quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Devemos nos libertar - e isso é para ontem



Saudações,  confrades. Quase 1 mês desde a última postagem. Eu estava de férias, literalmente, e aproveitei para me dedicar a outros projetos pessoais e a hobbies.
Sem mais delongas, vamos ao artigo de hoje, que, como sempre, são coisas que eu fico pensando no dia a dia, principalmente no caminho para o trabalho.

É urgente que nós, como indivíduos e como chefes de nossas famílias (a menor minoria que existe não é o indivíduo, mas a família!), nos tornemos o mais livres possível. Temos que nos tornar cada vez menos dependentes da renda proveniente do trabalho assalariado e das vontades de chefes, empresas e governos. Espero com este texto abrir os olhos de alguns indivíduos... afinal, a única minoria que deve ser defendida é o indivíduo a família, pois é a menor minoria que existe, e está sempre sujeita à tirania. Esta é a minha opinião. 

Quando tudo dá errado, você só tem Deus e sua família. Cultive sua família e mantenha-se sempre em contato com Deus, pois Ele nunca te abandonará!

1) Tenha o seu próprio imóvel (caso prefira morar de aluguel, julgo prudente ter pelo menos reservas capazes de comprar um imóvel à vista, pois um dia você irá precisar) >> Por quê? Porque enquanto você mora de aluguel, alguma parte da sua vida estará subordinada, de certa forma, à vontade do dono do imóvel

Às vezes é fácil trocar de imóvel caso a relação com o dono seja difícil ou caso ele aumente demais o aluguel, mas pode haver casos em que tal troca seja difícil ou até mesmo inconveniente para você (por exemplo, quando a alternativa é morar mais longe do trabalho, ou em um bairro mais perigoso, ou com menos opções de transporte e comércio), o que aumenta o poder de barganha do dono.

E esta relação é ainda pior quando o dono do imóvel for uma empresa e não um ser humanopois a relação se torna mais fria e impessoal, e o mesmo vale para quando o dono deixa a gestão do aluguel nas mãos de uma corretora (cada vez mais comum). (notem que o Seu Barriga era bastante caridoso com o Seu Madruga, visto que o permitiu continuar morando em seu imóvel mesmo após estar devendo 14 meses de aluguel! Se ele deixasse na mão de uma imobiliária, o Seu Madruga teria sido despejado muito antes de acumular essa dívida de 14 meses)

Além disso, tem esses dois argumentos do Bastter: 

1)"E se você tiver 80 anos e o dono do imóvel resolver te despejar? Como você vai se mudar da noite para o dia?"; e 

2)"E se todo mundo resolver viver de aluguel, quem vai ser o dono dos imóveis?" - em relação a este último, ele ainda acrescenta uma observação que deveria ser óbvia para todos, mas infelizmente não é: que o setor financeiro tem todo o interesse que você não seja dono do próprio imóvel: é menos dinheiro "imobilizado", gerando mais corretagens para bancos e corretoras, mais impostos para o governo, etc

Eu acrescento o seguinte: acho que ter sua própria casa /apartamento/ terras, etc. faz parte da noção de dignidade humana. Quando não somos donos de casas ou terras, alguém vai ser o dono, não existe vácuo em se tratando de propriedade, e isso não é nada bom no longo prazo. (Vide esta empresa pilantra de San Francisco que maldosamente se aproveita da explosão de pessoas sem-teto na cidade e cobra 1.200 dólares de aluguel por uma cama com uma prateleira - alguns de vocês podem dizer que isso foi uma "atitude empreendedora", e que a empresa está na verdade ajudando os sem-teto, mas eu digo que isso é um sinal dos tempos, e que a empresa está explorando os necessitados, enquanto vende uma imagem de "startup moderninha e limpinha" - façam o exercício mental e imaginem um futuro assim, onde as pessoas comuns só moram nesse tipo de lugar, que nem ratos, e ainda tendo que agradecer à empresa pela "oportunidade" de morar numa cama, usar banheiros compartilhados e pagar "apenas" 1.200 dólares por mês)


2) Não dependa 100% da renda proveniente de seu emprego - se for um assalariado, comece um negócio por fora, faça bicos, torne-se um autônomo da sua área, venda bolos e salgados, sei lá, mas não permita que durante toda a sua vida você seja 100% dependente do emprego, pois assim é muito alta a probabilidade de na velhice você se tornar 100% dependente das migalhas do INSS ou das migalhas de qualquer sistema previdenciário, público ou privado, o que é extremamente arriscado. >> se você é 100% dependente do salário, então você é o perfeito "wage slave", preso na corrida dos ratos, e uma parte considerável de sua vida e de sua felicidade estará diretamente subordinada à vontade de seu chefe imediato, de seu diretor/CEO, e dos donos da empresa onde você trabalha. Se você for funcionário público, então parte de sua vida e felicidade estarão subordinadas ao chefe da repartição, e aos desmandos de algum ministro/juíz/político, o que pode ser até pior, dependendo da situação. Seja dono de seu próprio destino, o máximo que puder.



3) Reforçando o item 2, acima, tenha suas reservas financeiras para se proteger das crises, porque às vezes elas são inevitáveis. Desde a antiguidade, o sábio Esopo nos ensina isso, através da fábula da Cigarra e da Formiga. Aliás, desde os tempos bíblicos isso nos é ensinado (vide Provérbios 6:6-11 (“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado”)). 
Ter reservas suficientes aumentam o seu poder de barganha, te dão a liberdade de recusar trabalhos que não lhe agradam ou em locais para onde o deslocamento for muito custoso em termos de tempo/dinheiro, e lhe dão mais autonomia na vida.

4) Em complemento ao 2 e ao 3, suas "reservas" não devem se limitar às financeiras: devemos estender a noção de "reservas" para a área das habilidades, conhecimentos, competências, cultura, etc. Ou seja, se você tem um emprego onde executa uma atividade bastante específica e sabe fazer pouca coisa além dela, você está se arriscando muito, e sendo um perfeito "wage slave". Deste modo, se estiver partindo do zero em sua busca por mais habilidades e conhecimentos, comece por sua própria profissão e as áreas de conhecimento correlatas,ou seja, aprenda outras funções além da sua, torne-se versátil.
Alguns exemplos:

-Se você for garçom, aprenda a cozinhar, a preparar drinks, a fazer ornamentações, etc. para ser menos substituível no restaurante;

-Se você for pedreiro, aprenda marcenaria, e vice-versa, para ter versatilidade nas obras que fizer.

-Se você for professor de matemática, vire professor de estatística/física/química, para atender a mais alunos, ampliar seu mercado, etc.;

- Faça cursos de habilidades úteis no mundo real como montagem e manutenção de computadores, eletrônica, eletricidade, etc.

- Faça cursos de habilidades úteis no mundo virtual: ciência de dados, SQL, linguagens de programação, etc.

Depois disso, comece a diversificar o conhecimento em diferentes áreas profissionais, menos relacionadas entre si, para se proteger das sazonalidades dos mercados de trabalho, ter para onde correr se for demitido, para se diferenciar, etc. 

Exemplos:
- se você é contador, administrador, "auxiliar administrativo", caixa, etc., aprenda alguma linguagem de programação e pratique-a, para facilitar suas tarefas diárias e principalmente para poder ganhar dinheiro fazendo projetos por fora do seu emprego;

- se você já é do ramo de TI, aprenda contabilidade, administração, etc, para saber como ajudar melhor seus clientes;

- Se você é da área de letras, procure especializações e cursos nas áreas ligadas à psicologia, para ensinar e lidar melhor com seus alunos;

Depois de adquirir tais conhecimentos, é uma boa ideia começar a fazer cursos ou ler livros a respeito de vendas, habilidades de negociação, etc, mesmo que você não seja um vendedor ou não queira trabalhar com isso, pois acho que é importante uma pessoa saber pelo menos como "se vender", no sentido de se autopromover, principalmente no caso de pessoas que são naturalmente tímidas - infelizmente é normal que pessoas com bom potencial percam oportunidades para concorrentes medianos e submedianos falastrões só porque são tímidas e não sabem se impor ou se promover na hora certa
Essa necessidade de desenvolver nossas habilidades sociais já foi abordada pelo colega Gerson Ravv em seu (extinto) blog , e o Robert Kyiosaki também já deu este conselho em um de seus livros, acho que no "Pai Rico - Pai Pobre".

5) Outra forma de liberdade que todo ser humano deve almejar é a liberdade dos vícios. Nossos vícios, sejam eles quais forem, literalmente nos escravizam e nos arruínam em diversas áreas da vida, sendo a financeira a menor delas, pois dinheiro é possível recuperar. Cada um tem o dever de se esforçar para se livrar dos seus vícios. Aliás, para aquele que tem vícios graves para a saúde (drogas, bebida e cigarro) este deveria ser o primeiro passo no caminho da liberdade;

6) Após libertar-se dos vícios, comece a se libertar das falsas necessidades. Dificilmente você irá realmente precisar do último modelo do Iphone/Galaxy, ou de um carro que custa R$ 180K, para ser feliz. Você provavelmente também não precisa trocar todo ano de celular e de carro, ter uma porrada de pares de tênis Asics, um monte de casacos da Adidas, pilhas de camisas da Lacoste, etc. O "mundo" inventou várias necessidades artificiais, algumas válidas e outras completamente falsas (como é o caso da gourmetização das coisas, tão evidente hoje em dia; existem versões gourmet até de pipoca e papinha de bebê). As "vítimas" somos todos nós: através de truques psicológicos e de marketing ultra sofisticados as grandes empresas e os governos (sempre geridas por pessoas, é bom enfatizar) nos convencem a aceitar muitas destas falsas necessidades, a enxergá-las como legítimas. É preciso se libertar desta hipnose moderna.

7) Em relação ao item 6, não estou dizendo para ser radical e abolir completamente todas as "marcas caras" da sua vida. Às vezes o preço mais caro realmente é justificado por uma qualidade superior, e quando este for o caso e para você a relação custo X benefício lhe for favorável, vale à pena, sim, pagar mais caro. O problema que estou apontando no item 6 é em relação à quantidade (ex: tênis da marca "X" realmente são bons, mas basta ter uns dois ou três pares, é exagero querer ter, digamos, 10 pares) e à velha lição imortal que é a base de toda a educação financeira: não gaste mais do que você ganha. O "mundo", a "matrix", etc. te incentiva a consumir, a gastar muito, a financiar coisas, pegar empréstimos, etc., e cabe a você ser sensato e gastar menos do que ganha, evitar ao máximo pegar empréstimos e financiamentos, sempre pagar em dia a fatura inteira do cartão de crédito (esqueça esse negócio de "pagar o mínimo", que é uma invenção bancária para te transformar em um escravo por dívidas) e nunca entrar no cheque especial
Uma das piores coisas que aconteceram com os pobres nesta bizarra época em que vivemos foi o fato de que muitos foram convencidos de que precisam ostentar, que precisam ter um padrão de vida maior do que suas rendas comportam, ou seja, convenceram os pobres que eles não podem viver como pobres, que eles precisam viver, nas aparências, como se fossem da classe média alta ou "ricos" (pois os ricos de verdade são muito mais discretos e não ostentam, até porque preferem não ser reconhecidos). 
Eles deveriam, para se salvar, reaprender a viver como pobres, tal qual nossos avós, que sabiam ser pobres: não ostentavam, não tinham gastos supérfluos, sabiam se controlar, sabiam trabalhar duro, colocavam a família em primeiro lugar, etc. E hoje em dia vemos pobres ostentando, parcelando Iphones em 50 vezes e comprando abadás e ingressos caros,  enquanto moram em barracos, sem poupança, sem reservas, vivendo de salário em salário, pendurados no cheque especial, tendo que acordar às 4h para chegar às 7h no trabalho, e chegando em casa às 22h, sustentando a roda da corrida dos ratos. Isso não é uma forma de escravidão moderna?

Uma crítica que, imagino, alguns farão aos itens 6 e 7:"Ain, não é bom ter um mindset de miséria, porque ele te leva a mais miséria" - claro que não é bom, não é isso o que estou dizendo, não estou defendendo este mindset. O que quero dizer é que, pelo menos no começo da jornada, pode ser necessário fazer coisas como "contar os centavos" e "apertar o cinto", ou seja, saber ser pobre, para evitar cair no cheque especial, evitar se endividar, etc. mas depois que conseguimos melhorar a situação, podemos ir aos poucos ir abandonando estes hábitos, até chegarmos na situação ideal que é não se preocupar muito com os preços das coisas do dia-a-dia, alcançar o equilíbrio entre viver bem e poupar para o futuro.

Forte abraço a todos! Fiquem com Deus!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

A mentalidade do povo faz toda a diferença

Às vezes temos verdadeiras epifanias a partir da observação de situações totalmente simples. Não sei se vou conseguir transmitir para vocês através de palavras escritas o que eu senti e ainda sinto, mas vou tentar fazer isso da melhor maneira possível.

Estava assistindo aquele programa "Caçadores de Relíquias", do History Channel, aquele programa em que dois caras saem pelos EUA numa van procurando por colecionadores e acumuladores de praticamente qualquer coisa (vale tudo: de brinquedos antigos e tampinhas de garrafas até carros e peças automotivas antigas) para comprar e depois revender na loja deles. Se eles têm lucro nisso? Se têm muitos clientes? Se é doença? Não sei e não quero saber. A sensação que esse programa me passa, e que é o foco deste artigo, é como que a cultura dos EUA é rica e produtiva, e como eles têm muita história interessante, e as possibilidades que a economia deles, infinitamente mais livre que a nossa, proporciona, além é claro, do que eu considero mais importante que é a mentalidade de homem livre.

Já tem 19 temporadas

Veja bem: os caras vão dirigindo pelos EUA. Passam por diversas cidades, e já a partir daí  vemos como que as cidades lá são  boas, até  as pequenininhas, que (ao menos parecem) têm boa infraestrutura de serviços. Comparem até com algumas cidades médias daqui, e verão  a diferença. Pelo menos neste aspecto de organização, cuidar das coisas públicas, ter preocupação em deixar as coisas com boa aparência,  limpas e arrumadas, a cultura deles é  bastante superior à nossa. Não me venham com esse papo de que nenhuma cultura é  superior a outra porque isso é mentira para enganar trouxa. Há verdadeiros buracos por lá? Há  cidades abandonadas, nojentas, cheias de problemas de infraestrutura? Há  sim, infelizmente. Mas na média, eles são  bem melhores que a gente nesta parte de urbanização.

Aí  a dupla entra no terreno de algum cara, geralmente com um estilão meio caipira, que é  famoso no local por ter uma grande coleção  de determinada coisa, e é  essa coisa que eles querem comprar para revender.


Aí  você  vê  que a pessoa, na maioria das vezes, tem um terrenão, com verdadeiros galpões entulhados de coisas, geralmente carros e motos antigas, e às vezes coleciona até mesmo algumas coisas bizarras como latas de óleo, placas, letreiros, brinquedos antigos, etc. Os dois negociantes do programa começam a conversar com o sujeito, que mostra a coleção  pra  eles, conta umas histórias  a respeito de alguns itens, o apresentador principal do programa conta as curiosidades que sabe a respeito,  geralmente uma história foda de alguma empresa que faz parte da história dos EUA e ajudou de certa forma  a construir o país (sempre é  uma história interessante), empresas que criaram coisas incríveis do nada (várias montadoras de carros, motos, máquinas industriais, etc.) ou então que reinventaram e aperfeiçoaram muitas coisas que já existiam (brinquedos, jogos de tabuleiro, ferramentas, aviões, animação, filmes, etc.), e neste grande e contínuo processo criativo muita coisa boa foi somada à sociedade, que cresceu e engrandeceu culturalmente, de modo que a cultura norte-americana domina todo o mundo ocidental e uma boa parte do oriente. Vários padrões, hábitos, costumes, etc. foram eles que estabeleceram, eles que inventaram, e o resto do mundo foi influenciado.

Em suma, os EUA tem uma porção de grandes empresas que realmente somaram para o país e para a sociedade americana (muito mais do que as grandes empresas brasileiras fizeram pelo Brasil), e isso foi em parte proporcionado pela mentalidade e pela cultura própria daquela sociedade e em parte pelo fato de a economia deles ser infinitamente mais livre que a nossa e a de vários outros países. Isso tudo permitiu surgir uma variedade imensa de empresas em N setores, e permitiu e ainda permite, entre outras coisas, que pessoas comuns (com aquele jeitão de pobretão e caipira) tenham terrenos enormes e tenham muitas coisas neles (não  estou entrando no mérito  de se é  bom ou mau uso do dinheiro, estou falando apenas da possibilidade). Sério, vendo esse programa fica a impressão de que qualquer zé-mané dos grotões dos EUA é  capaz de ter um terrenão, galpões, vários veículos, ser praticamente auto-suficiente, etc.,  enquanto que aqui... melhor nem falar.

Quando eu comparo com o Brasil, vejo que temos pouquíssimas empresas que de fato somaram, que contribuíram com algo além dos empregos que geraram e dos dividendos pagos pros acionistas. O meu argumento é que aqui não teríamos tantas relíquias para serem caçadas, usando o linguajar do programa. Aqui não atravessamos nenhum período virtuoso de rompantes criativos nas empresas, pegamos tudo pronto, importamos tudo, até as empresas que surgiram aqui para começar nossa indústria, na primeira metade do século XX, eram em sua maioria multinacionais já estabelecidas no mundo e que simplesmente abriram mais uma filial aqui no Brasil.

Repetindo, pegamos muita coisa já pronta, e a desvantagem disso foram vários aprendizados que nossas empresas e empresários deixaram de ter, várias tecnologias que não desenvolvemos por conta própria e tivemos que importar e/ou tivemos que pagar mais caro para ter acesso, entre outros problemas. Por causa disso, não somos reconhecidos no mundo por praticamente nada. Parte disso é culpa do Estado, por causa do excesso de burocracias, regulações e impostos, que inibem o espírito empreendedor do brasileiro, e em parte por causa da própria mentalidade brasileira de desprezar o trabalho e a mentalidade criadora: aqui enaltecemos a malandragem, a boemia, a exploração dos outros, o "levar vantagem". As empresas e pessoas aqui no Brasil, de modo geral, são mais "exploradoras" do que "criadoras": as empresas exploram os empregados (horas extras não pagas, demandas fora do horários do expediente, não deixar que o empregado realmente se desenvolva, etc.), enquanto que muitos dos empregados aproveitam qualquer oportunidade para vagabundear (inventam desculpas para faltar, para sair mais cedo, atestados médicos falsos, etc.), e por qualquer motivo processam a empresa.

Vejam a diferença de mentalidade entre os 2 países: lá eles têm uma cultura criadora, com vontade de voluntariamente  agregar coisas pra sociedade (chamam isso de espírito de homem público) tudo isso com suporte da mentalidade americana de "homem livre", que quer fazer as coisas por si próprio, ser dono do próprio nariz e, principalmente, que aceita os deveres e responsabilidades da liberdade.

Exemplos da mentalidade americana:
- sou responsável por cuidar de mim e da minha família,  então vou cuidar bem da minha casa para ela não ser um antro de doenças;
- a chuva derrubou uma árvore no meio da rua, então vou me juntar aos vizinhos e dar um jeito de desbloquear a passagem;
- a obra da minha casa gerou muito entulho e sujeira, por isso que desde o começo eu contratei uma caçamba bem  grande para levar logo isso daqui pra não  atrair ratos e esse lixo não deixar minha rua feia;
- vou cuidar do meu gramado para não  atrair bichos e manter a boa aparência da minha casa e do meu bairro, porque isso ajuda a não  desvalorizar  a região, além de manter um ambiente bom e agradável para todos;
- teve um assalto essa semana, então  eu e meus vizinhos vamos passar a patrulhar as ruas de noite, fazendo rondas, pois não queremos que nossos filhos cresçam num bairro perigoso;
- Preciso de um carro, então vou trabalhar no McDonald's, e nos fins de semana vou fazer bico de bartender, para juntar dinheiro e comprar o carro. Não há demérito nenhum em trabalhar no McDonald's, ou em fazer bicos, ou em catar latinhas para revender, etc. O ruim é ser vagabundo.
- Não vou aguentar trabalhar até os 70 anos, então vou economizar e investir "X" dólares por mês para conseguir me aposentar ou trabalhar só meio expediente quando quiser. Não quero depender de ninguém.
- Não vou esperar o governo resolver, vou lá eu mesmo fazer, não quero que o governo se meta, sou um homem livre.

E por aí  vai.

 Aqui no BR é  o contrário: temos uma cultura exploradora - na média, as pessoas querem pegar o que puderem pegar, e depois ir embora, sem se importar se estão agregando alguma coisa pra sociedade ou destruindo. Não  há  espírito  de homem público: tudo é  responsabilidade do Estado, a coisa pública não é de todos: é  de ninguém, então  dane -se. Nossa mentalidade não é de "homem livre", mas sim de escravos e senhores de escravos, alternando entre estes papéis. Parece que não queremos a liberdade, e que não estamos prontos para as responsabilidades inerentes a ela.

Exemplos de típicos pensamentos brasileiros:
- É  responsabilidade da prefeitura fazer todas as obras e recolher todo o lixo, então vou deixar minha calçada ficar suja e esburacada  porque não é  problema meu, não  importa que  todo mundo pense assim e isso vá  aos poucos transformando meu bairro num gueto sujo;
- A minha rua é de barro e o prefeito nunca manda asfaltar então  toda vez que chove fica tudo enlameado e os carros não conseguem passar. Vou juntar os moradores e fazer uma vaquinha pra asfaltar e resolver o problema? Claro que não, eu vou é continuar esperando a prefeitura asfaltar, porque não é problema meu, dane -se se vier uma enxurrada e dar perda total nos carros dos vizinhos;
- Não me importo de jogar lixo na rua e no bueiro porque depois o lixeiro cata, é o trabalho dele. Mas se quando chover e a rua alagar eu perder minha casa e meus móveis, vou exigir uma indenização da prefeitura;
- vou deixar meus filhos nadarem no valão, porque criança tem que brincar. Se alguém  ficar doente, é pra isso que serve o hospital público e os postos de saúde;
- vou montar um barraco numa encosta mesmo e dane -se. Se a enxurrada derrubar minha casa, a culpa é  do governo e se bobear eu ainda pego uma indenização;
- Nunca que meus filhos vão trabalhar no McDonald's /na Construção Civil / lavando carros / etc. Meus filhos vão trabalhar de terno e gravata, vão ser advogados e doutores, não interessa se só começarem a trabalhar depois dos 25, 30 anos. O ruim seria eles trabalharem em empregos que não são dignos deles.
- É um absurdo que a maioria dos aposentados estejam ganhando só um salário mínimo do INSS. Espero que até eu me aposentar, o governo conserte isso e o INSS pague aposentadorias mais justas.
- Isso aqui é o governo que tem que fazer, e não eu. O presidente / governador / prefeito que resolva!

Com este texto eu quero dizer que os EUA são um país perfeito? Não, eles têm um monte de defeitos, a sociedade deles é tão ou mais doente que a nossa (perfeccionismo com a vida e  com a carreira, pressão absurda desde o berço para "vencer na vida", bullying em níveis que beiram a psicopatia, consumismo desenfreado para preencher grandes vazios existenciais, etc.), várias das empresas de lá também têm a mentalidade exploradora (principalmente quando atuam fora dos EUA), nem tudo são flores.

E eu quero dizer que o Brasil é um país destinado ao fracasso eterno? Não, nós podemos melhorar, e cada pessoa tem o dever de educar seus filhos da melhor maneira possível, de modo que a nossa cultura exploradora vá morrendo aos poucos, e sendo substituída por algo que preste, algo que ajude o povo a prosperar.

O que vocês acham da mentalidade brasileira? E de outros países?


Forte abraço, fiquem com Deus.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Mais sobre ETFs (4) - análise do IVVB11

Saudações, confrades

Dando continuidade à minha série sobre ETF, agora vou analisar o IVVB11, o qual é administrado pela Blackrock -> link para a página do fundo

Vamos para o básico:

Fundo lançado em 2014
Taxa de administração - 0,24% a.a (ou seja, para cada 10K reais investidos, pago 24 reais por ano)
Benchmark - S&P500 (em reais)
Passivo (conforme balanço de maio de 2019) - R$ 67.000,00 (0,02% do patrimônio líquido)
Sujeito aos 15% de imposto sobre o lucro nas vendas de cotas

Conforme a página do fundo (link acima), mais de 99% do patrimônio está aplicada em "produtos financeiros dos Estados Unidos". Conforme as demonstrações financeiras do exercício findo em maio de 2019, estes produtos são cotas de outro ETF, o "IShares Core S&P 500", sediado nos EUA. Ou seja, o IVVB11 é na verdade um "ETF ao quadrado", um ETF que aplica em outro ETF. A análise completa deverá abranger o IShares Core S&P 500. 

Vamos analisar brevemente a metodologia do índice S&P500 (disponível aqui):
 - ver página 4: "o S&P 500 se concentra no setor de grandes capitais do mercado; entretanto, uma vez que ele compõe uma parte significativa do valor total do mercado, também representa o mercado. As empresas do S&P 500 são consideradas as empresas líderes nas indústrias líderes."
- ver a página 6: "Capitalização do mercado: capitalização não ajustada de US$ 4,6 bilhões ou mais para o S&P500 (...) Liquidez: (...) a empresa deverá comercializar um mínimo de 250.000 ações em cada um dos seis meses levando até a data da avaliação"
- ver a página 7: "flutuação pública de pelo menos 50% da ação (..) Viabilidade financeira geralmente medido como quatro trimestres consecutivos dos ganhos positivos (...) renda líquida (...) excluindo-se as operações descontinuadas e os itens extraordinários (...) Outra medida de viabilidade financeira é a alavancagem do balanço da empresa, que deverá ser operacionalmente justificável no conecto (sic) * de seus pares da indústria e seu modo de negócio"

* acho que ele quis dizer "contexto".

Agora, analisando a carteira do ETF onde o IVVB11 aplica:

Essas aí são o TOP10 do fundo, a imagem tirei do https://www.morningstar.com, um bom site para faze análises.
 Conforme os dados obtidos no morningstar.com, o setor com maior predominância no fundo é o de tecnologia, e isso fica evidente na figura acima: as 4 empresas de maior peso na carteira do fundo são dessa área. E conforme as regras de composição do índice S&P500, teoricamente todas as 500 empresas do fundo atendem aos critérios de resultados positivos, free-float superior a 50%, liquidez e balanço apresentando pouca dívida ou dívidas razoáveis para o ramo de negócios (aquela parte sobre alavancagem do balanço), ou seja, são empresas mais confiáveis e mais bem estabelecidas.

Agora, sendo realista em relação ao fundo:
- Ao investir no IVVB11, você passa a ser dono de uma fração de uma sociedade (IVVB11) que é dona de uma fração de outra sociedade (IShares Core S&P 500) que é dona de frações de outras sociedades (500 empresas da bolsa norte-americana que compõe o índice S&P500). Ou seja, você na verdade está "muito distante" de ser sócio das empresas da carteira do fundo. Isso pode incomodar algumas pessoas.
- Por outro lado, o fundo tem tido sucesso em replicar seu benchmark (é um ETF, afinal de contas). Para aqueles que não se importam com "ser sócio", ainda assim é um ativo que valoriza conforme o índice S&P500, o que está longe de ser nada. Para aqueles que só se interessam com a valorização do capital próprio, e não com ser sócio de empresas, é um ativo interessante, dado o histórico centenário de valorização do mercado de ações dos EUA.
- Porém, tendo em vista que é um ETF que aplica em cotas de outro ETF, por que não abrir uma conta numa corretora no exterior e aplicar diretamente no ETF IShares Core S&P500? Tem dúzias de tutoriais de como fazer isso na internet, então acho que só se justifica aplicar no IVVB11 se você não tiver recursos suficientes para abrir esta conta no exterior, ou se não quiser ter o trabalho necessário para isso (nem sei se é pouco ou se é muito trabalho, nunca estudei isso).
- Não deixa de ser uma diversificação para os investimentos, mas aplicando no IVVB11, não pense que estará realmente "diversificando no exterior", pois o ativo é brasileiro, então sujeito às leis brasileiras e a todos os problemas e confusões que podem ocorrer no mercado brasileiro. Sendo curto e grosso: se rolar um confisco de ativos no Brasil, semelhante ao confisco das poupanças da época do Collor, este ativo não vai te proteger disso, é importante ter isso em mente.  
- Porém, em relação a "diversificar os rendimentos" faz sentido, pois o fundo está indexado à bolsa dos EUA, então é uma forma do pequeno investidor "capturar" o rendimento daquele mercado.
-*** EDIT: conforme escrito pelo Marcelo Barbarossa (do blog CAPITALISMUS), outras vantagens de se aplicar neste ETF seriam:
 - a conveniência de ter um ativo com rendimentos do exterior sem ter que pagar as taxas de remessa necessárias para fazer esta operação você mesmo;
- Maior facilidade de declaração no IR, porque como é um ativo brasileiro, não tem necessidade de calcular taxa de câmbio. Seria só colocar o preço médio das cotas, que nem fazemos com as ações.