sábado, 20 de março de 2021

Ideias de negócios - soldagem e serralheria

 Saudações confrades e companheiros de jornada!

Um mês sem postar... as coisas têm estado meio pesadas em meu trabalho, o que me deixa cansado e sem muita inspiração para escrever... 

Depois devo fazer um post sobre algumas das coisas que aconteceram no trabalho, pois há certos aspectos psicológicos e sociais interessantes e que creio que valham um post... veremos. É prudente deixar algum tempo passar para que os eventos se distanciem e as ideias amadureçam.

Continuando, trago aqui mais uma postagem com uma ideia para um pequeno negócio. 

Relembrando, meus critérios para "pequeno negócio" são:

- Investimento inicial relativamente baixo;

- Poder trabalhar sozinho e/ou com poucos empregados (mas de preferência sozinho);

- ser dono de meu horário. 

Para quem não leu, aqui vão os links para as postagens anteriores desta série:

1- Loja de penhores 

2- Jornaleiro

3- Barraca de pizza / mini pizzaria

Agora vamos à ideia de hoje:

Uma profissão que eu próprio realmente considero como plano B ou plano C na minha vida é ser soldador e serralheiro e trabalhar com reparo de portões, chapas, portas, etc. e talvez até mesmo fabricando móveis simples de metal (bancos, mesas, etc. - móveis que dá para fazer a baixo custo usando vergalhões, por exemplo).

fonte: um dos sites que eu indiquei no fim da postagem. Visitem todos eles! Vale a pena!

Aliás, está na minha lista pessoal de planejamento profissional um dia fazer um curso de corte e solda no SENAI ou em algum curso privado que ofereça tais conhecimentos. Além do curso, tenho certeza de que existem inúmeros tutoriais no YouTube e em blogs especializados que me ajudariam a complementar e a lapidar meus conhecimentos e habilidades. Se eu encontrar esse curso à noite na minha cidade, certamente reservarei um tempo. Se não tiver à noite, então reservarei alguma época de férias para isso. E se eu fosse demitido do nada, acho que eu começaria imediatamente.

Considero que esta é uma profissão que, sabendo fazer direito e sendo trabalhador, dê para tirar uma boa grana por mês,  ainda mais se você for pontual e organizado,  coisa que, pela minha experiência, muitos destes profissionais que trabalham nessas áreas relativas à construção civil (pedreiros, marceneiros, encanadores, etc.) infelizmente não são, talvez por uma questão de "cultura da brasileira da malandragem". Portanto, está aí uma oportunidade para angariar clientes.

Além disso, ao contrário dos trabalhos "comuns" de escritório  CLT mensalistas em geral, quanto mais você  trabalhar, mais dinheiro irá entrar em seu bolso, então aqui ser workaholic (por um tempo) pode sim compensar.  

Investimento inicial: 

- Curso de corte e solda e de serralheria (eu não me arriscaria nessa profissão só com tutoriais de YouTube e de blogs- pode ser muito perigoso, e não recomendo que ninguém se aventure a mexer com maçaricos e ferramentas elétricas de corte em geral sem preparo e conhecimentos prévios) 

- Maçarico e máquina inversora 

- estoque inicial de eletrodos ("varetas de solda")

- estoque inicial de insumos (tubos, conexões, vergalhões, chapas, etc. - o material exato depende do tipo de trabalho que você deseja fazer)

-Ferramentas básicas (martelo, alicate universal, esmerilhadeira, discos de corte e de polimento)

- EPI (máscara para solda, luvas, avental, botas, óculos de proteção)

- Mala de rodinhas para carregar as ferramentas 

- cartões de visita (para distribuir no seu bairro e em bairros próximos, deixar em lojas de materiais de construção, etc. para ir fazendo seu nome e angariando clientes)

Todas estas coisas acima você encontra facilmente em qualquer loja de ferramentas, é só pesquisar onde for mais barato. Claro que como eu não tenho 100% dos conhecimentos necessários para ser soldador e serralheiro, eu posso estar me esquecendo de alguma coisa, mas o investimento inicial é bem por aí. 

A Loja do Mecânico vende este kit para serralheiro que, a meu ver, é relativamente barato (R$645,00 + frete), o que comprova minha tese do investimento inicial baixo para começar nesta nobre profissão.

Sinceramente, não sei se um soldador autônomo consegue tirar uma boa grana por mês,  mas eu estaria disposto a tentar construir meu nome e ir angariando clientes. (Se algum leitor meu trabalha com solda  por favor comente aí e compartilhe suas experiências profissionais e de vida). 

Uma coisa que eu faria, pelo menos no começo, seria literalmente ir caçar clientes na rua: percorreria as ruas de meu bairro à procura de portões quebrados, tortos, enferrujados, etc. e ofereceria meus serviços, de porta em porta. Eu começaria mesmo estando ainda em meu atual emprego, trabalhando nos fins de semana e feriados e nas férias. Em cada cliente eu deixaria meu cartão de visitas, e assim iria construindo meu nome e eventualmente talvez seria capaz de largar o emprego e viver de serralheria. 

Será que daria certo? Acho que o resultado seria diferente para cada um, e só descobriremos tentando.  

Além disso, por ter várias aplicações na construção civil, creio que sempre haverá trabalho para um serralheiro, basta ter boa vontade e procurar um canteiro de obras, uma empresa de construção, etc. Ou seja, caso o negócio próprio vá mal, ainda dá para se virar como empregado celetista em uma oficina ou trabalhando sob contrato em empreitadas. Óbvio que meu principal objetivo seria ser autônomo, mas sempre precisamos de um plano B (além, claro, da boa e velha reserva de emergência) para evitar ao máximo passar apertos e necessidades.

Outra coisa que eu considero importante seria ter conhecimentos além dos de solda e serralheria: creio que um bom profissional desta área, caso deseje trabalhar como autônomo, deveria ter também uma alguma noção de instalações hidráulicas, instalações elétricas, desenho técnico-industrial, usinagem e tornearia mecânica, de modo a ser alguém bem capacitado para desempenhar várias tarefas para os clientes.

Quem sabe, com o tempo, eu não conseguisse alugar (ou talvez comprar) uma pequena oficina e com isso me tornasse ainda mais confiável e profissional aos olhos do mercado consumidor? Talvez um pequeno terreno baldio sirva, e com pouco dinheiro eu construiria um pequeno galpão que me serviria de oficina. Talvez o que sairia mais caro seriam as instalações elétricas que eu teria de fazer. Um risco neste caso é que geralmente os terrenos baldios estão cheios de pendências jurídicas (disputa entre herdeiros, disputas entre proprietários e seguradoras, etc.), o que dificulta sua compra e a torna muito arriscada. Talvez o ideal seja mesmo comprar ou alugar uma pequena loja ou sala comercial térrea e transformá-la numa oficina. Outra maneira possível seria usar a garagem de casa como oficina, especialmente se ela for ao ar livre (eu não tenho carro e nem pretendo ter, então seria uma maneira de útil de aproveitar o espaço) - mas sempre tomando cuidado e levando em conta o risco de incêndio.

Em minha pesquisa, encontrei estes sites que parecem ser bons e podem ajudar aqueles que quiserem seguir a profissão, contendo dicas de ferramentas, de segurança, de gestão de estoque, e até da parte empresarial da coisa. Recomendo a leitura.

https://casaserralheiro.com.br/blog/

https://blog.oximaq.com.br/

https://www.ferpam.com.br/blog/

https://www.meuserralheiro.com.br/

https://www.profissionaldoaco.com.br/


O que os confrades da blogosfera das finanças acham desta ideia? Se arriscariam nesta profissão? Eu a considero bem interessante porque une criatividade, habilidades manuais e alguns conhecimentos de química, física e matemática. 

Forte abraço! Fiquem com Deus!


sábado, 20 de fevereiro de 2021

2 anos de blog!

 Saudações, Confrades!


Hoje meu blog completa 2 anos!

É muito bom estar aqui interagindo com a blogosfera das finanças, talvez a mais unida e participativa das blogosferas. Leio muitos posts bacanas dos colegas, leio algumas histórias inspiradoras e aprendo um pouco mais sobre finanças.

É muito gratificante fazer parte deste feliz "cantinho "da internet e interagir com todas estas pessoas focadas na superação pessoal.

Agora vamos à reflexão. O que aconteceu por aqui  nos últimos 365 dias? 

1) Patrimônio 

Ao longo de 2020 eu abati mais uns 4 anos do prazo do meu financiamento. Atualmente, o prazo está irrelevante, pois o valor remanescente da dívida já está inferior ao de um carro popular. Se eu parar de adiantar valores, o financiamento terminará em dezembro deste ano, mas não pretendo fazer isso. Vou continuar adiantando alguma coisa todo mês, e calculo que por volta de junho eu termine de pagar. Mais ou menos um ano antes do prazo que previ no meu post de aniversário de 1 ano de blog! Consequências do ciclo virtuoso, pois quanto mais o prazo do financiamento diminui, maior se torna a parte de principal contida em cada prestação, de modo que o financiamento é quitado cada vez mais rápido. 
Sendo assim, por volta de junho escreverei um post aqui contando que quitei o financiamento.

O meu patrimônio líquido ficou positivo pela primeira vez desde o início do financiamento por volta de outubro do ano passado. O valor da minha reserva supera o valor de minha dívida, e eu poderia, se quisesse, sacar o valor necessário e quitar a dívida hoje, mas prefiro não fazer isso, prefiro manter minha reserva de emergência do jeito que está.
Ela ainda está abaixo do que considero ideal: para mim o ideal é que ela tenha um valor equivalente a uns 6 meses do meu salário líquido, mas minha expectativa é bater esta meta ainda este ano. E então, a partir do ano que vem, aumentar a RE para 1 ano de salário líquido.
 Outra coisa boa após quitar o financiamento vai ser poder voltar a investir em ações e FII (por enquanto não invisto em nada porque todo o meu dinheiro está indo para a quitação do financiamento ou para a RE).

2) Este blog

- Foram 65 posts publicados até hoje (contando com este), e 562 comentários (por volta de metade são meus, pois sempre procuro responder a todos os leitores que comentam). Praticamente todos os comentários agregam valor ao blog, e sou grato a todos os meus leitores fiéis. 

- Em 2020 iniciei a minha série sobre ideias para pequenos negócios, e estou gostando muito de escrever sobre o assunto, porque faço minhas pesquisas e vou descobrindo coisas que podem ser úteis para mim e para meus leitores. Tenho uns 2 posts desta série no rascunho, e pretendo escrever mais. Vamos ver no que dá.

- o post da "black pill da inteligência artificial" desbancou o da "cultura do filho doutor" e atualmente é o mais visitado do blog. O da cultura do filho doutor ainda está no top 5, e ele foi o que ficou mais tempo em primeiro lugar. Novamente, agradeço aos leitores!

-Confesso que quando resolvi iniciar o blog, eu pretendia ser mais técnico (conforme escrevi nos primeiros posts) - por exemplo, pretendia escrever sobre o modelo de Fama e French, o modelo de Black Scholes, etc. Isso é porque na época eu estava bastante afim de fazer um mestrado na área de economia/finanças,  e usaria o blog também como um repositório de meus resumos das matérias para a prova da ANPEC (essa prova serve como um pré processo seletivo para programas de mestrado, e pode ser usada também para pedir bolsas de estudos, dependendo da nota). Sinceramente, dei uma desanimada deste objetivo. Até o final do primeiro semestre de 2019, eu estava estudando forte para a prova da ANPEC,  mas então por problemas pessoais parei e desde então não consegui mais voltar. Isso fora o desânimo de fazer um mestrado, coisa que agora só penso em fazer caso consiga me tornar professor. Meu blog então tomou um viés de "reflexões sobre a sociedade". Deve ser melhor assim.

- Em 2020 postei menos que em 2019, e acho isso natural, pois desde muito tempo antes eu tinha muitas ideias "represadas"  que viraram vários dos posts do primeiro ano do blog, e em 2020 foram praticamente só as ideias novas. A tendência deve ser essa mesma. Vamos ver se este ano eu tenho um surto de inspiração.


Dito isto, que venham mais anos de blog! Vida longa à blogosfera das finanças! Somos uma pequena ilha de bom conteúdo em meio ao oceano de escuridão que se tornou a internet.

Tem algum assunto que vocês gostariam que eu escrevesse? Sugiram um tema para um post! Vou ver se consigo escrever.


Forte abraço, meus companheiros de jornada! Fiquem com Deus!






sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Em busca da liberdade terrena, se é que ela existe

Saudações, confraria da blogosfera!


Primeiramente: não se iludam, não existe a liberdade plena neste mundo. Seremos sempre, no mínimo, escravos da Natureza (sempre sujeitos ao clima, às condições físicas em geral do local onde vivemos, etc.), da nossa natureza humana em si (nossas necessidades), e estaremos sempre sujeitos a sofrer violência por parte de outros seres humanos. 

(por exemplo, por mais cuidado que você tome ao dirigir um carro, você não tem como controlar o quão cuidadosos os demais motoristas estão sendo, então o simples fato de dirigir ou até mesmo ser passageiro de um veículo já é um exercício de confiança nas demais pessoas). 

Isso tudo são coisas que ninguém pode controlar. Ao menos, não completamente. 


A "liberdade" a que podemos almejar é aquela relativa às coisas que estão mais ou menos sobre nosso controle. Uma delas é aquilo que escolhemos fazer com o fruto de nosso trabalho: quanto gastamos, quanto economizamos, onde investimos, o que compramos, etc.. Outra é aquilo que fazemos em nosso tempo livre: o que ler, o que aprender, quando e o quanto descansar, o tipo de lazer que temos, e por aí vai.

Muitas coisas ruins acontecem no mundo por causa do cabresto da escravidão econômica. Acho que isso é uma coisa que muitos de nós sabemos até por instinto mas nem sempre conseguimos pôr em palavras. 

Chamei isso de Escravidão Econômica porque, como vocês verão, é um termo mais "genérico", muito embora talvez não seja o termo exato. Para alguns dos casos, talvez eu devesse chamar de "escravidão do conforto" ou "escravidão da vaidade". Digo isto porque há diferentes tons da escravidão econômica. 

Por exemplo, existe o trabalhador que ganha salário mínimo e que, por falta de alternativa, consome mais da metade de sua renda pagando o aluguel, e o restante mal dá para cobrir o custo mínimo de vida (alimentação, conta de luz e de água, transporte, etc.), de modo que ele está a uma consulta médica de distância para entrar no cheque especial (se é que já não está), o que inicia uma bola de neve que se transforma numa dívida que para ele é provavelmente impagável. 

Claro que ele pode dar um jeito e fazer bicos por fora para aumentar sua renda, e com isso pagar por uma formação melhor que lhe permita ao menos se candidatar a vagas de empregos que paguem mais, ou até iniciar seu próprio negócio, mas isso é bem difícil e trabalhoso, de modo que muitos nem tentam. 


Desta forma, o salário mínimo é, a meu ver, uma forma de escravidão econômica.


Por outro lado, existem muitas pessoas que ganham gordos salários e bônus, como os altos executivos, superintendentes, CEOs, etc. que também são de certa forma "escravos", mas por outros motivos. Muitos de nós da blogosfera ficamos impressionados, porque parece que eles não percebem que, muito provavelmente, já têm patrimônios que lhes permitiriam "viver de renda" com conforto durante muito tempo, de modo que ficamos espantados às vezes em como um figurão do mundo corporativo ainda se sujeita a tanto estresse, tantas noites trabalhando até tarde, aos sábados, domingos e feriados, e por aí vai. Muitos de nós, no lugar deles, provavelmente passaríamos o bastão para um sucessor e iríamos nos aposentar, ou trabalhar menos, em atividades mais prazerosas ou com mais significado. 

Uma explicação possível: eles estão em um nível completamente diferente da pirâmide de Maslow (aquela da hierarquia das necessidades humanas). Enquanto nós ainda focamos mais nas necessidades do meio da pirâmide (necessidades de segurança - patrimônio, casa para morar, trabalho para ter sustento, etc -, necessidades de afiliação - amizades, relacionamentos, sentir-se amado, etc. - e também no das necessidades de estima - confiança, respeito dos outros, etc.), estas pessoas vivem com a cabeça mais no último nível (auto-realização). 

Não sei se a pirâmide de Maslow ainda é uma teoria "respeitada" ou se já foi "refutada" por alguém, mas considero que ela oferece uma explicação simples e razoável para algumas faces do comportamento humano.

É claro que praticamente todo mundo, ao menos em alguns momentos, pensa em todos os níveis da pirâmide. Todos temos em maior ou menor grau a necessidade de auto-realização.  

A questão é que os mais ricos entre nós, por terem os níveis mais baixos já amplamente satisfeitos, passam muito mais tempo se dedicando aos níveis mais altos, especialmente o último. Isso ajuda a explicar porque um magnata de qualquer indústria geralmente trabalha até morrer: não é mais pelo dinheiro, porque ele tem o suficiente para que seus bisnetos possam optar por não trabalhar nunca. Também não é para ter uma casa bonita, porque  ele já tem propriedades nas melhores cidades do mundo. É para "deixar um legado", "escrever seu nome na história", derrotar seus rivais da indústria, e por aí vai. (O problema é quando eles começam a agir com "complexo de messias", mas isso é assunto para outro dia). 


Podemos dizer que este grupo é "escravo de si mesmo", escravos de seus egos.  Provavelmente não conseguiriam parar de fazer o que fazem. Talvez para este caso, escravidão nem seja a palavra mais adequada.


Outra explicação, esta muito mais aplicável aos CEO's profissionais e alto-executivos em geral (funcionários do topo da pirâmide corporativa, bem pagos porém não proprietários de porções significativas da firma): o alto salário os transporta para outro círculo social, um em que por algum motivo exige-se certa demonstração de status. 

Assim, é "esperado" que o CEO da empresa tenha um carrão e more numa mansão ou em um mega apartamento de muitos metros quadrados. Também é "esperado" que os diretores, alto-executivos, etc. vistam-se com roupas caras, frequentem os melhores restaurantes na hora do almoço, frequentem locais "de elite", viagem para o exterior todos os anos, etc.  (Como eles não são proprietários da empresa, então tais posses provavelmente estariam acima de sua capacidade, não fosse pela alta remuneração.)

Em parte isso é para demonstrar uma imagem de riqueza e prosperidade, não do indivíduo, mas da empresa ("olhem como a empresa XYZ paga bem, olha o carro que o diretor de marketing dirige!"). Um guerreiro da blogosfera das finanças, em busca da IF, provavelmente teria um carro mais barato e econômico caso estivesse numa posição destas, ou talvez nem tivesse carro (vide o Pobretão) e isto "arriscaria" a imagem da firma ("nossa, o diretor financeiro vai trabalhar de ônibus... aquela empresa deve pagar um salário miserável!"), de modo que ele não duraria muito tempo no cargo, ou talvez nem chegasse lá ("ah, o fulano não tem perfil de diretor, olha como ele se veste, não posso dar a promoção para ele"). Isso é ainda mais verdade aqui no Brasil, onde a ostentação é valorizada, inclusive entre os pobres, por incrível que pareça. 

Em bem pouco tempo, já não é mais pura ostentação, aqueles hábitos se incorporam à vida do indivíduo e ele passa a encarar o luxo como uma necessidade.

Todo este status, o glamour, o luxo, etc. afastam o indivíduo da realidade da vida (ele passa a viver numa bolha, a matrix dos ricos), e ele teme perder todo aquele status conquistado, pois sua perda seria dolorosa, principalmente em um meio repleto de vaidade e narcisismo como o alto escalão das grandes empresas e do governo: qualquer queda no padrão de vida é encarada como uma derrota vergonhosa, a ser evitada quase a qualquer custo.

Assim, o indivíduo está preso em outra forma de escravidão econômica (a "escravidão da vaidade" e, melhor ainda, "escravidão do conforto"), pois ele precisa manter seu alto nível de fluxo de caixa (salários altos, bônus, PL, etc), caso contrário não será mais bem-vindo nos círculos sociais que frequenta, por não conseguir bancar as despesas que tais círculos exigem (o custo de manutenção do status), e por aí vai. Os mais prudentes entre eles têm reservas que garantiriam uma vida confortável mesmo sem estes salários e bônus maravilhosos, mas não o suficiente para saciar sua sede de status e poder, até porque nestes círculos o patrimônio é, de certa forma, secundário (embora não deixe de ser importante): serve mais para cobrir o "custo de manutenção". O que mais importa, neste nível da hierarquia social é o cargo que se ocupa, a autoridade, os contatos a que se tem acesso, etc. 

Desta forma,  quem ingressa neste nível e se acostuma com esta vida, tende a fazer de tudo para se manter (explicado pela "adaptação hedônica"). Acredito que seja por este motivo que muito se fala em "psicopatas no poder". Quanto menos escrúpulos uma pessoa tem, provavelmente mais fácil se torna agir neste sentido (e se manter ou até galgar posições superiores).

(Eu, no lugar destes executivos e CEO's muitíssimo bem remunerados, estaria economizando 90% ou mais do salário e 100% de cada bônus que recebesse, para que eventualmente eu me tornasse independente daquela remuneração e da empresa, e é por isso que eu, talvez, não durasse muito numa posição destas, onde a demonstração de status é de certa forma exigida.  Acredito que muitos dos nossos colegas da blogosfera, senão todos, fariam quase a mesma coisa que eu)

Assim, muita maldade é feita no mundo, nem sempre por conta do mau caráter de quem a comete, mas pela covardia: porque seu perpetrador teme desobedecer uma ordem de um superior e perder seu emprego, o que significaria perder o conforto conquistado, uma posição de prestígio (como um cargo de diretoria, ou um cargo em uma filial privilegiada da empresa ou da repartição pública), e por aí vai. 

Isso, ao menos em parte, ajuda a explicar alguns casos de corrupção dentro e fora do governo, com tanta gente envolvida (lembrem-se dos casos de corrupção entre grandes empreiteiras e o governo: será que todos os envolvidos eram ladrões "de verdade"? Quantos estariam agindo obedecendo ordens, temendo perder cargos de prestígio nas empreiteiras? Claro que eles não deixam de estar errados, pois escolheram se corromper, mas a questão é: quantos destes corruptos agiram desta maneira por serem escravos de seus egos e de sua vaidade?).  

O que quero dizer com isso, confraria?

Quero dizer que, sem exagerar, precisamos tomar cuidado para, dentro do possível, não cairmos na Escravidão Econômica - em nenhuma de suas variantes. Acredito que a maioria da blogosfera das finanças não se encaixe na escravidão do salário mínimo (embora estejamos sempre sujeitos a ela), mas podemos cair na escravidão do conforto e da vaidade caso não tomemos cuidado. Nunca podemos ser dependentes demais destas coisas pueris. Devemos ter sempre a cabeça no lugar e tomar cuidado com as falsas necessidades que a "matrix" tenta nos empurrar e que só nos deixam mais pobres e, no fundo, infelizes, muito embora dêem uma alegria momentânea.

Estas são algumas formas de independência que devemos buscar. 


Forte abraço, confrades, fiquem com Deus!