    abs!

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  6. * fico com as tarefas mais idiotas

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    1. Quem dera eu pudesse fazer isso, Scant.

      Meu "sonho" (sonho é uma palavra forte, mas não encontrei outra melhor no nomento) era ter uma função "técnica", algo como um consultor interno ds empresa, sem nenhum funcionário subordinado a mim, e ficar esquecido no meu canto, só fazendo minhas análises e relatórios... mas infelizmente até no meio privado existem funções que são exclusivas dos "amigos do rei".

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  7. Bons e precisos apontamentos. Quando eu trabalhava embarcado, costumávamos falar "cada comandante é uma marinha". Infelizmente é uma das coisas que parecem ser inerentes a estrutura de trabalho formal, só muda a dose msm.

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    1. Sim, certas coisas são inerentes ao trabalho formal. Acho que é inescapável. Se eu conseguir me tornar professor e dar aula em uma escola ou faculdade, devo passar pelos mesmos problemas, só que com outra roupagem.
      Trabalhar embarcado não deve ser fácil. O comandante deve acabar ficando com muito poder sobre sua vida nos dias que você passa dentro do navio, imagino.

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