Saudações, caros leitores!
Retomando o meu post sobre os maus hábitos do comércio, que foi um dos que o pessoal mais gostou, trago agora a 2ª parte, onde vou escrever mais alguns maus hábitos que já vi sendo praticados por muitos comerciantes, só que desta vez focando em problemas que percebo em negócios específicos:
1) Hamburguerias gourmet e food trucks em geral: uma coisa que eu sempre notei nesse tipo de negócio (que há pouco tempo eram modinha) é que geralmente há muito pouca variedade de lanches. Na minha rua havia uma hamburgueria dessas, estilo "gourmet", que no cardápio só havia 3 sanduíches, e os três eram em um padrão que eu vejo em praticamente qualquer hamburgueria gourmet: um hamburger basicão (ingredientes: 1 hamburger de "blend" de carnes, 01 (uma) fatia de queijo, 01 (uma) folha de alface, um punhado de cebola caramelizada, pão de brioche ou algum pão escuro para dar aquele ar de coisa sofisticada) que parece que só está lá para encorajar os clientes a comprarem os outros 2 do cardápio; o 2º hamburger igual ao primeiro, só que com 2 carnes (às vezes com bacon em cubinhos); e o terceiro geralmente feito de costela de porco desfiada (e os mesmos adicionais dos outros dois). Geralmente o cardápio fica em um papel pintado de preto, com as letras brancas (cores escuras dão ar de sofisticação em restaurantes, reparem só) e os preços seguem o seguinte padrão:
- Hamburger basicão: R$ XX,00
- Hamburger basicão, só que com 2 carnes: R$ XX + 6,00
- Hamburger de costela de porco desfiada: R$ XX + 10,00
- Batata "Rústica": + R$ 8,00 (geralmente vem um punhado num cone de papel ou numa canequinha de metal)
- Onion Rings: + R$ 8,00 (geralmente vem umas 5 ou 6 unidades)
- Refrigerante (lata de 350ml): + R$ 6,00
Obviamente, os preços variam conforme o custo de vida em cada cidade, então para um cardápio desses em SP, por exemplo, trocamos o "R$ XX" por "R$ 35", "R$ 40", dependendo do bairro. O mesmo vale para Brasília, Rio de Janeiro, BH, etc. e eu vejo esse padrão sendo praticado até em foodtrucks, e aí é pior ainda, porque você acaba gastando mais de 50 reais para comer, literalmente, na rua (o que é estranho, porque o custo desse negócio deveria ser baixo)
foto meramente ilustrativa |
Óbvio que há exceções, mas eu infelizmente vejo essa gourmetização (dos preços) em muito lugar por aí. Isso é ruim porque na grande maioria dos casos esse preço alto não condiz com a qualidade e com o sabor da comida, então esses negócios acabam fechando em relativamente pouco tempo, fazendo com que os funcionários fiquem desempregados, fazendo o dono perder a grana investida e, quando são lojas, o imóvel fica vago, e se demorar muito tempo para outro negócio tomar o lugar, pode acabar sendo invadido e virando casa de mendigos, esconderijo de bandidos, etc., o que é muito ruim para quem mora naquela rua.
A da minha rua, que eu citei no início do texto, já fechou faz alguns anos, e outra hamburgeria "gourmet" já tomou o lugar dela, mas está resistindo porque é realmente melhor (mas ainda assim é careira).
Notem que no exemplo das hamburguerias e dos foodtrucks, além do cardápio pouco variado e dos preços inflados, há outro exemplo de um mau hábito do "comércio" brasileiro: a tendência do empresário brasileiro de querer lucrar vendendo pouco, mas vendendo caro, ao invés de querer lucrar vendendo barato mas vendendo muito (eu acho que o nosso padrão é o contrário do padrão do empresário dos EUA, acho que lá eles valorizam mais cobrar preços baixos para vender muito, mas isto é só a minha opinião baseada em minhas observações... posso estar errado)
2) Sebos: eu gosto muito de comprar livros em sebo, acho que uns 40% dos livros que eu tenho eu comprei assim, porque geralmente é só nesses lugares que se consegue encontrar obras que não sejam "best sellers", além de livros sobre assuntos mais específicos e/ou técnicos. Infelizmente as nossas grandes livrarias (as que ainda restam) falharam e muito em oferecer variedade de livros, quase não há livrarias "de nicho" no Brasil, livrarias técnicas, etc. O problema que eu vejo em todos os sebos que frequento é esse: os livros são muito mal organizados. Conheço um que o dono nem se importa, deixa tudo empilhado no chão e nas prateleiras de qualquer maneira, tem que procurar muito para achar alguma coisa. Um outro que frequento pelo menos organiza os livros por assunto, mas não os coloca em ordem alfabética, e por aí vai. Outro problema dos sebos (pelo menos todos os que eu fui eram assim) é que geralmente o dono não faz um inventário dos livros, então ele não tem controle nenhum sobre quais livros possui em estoque e muitas vezes também não vende pela estante virtual ou outro site semelhante, o que dificulta a vida dos clientes e faz com que ele perca vendas (eu sei que um pouco de desorganização pode até ser uma estratégia de negócio para livrarias e sebos: enquanto procuro um certo livro, acabo encontrando outros que posso acabar querendo comprar também, mas a desorganização tem que ter um limite, além do qual ela fica contraproducente).
3) Livrarias: pegando um gancho no que eu falei acima, o problema das livrarias no Brasil é que elas praticamente só vendem "best sellers" (aí ficam com as prateleiras entulhadas com 50 cópias dos mesmos livros), livros estúpidos (tipo os de alguns youtubers, e também "biografias" de "celebridades" ainda vivas - para mim, não tem muito sentido escrever biografias de pessoas vivas, principalmente se forem jovens) e algumas delas parecem muito mais papelarias do que livrarias propriamente ditas, e há uns dois anos entraram com tudo na modinha dos "livros de colorir para adultos". Outro mau hábito, só que das editoras de livros, é o de colocar capas muito feias nas obras, ou então quando o livro dá origem a algum filme, as editoras insistem em colocar a capa com o cartaz do filme. Na minha opinião, capas de livro têm que ser atemporais, e as que reproduzem cenas do filme com o tempo perderão o sentido, ou podem até espantar leitores, caso o filme tenha sido ruim.
4) lojas de ferramentas: o principal problema que vejo aqui é que em geral elas vendem pouca variedade de ferramentas, e é difícil encontrar peças extras e acessórios para as ferramentas elétricas/eletrônicas e mecânicas (diferentes discos de corte para esmerilhadeiras, pontas diferentes para furadeiras e micro-retíficas, etc.). Eu entendo que a demanda para coisas mais específicas não seja alta e que algumas ferramentas são para mercados mais restritos, mas a maioria das lojas de ferramentas me parece que nem tenta oferecer coisas melhores, ter um diferencial, etc. Claro que hoje em dia dá para encontrar muito mais coisa on-line, mas eu preferiria comprar em lojas físicas, porque posso ver a qualidade, ver se não está quebrada, além de não pagar frete (que tem estado muito caro). Outro problema é que normalmente elas não têm todos os tamanhos de peças (tubos, conexões, parafusos, etc. geralmente só tem meia dúzia dos tamanhos que mais saem).
Amigos, por enquanto é isso. Caso eu me lembre de mais coisas, eu publico uma parte 3 para esta série. Como eu falei no primeiro post desta série, caso você, leitor, seja dono de um dos tipos de negócio que apresentei aqui, não se sinta ofendido, encare tudo como críticas construtivas.
Vocês sabem de mais algum "mau hábito" dos nossos comércios aqui no Brasil?
Forte abraço! Fiquem com Deus!